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Mensagem de Dom Duarte ao Congresso da Causa Real
(Braga, Junho 2002)
Estando impedido, no estrangeiro, em Congresso cujo abandono
constituiria grave falta protocolar, não é possível acompanhar os
trabalhos e o encerramento do Congresso da Causa Real.
Gostaria, porém, de vos deixar uma palavra de confiança na reflexão que
fazeis e de esperança na escolha dos mais acertados caminhos e métodos,
para o êxito da missão que a vos cabe.
A Instituição Monárquica tem sido caracterizada, ao longo dos tempos, por
uma versatilidade tal que lhe permitiu adaptar-se, com facilidade, às exigências
de cada época.
De facto, as monarquias tem proporcionado às nações que se regem por esse
modelo, um maior progresso do que as repúblicas..
É designadamente o caso das Monarquias Europeias, das do Médio e Extremo
Oriente cujos países são autênticos faróis de civilização e
desenvolvimento nessas zonas do globo.
A estabilidade política e económica, e o respeito pelos direitos e
liberdades dos cidadãos tem sido apanágio das Monarquias do Século XX.
As Monarquias impedem as ditaduras e afastam os políticos e os regimes
corruptos.
Os Reis de Portugal usavam o título de "Defensores da República",
palavra que significa "o bem comum".
Os portugueses devem perceber que a proposta dos monárquicos não é de
"derrubar a República" e as suas instituições democráticas,
mas sim de "dar um Rei à República". Um Rei terá mais condições
para defender estas instituições do que qualquer Presidente, como se pode
verificar comparando o funcionamento dos estados europeus actuais. Deste
modo poderão ser eliminados os principais "fantasmas" que afastam
muitas pessoas da nossa proposta e ficarão mais esclarecidos alguns monárquicos
que cultivam fantasias políticas irrealistas. A Monarquia em Portugal foi
sempre um exemplo de modernidade em todas as épocas históricas, sabendo
adaptar-se aos sentimentos dos portugueses.
Efectivamente a honestidade, a tolerância e o equilíbrio, que são
elementos característicos da Instituição Monárquica, são absolutamente
essenciais ao Bem Comum dos povos e às Democracias parlamentares como a
nossa.
Só um chefe de estado independente da clientela política-partidária, por
natureza e sempre, poderá ter uma posição de verdadeira equidistância
em relação aos interesses em debate, sejam eles políticos, económicos ou
meramente sociais.
Se, como alguém já disse, “nunca um jogo foi bem arbitrado, quando o árbitro
é oriundo de uma das equipas em confronto”, é então claro que um Chefe
de Estado independente consegue autoridade para intervir e verdadeiro poder
para moderar.
A Família Real Portuguesa, está, como sabeis, à disposição do País
para o servir, se e quando a isso for solicitado, assumindo com humildade
essa missão histórica que nos foi transmitida pelos nossos avós, os
Reis de Portugal.
Cabe às Reais Associações e à sua Federação, a Causa Real parte da
tarefa de divulgação do nosso ideal e constitui sua função fundamental o
enquadramento regional e local dos monárquicos.
Constituindo estruturas emergentes da vontade dos associados, cabe-lhes também
incentivar e apoiar as iniciativa que se organizem nas suas zonas.
São por isso, e neste particular, detentoras de um autentico poder-dever:
Têm capacidade para poder intervir;
Têm o dever de apoiar com um critério de eficácia e estruturante.
Tenho esperança de que a experiência e o saber acumulados durante anos de
incansável luta permita aos Congressistas escolher os caminhos que levem a
Causa Real e as Reais Associações ao objectivo que se fixaram, porque a
concretização do Ideal isso necessita e o País o exige.
Portugal encontra-se numa “encruzilhada”, cuja solução passa
pelos valores que defendemos, já que, na maior parte dos casos, é
precisamente a falta deles que o conduziu a desastrosa situação em que se
encontra.
Quero, com tudo isto chamar a atenção para a relevante missão nacional
que vos está cometida e desejo incentivar-vos para as tarefas que estão em
via de ser lançadas.
É de olhos postos no futuro, que vos exorto a este acréscimo de
actividade, já que as propostas monárquicas constituem efectiva solução.
Espero que continuem perseverantes e, sobretudo, conscientes da missão histórica
que vos cabe.
Que Deus vos guarde!
Viva Portugal!
Dom Duarte de Bragança
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