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Sobre a Carpa de Alexandre O'Neill 

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LISTA DE POETAS POR ORDEM ALFABÉTICA DO PRIMEIRO NOME

NOTA: este conjunto de textos relacionados com Alexandre O'Neill constitui a primeira página de texto publicada na Net pelo primeiro responsável por este site. Não lhe retiraremos nunca uma só linha...

Com a preciosa ajuda do pseudodenominado Mayyahk em 6 de Dezembro de 2001, em fórum de Literatura da Clix Net, decidi enfrentar um desafio que fiz a mim mesmo; tentar, com os meus fracos meios e muita vontade, dar um pouco mais de luz à brilhante carpa do ( para mim e não só ) brilhante falecido Alexandre O’Neill.

Aproveito para agradecer a este poeta o emocionante e lírico mundo que trouxe à minha juventude, não só pela sua poesia, como pelas crónicas curtas que assinou no antigo Diário de Lisboa dirigido então por Norberto Lopes.

 

De Alexandre O’Neill

A CARPA

Sobre uma colagem de Marina Obo

Fundolho escamado superficiando olho prà carpa.

Vem do fundo do olho que foi ao fundo.

Movindo das profundas move manualetas, num abr’olhos

de peixespanto.

Dizque tacteia águas que estão na água,

trevas que estão na terra. Podeserque.

Carpabricolada, reactiva nossa gula das jóias,

tão segura da sua completude está,

tão cor é na desluz que a encerra ( escrínio ).

Nada nadando, a carpa vem ao de cima

devolver o olhar com que a vimos.

Olho na carpa de olhos em nós. Por ela e por nós.

Peixespelho, troço de maravilhoso,

atenção!,

a carpa vai fechar a luz.

Fechou. Agora, no escuro, a carpa travestindo-se

Para novos feéricos espectáculos pela mão de Marina Obo.

Oh, as carpas amestradas!

 

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Versão em prosa ( poética ) de total responsabilidade minha.

De Alexandre O’Neill

A CARPA

Sobre uma colagem de Marina Obo

Fundolho escamado superficiando olho prà carpa. Vem do fundo do olho que foi ao fundo.

Movindo das profundas move manualetas, num abr’olhos de peixespanto. Dizque tacteia águas que estão na água, trevas que estão na terra. Podeserque.

Carpabricolada, reactiva nossa gula das jóias, tão segura da sua completude está, tão cor é na desluz que a encerra ( escrínio ).

Nada nadando, a carpa vem ao de cima devolver o olhar com que a vimos. Olho na carpa de olhos em nós. Por ela e por nós. Peixespelho, troço de maravilhoso,

atenção!,a carpa vai fechar a luz. Fechou.

Agora, no escuro, a carpa travestindo-se Para novos feéricos espectáculos pela mão de Marina Obo. Oh, as carpas amestradas!

Versão em prosa ( que se pretende poética ), com significação - destrinça dos neologismos de total responsabilidade minha.

Com o fundo do canto do olho escamado, degenerando e superficiando distraidamente olho para a carpa. Vem, a carpa, do fundo do olho de água que se afundou desaparecendo.

A carpa movindo vem no seu movimento que a afasta das profundas da água movendo as manualetas ( que são os seus esboços de mãos ), e num esbugalhar de olhos de peixe espantado, diz que com as suas mãos tacteia águas que estão na água, pois que de muitas águas se faz a água que a mergulha e diz que tacteia as trevas que estão nas águas da terra deste mundo. Pode ser que seja assim mesmo; ela, a carpa, é que sabe.

Carpabricolada, freada, luzidia, reactiva a nossa gula das jóias, ao redespertar o nosso gosto pelo que brilha.

Tão segura da sua completude está, tão cor é na desluz que a encerra, como um escrínio guarda as suas jóias.

Quase sem nada nadar, a carpa vem ao de cima, devolver o olhar com que a vimos.

Ficamos de olho na carpa e ela de olhos em nós. Por causa dela e por nós, ambos peixes espelho, troço do maravilhoso da criação.

Atenção!,

A carpa vai fechar a sua luz, o seu brilho.

Fechou. Agora, no escuro, a carpa travestindo-se, transforma-se para novos feéricos espectáculos pela mão de Marina Obo.

Oh, as carpas amestradas!

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Neologismos:

Alexandre O’Neill é um dos mais conhecidos fabricantes de palavras, são de sua autoria ( entre aquelas que ficaram no vocabulário, pelo menos poético ) " olhos pestanítidos" e " crocodiletante" referidos por Jacinto do Prado Coelho em 1989.

