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A SEREIA DE AFRODITE

26 de Março de 1996

Esculpi na vertente intangível

com garbosa vontade compulsiva

O meu legado escuso de pecado ilegível

na noite tépida inerte passiva

Foi que percebi na proporção de infinito

o clamor ardente do que sinto

O teu sorriso despido de esperança

nesse meu peito minha mais feliz lembrança

Mulher que é linda dá-me o trago

da exaustão do teu suspiro

Imagino que a ti com carinho afago

e que tu me beija e eu deliro

O teu corpo, é de Afrodite um estro

deixando-me atônito de desejo carnal

Quero lhe prendar com meu jeito modesto

contra o amor maçante se opondo ao formal

Sereia que a deusa do amor criou

estou preso no esplendor da criação

O mar, teu lar, a muito me encantou

me deu vida encheu-me de paixão

Nefasta a ternura dos contrários

em oposição aos meus anseios libertários

Só meus braços te arrancam das cadeias

que prende no oceano as sereias