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Redação

ANO XXXIX                   www.jornaldosmunicipios.go.to       •  HOME
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A  FORÇA  SUAVE  DE

JANET  KERR
Dordogne - France

 

     Janet Kerr nasceu em Seattle, Washington, em 1940. Em 1962 muda-se para a Europa. De início para a Umbria, na Italia, depois para Londres onde trabalha como cantora. Apaixona-se perdidamente pela França. Muda para Paris, onde aprende a língua francesa, e dá início ao que será sua carreira musical durante quinze anos junto a vários grupos franceses. Grava um disco para RCA França, e se apresenta no Grand Palais, no Espace Sylvia Monfort, no American Cultural Center, no Lucernaire Forum assim como em vários Centros culturais e clubes através da França e da Suíça.

Em 1979 sua banda, "Belle Star", é levada para os E.U.A. por um deputado francês. É convidada a se apresentar na Venezuela sob os auspícios do Ministério da Juventude e da Cultura e faz tournês no Quebec, Canadá. Janet compôs e interpretou a música de duas peças no La Mama, que foram apresentadas no

The New York Times, e participou de várias peças art/performance em Nova York durante os anos 1980.
Cansada de música como carreira, integra o setor de
perfumaria como Diretora Geral e Vice-Presidente de Dinand Design - New York.

Os Ateliers Dinand são os mundialmente conhecidos conceptores de frascos de perfume, dirigidos por Pierre Dinand. Dinand é o gênio artístico de frascos de perfume tais como Opium, Calandre, Amariage, Tiffany e Obsession. Durante seus anos junto a Dinand Design Janet traduziu para o inglês "History of French Perfumerie", escrito por Marylene Delbourg Delphis, e também "Dinand, The Shapes of Perfume, Thirty Years of Design".

Em 1989 compra sua primeira câmara fotográfica e tira um mês de férias na Dordogne. Durante a sua estadia, algo acontece que a impressiona profundamente. Ao longo dos anos sempre que viajava levava consigo uma reprodução de um quadro de Corot, "O marinheiro de Mortefontaine".

Ao rever os primeiros slides de sua viagem, e se dá conta que a aura do vale da Dordogne, especialmente a que sua câmara tinha retido, correspondia exatamente a do quadro tão estimado. Decide procurar uma casa na região. Aprende a dirigir. Assiste aulas de fotografia na Parsons Night School e no International Center of Photography.

Encontra uma casa e agora, seis anos depois, reside em tempo integral, trabalhando no seu quarto escuro e pintando workshop. Seu trabalho está nas paredes de muitas coleções particulares e de empresas, na França e nos Estados Unidos.


                                                       


A CASA DE PEDRA

 

      Moro no interior profundo e carregado de História da parte nórdica da região francesa Dordogne. Entre castanheiras e bosques de nogueiras se intercalam plantações de milho e de trigo e por todo lado se espreguiçam campos nos quais se espalham vacas e carneiros. No topo da colina, só, na minha casa antiga de pedra, com o perpétuo movimento do sol, das nuvens, da lua e das estrelas acima de mim, eu tive um encontro com as forças da natureza e com elas aprendi humildade. Presenciei chuvas torrenciais que com pressa inchavam os leitos e transbordavam pelas margens dos rios, e vi, petrificada à minha porta, como os ventos uivantes de uma tempestade elétrica arrancavam pesadas telhas do meu telhado e arrastavam grandes álamos como galhos.

Mas a maior e mais impressionante força a qual jamais vivenciei foi a constante e penetrante força "do Suave" na natureza. Aprendi que aquilo que é suave requer tempo. Um simples soprar de vento é sinal de que, em questão de horas, as ameaçadoras nuvens no céu vão desaparecer deixando o horizonte sereno. Um tenro botão de jasmin vai se desenvolver para se transformar em um tronco forte, enquanto que sementes cuidadosamente plantadas certo ano podem florir no campo vizinho. Este suave processo é implacável. Cura feridas da natureza e forja paciência, equilíbrio e espiritualidade no ser humano.

Como fotógrafa, sou simplesmente um grão vivo no imenso universo, segurando uma máquina que nada mais é que uma caixa contendo um filme, que dirijo para uma direção ou outra e que abro para que a luz penetre um instante de segundo. Que grande prazer ao fixar a imagem em preto e branco no papel e então imaginar as cores daquele momento passageiro, dias, semanas ou estações mais tarde. Sou uma privilegiada testemunha do poder "do Suave".

 


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