HENRIQUE
BARRILARO RUAS
[esboço
autobiográfico]
Curriculum Vitae
de
Henrique
José Barrilaro Fernandes Ruas
(que
habitualmente assina os seus trabalhos: Henrique Barrilaro Ruas,
mas
tb. Henrique Ruas ou com os pseudónimos José Coutinho de Brito
e
– m.to raramente – Paulo Manso de Campos, Manuel Andrade,
Henrique Via
e
ainda, em jovem, Teodomiro < , e, na Cidade
Nova, por vezes H.) >
Nasceu
na Figueira da Foz, Rua da Liberdade, na parte dessa rua que então pertencia à
área da freguesia civil de Buarcos e mais tarde veio a ter o nome de Rua
Joaquim Souto Maior. Data do nascimento: 2 de Março de 1921.
É
filho de Henrique Fernandes Ruas, natural de Soure, engenheiro civil e de minas
pela Escola do Exército, que então desempenhava as funções de chefe da Secção
Hidráulica da Figueira da Foz e acumulava (sem qualquer compensação pecuniária)
a de director das Obras do Porto e Barra da Figueira; e de D. Clara Adelaide
Echaves Barrilaro Ruas, de recente origem espanhola mas natural de Abrantes.
Frequentou,
ainda na Figueira, dos 5 aos 7 anos, o Colégio Nun’Álvares e guarda as
melhores recordações (contando entre elas um lindo livro) da sua velha
professora D. Emília Breda, a “Xumilita”. ║
Tinha
7 anos quando, por seu Pai ser nomeado director da Divisão Hidráulica do
Mondego, foi viver para Coimbra; desse desgosto só se curou cerca dos 14 anos.
Em Coimbra frequentou, apenas por alguns meses, o Colégio Português, de que só
tem uma boa recordação: um amigo exactamente da mesma idade e também chamado
Henrique, de quem nunca mais teve notícia, e que era o único com quem se
entendia no meio da ‘malta’... Passou a estudar em casa, até ao 2.º ano do
Liceu inclusive.
Foi sua
(excelente e queridíssima) professora da Instrução Primária a Sr.a
D. Ana Colaço de Vasconcelos, sobrinha do Doutor António de Vasconcelos, que
por vezes o levava à Escola que dirigia perto da Sé Nova. Fez o exame de
admissão ao Liceu (que talvez nesse ano se chamasse da 4.ª classe) na Escola
da Av. Sá da Bandeira, e ficou (com imensa vaidade!) “distinto”. Nos 2
primeiros anos do Liceu, teve como professoras ‘domésticas’ algumas
senhoras de que em geral gostou. Deve lembrar pelo menos duas: a Sr.a
D. ║ Henriqueta da Cunha Borges, que ensinava m.to bem Português
e Francês, e a jovem quintanista de Letras Sr.a D. Cacilda de Jesus
Namorado de Carvalho (a quem Vitorino Nemésio, um pouco mais velho, fez os
versos da Queima, que terminavam – lembro-me desde então: “É Cacilda de
Carvalho, namorada de Jesus” – por ser muito religiosa). Teve ainda, como
professor de Desenho, um filho da Sr.a D. Henriqueta, que estava a
acabar o curso de Matemática (?). Recebeu também algumas vagas lições de um
excelente desenhador bastante considerado em Coimbra, o Sr. Ferraz, que creio
que era funcionário da Hidráulica. No exame do 2.º ano, passou sem
dificuldade. Até em Matemática (que nunca foi do seu agrado) teve 14...
Foi no
3.º ano (ou seria só no 4.º?!) que passou a frequentar uma escola – e,
mesmo assim, um Colégio: o Colégio de Luís de Camões, de que eram directores
e proprietários os Drs. Joaquim da Horta e Cos║ta Henriques (que pouco
antes casara com uma Prima direita do seu – meu
– Pai) e Carlos Proença de Figueiredo. Com a dificuldade psicológica que
seria de prever, lá se foi adaptando à nova vida ‘pública’. Teve, em
geral, bons professores. O melhor de todos foi com certeza o Dr. C. Proença,
futuro D.or Geral do
Ens.º Técnico, a quem deve em boa parte o que sabe e o que deseja saber nos
campos da História e da Literatura. Mas tb. agradece o Latim que teve a paciência
de lhe ensinar o Primo Joaquim (que sempre tratou por “Sr. Dr.”). Estava no
5.º ano quando veio a Reforma Carneiro Pacheco. O exame passou p.ª o 6.º: média
de 16 valores.
