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Conselhos Práticos para evitar o insucesso escolar_____________________

 

 

 

"Assistimos hoje em dia a uma escalada de indisciplina e actos violentos nas escolas, como se os jovens necessitassem de transgredir sem cessar até que finalmente alguém os oiça. A ausência de resposta ao apelo contido neste tipo de comportamentos, isto é, a demissão da autoridade dos adultos, reforça o desespero, lançando os jovens numa fuga para a frente traduzida em actos pré-delinquentes que reforçam um senti­mento falacioso de impunidade e omnipotência. Vale a pena falar em autoridade e disciplina na escola, para restituir aos educadores a premência do seu papel formativo e educativo, a necessidade de se envolverem efectivamente, de exercerem verdadeiramente a sua autoridade, numa linguagem partilhada de direitos e deveres com os pais e as famílias.

 

A escola atravessa, sem dúvida alguma, uma crise, mas que reside essencialmente na representação que tem de si própria. Isto é, a escola, de certa maneira, interiorizou a desautorização que lhe é feita. "

 

Isabel Soares Directora do Colégio Moderno, Lisboa
Grande Reportagem, Setembro de 2002, p. 48

 

 

 

Devemos combater ou evitar a indisciplina?_____________________________
 

 

Segundo os especialistas  devemos evitar a indisciplina e não tentar controla-la, para isso, se estamos perante uma turma não motivada, é imprescindível repensar a estratégia. Usar formas de manter o interesse dos alunos, usando por isso materiais que os cativem, que podem ser simplesmente materiais trazidos pelos próprios alunos. Porque não?

 

Numa altura em que tecnologia está por todo o lado, onde as crianças desde muito cedo estão habituadas a lidar com todo o tipo de avanços  tecnológicos, é imprescindível que os professores seja capazes de usar esses recursos para cativar os seus alunos.  

Mas existem estratégias bem simples, que podem ajudar qualquer professor na sua sala.

 

Eulália Barros apresenta algumas  estratégias interessantes no combate ao insucesso :

 

 

A importância do espaço ______________________________________________

 

O espaço da sala deve mudar frequentemente. O arranjo espacial deve articular-se com o tipo de aula, sendo aconselhável que a classe se transforme o mais possível em grupo cooperativo de trabalho. Não podem ser esquecidos, no entanto, os alunos com dificuldades de integração, susceptíveis de terem mais problemas no trabalho de grupo e que necessitam um apoio mais individual e, por vezes, uma tarefa mais solitária...É essencial que o professor apreenda qual o arranjo espacial e metodologia de ensino que melhor se adequam aos seus objectivos pedagógicos. Não faz sentido, no entanto, iniciar uma discussão que se propõe participada, com os alunos sentados em filas, de costas viradas uns para os outros. Se os professores pensarem, aliás, como isso estimula a indisciplina pelo que promove de virar para trás e de recados às escondidas, certamente pensariam duas vezes se não seria melhor colocar as mesas em U.

Um bom arranjo espacial permite também que o professor olhe directamente para os alunos..isto, permite ir detectando pequenos focos de indisciplina ou de apatia que uma intervenção precoce faz cessar.

 

 Muitos docentes, por vezes de forma não consciente, privilegiam a comunicação, ou com os bons alunos, ou com aqueles que habitualmente perturbam a classe. É essencial distribuir correctamente a comunicação, de modo a abranger o maior número possível de estudantes num pequeno número de aulas. O ideal seria que se estabelecessem as regras para tornar possível essa comunicação alargada .. Se o professor intimida ou demonstra, pelo contrário, o seu próprio medo, comunicar passa a ser uma estratégia defensiva, onde todos desconfiam.

 A investigação tem demonstrado como o tipo de comunicação usado nos primeiros dias de aula é essencial para a criação de um clima favorável à aprendizagem. Por essa razão, as primeiras manifestações de indisciplina ou de provocação, usadas como teste à autoridade do professor, devem ser prontamente analisadas e resolvidas. Se o próprio professor tem um comportamento menos ético (por exemplo, insultando os alunos) é mais difícil obter a cooperação dos estudantes.

O tipo de comunicação deve ter em conta, tanto quanto possível, a origem social do aluno. Uma estudante cabo-verdiana tem discursos e hábitos certamente muito diferentes da colega do centro de Lisboa e Porto. Desta forma, certos comportamentos podem ser erradamente percebidos, quando apenas prefiguram realidades diversas. O mesmo se verifica com certos termos de calão juvenil, que necessitam ser bem enquadrados para os podermos compreender. Lembro, a propósito, como um grupo de investigadores, obcecado com a violência na escola, cotou como agressivo e violento a expressão «não sejas porco», na realidade sinónimo de «chato, maçador, inoportuno».

