Folha
de São Paulo - ??/??/98
Sweet
75
Krist
se livra da ex-banda com disco de estréia
Dos três porquinhos do Nirvana, Krist Novoselic é o sensato
que prefere construir uma casa de tijolos. Tanto que teve a paciência
de arquitetar o primeiro álbum do Sweet 75 para que não lembrasse
a banda anterior. O urgente Kurt Cobain foi o que ergueu uma bela casa
de sapé - o Nirvana. Com sua sensibilidade problemática,
bancou seu próprio Lobo Mau mandando tudo pelos ares com um tiro.
O outro porquinho, Dave Grohl, foi rápido para arranjar um teto
de gravetos. Por enquanto, seu Foo Fighters resiste às ventanias.
Novoselic, que já era a consciência do Nirvana nos tempos
de abusos de substâncias, passou três anos como ativista politicamente
correto sem emitir uma nota musical comercialmente.
Aproveitou o tempo assentando o Sweet 75 com a venezuelana Yva Las Vegas,
com canções que vão para vários lados. Menos
o lado do Nirvana. Nada de distorção de guitarras nem cozinha
punk - metal. Até as caídas pop são para outros caminhos.
Krist Novoselic certamente sabia que comparações como essa
seriam inevitáveis. A voz potente de Yva Las Vegas são a
decoração que Krist precisava. O clima de cantina mexicana
de "Cantos de Pilón" (com Peter Buck, do R.E.M, no mandolim) e a
salsa - noir de "La Vida" garantem o rótulo "exótico".
Até a coisa mais pesada é leve: o punk acelerado de "Bite
My Hand" com frases quebradas e piruetas vocais. A sólida casinha
que é o Sweet 75 não vai dar à Krist a notoriedade
que o Nirvana teve. Será apenas uma morada tranquila para o resto
de sua vida musical.