
Poemas de "Essências Cordiais"
Seu Marcelo ganhou mundo.
Fez Direito, o desgraçado.
Que nem um Vasco.
E como tal, secou os jardins belos.
Seu Marcelo ganhou mundo.
Foi subir aos tribunais.
Quer acredite eu
Que as baboseiras que escreve
(Ou defeca) em horas vagas
É poesia profunda
Do mundo que o sufoca.
Ora, Seu Marcelo,
Ganhaste o mundo
E queres poesia?
Mais vale um código seco
Que um sutil e lento.
Seu Marcelo ganhou mundo
(São os que mais perdem tudo)
Desconhece a maestria
De um curso de rapina
Mais vale, à poesia,
O mundo que roubou.
E em que assim se fala
Por muito se embromou
Todavia, já não sei
Quantas encantou
Seu Marcelo ganhou mundo
Escalando moribundos
Diz assim Seu Castro,
Pai de Raimundo,
A quem Marcelo
Deixou sozinho e vesgo no mundo.
Seu Marcelo, amigo,
Por vontade minha morreria
Mas como essa história
É muito a toda hora
Mais um dele há de nascer.
Não faça
isto, seu moço.
Não perturbe o meu verso.
Escansão é inveja.
Este verso tem rima, mas a rima é de pedra.
A minha mágoa
com água rima.
E não termina.
Não termina.
O essencial, com que olhos rima?
"...
Mas o interior está cheio de ossos e podridão"
(Matheus, cp. XXII)
Creio que perdi a hora.
Demasias à parte,
cheguei atrasado
para o espetáculo dos palhaços viventes,
Somente trapézios.
Somente trapézios...
Tudo frio e exato.
A casa d'árvore
caiu, madura.
O coração enveredou-se
a um canto todo invisível e menor
e hoje meu vocabulário cordial
é um imenso sim.
Durante "o enquanto
isso"
Eu dormia.
Acordei detido
noutro sonho
Quando vindo e ouvido
nisso,
sentido aqui se viu.
De prestes a trinta
(desconsideração mor dos dias)
amotinei-me à populosa vida.
Então, sou-me.
Mesmo estando tarde
e o meu íntegro verbo "bastante"
n ão significar nada.
A vida
Vai
E vem.
Mas sente
Ir
E estar.
No dia em João
Nasceu...
Chovia muito;
Seu pai estava bêbado e desempregado.
No dia em que João
morreu...
Chovia muito;
Seu pai estava bêbado e desempregado.
· poema
clasificado entre os melhores do "concurso Poemas no Ônibus",
organizado pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, em 1999.
Nas tuas formas alheias
à forma.
Nas tuas vinte e cinco dobras sentadas.
Na tua ridícula extroversão sabida.
E na tua estupenda gravata de Cristo
Pairam memórias eternas, em verdade, nuas.
Haveria verso comum,
Houvesse sentimentos comuns.
Mas Joaquim morreu...
Na terça, quando estávamos todos ocupados.
Ainda ocupados, tivemos de velá-lo no frio
e na falsidade com que vela-se parente distante.
Depois, morreu Maria.
Nem fomos ao enterro.
Hoje em dia, até
o Esteves,
que por tempo não conheci, jaz morto.
Também morto está, envolto por dálias majestosas,
aquilo que devia ser escrito no músculo breve dos homens.
As mulheres casam
com homens tortos
E têm filhos feios,
Que bonitos deles dizem.
E feio assim
Escafândrio era.
Como um dia retórico que caiu da sacada.
E eram teus
E há pois que
se achar
Que se molhar um papel
Discreto e sim, véu sombrio.
E outrossim desfazê-lo.
E por outro quedante,
aurora breve,
textura desmanta de todas as tristezas,
levitar as pupilas e enluarar o silêncio.
E outras foste uma canção
de vento:
bela terra interior dos olhos.
E a Lua, cretinice desbotada pelas lágrimas dos redimidos,
descansava nos teus pés suaves.
Portos trazidos de morte
e remorte;
caladas interações de sopro induzido.
Desde nascido, a chuva cai no mesmo chão,
aTer sonhos de ver a vida por trás das folhas brancas.
Os traços iam
pequenos, pequenos...
Os amores iam, pequenos, pequenos...
Dessabidos todos, em que sol os metais doem.
E calma por inda inascido.
Decágono de manto
azul.
Funcionara morto, o tosco.
Após uma noite e meia de velas,
o Amor acordara infinito.
Não invoqueis,
oh envaidecidos burgueses,
as tárgedas gregas.
As vossas são feias
e só.
Vossos Riobaldos
s ão de pequenos tinos
que ouvis no soberbo espaço da aquisição rápida.
Não vos alegreis
com vitórias improváveis.
Vossos estudos,
vossos gestos,
tudo isso é verbo para a gente toda
v ós estais atrasados.
A hora de mansar
Hora de derramar o copo sobre a mesa.
Fumar a falácia branco-celeste
e embriagar a sala
que não pode mais tanta alegria
por vossas breves idas.
Vossas míseras palavras
de vossos merencórios léxicos
s ão lados de onde eu vim
e de quando deitar
esconde-se o vento.
Vós parastes no amanhecer.
Talvez a chuva
nem haja em vida.
E seja dito,
do que em si é o mesmo metal,
"Saber não é sentir".
Talvez do fardo que se carrega
se carregue a metade.
e o outro se adie.
mesmo quando o peso de uma
vier ao encontro da outra.
E eu não saberia
Eu não saberia.
A ausência
É um momento
Infinito.
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