E
passou p.ª o Liceu (o ‘jovem’ “D. João III”, resultado da fusão dos
velhos “José Falcão” e “Júlio Henriques”). Um 7.º ano disparatado,
porque abrangia todo o saber! Teve professores bons ou razoáveis. Em Filosofia,
m.to ficou a dever à inteligência e simpatia pacientíssima do Dr.
Manuel ║ Serras Pereira (aliás, Doutor).
Resultado: média de 14 (com 19 a Filosofia).
Escolhi
Direito. Mas, à cautela, resolvi fazer também admissão a Histórico-Filosóficas.
A admissão era dura, porque os júris eram universitários e havia (para defesa
dos alunos) dupla prova escrita – em 3 cadeiras. Numa das ‘Filosofias’ do
Direito tive 9 (menos 10 val. do que acabava de receber no Liceu!). Passei nas
duas admissões – por mal dos meus pecados, porque em Direito é que não
passei ao cabo do 1.º ano; soube (por portas travessas) as notas, que foram: 14
a D.to Português (Paulo Merêa), 12 a Constitucional (Carlos
Moreira), 10 a Romano (Cabral de Moncada), 6 a Civil (Pires de Lima). Média de
11: reprovado, por causa da negativa a Civil. Remédio santo: Letras! Entre o 10
a Paleografia e Diplomática e o 18 a Teoria do Conhecimento, as notas variaram
muito du║[ran]te os 4 anos. Mas era suposto que poderia vir a ser chamado
para assistente – na secção filosófica. A escolha do tema p.ª a dissertação
foi um pouco discutida. Acabou por ser Dionísio Areopagita – e levou 2 anos a
preparar e a escrever uma tese que compreendia a tradução da 1.ª das obras do
“Corpus”, a Hierarquia Celeste.
Tradução do Latim e não do Grego: primeiro, porque não sabia (e nunca viria
a saber) Grego; segundo, porque a influência dionisiana se deveu sobretudo às
traduções latinas da Alta Idade Média, seguidas das da época renascentista.
O director da dissertação e arguente, Miranda Barbosa, quereria que, pelo mérito
que nela achou, eu saísse licenciado com 18: apenas conseguiu um 16
discutido... Como professor, o melhor ║ que tive foi sem dúvida Miranda
Barbosa. Como amigo, Torquato de Souza Soares. Mas devo muito à sabedoria de
Joaquim de Carvalho. Registarei, para todos os efeitos, os nomes dos outros
professores: Amorim Girão (excelente estimulador do interesse humanístico da
Geografia), Mário Brandão, Damião Peres (expositor magnífico), Virgílio
Correia, Maximino Correia, Correia de Oliveira (estes dois, professores de
Medicina, a quem estava entregue o ensino da Psicologia!) e (qualquer deles por
muito pouco tempo) Trindade Salgueiro, Magalhães Vilhena, Sílvio de Lima e
Orlando Ribeiro. Manuel Lopes de Almeida só viria a ser examinador de H.ª de
Portugal, naquela espécie de doutoramento menor que era a repetição
(juntamente com a ‘tese’!) ║ das ‘principais’ cadeiras do Curso.
Como a
Filosofia não me chamou, a História atraiu-me sub conditione: que me corrigisse desde logo da tentação filosófica,
dedicando-me, dois anos pelo menos, a investigação e a especialização, antes
de me propor a doutoramento. Aceitei, talvez com mais agrado do que teria em me
dedicar ao ensino filosófico (que sempre me pareceu algum tanto incoerente: ou
é ensino, ou é filosófico...). O Doutor Torquato Soares conseguiu uma bolsa
de estudos do I.A.C. e, sobretudo, entregou-me à sábia e generosa orientação
do reiniciador da Historiografia medievo-portuguesa, o P.e Pierrre
David. E comecei a estudar, de vários modos, as instituições medievais,
especialmente ║ as eclesiásticas. O P.e David arranjou-me uma
bolsa de estudos do Governo Francês, para cursar, durante 2 anos, algumas
cadeiras da École des Chartes de Paris. Aí, como aluno-ouvinte, estudei
Paleografia, Diplomática, H.ª do Direito em França, Fontes de H.ª de França.
