TSE confirma primeira fraude em urna eletrônica

Foram encontradas as primei
ras irregularidades nas elei
ções eletrônicas. É o mais grave caso de fraude com fins eleitorais já registrado no país.

Um laudo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluído em março confirmou a fraude das eleições municipais em Camaçari (BA), em outubro de 2002, que reelegeu o prefeito José Tude (PFL). A fraude aconteceu no programa de recadastramento eleitoral dos 122 mil eleitores do município, no qual eleitores fantasmas foram incluídos e mesários votaram por eles. Camaçari tem 150 mil habitantes e 122 mil eleitores, um número fora da realidade, levando a crer a existência aproximadamente de 50 mil fantasmas.

Segundo o TSE, não houve fraude nas urnas eletrônicas, pois não foi atingido o programa do computador que comanda a votação nas urnas. No entanto o presidente do PPS de Camaçari, Douglas Rocha, que moveu a ação na Justiça, apresentará recurso contestando o laudo e esta afirmação do TSE, pois o programa usado foi violado, além de tornarem-se suspeitos os responsáveis pela fiscalização da revisão eleitoral. Ele destacou a suspeita levantada pelos relatórios das zonas eleitorais reafirmando que houve irregularidades na revisão do eleitorado. Em alguns terminais chegaram a ser revisados até quatro eleitores no mesmo horário, o que é impossível.

Segundo Rocha, o laudo também coloca sob suspeição o perito André Amâncio, já que ele foi o técnico que elaborou o programa especial de recadastramento e conduziu a perícia sob indicação do TSE, e é funcionário do TRE de Sergipe. O Engenheiro Roger Chardel e o técnico em informática Amílcar Brunazo, especialista em fraudes eleitorais, que participaram da perícia junto com André, farão um relatório alternativo, sustentando que a urna foi violada por meio do programa de recadastramento.

 

Perícia

Foram periciadas nove urnas da 170ª Zona Eleitoral e 11 da 171ª de Camaçari, entre os dias 21 e 22 de março, na sede do TSE, com a presença do corrgedor geral do TSE, Ministro Silvio de Figueiredo, e do Vice-procurador Geral da República, Paulo Campos.

Entre as irregularidades encontradas em oito urnas examinadas no dia 21, uma urna não continha flash card (memória) e duas não apresentavam resultado algum gravado.

O supervisor da empresa de informática Prócomp - contratada pelo TSE para realizar as eleições no Brasil inteiro em 2000 - além de ocupar cargo de confiança no gabinete no gabinete do prefeito José Tude, também era funcionário do TER da Bahia. O mesmo coordenou todo o processo eletrônico da eleição e foi responsável pela escolha dos demais técnicos que trabalharam para a Prócomp nas eleições de Camaçari.

O caso Camaçari, serve de alerta para todo o povo brasileiro. A informática pode ser usada a serviço do golpe contra os anseios de mudança do povo. Os técnicos podem se vender e preparar fraudes com mais facilidade que os harkers na Internet.

 

Plínio Borges