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Kardec: O Iº Encontro de Dirigentes Espíritas e a Mulher.

 

Noite! 19 de setembro de 1860. Kardec é recebido no Centro Espírita de Broteaux, o único existente em Lyon. À porta esperam-no o Sr. Dijou, operário, chefe de oficinas, e sua Esposa.

Este é, na História, o primeiro encontro de dirigentes espíritas. Dijou encontra-se à frente do grupo lionês, Kardec desempenha as funções maiores na Sociedade Parisiense. A mão do emérito pensador aperta vigorosamente os dedos calosos e ásperos do companheiro, a quem chama de “irmão”. No olhar grave que trocam vê-se que mutuamente se entendem: embora em planos diferentes, suas responsabilidades se equivalem.

Transpostos os portais, o coração de Kardec se rejubila. O “milagre” a que tantas vezes já fizera menção, sempre com arrebatamento e orgulho, o grande feito que compete à doutrina espírita realizar, consubstancia–se ali, ante seus olhos, e é um guia espiritual, Erasto, em sublime epistola dirigida à comunidade lionesa, quem vai encontrar vestir a emoção do Codificador: Não podeis imaginar quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o operário se abraçam, confraternizando!.

Kardec dirige-se à tribuna singela do Centro Espírita de Broteaux, que pelo futuro a fora, será lembrado como o local da pira. Ali é aceso o fogo sagrado que empunharão, através dos séculos, todos aqueles que se compromissaram, mesmo ao preço de injúrias, suor e lágrimas, a divulgar as glórias do Espiritismo pela palavra.

Todavia a noite inesquecível transcende em significações.

A mulher, perfumada de amor e vestida de renúncia, vai ser a valiosa companheira do Espiritismo. Os dois cúmplices, de mãos dadas, descerão as escadas sombrias ou baterão, docemente, às portas das mansardas. Secarão lágrimas e reacenderão esperanças. Mais e melhor do que o homem, ela comporá na galeria tortuosas dos grandes médiuns que abalarão os negadores mais recalcitrantes. Tinha seguido os passos de Jesus e se mantinha solitária aos pés da cruz até que as roucas invocações subiram o Gólgota quando as cortinas do templo se partiram.

Agora que o Consolador prometido se anunciava, pressurosa ela corria a ocupar o lugar de seu destino. Se ontem chamara-se Maria de Magdala, Marta, Maria ou Salomé, hoje chama-se Sra. Dijou. Por isso todo o encanto se prejudicaria se, naquela noite outonal de 1860, imprescindível presença, ela não tivesse descerrado a Allan Kardec as portas do Centro Espírita de Broteaux.

Todavia, ali está a Sra. Dijou. Seu sorriso sem artifícios é como um maravilhoso diálogo, seu olhar resoluto é cheio de convicção. Ali, ao lado do marido, firme... Qual o seu prenome? Por que veio a partilhar esta situação da qual, em obediência ao “status” social vigente no tempo, apenas o homem deveria ser o ator visível?

Não se pode saber! A Sra. Dijou caminhou através dos anos e o tempo tudo, ou quase tudo apagou. Ele tem, afinal, o poder de transformar em um enigma mesmo a mais simples dentre as mulheres do povo.

Kardec, entretanto, pressentiu que ela se tornaria um monumento. E, por isso, bem ao seu modo, guardou-lhe, não os traços físicos, mas os traços morais. Do jantar amável que lhe foi oferecido pelo operário de Lyon, transcreveu na Revista Espírita, o pequeno discurso do Sr. Courtet, um negociante, no qual a Sra. Dijou se encontra de corpo inteiro.

(...) Na verdade todas as mulheres que hoje vivem e abençoam a “situação” e a “condição” de espíritas, devem-lhe gratidão, pois que a Srs. Dijou é um ser distinto, marcado com os sinais precisos e irrefutáveis de uma ação que lhe deve ter custado a ameaça de mil perigos.

Essa primeira viagem de Kardec tem o dom de acender entusiasmos além do imaginável. Já agora o homem não pode deixar de pensar.

( para saber mais sobre o assunto, a fonte é: Viagem Espírita em 1862 – 2ª edição – - Tradução e Prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues – Casa Editora  O Clarim – Matão - SP )

 

 

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