 

Provocação____________________________________________________________

 

Se de alguma forma, o professor sentir o comportamento ou o discurso do aluno como provocatório, é fundamental não responder no mesmo sentido. Provocação após provocação, o diálogo continua em escalada simétrica, onde cada um tenta ser o mais forte, mas onde no fim a derrota acompanha os dois. O docente é por definição um adulto, logo deve ter mais experiência de autocontrole e ser capaz de rapidamente encontrar uma alternativa comunicacional. Ao grito ou ironia provocatória do aluno, a resposta deverá ser complementar, isto é, acentuando a diferença, nunca estimulando a semelhança. Lembro a professora que, ao ser ameaçada por uma navalha de ponta em mola, teve a presença de espírito para perguntar «Barba ou cabelo?», deixando o aluno provocador sem saída

 

Existem más turmas?_________________________________________________

 

Considero que, no limite, não existem «más turmas». É muito difícil generalizar a partir de comportamentos turbulentos, mesmo que maioritários. A não ser que a constituição da turma tenha obedecido a estranhos critérios de pôr as ovelhas ronhosas todas no mesmo redil - altura em que o Conselho Directivo deverá ser responsabilizado e actuar - uma turma é uma rede complexa de comunicação que une, artificialmente, alunos muito diferentes. Estão lá representados o «amélia» dos olhos tristes, o «baldas» que não quer nada, o «dúvidas» que quer tudo bem certinho , o apático que flutua ao sabor dos acontecimentos e tantos outros. Seja como for, haverá pelo menos um ou dois que poderão ser os aliados do professor na manutenção de um clima pedagógico que possibilite a aprendizagem. É necessário mais uma vez discutir com os alunos, por exemplo, dizer-lhes que a maioria dos professores tem dificuldades com aquela «má turma», construir significados e criar sentido no trabalho conjunto. Se há um aluno a interromper a aula e outro a bater o ritmo ao som dos auscultadores, que pensarão os restantes disso? Se outros se queixam que há muito barulho nos testes, por que razão não se discute o que se passa? Ao considerarmos que há «turmas más» e alunos «provocadores», pretendendo resolver tudo com faltas de castigo, admoestações gritadas e não raro suspensões, estamos a contribuir para criar uma geração de alunos imaturos, a quem os acontecimentos surgem sem possibilidade de análise. Se há problemas de indisciplina, é preciso co-responsabilizar os colegas daqueles cujo comportamento criticamos.

 

Indisciplina Vs Violência Escolar________________________________________

 

Alguns professores falam indiscriminadamente de indisciplina, agressividade e violência. A indisciplina tem sempre um significado relacional no contexto escolar. Significa um mal estar que pode ter múltiplas significações, mas não é desprovido de sentido. Se os mais novos contestam e boicotam, há que saber porquê, mas é essencial perceber que a indisciplina numa sala de aula tem uma compreensão diferente da violência escolar.

Os comportamentos indisciplinados ou violentos, detectados no pátio ou nos arredores da escola, não devem ser revelados publicamente na sala de aula. Se na sua função de educador o professor está de alguma forma inquieto com o que observou, deverá chamar discretamente o aluno ou alunos em causa e confrontar versões. Os colegas da turma não envolvidos no incidente nada têm a ver com ele, uma vez que lá não estavam e a intervenção do professor só se justifica em situações graves e por que a sua função é educar e não só instruir. Comentários pouco cuidadosos, feitos na atmosfera da sala de aula, acerca de situações confidenciadas pelos estudantes ou observadas pelos professores em interacção com eles, são muitas vezes desastrosos em termos da relação docente-discente e não contribuem para a prevenção da indisciplina

Se formos isentos, percebemos que a agressividade não é em si uma coisa má. Foi a agressividade constitucional que permitiu ao ser humano definir o seu território e diferenciar-se de outros seres. Para crescermos, temos de ter alguma agressividade - a autonomia não se consegue sem luta. Nesse sentido, a criança não necessita ser reprimida para ficar quieta, se lhe possibilitarmos um tempo e um espaço de descoberta. Só deste modo estaremos a contribuir para que o controlo deixe de ser externo, para passar a auto-controlo.

 

Os alunos não são todos iguais______________________________________

 

A adolescência é descoberta, experimentação, teste aos limites dos vários sistemas envolvidos e a escola não pode exigir que o seu modo de funcionar rígido e hierárquico seja aceite, sem contestação, pelos jovens de hoje.

Na escolha de tarefas e actividades na escola, os novos alunos precisam encontrar novos ambientes. Nem todos os alunos realizam o trabalho do mesmo modo, pois possuem diferentes desenvolvimentos cognitivos, mesmo quando provêm de famílias semelhantes. Para conferir sentido e modernidade ao trabalho escolar, é preciso deixar espaço ao improviso e à imaginação, assumir colectivamente alguns projectos da escola e ligar o esforço necessário ao quotidiano dos seus actores.

 

 

 

Artigo original disponível em : http://www.iie.min-edu.pt/biblioteca/ccoge06/cap4.htm