SEM MEDO
Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.
(Castro Alves)
Como serão estes teus olhos?
Imagino que têm brilho flamejante
Dando-te pulcro eviterno
Regado de expressão pujante
Teu vocábulo - esse conheço
Manifestação prófuga do "formal"
É o ar que minha paixão respira
Que nutri minha demência emocional
Nas álgidas noites
A solidão é o momento
Quando o vento sacode a janela
Quando a janela sacode o vento
Propala-se som da madrugada
O goro da coruja, a ternura dos gatos
Fastígiamente espavorido
Na imensidão dos meus pecados
Vivo esses derradeiros dias
Tendo com afinco dedicado
Seguido um petiz do que te sei
Sempre a tua sombra enamorado
Não me importo com o que está por vir
Nem do que do por vir virá
Se terei só mais um dia
Este dia viverei por te amar
Belo Horizonte, 1/09/1999