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 Síndroma do Cólon Irritável

Enf. José Manuel Paulo
"Mais Vale Prevenir"
Centro de Saúde de Setúbal / Rádio Voz de Setúbal
Fevereiro 1998

pt.soc.saude

Diz-se que será a próxima doença do século! A colite, não mata... mas dói! É desencadeada pela fadiga pelo stress e pelas preocupações. São-lhe atribuídas diversas denominações: 2cólon espástico", "colite espástica", "diarreia nervosa", e "neurose do cólon". A necessidade de eliminar as denominações pouco correctas, levou à escolha de outra também inespecífica, e que hoje é considerado o mais correcto que é o Síndroma do cólon irritável!

 

COMO SE MANIFESTA

Além destes há no entanto, toda uma série de diferentes sintomas relacionados com o tubo digestivo, como o meteorismo, sensação de tensão abdominal, eructação, mau hálito, boca amarga, regurgitações ocasionais, náuseas sobretudo matinais mas que raramente acabam em vómitos, diminuição do apetite e movimentos ruidosos do intestino. Com frequência também se manifestam dores de cabeça, palpitações, dores no tórax, enjoos, tremores, sudação, enxaqueca, tendência para a fadiga, dificuldade em concentrar-se e em trabalhar. Entre as mulheres é frequente aparecerem também perturbações urinárias e alterações do fluxo menstrual.

A dor abdominal, embora seja um dos sintomas característicos da colite, varia na intensidade, localização e duração conforme o indivíduo. Frequentemente, o doente sente a necessidade urgente de evacuar logo após ter ingerido alimentos ou coincidindo com emoções ou estados de stress. As fezes podem ser liquidas, mas mais frequentemente são pastosas e muito moles. Não há um aumento da quantidade de fezes mas apenas evacuações repetidas em pequena quantidade, por vezes acompanhadas da emissão de muco..

CAUSAS

Muitos e de difícil determinação são os factores que desempenham um papel importante no aparecimento e especialmente na manutenção crónica da colite.

O intestino por ser a parte terminal do tubo digestivo, é afectado não só pelas anomalias que nele podem ocorrer, mas também por alterações localizadas em zonas mais altas. Assim, uma dentadura estragada, uma higiene bucal deficiente ou o hábito de comer depressa ou não mastigar bem fazem com que os alimentos passem para o intestino mal digeridos, provocando uma irritação e uma autêntica inflamação.

Ao mesmo resultado conduzem também algumas doenças do estômago, como as gastrites ou as intervenções cirúrgicas que reduzem o volume e a capacidade digestiva do estômago. Do mesmo modo, uma actividade insuficiente do pâncreas ou do fígado não permite que se complete a última parte da digestão antes da absorção. Uma alimentação irregular, quer por ausência de horário fixo para as refeições, quer por abuso de substâncias que estimulam a motilidade intestinal, pode, a longo prazo, provocar ou favorecer em indivíduos predispostos, o aparecimento da doença.

A mucosa intestinal pode também tornar-se hipersensível a uma determinada substância, embora seja de uso muito corrente, e até que a referida substância seja identificada e eliminada a doença continua.

Cabe também salientar, a propósito da obstipação e da colite espástica, a importância do baixo consumo de fibras vegetais. Actualmente há uma tendência para uma dieta rica em açúcares muito refinados, assim como proteínas e gorduras, mas em contrapartida, perdeu fibra vegetal. Por tais razões, os alimentos são agora mais facilmente digeríveis e absorvíveis, e isso, além de favorecer o aparecimento da diabetes, da obesidade, de aumentar o colesterol no sangue e a arteriosclerose, não permite a formação de uma quantidade suficiente de resíduos, o que provoca a redução da massa das fezes e favorece o aparecimento da obstipação. Do mesmo modo, algumas doenças infecciosas intestinais, assim como o uso e abuso de laxantes e clisteres, conduzem com o tempo à instauração de uma forma irritativa do cólon, desencadeando alterações que persistem mesmo depois da suspensão dos laxantes ou clisteres.

Por último, uma das hipóteses mais discutidas acerca das causas possíveis da colite é a que faz referência à componente psicossomática. Com efeito, é fácil encontrar na história passada dos pacientes afectados por esta doença uma situação de stress de ordem familiar, económica, laboral, uma aspiração frustrada, um estado de neurose obsessiva ou alterações da esfera afectiva. É sabido que os movimentos intestinais se reduzem em correspondência com estados depressivos e se acentuam nos estados de ansiedade ou medo

DIAGNÓSTICO

A identificação do síndroma do cólon irritável não é fácil, já que pode apresentar o quadro clínico de um elevado numero de doenças intestinais e extra-intestinais. Os exames auxiliares de diagnóstico mais utilizados são em regra a pesquisa de sangue nas fezes, uma cultura para determinação da existência de uma eventual infecção intestinal, uma radiografia do cólon com clister opaco, e eventualmente uma colonoscopia.

EVOLUÇÃO

A colite é uma doença crónica recorrente; em alguns casos, pode apresentar-se só durante um período limitado da vida, na medida em que a cura pode produzir-se espontaneamente ou em consequência do tratamento.

TRATAMENTO

São vários os medicamentos utilizados no tratamento desta doença, desde antiespasmódicos até anti-diarreicos. Os psicofármacos (ansiolíticos e antidepressivos) também têm um papel importante dada a componente psíquica característica desta patologia.

Recentemente, voltou a dar-se muita importância à eficácia das fibras dietéticas vegetais, como, por exemplo, o farelo, já que aumentam o volume e o conteúdo de água das fezes. Por outro lado, o referido efeito deve-se não só às propriedades das fibras mas também à produção no cólon de ácidos gordos que actuam localmente como laxantes.

Pelo contrário devem ser evitados, e mesmo proibidos, todos os laxantes irritativos.

A dieta é fundamental!

Nas formas fermentativas, devem eliminar-se ou reduzir-se de forma drástica o pão, as massas, os produtos de pastelaria em geral, o arroz, as ervilhas, os feijões, as favas, as lentilhas e todas as hortaliças ricas em amido.

Nas formas por excesso de putrefacção, a dieta deve basear-se numa redução mais ou menos drástica das proteínas, conforme a gravidade do caso. Por outro lado, dado que existe uma inflamação da mucosa intestinal devem evitar-se também a ingestão de substâncias ricas em celulose (o repolho, o tomate e a abóbora) as quais devido ao seu volume estimulam com demasiada energia as paredes do cólon

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