Devo registar o nome do mais extraordinário professor que algum dia conheci:
Alain de Boüard, o famoso diplomatista (que então estava a ensinar –
fulgurantemente! – uma cadeira que, em si mesma, sempre detestei:
Paleografia). Era casado com uma senhora portuguesa: havia 40 anos que essa
senhora, que não tinha parentes, não ia a Portugal. Não ousava
falar português, mas pronunciava Portugal exactamente à portuguesa! A. de Boüard
e uma filha foram-me visitar a Coimbra, mas no Verão, e eu não estava... <
(antes disso, lanchei em casa deles, nos arredores de Paris) > < (A. de B.
foi D.or da B.ca N.al de Paris e aí recebia D.
M.el II, a quem oferecia um gabinete p.a os seus estudos)
>
Ao
mesmo tempo que frequentava a Éco║le des Chartes, segui também, no
Instituto Católico de Paris, lições de H.ª do D.to Canónico,
Fontes do Direito Canónico e H.ª da Igreja (que tinha como mestre o célebre
Mons. Arquillière). Também ouvi umas 2 lições do famosíssimo P.e Daniélou,
futuro Cardeal (em Origens Cristãs). O ensino na “École” era extremamente
clássico, apesar da criatividade de Boüard. Ao contrário, o ensino no
“Institut” era do mais vivo, ou antes, o mais vivo, o mais moderno que me
foi dado conhecer.
Já
nesse tempo andava a preparar a tese, que seria sobre o sistema monástico da
Vacariça (perto do Buçaco). Na Bibl. Nacional de Paris ia analisando os Diplomata
et Chartae dos nossos P. M. H.
(pouco mais obras port. havia nessa Bibl., onde era m.to rica a
representação espanhola). Foi no entanto aí que tomei conhecimento com os
Sermões de S.to Ant.º (numa velha ed. latina) e com os Salmos
Penitenciais (tb. latinos) do nosso “Prior ║ do Crato”.
Enquanto
estive em Paris (1947-49), fui enviando alguma colaboração para a Revista
Portuguesa de História da Fac.de de Coimbra (devida, em mais de
50%, à carolice do Doutor Torquato),
e comecei um estudo bastante ambicioso sobre a Chanson
de Roland, considerada à luz das fontes históricas referentes ao seu tema:
redigido em grande parte, em francês, ficou até hoje incompleto).
Já em
45-47 (após a licenciatura, portanto, e até à ida para Paris) e depois do
regresso de França, sempre apoiado pelo I.A.C., trabalhei bastante, com o
Doutor Torquato, na elaboração da Rev.
Port. de H.ª e também na revisão da 2.ª ed. (actualizada) do Gama
Barros. E fiz algumas recensões críticas p.ª essa revista e para a Biblos, que era o órgão geral da Faculdade.
No
entanto, ao voltar de Paris, passei um ano lectivo (49-50) em Lisboa, onde pela
pri║meira vez exerci o ensino oficial (Religião e Moral, ao 1.º ciclo do
Liceu Gil Vicente). De novo em Coimbra até 1 de Dezembro de 51, retomei o
ensino particular que iniciara, com a Filosofia, ainda antes da licenciatura
(creio que em 1943-44) no meu velho Colégio Luís de Camões. Dei também
Filosofia e Francês no Colégio de S. Paulo. E tive aulas particulares. E
ensinei no Colégio de S.ta Cruz. E dei Psicologia na Escola Normal
Social < (esta era dirigida por freiras) > – tudo em Coimbra.
A
minha ida (digamos, definitiva) para Lisboa no final de 51 foi devida a ter
aceitado o convite do Doutor Gonçalves Rodrigues para colaborar com ele como D.or
dos Serviços Culturais da “Mocidade Portuguesa”. Comecei a trabalhar sem o
título, mas, ao fim de alguns meses, assumi-o e conservei-o até saber que o
Doutor Gonçalves Rodrigues ia ser substituído (pedi a demissão, creio que
pelo Outono de 1955).
Entretanto,
também a convite de A. Gonçalves Rodrigues, entrei para a Faculdade de Letras
de Lisboa, para ensinar, ║ entre outras matérias, Paleografia e Diplomática.
