Site hosted by Angelfire.com: Build your free website today!

INTERNET E DEMOCRACIA

Prezados internautas. É com prazer que inauguro esta revista eletrônica, e nessa coluna você sempre será chamado ao debate, a externar sua opinião pessoal sobre temas ligados a Internet, informática, e alta tecnologia, dentro de um contexto abrangente e de interesse geral. Se você é usuário e convive com a tecnologia, sabe o quanto é importante o debate, a discussão, a troca de opiniões. O assunto hoje é a INTERNET e DEMOCRACIA. Senti-me inspirado a escolher esse tema como abertura, após assistir um programa de debates na televisão, muito bem conduzido por uma apresentadora conhecida nos meios jornalísticos pela sua grande competência e a forma objetiva e bem colocada de assumir questionamentos. E o tema discutido era justamente sobre a Internet. Participou do debate um consultor de empresas, um provedor de serviços, e um professor universitário. No meio do debate, foi chamado ao ar, uma entrevista com uma ilustre docente de uma grande universidade paulista, que por questões éticas não vou citar o nome, nem tampouco a universidade, que declarou ser a Internet discriminatória, pelo fato de permitir acesso a pessoas de uma classe econômica privilegiada e pasmem! Inacessível à grande maioria da população pelo fato de ser condição imprescindível, o conhecimento da leitura. Ou seja, o analfabeto, que nunca teve educação básica, com certeza jamais poderá utilizar a Internet! Uma afirmação pessimista que não coaduna com o momento atual. Não estou aqui para questionar a opinião da ilustre docente, mas discordo inteiramente da forma como o tema foi colocado. A abordagem foi superficial, deu uma conotação retrógrada, ao que na verdade seria um protesto contra o sistema educacional brasileiro. É fato que a grande maioria da população não tem acesso ao ensino básico, e fato também que no momento atual poucos tem acesso à Internet. No entanto, isso não significa que um indivíduo analfabeto não possa desfrutar da alta tecnologia. Exemplo disso é a expansão da telefonia celular. Muitos não sabem ler nem escrever, no entanto sabem usar um telefone, ligar uma televisão, ouvir um rádio... Como um analfabeto consegue utilizar um aparelho eletrônico? Usando a intuição... Basta que alguém lhe diga, "esse botão é para ligar, aquele para mudar de canal..." Muitos sabem que o Sílvio Santos é no SBT, que o Jornal Nacional é na Globo, o Sérgio Malandro na Gazeta. Isso porque ele consegue visualizar, ouvir os programas dessas emissoras, identificando-os visualmente. Não é preciso saber ler nem escrever para isso. Basta ver e ouvir. Você prezado internauta, por acaso sabe de cor o endereço de todos os seus amigos, parentes e conhecidos? Provavelmente não, mas com certeza saberá dirigir-se à residencia da maioria deles. Você sabe por acaso o endereço completo daquele Shopping que você frequenta todos os finais de semana? Provavelmente não, mas sabe onde fica e como chegar lá. Esse é o ponto, e onde discordo da ilustre docente. A tecnologia, notadamente a informática, avança numa direção totalmente oposta daquela imaginada por ela. O próprio sistema operacional da Microsoft, o Windows, tornou mais fácil o uso do computador. Não foi exatamente a queda no preço o fator preponderante, na popularização dessa máquina. Aliás falar-se de preço popular para um microcomputador é ainda uma piada de mau gosto, e nesse ponto concordo totalmente com a docente. Mas mesmo custando barato, você jamais compraria algo que não pudesse usar e conseqüentemente inútil. Com os programas de computador cada vez mais interativos e fáceis de utilizar, era natural que muitos passassem a interessar-se, pois o grande problema era justamente o aprendizado e treinamento do usuário.

A política de desenvolvimento de programas nas grandes empresas sempre segue no sentido de simplificar cada vez a sua utilização. A internet ainda será acessível a todos, e para isso, não será necessário o uso de um computador. Hoje algumas empresas que comercializam TV por assinatura já disponibilizam esse serviço. Alguns provedores possuem sites totalmente interativos, ricos em efeitos multimídia, que avisam quando existe um e-mail ou quando a conexão está efetivada. Diante de tudo isso é difícil acreditar que a Internet seja discriminatória, pois os maiores interessados em sua popularização são os próprios provedores e as grandes empresas de informática que querem amealhar um número cada vez maior de usuários, e para isso não medem esforços. Por isso pode-se dizer que a democracia que falta em muitos seguimentos de nossa sociedade, está totalmente presente na Internet. Ouso até em dizer que é muito mais fácil alguém aprender a navegar na Internet do que aprender a ler e a escrever. Porque a Internet é visualmente agradável, e desperta a curiosidade, o que não ocorre com a escola, segundo o pensamento de grande maioria dos brasileiros. Portanto não se justifica criticar um setor que está fazendo a sua parte. Deve-se sim cobrar daqueles que nada fazem, e não transferir a responsabilidade para outros, adotando a política do "quanto pior melhor"... ou "quero ver o circo pegando fogo". Quem pensa dessa forma é quem na verdade, planta a semente da discriminação e não contribui em nada para solucionar os problemas de nosso país.

 

Emilio S. Kawaguchi

brf_emilio@ig.com.br

emilio@teacher.com

Página Inicial

Dicas

Reportagens

Suporte