Site hosted by Angelfire.com: Build your free website today!

alzheimer.gif (6980 bytes)
Alzhei_lg.gif (4773 bytes)

Alzheimer: teste genético não tem vantagens


Ana Gerschenfeld

A eventual utilização de um teste genético para avaliar o risco de uma dada pessoa vir a contrair a doença de Alzheimer não deve ser considerada antes que estudos mais aprofundados tenham demonstrado a validade do teste, concluiu um painel de peritos norte-americanos. As conclusões dos peritos, reunidos por iniciativa do Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos (National Institute of Aging) e da Associação da Doença de Alzheimer norte-americana, foram publicadas na última edição da revista médica britânica "The Lancet". A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro que, nos países desenvolvidos, atinge 10 por cento das pessoas com mais de 65 anos de idade e cerca de metade das pessoas com mais de 85 anos. Os doentes perdem progressivamente a memória e as funções cognitivas e acabam por ser totalmente incapazes de cuidar de si próprios. Hoje em dia, não existe nenhum teste que permita diagnosticar a doença nos seus estádios precoces; a existir, no futuro poderá ser possível, quando houver tratamentos eficazes, travar a sua progressão. A doença de Alzheimer deve-se à morte em massa das células cerebrais, mas os seus mecanismos biológicos são mal conhecidos. Porém, há já uns anos que os cientistas pensam que uma determinada forma de um gene situado no cromossoma humano nº19 confere aos seus portadores uma susceptibilidade acrescida à doença de Alzheimer. O gene dá pelo nome de ApoE e existe sob três formas possíveis, designadas ApoE2, ApoE3 e ApoE4. Cada ser humano possui duas cópias deste gene no seu património genético (uma vinda do pai e a outra da mãe) e a maioria das pessoas é portadora da configuração ApoE3-ApoE3. Diversos estudos têm porém sugerido que as pessoas portadoras da forma ApoE4 do gene podem ser mais propensas a contrair a doença de Alzheimer do que as outras. Mais precisamente, aquelas cuja configuração genética é ApoE3-ApoE4 parecem correr duas a quatro vezes mais riscos de contrair a doença que as pessoas ApoE3-ApoE3, enquanto os portadores da configuração ApoE4-ApoE4 parecem ser cinco a 18 vezes mais vulneráveis. Estes estudos, salienta um comunicado do "Lancet", têm levado milhares de pessoas a pedir insistentemente aos seus médicos para os testarem, de forma a determinarem a sua configuração genética em relação ao gene ApoE. Mas os peritos declararam-se agora fortemente contra qualquer utilização de um teste deste tipo enquanto não tiverem sido realizados estudos mais amplos sobre os riscos realmente associados às diferentes combinações do gene ApoE. De facto, segundo lembra o mesmo comunicado, a utilização de um teste deste tipo não fornece muita informação às pessoas sobre o seu risco efectivo de contrair a doença e só serviria para assustar de forma desnecessária aquelas que viessem a descobrir que são portadoras da forma aparentemente nociva do gene, podendo ainda levá-las a serem discriminadas no emprego e pelas companhias de seguros.

in Jornal Público

Artigos publicados durante o ano de 1996 no Jornal Público

pt2.gif (7095 bytes)
prevenir.gif (1891 bytes)