No 1.º ano (1953-54), fui o único assistente da secção de História. No 2.º,
já havia outra assistente (Irisalva Moita). Nos 4 anos em que trabalhei nessa
Faculdade, leccionei, entre teóricas e práticas: Pal./Dipl., Numismática/Esfragística,
Epigrafia, História Geral da Civilização, História da Antiguidade Oriental,
História dos Descobrimentos. Entrei, oficialmente, para trabalhar com a Doutora
Virgínia Rau. Mas, além dela, ajudei os Doutores Manuel Heleno, Scarlati
Lambrino, Mário de Albuquerque e Ferreira de Almeida. Foram meus alunos, que eu
saiba, os seguintes futuros professores universitários: Maria Carmelita Passos
e Homem de Sousa, M.ª Cândida Pacheco, A. H. de Oliveira Marques, Luís de
Oliveira Ramos, Pedro A. Teles da Silva Pereira. Gostosamente acrescentaria
muitos outros nomes: p. ex., Álvaro Penedos, David Lutero de Morais Freire,
Leon.do Mathias, Frederico Perry Vidal...
Saí
da Faculdade por um acordo estabelecido entre os dois catedráticos: convinha
que saíssem os dois assistentes. No entanto o Doutor ║ Heleno (com quem
estava, ultimamente, a trabalhar, e trabalhei mais tarde – 1957-59 –, no
Museu de Belém) procurou conservar-me; eu é que não aceitei a condição, que
seria passar a dedicar-me à Arqueologia – para que não tinha a mais pequena
vocação. Pelo caminho, também me negara a aceitar a cadeira de H.ª da
Antiguidade Clássica, matéria que me parecia demasiado estudada em Portugal
para de repente ser confiada a um ‘caloiro’...
Com
todos estes trabalhos, a tese ia ficando para trás... até hoje. Apesar das
sucessivas bolsas de estudo (confesso!).
Depois
da Fac.de de Letras, entrei (1957) no Centro de Estudos Sociais e
Corporativos, subordinado à Junta de Acção Social (do Ministério das Corporações).
Sem estatuto de funcionário público (pertencíamos ao Sindicato dos Empregados
de Escritório!), dependíamos de facto do Ministro. E o Ministro que me nomeou
foi o Dr. Veiga de Macedo, homem seriíssimo e de grande visão política ao
menos na esco║lha dos colaboradores: fiel como era à “Situação”, não
hesitava em rodear-se de pessoas conhecidas pela sua independência (pelo
menos...) em relação ao Estado Novo. Aí trabalhei (com o nome um pouco
bizarro de “Assistente”) sob a direcção < – sucessiva – > de
Sedas Nunes, Ruy de Albuquerque, Francisco Neto de Carvalho. Quase todo o tempo,
o primeiro, de quem guardo excelente lembrança. Aí tive como colega, entre
outros, António da Silva Leal, Carlos Branco, Mário Murteira, João Salgueiro,
Miguel Ascensão, João Policarpo. Óptimo ambiente de trabalho. Nesses 5 anos
(ou perto), elaborei e publiquei o livro Ideologia:
ensaio de análise histórica e Crítica (por iniciativa e em boa parte com
orientação de Sedas Nunes) e a antologia de António Corrêa d’Oliveira O
Homem e o Trabalho. Ambos prefaciados pelo Ministro das Corporações como
presidente da Junta de Acção Social. ║
Deixei
o Centro de Estudos (Outono de 62) por me ter sido negada pelo novo Ministro da
pasta < (J.G. de Proença) > autorização para prestar serviço, no período
da noite, como “professor ordinário provisório” do velho Instituto
Comercial de Lisboa, para onde me chamava o meu velho amigo José Carlos Amado
(depois de o meu antigo professor Carlos Proença em vão me ter convidado para
o mesmo quando eu era bolseiro em Paris). No Instituto permaneceria até à
reforma (1988), e assim passaria a ter novamente categoria oficial de professor
(“auxiliar”) do Ensino Superior desde que, pouco após o “25 de Abril”,
essa Escola viesse a ser o Instituto Superior de Contabilidade e Administração
de Lisboa (ISCAL).
Entretanto,
mantivera com bastante frequência senão persistência a actividade docente em
colégios: Filosofia, ║ História, Organização Política, Francês...
