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"...a dança não é brincadeira, é roda de Capoeira "
Quem conhece, dedica-lhe em primeiro lugar respeito. Quem quer conhece-la, se chegar a desvendar seus mistérios e sentir sua grandeza, vai amá-la. É dança? É brincadeira? É tradição? Sim! A Capoeira é tudo isso; Capoeira é cultura, no sentido mais amplo dessa palavra. É um jeito de ser, um conjunto de vivências e de elementos históricos na vida de um povo. É uma luta e uma luta com características especial: nasceu em função da liberdade, tem uma hitória marcada pela necessidade de criar, inventar, conquistar a liberdade. É essa a sua grandeza. Sua trajetória, junto ao povo brasileiro, deu-lhe uma riqueza incomum que a diferencia de outras lutas ou de simples manifestações esportivas. A parte da capoeira reúne, no seu conjunto, a música, a dança, a poesia e principalmente, a luta, necessário tanto para um povo, para uma nação, quando esta enfrenta um determinado momento histórico de opresão e quer se libertar, quanto para um indivíduo que se ve oprimido e necessita livrar-se do opressor e da injustiça. Capoeira é forma de lutar brincando. É jeito de brincar lutando. Capoeira é a escola que ensina, com prazer e alegria, que a liberdade é um bem, um caminho, difícil, mas possível.
Esta Home Page pretende dar, ao interessado, uma modesta contribuição para se conhecer a Capoeira, no seu aspecto teórico. Elaborada pela Associação de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim, dirigida em Ribeirão Preto pelo Mestre Fumaça, este trabalho entende que só esta leitura não é suficiente para o aprendizado da Capoeira. Só se aprende Capoeira com um mestre, na prática. Mas pela riqueza da Capoeira, o trabalho teórico é uma necessidade fundamental.
 
História

OBrasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar. Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico.
Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Uma espécie de Estado africano foi formado. Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira.
Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecessem uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira pode se desenvolver como forma de resistência. Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de 'ganho' e dos frequentadores da zona portuária. Na cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas. De lá para cá a Capoeira Angola aperfeiçoou-se na Bahia mantendo fidelidade às tradições, graças principalmente ao seu grande guru,Mestre Pastinha, que jogou Capoeira até os 79 anos, formando gerações de angoleiros. Hoje os seus discípulos organizados na Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), com sede no Centro Histórico de Salvador, escrevem as novas páginas dessa nobre arte.

 

O Termo Capoeira
 
O termo capoeira aparece pela primeira vez em 1712, por Rafael Bluteau, em seu livro "Vocabulário Português".

Propostas Empregadas ao Termo

Antônio Joaquim de Macedo Soares, fez contestações quanto as proposições apresentadas por José de Alencar, que atribuiu ao Tupi CAA-APUAM-ERA, traduzido por "mato cortado", e pelo Visconde de Rohan de que o tupi Copuera, significando "Roça velha", viesse a se transformar no termo capoeira.
Macedo escreve: "Capuer", capoêra é pura e simplesmente o guarani caá-puêra, mato que foi, atualmente mato miúdo que nasceu no lugar do mato virgem que se derrubou. A proposta mais coerente considerada sobre a luta capoeira é do estudioso argentino, radicado no Brasil, Adolfo Morales de Los Rios Filho, onde, segundo sua lógica, o termo capoeiros era empregado aos escravos carregadores quase exclusivos dos grandes cestos chamados "capu" (a justaposição do termo indígena "ca", que se refere a qualquer material oriundo da mata, da floresta, com "pu" referente a cesto, forma o termo "ca-pu", que significa cestos feitos com produtos da mata).
A capoeira como luta, na hipótese de Morales, teria nascido nas disputas da estiva, nas horas de lazer, nas "simulações de combate" entre companheiros de trabalho, que pouco a pouco se tornariam hierarquias de habilidade.
 

Capoeira - Arte Marcial Brasileira

Por ocasião da Guerra do Paraguai, muitos capoeiras foram enviados para a frente de batalha, lá se fizeram heróis, portadores de grande sangue frio, coragem e audácia (tendo-se em conta que a maioria dos combates exigiam muitos confrontos corpo à corpo).

 

Zumbi (Zambi)
 
No século XVII, quando se verificaram as invasões holandesas, aproveitando-se da confusão que se estabelecera, milhares de escravos começaram a fugir de seus senhores, agrupando-se nas faldas do Oiteiro do Barriga, no atual Estado de Alagoas. Em pouco tempo, o número de fugitivos (em sua maioria negros angolas), atingia 20.000. Construíram então, uma república conhecida pelo nome de Quilombo de Palmares (denominavam-se "quilombos" as barracas ou antros construídos às pressas, quase sempre com folhas de palmeiras, enquanto "palmares" eram regiões em que as palmeiras abundavam) e, por ser de todos o mais forte, valente, ágil, e com certa cultura, Zumbi foi escolhido como o chefe desta república. (A palavra Zumbi significa "Deus negro de alma branca")
 
Os negros faziam incursões às fazendas e povoados próximos, onde cometiam depredações, vingando-se não raro das afrontas e maus tratos de seus antigos senhores. Defendendo-se com armas primitivas, empenhando-se em lutas corpo à corpo, os negros do Quilombo do Palmares derrotaram sucessivamente 24 expedições chefiadas pelos capitães-do-mato. Esses capitães-do-mato recebiam ordens para capturar o maior número possível de escravos, vivos, sem inutiliza-los para o trabalho forçado, havendo portanto, o cuidado de não mutila-los ou não lhes produzir lesões graves. Nesta luta corpo à corpo, o escravo se mostrava superior, graças a sua extraordinária agilidade.
Para não se deixar apanhar vivo, segundo o testemunho dos componentes das escoltas, o negro, refugiando-se nas capoeiras, defendia-se com um estranho jogo de braços, pernas, tronco e cabeça. Não rara era a debandada dos soldados que pretendiam agarra-los.
Em 1687, sendo Souto Maior o governador de Pernambuco, designou o sertanejo paulista Domingos Jorge Velho (mestre de campo de um regimento estacionado no sertão do Piauí) para exterminar o Quilombo dos Palmares. O sertanejo exigiu como prêmio as terras conquistadas e os escravos que aprisionasse. O acordo com os paulistas foi ratificado em 3 de dezembro de 1691.
Domingo Jorge Velho, comandando cerca de 3.000 homens bem armados e equipados (inclusive com 2 canhões), dirigiu-se para o Oiteiro do Barriga, onde iniciou os primeiros combates com os negros escravos. Os soldados tinham recebido ordens de capturar os negros vivos, mas era quase impossível.
 
Os negros resistiram até 6 de fevereiro de 1694,quando Domingo Jorge Velho logrou êxito. Conseguiu conquistar terras, mas aprisionou um número muito reduzido de escravos. Segundo o historiador Fernandes Pinheiro, Zumbi se atirou do alto de um rochedo. Outros historiadores classificam essa versão como uma lenda, asseverando que o chefe dos Palmares foi atraiçoado, tendo sua cabeça exposta em praça pública, conforme comprova carta do governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro, dirigida ao Rei de Portugal em 1696. Mas a lenda foi mais forte, os negros nela acreditaram e o mito penetrou na história, contando que Zumbi morreu lutando e atirou-se de um penhasco para não ser capturado. Para os negros escravos da época, ele voltaria do fundo do penhasco para liberta-los. A coluna que matou Zumbi era chefiada pelo capitão paulista André Furtado de Mendonça.