Glória, Glória, Aleluia!
Reverend Horton Heat / Huevos Rancheros (Louis Pub, Saskatoon, Canada´)
(16/07)
Ao entrar no pequeno pub na universidade de Saskatoon, me pergunto se estou no lugar certo. Umas 200 pessoas bebem calmamente em suas respectivas mesas. Nem parecia que em pouco mais de meia hora eles iriam presenciar a apresentação de duas das mais insanas bandas do planeta. Não deixo de reparar num tiosinho sentado em uma das mesas próximas à porta (que porra esse cara tá fazendo aqui?).
Precisamente às 10:00h, os canadenses do Huevos Rancheros entram no palco e chamam a galera para a pista. O público, composto em sua maioria por universitários usando sandálias tipo Birkenstock (essa raça desgraçada), não atendeu ao chamado. Por um momento chego a ter uma certa simpatia pelos universitários "cabeça" brasileiros: pelo menos os daqui vão no show do Caetano e do Chico César que é o que eles merecem. A meia dúzia de gatos pingados da pista foi brindada com com versões mais cruas e pesadas das pérolas da surf music porrada perpretadas pelo trio de Calgary. Destaque para Smartbomb, The Lonely Bull e uma música nova que eles estão prestes a lançar em single (que obviamente eu não lembro o nome).
O Reverend Horton Heat entra no palco atacando de Pride of San Jacinto. Para minha surpresa, o tiosionho que eu tinha visto anteriormente era o próprio Jim Heath. Agora usando um smoking preto com chamas bordadas e uma gravata borboleta vermelha ficava mais fácil de reconhecer o Reverendo. O público, por incrível que pareça, lota a pista e grita junto com ele e Jimbo todos os "UH-AH". Eu começo a acreditar que o cara é amigo mesmo do cara lá de cima. O show é uma maravilhosa sucessão de clássicos: Big Sky, Bales of Cocaine, Its Martini Time, Lie Detector e por aí vai. Quando a platéia reclama que o vocal está muito baixo, o Revendo vira o retorno para o público, dizendo que não precisa dele. Pouco importa que o som esteja uma merda: a galera está hipnotizada (e eu quase chorando...). Enquanto Jimbo Wallace e Scott Churilla martelam seus instrumentos, o Reverendo lambe sua guitarra, faz sexo com ela, sobe no baixo acústico de Jimbo, faz um solo com uma pistola de brinquedo e é claro, prega. A platéia vai ao delírio durante seus hilários discursos. O melhor de todos foi durante Its a Psychobilly Freakout: ele para a música no meio e conta como Deus pois Jimbo no seu caminho. E assim mais algumas almas são salvas pelo poder do rockn roll. Após o show, Jim Heath me contou que está louco para vir para o Brasil, principalmente São Paulo, de onde ele recebe bastante correspondência... Resta-nos esperar que algum produtor iluminado pela chama divina acorde e traga o trio para cá.
Dagoberto Romero Donato