< (fui prof. medíocre) >
E, a partir de 1964,
participei bastante activamente nos trabalhos da CODEPA (Centro de Orientação
e Documentação de Ensino Particular), que ajudei a criar (sob ideia e
iniciativa de António José Viegas Ávila), juntamente com José Carlos Amado,
Gastão da Cunha Ferreira, Fernão Pacheco de Castro, Aulácio Rodrigues de
Almeida, Fernando Calheiros Velozo, dois irmãos Osório de Castro e José
Joaquim Laginha. Quer no efémero Centro de Estudos Pedagógicos (como
vice-presidente), quer na elaboração sistemática do Boletim,
quer no Instituto de Novas Profissões, quer no Colégio da Cidadela (de que
cheguei a ser, fugazmente, director in
nomine), e sobretudo com José Carlos Amado, alguma experiência me foi dado
ter nesse vasto campo – até aos dias de hoje. < (e de hoje: Ag.º de 2000!) > ║
Desse esforço, veio a
surgir um pequeno volume sob o título de Alguns
Problemas Psico-Pedagógicos dos Meios Áudio-Visuais.
Mas já desde Setembro de
1961 entrara como Director Literário para a Editorial Aster, a convite do então
gerente Dr. Eduardo Rocha. Nessa actividade me conservei – com dois intervalos
de cerca de um ano cada – até ao encerramento da Editora em Novembro de 1989.
No segundo desses
intervalos (1972-73), acompanhei o Dr. Nuno Calvet de Magalhães na frustrada
fundação de uma outra editora – a Editorial Expansão. (Devo dizer que essa
minha atitude foi perfeitamente compreendida pelo então gerente da Aster, Dr.
Osvaldo Aguiar.) O regresso definitivo à Aster deveu-se ao convite que recebi
do novo sócio-gerente Fernando de Sousa, que desde então sempre acompanhei nas
gravíssimas dificuldades que teve na Editora após o 25 de Abril e, sobretudo,
após a subida ao Poder da Aliança Democrática. < (sic!) > ║
Foi em consequência
indirecta do “25 de Abril” que retomei a qualidade de docente universitário.
Tomei parte na fundação da “Universidade Livre” e fui professor de
Filosofia do Ano Propedêutico que constituiu os seus primeiros passos. Deixei
temporariamente essas funções docentes (mantendo-me, no entanto, sócio da
cooperativa) por me ser impossível compatibilizar o horário com os meus
trabalhos de deputado (desde Dezembro de 1979). Mais tarde, porém, estando
ainda na Assembleia da República, mas tendo já saído da cooperativa
Universidade Livre como forma de protesto contra as questões internas – e
ainda para poder estar mais à vontade quando houvesse de, como deputado, tomar
posição nessas questões –, fui convidado por Luís Ribeiro Soares (que
comigo tinha trabalhado na “Mocidade Portuguesa” e no Instituto Comercial)
para o substituir numa das várias cadeiras que regia na Univer║sidade
Livre. Assim comecei a leccionar História da Cultura Medieval. Quando se tornou
mais aguda a crise interna dessa Universidade, resolvi (juntamente com a minha
magnífica assistente Margarida Barahona Simões) seguir os meus alunos onde
quer que eles se encontrassem, e assim, durante alguns meses, desdobrei em 2 o
meu curso, ficando também a leccionar, sem receber, no que se veio a chamar
Universidade Lusíada. Por imposição das autoridades administrativas e académicas
da Universidade Livre (<da Rua> Victor Córdon), teria de escolher. Não o
querendo fazer, foi-me negada distribuição de serviço nesta ‘secção’
universitária e nem sequer pude, na época de Outubro, examinar os meus alunos.
Devo dizer que só não recorri desta última decisão porque o professor
escolhido para essa função foi o meu grande amigo Luís Ribeiro Soares, para
mais a primeira autoridade portu║guesa na matéria.
Decidi abandonar a
actividade docente regular (ficando apenas com a orientação de algum seminário
– que de facto orientei, entre 1986 e 88, sobre “Cultura e Instituições na
época da Reconquista”), ao que, aliás, fui – ou seria – entretanto
obrigado por decisão do Ministério uma vez que era professor do ISCAL.
De resto, as minhas funções
no ISCAL tinham deixado de ser funções docentes desde 1976. Como vários
outros professores, perdi a cadeira, pois a Filosofia deixou de fazer parte do curriculum
escolar e não me foi distribuída outra. Em vão, em representação feita
colectivamente dois anos a seguir, se pediu ao Ministério nos fosse dado
trabalho fora do Instituto, consoante as nossas capacidades e o nosso estatuto.
