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			REMISSÃO

		Tua memória, pasto de poesia,
		tua poesia, pasto dos vulgares,
		vão se engastando numa coisa fria
		a que tua chamas: vida, e seus pesares.

		Mas, pesares de quê ? perguntaria,
		se esse travo de angústia nos cantares,
		se o que dorme na base da elegia
		vai correndo e secando pelos ares,

		e nada resta, mesmo, do que escreves
		e te forçou ao exílio das palavras,
		senão contentamento de escrever,

		enquanto o tempo, e suas formas breves
		ou longas, que sutil interpretavas,
		se evapora no fundo de teu ser ?


		Carlos Drummond de Andrade
		Claro Enigma, Editora Record, 1987
		Capítulo I - Entre o lobo e o cão

		

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