RANCOR
07 de Dezembro de 1998
Há podado a pouco os pêlos
que cobrem a nudez - diz cabelos
Abaixa levanta. Bate a cabeça
A ferida - traz-te a mesa
O Lápis de um negro palidecído
Descreve o olhar desfalecido
Esse olhar anti-eclético
cada dia menos atlético
Diz - Quando no céu penso
Não penso em seu azul imenso
Mas em sua negritude perversa
e nas loucuras diversas
Vejo jorrar os seu sangue nos poros
embutiu-lhe por onde um dia os males novos?
Ignora o consigo jamais.
Pede a Deus, beija os pés de Satanás!!!
Deus do céu quantas mortes
Me diga quem embora fostes
Ainda que nada resta
Já que tudo mais não presta
E porque? Tantos outros irão
Me mostre o cerne da escuridão
O amor não vedado teria sido o pecado?
A ação imprime o vil fado
Quanto mais do ar o respiro
Mais cravado sente o dente canino
Tão maior o amor
Edifica e prolifera a dor
Talvez o mal não esteja
digamos que está, pois sente-se que apedreja
Sentindo do Golfo as bombas candentes
e a vida um tanto menos corrente
Se de tudo o mal desconfiado
foi apenas um pesadelo de finados
Acorda para a vida correta
do grande amor da felicidade completa
Viva os dias e as noites sonhando
Encarando cada aurora cantando
pelo amor di’vera no teu pranto
Sem espasmos de um desencanto