Até ao fim do tempo de serviço, limitar-me-ia a funções directivas (fui
eleito para o Conselho Directivo ║ provisório logo após o 25 de Abril, e
tb. para o primeiro Conselho Directivo normal) e outras funções orgânicas
(desenvolvi bastante actividade em A.G.E. e A.G.P., fui secretário do Conselho
Científico).
Houve uma excepção: no
ano lectivo de 1985-86, fui bibliotecário, ou seja director da Biblioteca do
ISCAL. A minha acção, que nada teve de criativo, consta do respectivo Relatório.
A outras Universidades
prestei, acidentalmente, colaboração. Assim, fiz parte do 1.º júri de admissão
à Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade Católica (elaboração
do ponto e classificação das provas escritas em “Cultura Geral”); elaborei
os Programas, responsabilizei-me pelas aulas e classifiquei as provas das
cadeiras de História do Direito e das Instituições e “História Contemporânea”
(de facto, Problemas Actuais da Humanidade) no Instituto pré-universitário da
Universidade Internacional, de Lisboa; e tomei parte, por duas vezes (sendo uma
║ delas em representação do P.P.M.) em colóquios na Universidade do
Minho (do primeiro, há uma pequena publicação ordenada pela Reitoria; do
segundo, a minha colaboração consta do volume
.......................................... < (que nunca vi!) >
Fiz, ainda, parte do 1.º
júri de admissão < e tb. do 2.º > ao Centro de Estudos Judiciários,
criado pelo Ministro da Justiça Mário Raposo (cadeira de Cultura Geral).
Na Universidade de Évora
e também na Universidade Católica, participei, com comunicações (sobre
Nun’Álvares e a Crise de 1383-85, e sobre a história do C.A.D.C.) em colóquios
de natureza menos oficial. < Voltei à Un.de de Év. p.ª arguente
de uma dissert. de mestrado sobre hist.ª dos jardins >
O meu interesse pela Política,
que começou muito cedo, teve algumas expressões profissionais ou pelo menos próximas
desse estatuto. Assim, por duas vezes (cerca de 3 anos, da primeira vez; cerca
de 1 ano, da segunda) a minha actividade na Causa Monárquica (organismo)
assumiu algum carác║ter profissional, visto que recebia uma compensação
económica pelo tempo habitualmente desenvolvido sob a direcção dos Secretários-Gerais
Fernando de Sousa e Carlos Lopes Moreira (este, com categoria de quase
Lugar-Tenente do Rei). Da primeira vez, saí juntamente com Fernando de Sousa.
Da segunda, porque pedi a demissão de director de doutrinação e propaganda
por razões que estão, na essência, publicadas em Apêndice ao meu livro
A Liberdade e o Rei. A minha terceira passagem pela Causa (sem contar com a
primeira de todas, em que dirigi um Círculo ou Centro de Estudos da Juventude
Monárquica de Coimbra < ca. 1945/46 > ) foi como presidente da Comissão
de Estudos Doutrinários fundada pelo Lugar-Tenente António de Sèves; mas essa
não teve carácter profissional. (Também pedi a demissão: v. o mesmo livro,
tb. em Apêndice).
A actividade política
constitui para mim a mais significativa actividade ║ profissional quando,
entre 1979 e 1983 – cerca de 3 anos e meio – , fui deputado do P.P.M. A
minha acção encontra-se, necessariamente, reflectida no Diário
das Sessões e, acidentalmente, na Imprensa, com especial referência a O
Jornal e o Expresso. No ponto particular do debate sobre o Aborto, acrescento
o Diário de Notícias e o Jornal
do Fundão. A obra no prelo (ou melhor, nas mãos de um Editor, à espera de
oportunidade) < (O Ed. perdeu todo o original) > que designei por
As Minhas Repúblicas (Crónicas e Memórias) tenciona registar os
principais momentos dessa actividade. Em atenção a ela < – a actividade
– >, quis o Primeiro-Ministro Pinto Balsemão que eu viesse a receber uma
comenda da Ordem de Santiago (de natureza cultural e não política, que não
aceitaria), no que foi contrariado por quem de direito < (R. Eanes, v. carta
de Balsemão) > .
Em numerosos jornais e
revistas se guarda colaboração minha de carácter < político. > ║
< (talvez não falte a
fl. 26) >
De um modo geral, a minha
actividade política obedeceu sempre à opção monárquica. Trabalhei na Causa
Monárquica (de que nunca me desliguei). Colaborei activamente no quinzenário Mensagem.
