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“Hoje o grande valor é a democracia, e são os reis os seus grandes defensores”

Entrevista do Duque de Bragança ao diário ABC, de Madrid, conduzida pelo correspondente Belén Rodrigo.

 

Dom Duarte - foto ABC

DOM DUARTE

Duque de Bragança e Herdeiro do Trono de Portugal

Dom Duarte de Bragança, herdeiro do trono de Portugal se os portugueses restaurassem a Monarquia, mostra-se sempre disponível para servir o seu país e espera que os cidadãos de Portugal, assim como todos os da União Europeia, meditem bem no que significa votar a favor ou contra uma Constituição Europeia. O Duque de Bragança é um homem simples, que transmite confiança. Lembra com carinho os anos em que aprendeu espanhol lendo o ABC com seu pai, e abriu as portas da sua residência, em Sintra, ao nosso jornal para analisar a situação política em Portugal.
 - Neste momento de confusão política que se vive em Portugal, qual é a análise que faz?

 - Assistimos a uma falta de equanimidade por parte de alguns meios da comunicação social. Não há nada na acção do governo que permita afirmar que não tem legitimidade quando tem o apoio da maioria do Parlamento. Actua como actuaram os anteriores, tem coisas boas e más. Os portugueses votaram uma maioria parlamentar que apoia um governo que teve de tomar medidas impopulares que devem ser tomadas. A democracia só funciona com liberdade de informação e hoje, em Portugal, essa liberdade corre o risco de ser indirectamente condicionada.

 - Sente-se cada vez mais o peso dos “lobbies” em Portugal?

 - Sim, aumentou muito. Quem paga o funcionamento dos partidos políticos? O dinheiro do estado não chega para tanto, no caso de uma campanha eleitoral para as legislativas, e também para as presidenciais é preciso muito dinheiro.

 - Acha que há um vazio na democracia portuguesa?

 - Em primeiro lugar, há um vazio de informação e, por consequência, de participação. Apenas as eleições municipais são mais participadas, porque as pessoas sabem em quem votam e preocupam-se em encontrar as melhores soluções.

 - Pensou intervir de algum modo na situação política?

 - Dou a minha opinião sobre assuntos que considero de grande importância para o país. Defendo os valores fundamentais dos portugueses, entre os quais incluo a independência nacional e a soberania do Estado Lusitano.

 - Como é a relação entre a Casa Real e a República?

 - Em termos gerais, é muito boa. Os presidentes da República convidam-nos e vice versa. Colaboro com os governos, em particular com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a quem informo acerca de visitas que faço a países com os quais Portugal tem relações distantes.

 - Já alguma vez pensou candidatar-se à presidência?

 - O presidente Ronald Reagan propôs-me essa ideia uma ocasião. Expliquei-lhe que essa hipótese seria vista pelos portugueses como uma contradição da honestidade intelectual. Se eu digo que o sistema monárquico é melhor do que o republicano, independentemente das qualidades pessoais do Presidente ou do Rei, e depois aceitar participar numa instituição republicana, estou a contradizer-me.

 - Em Portugal há um grande respeito pela Casa Real de Espanha...

 - É claro que sim. Em primeiro lugar, porque acompanhamos o Rei desde pequeno e depois, pela evolução da Espanha, que foi fantástica, tendo em conta os problemas que herdou do passado. A Espanha conseguiu prosperar e alcançar um extraordinário nível de desenvolvimento.

 - Sente ou pensa que é o pai do futuro Rei de Portugal?

 - Só Deus sabe quando haverá uma mudança. Os países têm vida longa, vida de séculos, e por vezes, de um momento para o outro, a cultura política muda, as necessidades do povo mudam e pode sentir-se a necessidade de ter um Rei. É preciso que a minha família esteja disponível e preparada para servir o país numa situação dessas, se os portugueses assim o entenderem. Tal como o esteve meu Pai, eu estou hoje ao serviço de Portugal. E isto inclui os republicanos, porque os reis servem melhor todos do que os presidentes. As monarquias defendem os chamados “valores republicanos” da sociedade, isto é, a democracia, a independência de poderes e os direitos humanos, muito melhor do que as repúblicas.

 - Como vê o caminho da Europa no século XXI?

 - Penso que o problema da Europa é a avançada do materialismo e o retrocesso dos valores espirituais, o que pode ter consequências políticas muito graves a longo prazo. Por exemplo, o vazio demográfico que está a pôr em causa a população europeia, assim perdendo a sua essência. Outro problema é o egoísmo colectivo, que causa tremendos desastres ambientais. Se não mudarmos estes comportamentos, os nossos netos herdarão um mundo muito difícil.

 - O que acha dos últimos casamentos de príncipes europeus?

 - Em todas as épocas a Monarquia foi moderna. Na Idade Média, os reis eram soldados, depois defenderam a ciência, a cultura, a arte... Hoje estamos numa época em que o grande valor é a democracia, e os reis são os seus grandes defensores. É por isso que os casamentos reflectem essa tendência. Um símbolo da época que vivemos.

 - Que pensa da Constituição Europeia?

 - Foi apresentada como uma iniciativa que deve ser apoiada por todos os bons europeus. É necessário perceber bem o que estamos a eleger, e ninguém o explica. O voto, na ignorância, não é válido.

 -  O trabalho da Igreja na Europa está a ser respeitado?

 -  Nos dias de hoje, atacar religiões não cristãs, como o Islão ou o Judaísmo, é considerado grave. Mas atacar o Cristianismo, e o Catolicismo em particular, é como a caça livre, não tem limites.

(ABC, Madrid, 2 de Fevereiro de 2005; trad. de Fernanda Leitão)

Sugestões, correcções e contributos

... fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade.  -  Procurai a caridade (1 Coríntios 13-14)

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