Para aqui trouxemos só aqueles neologismos que podem não parecer evidentes:

Fundolho (fundo+do+olho )

Movindo ( movendo-se e vindo, aglutinadas ideograficamente )

Manualetas ( manual+aleta = asas / mão ou mãos / asa, neste caso barbatanas )

Carpabricolada ( carpa+bricolada= igual a carpa com freio; bricola é freio )

 

Ainda neste capítulo e embora não sejam neologismos mas sim uma construção imagética, a utilização dos termos " nada nadando " pode ser interpretada de formas diferentes;

ou como redundância neste caso de efeito ritmo / poético;

ou, o que me parece mais provável, trata-se da aplicação à poesia de um conhecimento simples da anatomia dos peixes, sem perder o efeito redundante, que refere o seguinte;

(...) A bexiga natatória explica igualmente a relativa facilidade com que certos peixes das profundezas sobem às camadas superiores (...) enchendo ou vazando a mesma.

 

Sublinhemos ainda, que, e em reforço da apreciação do termo manualetas, que as barbatanas peitorais e pélvicas correspondem respectivamente aos membros anteriores e posteriores dos quadrúpedes, sendo uma espécie de esboços primitivos. Logo, este movimento de manualetas refere-se exclusivamente às barbatanas peitorais.

 

Quanto ao termo Carpa, embora possa tornar-se exagerado procurar maiores ligações do que aquelas que o simples facto de ser um peixe de água doce traz consigo, e logo acessível a uma observação em qualquer lago ( ou num lago ) citadino, sem necessidade de transportar o poeta para uma maresia distante, não deixará de ser interessante frisar também que carpa advém do latim "carpa", mas que existe uma outra definição para o termo carpa que advém do latim carpinu , que tendo em português o mesmo significado que carpa, já significa em castelhano carpe, em francês charme e em italiano carpino. Ora, embora possamos estar a especular ( e estamos concerteza, o poeta não está cá para esclarecer as nossas dúvidas ) vamos tentar ver a questão desta forma também:

1º O castelhano carpe aproxima-nos do carpe latino que significa colhe, agarra , e em limite goza (enjoy), que se tornou mais conhecido através do filme " O Clube dos Poetas Mortos" através do acrescento "diem ", ou seja, goza o dia, aproveita o dia ( carpe diem ).

No francês, o termo charme é suficientemente conhecido ( e pode dizer-se que O’Neill retrata uma carpa charmosa, ou seja, a utilizar literalmente esta conjunção seria uma carpa carpa ). Quanto ao italiano não temos possibilidade de comparação em termos de dicionário, e o carpino em português não tem nada a ver com o assunto.

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ONDE ENTRAM LITERATURAS CHAMADAS DE MENORES

Nesta análise que temos vindo a fazer, sobre Alexandre O’Neill e a carpa, e que, ao que parece, teremos muito a estender, as pesquisas têm demonstrado que o estranho pode esconder-se onde menos se espera. Nesta caso, debrucei-me, a título de curiosidade sobre uma enciclopédia caseira que ganhava pó pelos cantos : " Os grandes enigmas do Mundo Animal " editado pelos Amigos do Livro e com texto traduzido de Yves Verbeck.

Vamos resumir, cortando, ao máximo possível aquilo que no Vol. I dos Animais Marinhos aparece: (...) Aí, a imensa concha abriu-se, mostrando, resplandecente como uma pérola no seu escrínio de nácar, uma jovem adornada apenas pela sua perfeita Beleza. Era, para o caso, a Afrodite dos Gregos, a Vénus dos Romanos. (...).

Não sublinhamos o que aqui interessa, para além do termo escrínio presente no poema A Carpa e do facto da ( belíssima ) Vénus de Botticelli que serve de figura introdutória a esta página ( homepage ) nascer de uma concha.

E segue: (...) A exemplo de Vénus, somos todos filhas e filhos do mar. (...) quando evolui no elemento líquido, o homem que nele mergulha efectua pois, de certo modo, um " regresso às fontes ".

E agora completa, esta citação : " Tal como se diz um soneto, uma ode, uma sonata, uma fuga, para designar formas bem definidas, assim se diz uma concha, um casco, um rochedo, um haliotis, uma porcelana, que são nomes de conchas; e tanto umas palavras como as outras fazem pensar numa acção que visa a graça e que se perfaz felizmente."

Era o que escrevia em 1936, o poeta francês Paul Valéry, num albúm que dedicou às conchas, essas " delícias dos olhos ", como gostavam de chamar-lhes no Sec. XVIII.

Ora, quem foi, e o que fez., dito em termos enciclopédicos reduzidos ( Ediclube, vol.25 ), Paul Valéry ( 1871-1945 ): (...) depois (...) Valéry descobriu-se na literatura, sobretudo a poesia. Senhor de um pensamento denso, de uma imagética variada e subtil deixou uma obra poética onde se entrelaça um simbolismo próprio, eivado de brilhantismo e de mistério. Dirigiu no Colégio de França um curso de poesia de que resultou a Introdução Poética. Autor de vasta obra em prosa e em poesia. Obras mais importantes: A Jovem Parca; Variedades; Visão do Mundo Actual; Eupalinos ou o Arquitecto; Encantos; o Meu Fausto. A sua obra teve grande influência nos primeiros autores surrealistas. E ficamos por aqui, guardando o surrealismo e o surrealismo de Alexandre O’Neill para a próxima remessa.

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