Fui um dos fundadores da
revista neo-integralista e de Cultura Portuguesa Cidade Nova (já atrás referida). Entrei, ainda na fase de fundação,
no Centro Nacional de Cultura, a princípio muito próximo da mentalidade monárquica.
Fui sócio, durante muitos anos, do Centro de Cultura Popular (em que trabalhei,
principalmente, com o saudoso Pedro da Câmara Leme). Tomei a iniciativa da
fundação da Renovação Portuguesa (para a qual contribuíram, decisivamente,
Magalhães e Silva, Mário Saraiva, Pardete da Fonseca). Fui um dos promotores
do Instituto António Sardinha (o 2.º desse nome, devido, essencialmente, ao
José Fernando Rivera Martins de Carvalho – para cujo livro póstumo
escreveria um Posfácio). Fui dirigente da Conver║gência Monárquica e
finalmente do Partido Popular Monárquico (desde a sua criação em 23 de Maio
de 74, até ao começo de 1990). Fui membro do Conselho de Lugar-Tenência (com
António de Sèves). Fui membro do Conselho Privado de S.A.R. o Senhor Dom
Duarte. < tornei a ser desde ca. 1998 >
No campo pedagógico, para
além das indicações anteriormente expressas, participei no lançamento e na
direcção das Escolas Comunitárias e em especial da sua Associação
Portuguesa, em apoio do verdadeiro apostolado que devemos a Manuel da Costa
Garcia. E, por nomeação do Ministro Inocêncio Galvão Teles, fui vogal da secção
de interesses morais da Junta Nacional de Educação. Também, por encargo
recebido do Dr. António Carlos Leónidas, fiz a redacção final dos Programas
do Ensino Primário (ca. 1960). Colaborei também na revista Escola
Portuguesa (sempre, ou quase sempre, sob o pseudónimo José Coutinho de
Brito). ║
Sócio da Sociedade de
Geografia de Lisboa há dezenas de anos, não tenho dado a essa prestigiosa
agremiação qualquer cooperação cultural. Fiz, no entanto, em 1985, numa das
suas salas, uma conferência sobre “Nun’Álvares”, integrada na série
promovida pela Sociedade Histórica Independência de Portugal (editada no vol.
colectivo Aljubarrota).
Com esta última colaborei
mais algumas vezes: conferência sobre Vasco da Gama, não redigida nem gravada;
conferência sobre “o pensamento político do Condestável” (idem), esta última
proferida na sede da Cruz Vermelha.
À Sociedade de Língua
Portuguesa tenho prestado colaboração quase regular: depois de uma ou duas
palestras no tempo da presidência do Dr. Francisco J. Velozo (destaco “Camões
e a Paideia Portuguesa”, que, em resumo, foi dada como comunicação ao I Colóquio
║ Internacional de Camonistas, 1972, e editada em vol. e em separata do
mesmo título), seguiram-se palestras praticamente anuais sob a presidência
social de Fernando Sylvan (meu companheiro da C.E.M., Comissão Eleitoral Monárquica
de Lx.ª, 1969). Aí falei de António Sardinha, do anti-iberismo dos mestres
integralistas, de Hipólito Raposo, de D. Manuel II, etc. < continuei até à
morte dele e mesmo depois falei 2 vezes (até 1999) >
Também no Grémio Literário
falei sobre Antero de Quental (1970), Pequito Rebello, Alberto Monsaraz. (Fui sócio
desde 1969 até ca. 1983, em que pedi a demissão por motivos meramente
financeiros...)
Na Acção Católica ou
organismos afins, fui membro da Direcção do CADC desde 1940 a 1943 (presidente
em 42-43) e presidente diocesano da J.A.C. de Coimbra (1941-42).
Casado, em 8-II-52, com
Maria Emília Chorão de Carvalho, f.ª do Dr. Herculano de Carvalho, médico e
D.or do jornal católico “Correio de Coimbra”, e de D. Maria Emília
Franco Chorão, de uma família do Fundão. Têm oito filhos e catorze netos
< (15, desde 1998!) > , graças a Deus !
Gesteira, Ag.º de 1990
(Texto
publicado em Estudos, Revista do
Centro Académico de Democracia Cristã (Coimbra), Nova Série, n.º 1 (2003),
pp. 33-51.)
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