Há pouco tempo
atrás, as operadoras de telecomunicações se preocupavam em aproveitar a máxima
capacidade de transmissão dos sistemas existentes, se preocupando muito pouco
com a qualidade do sistema e dos serviços prestados. Atualmente, este perfil
vem mudando, ocorrendo o sacrifício da capacidade de transmissão de informações
de usuário, em troca de uma capacidade transmissão de informações de gerência
maior, para prover um serviço mais confiável e seguro, de qualidade
indiscutivelmente maior.
Também podemos
perceber que, devido à crescente digitalização da rede e o aumento da
capacidade e confiabilidade dos sistemas, as empresas operadoras perdem um pouco
o seu papel típico de atuação na arquitetura das redes e passa a se preocupar
mais com os serviços fornecidos aos usuários, que passa a ser um fator
diferencial de fundamental importância no mercado. Ocorre, desta forma, um
crescimento muito grande em termos de criação, implantação e oferta de novos
serviços, baseados na integração de áudio, dados, textos, imagens e vídeo,
ou seja, multimídia. Como exemplo de alguns serviços emergentes, podemos citar
os serviços de rede inteligente (RI), serviços em terminais de uso público,
processamento digital de sinais de áudio e vídeo e os próprios serviços
multimídia.
As redes de
telecomunicações podem ser vistas, independente do tipo e dos equipamentos
utilizados, como dividida em três níveis principais: aplicação, serviço e
arquitetura .
A camada de
aplicação é aquela empregada diretamente pelo usuário final. A camada de
serviço deve ser projetada pelo provedor de rede para suportar todas as aplicações
do usuário e a camada de arquitetura provê as soluções de engenharia que
devem prover o transporte de qualquer tipo de serviço vendido pela operadora ao
usuário. O serviço é normalmente designado como a facilidade que o provedor
vende a seus clientes e tipicamente suporta várias aplicações.
A necessidade
de qualidade, a diversificação e a complexidade cada vez maior destes serviços
implica em uma necessidade tão vital quanto o próprio serviço: a sua gerência.
Dentro deste
conceito de gerenciamento de redes de telecomunicações, começaram a surgir
alguns sistemas de supervisão específicos para cada situação (por exemplo,
gerenciamento de falhas, de tráfego) e para cada fabricante, ou seja, os
chamados sistemas de gerência proprietários (figura 1.1).
Na figura
acima, por exemplo, podemos ter os equipamentos como sendo várias centrais
telefônicas de fabricantes distintos, cada uma com seu próprio sistema de gerência.
As centrais são interligadas entre si, mas os sistemas de gerência são
isolados.
·
Este
tipo de sistema possui alguns problemas, como:
·
a
impossibilidade de interconexão entre sistemas de diferentes fabricantes devido
ao uso de interfaces não padronizadas;
·
multiplicidade
de sistemas: para cada novo tipo de equipamento/fabricante é necessário um
novo sistema de supervisão específico;
·
multiplicidade
de terminais e formas de operação: cada sistema tem seus próprios terminais e
linguagem de comunicação homem-máquina;
·
multiplicidade
de base de dados: cada sistema tem a sua própria base de dados local, sendo
necessário atualizar cada sistema isoladamente, o que acaba resultando em
duplicidades e inconsistências.
Estes fatores
acarretam em uma falta de integração entre processos que impossibilita, por
exemplo:
·
obtenção
de uma visão global do estado da rede e dos serviços;
·
integração
de forma automatizada das atividades operacionais;
·
difusão
de informações dos estados de circuitos e serviços de uma forma ampla;
·
flexibilidade
de roteamento na rede;
·
operação
e manutenção eficientes, etc.
Como conseqüência
disto, temos:
·
elevação
do índice de falhas não detectadas;
·
congestionamento
na rede;
·
falta
de flexibilidade no roteamento;
·
indicação
múltipla da mesma falha;
·
dados
insuficientes para planejamento;
·
deficiência
de operação e manutenção;
Que acarretam
em perda de ligações e de receitas, insatisfação do usuário e desperdício
pelo aumento dos custos operacionais e investimentos extras.
Baseado nestes
fatores, tem-se procurado uma solução para o problema da falta de integração
entre os sistemas, que possibilite a Gerência Integrada de Redes e Serviços
(GIRS), proposta pela TELEBRÁS, cujos conceitos se encontram na Prática
501-100-104.
De acordo com
esta Prática, o conceito de GIRS é:
"O
conjunto de ações realizadas visando obter a máxima produtividade da planta e
dos recursos disponíveis, integrando de forma organizada as funções de operação,
manutenção, administração e aprovisionamento (OAM&P) para todos os
elementos, rede e serviços de telecomunicações"
A gerência
deve ser integrada no sentido de:
·
ser
única para equipamentos semelhantes de fabricantes distintos;
·
ser
feita de maneira consistente pelos vários sistemas;
·
ser
feita desde o nível de serviço até o nível dos equipamentos;
·
um
operador ter acesso a todos os recursos pertinentes ao seu trabalho,
independentemente do sistema de suporte à operação onde estes recursos estão
disponíveis ou da sua localização geográfica;
·
os
sistemas se "falarem" de modo que as informações fluam de maneira
automática.
Para se atingir
este objetivo, é necessário, então:
·
processos
operacionais com fluxo contínuo;
·
facilidades
de reconfiguração em tempo real;
·
dados
em tempo real agilizando a manutenção;
·
detecção
da causa raiz das falhas;
·
terminal
de operação universal com apresentação padrão;
·
eliminação
da multiplicidade de sistemas de supervisão;
·
dados
de configuração confiáveis.
Para se chegar
à integração das funções de gerência são necessários:
·
elaboração
de um modelo conceitual de operação, administração, manutenção e
aprovisionamento baseado nos objetivos e estratégias da empresa; ·
·
padronização
dos modelos de informações de elementos de rede e serviços de telecomunicações;
·
padronização
das interfaces homem-máquina;
·
automação
de tarefas visando eficiência;
·
flexibilidade
de arquitetura;
·
ambiente
aberto, permitindo interconectividade e interoperabilidade;
·
alta
confiabilidade e segurança.
Integrando as
funções de todas as camadas funcionais, podemos atingir alguns objetivos
gerenciais, como:
·
minimizar
o tempo de reação a eventos da rede;
·
minimizar
a carga causada pelo tráfego de informações de gerenciamento;
·
permitir
dispersão geográfica do controle sobre os aspectos de operação da rede;
·
prover
mecanismos de isolação para minimizar riscos de segurança;
·
prover
mecanismos de isolação para localizar e conter falhas na rede;
·
melhorar
o serviço de assistência e interação com os usuários.