História
Diferente dos outros clubes, o São Paulo não tem uma data de nascimento única e sim três dias diferentes considerando com o da fundação. A primeira delas é em 26 de janeiro de 1930, quando surgiu o São Paulo da Floresta. A segunda, é 4 de junho de 1935, como Clube Atlético São Paulo, e finalmente em 16 de dezembro de 1935 veio ser SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE. O São Paulo Futebol Clube surgiu da união dos associados e jogadores do Club Athletico Paulistano, o mais poderoso e glorioso time brasileiro na era do amadorismo, com a Associação Atlética das Palmeiras, um clube de futebol da capital paulista sem muita expressão. O dirigentes do Paulistano eram contra o advento do profissionalismo no futebol, mesmo isso sendo uma consequência natural do crescimento do futebol brasileiro. Ainda que com toda a força e influência que reprenstava, o Paulistano não foi capaz de impedir a profissionalização dos jogadores e assim, o clube resolveu abandonar as atividades futebolísticas, sendo apenas um clube social como é até hoje. O Paulistano, como já dissemos, era o mais glorioso clube de futebol do Brasil até então. Possuia os melhores jogadores, entre eles, o melhor de todos na época: Arthur Friedenreich, que em sua carreira marcou mais gols que o Pelé. Entre os grandes feitos do clube, constam 11 títulos paulistas e uma excursão vitoriosa à Europa em 1925, quando chegou a golear a seleção da França por 7 a 1!
Já naquela época, seus dirigentes se articulavam para combater o evidente profissionalismo no futebol paulista. Romperam com a Liga Paulista de Futebol (LPF) e criaram a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), fazendo com que o estado de São Paulo tivesse dois campeonatos. Com o fim do time do Paulistano, em 1929, seus associados adeptos do futebol e, principalmente, seus jogadores, não aceitando a extinção do seu time de futebol, resolveram fundar um novo clube para darem continuidade àquela gloriosa trajetória. Foi quando souberam que a Associação Atlética das Palmeiras, conhecido como Palmeiras da Floresta (nada a ver com o atual Palmeiras), um clube que possuia boas instalações esportivas na Chácara da Floresta, atravessava uma séria crise financeira. Então, os órfãos do Paulistano procuraram os dirigentes do Palmeiras da Floresta e propuseram uma fusão para a criação do novo clube. O time seria formado pela maioria dos ex-jogadores do Paulistano, enquanto o Palmeiras da Floresta entraria com as instalações e o estádio da Chácara da Floresta, na Ponte Grande, ao lado do Esporte Clube São Bento e do Clube de Regatas Tietê. E assim, no dia 27 de janeiro de 1930, em reunião realizada no número 28 da Praça da República, nascia o São Paulo Futebol Clube.
No dia 3 de fevereiro de 1930, o São Paulo, que era chamado carinhosamente de São Paulo da Floresta, realizou seu primeiro treino na Chácara, no qual o time A bateu o time B por 4 a 1, sendo que o time B contava com os dois principais jogadores, Araken e Friedenreich (foto ao lado). Quase um mês depois, no dia 9 de março, um público muito bom compareceu à estréia do São Paulo no Torneio Início da APEA e na reinauguração do Estádio da Floresta, que havia sido reformado e tinha capacidade para 15 mil pessoas. O centroavante Formiga foi o autor do primeiro gol oficial da história tricolor. O adversário foi o Clube Atlético Ipiranga e o resultado final marcou 3 a 1 para o São Paulo. No mesmo local, teve início, no dia 16 de março, o Campeonato Paulista de 1930. A estréia do Tricolor foi novamente contra o Ipiranga e a partida terminou empatada em 0 a 0. A equipe que fez o primeiro jogo do São Paulo em campeonatos paulistas jogou com: Nestor, Clodô, Barthô, Book e Zito; Alves, Luizinho e Mílton; Friedenreich, Seixas e Zanuela. O São Paulo terminou o campeonato como vice-campeão, com 11 pontos perdidos e apenas uma derrota.
O São Paulo não demorou para realizar seu primeiro grande feito: conquistar o Campeonato Paulista de 1931. Foi uma brilhante campanha com 20 vitórias, 5 empates e apenas uma derrota. O ataque contava com nada menos que Arthur Friedenreich, "El Tigre" , considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, marcando 1.329 gols em sua carreira. Naquele campeonato paulista, Friedenreich marcaria, em 26 jogos, 32 dos 92 gols marcados pelo time. O time de 1931 era composto por: Joãozinho, Armandinho, Barthô, Bino, Araken, Clodô, Friedenreich, Luizinho, Sasso, Mílton e Junqueirinha. Na final do campeonato de 1931, o Tricolor venceu o poderoso Palestra Itália (atual Palmeiras) por 4 a 0, no dia 7 de dezembro. Um detalhe interessante é que o São Paulo jogou esta partida desfalcado do atacante Siri e o seu substituto, Armandinho, foi autor de três gols. Essa vitória em 1931, numa época em que o Campeonato Paulista era dominado exclusivamente por Corinthians e Palestra Itália, fez com que se formasse uma torcida que, mesmo pequena, seria fundamental para que o Tricolor sobrevivesse a uma série de problemas que se seguiriam. Em 1932 o São Paulo tornou a fazer boa campanha no Paulistão, mas ficou com o vice-campeonato. Em 1933, no 1º Torneio Rio-São Paulo, competição que marcava o início do profissionalismo no futebol brasileiro, o São Paulo também foi vice-campeão.
O clube se consolidou razoavelmente, mantendo-se bem até 1934, quando comprou uma sede luxuosa, o Trocadero, mergulhando numa enorme dívida de 190 contos de réis. Os dirigentes se viram obrigados a fazer uma nova fusão, desta vez com o Clube de Regatas Tietê, que absorveu a dívida, mas ficou com o patrimônio do São Paulo. Muitos associados se revoltaram em fundir e entregar a Chácara da Floresta C.R. Tietê. Formou-se uma rebelião e a situação tornou-se grave. Ficou então decidido que o São Paulo Futebol Clube encerraria suas atividades, isto em 14 de maio de 1935.
A torcida são-paulina que tinha se formado já em 1930 e festejado o campeonato de 1931, se uniu e formou o Grêmio Tricolor, articulado pelo Tenente Porfírio da Paz, como uma forma de manter vivo o time do São Paulo. O título de 1931 tinha sido mais importante do que se podia imaginar. Se o São Paulo não tivesse conquistado aquele campeonato paulista, talvez não tivesse uma torcida tão articulada a ponto de manter vivo o espírito tricolor. Independentemente deste título figurar ou não nas estatísticas de campeonatos paulistas vencidos pelo São Paulo, ele foi uma importantíssima garantia de sobrevivência para o futebol do clube. O inconformismo tomou conta de muitos jovens são-paulinos que reagiram energicamente contra a extinção do clube. Assim, estes jovens - cerca de 250 - se reuniram na noite de 16 de dezembro de 1935 e, por volta das 22 horas, fundaram, ou melhor, oficializaram o ressurgimento do São Paulo Futebol Clube. A princípio, foram mantidos todos os jogadores que haviam ficado no clube, e também o distintivo e o uniforme originais. Naquela reunião estavam presentes figuras das mais importantes para a história do clube, destacando-se Manoel do Carmo Mecca (o primeiro Presidente do São Paulo Futebol Clube) e o Tenente José Porfírio da Paz (que com o tempo viraria General, mas continuaria um grande entusiasta tricolor). Manoel do Carmo Mecca teve a incumbência de reunir outros tricolores que haviam se desligado na fusão anterior. Todos aderiram ao novo São Paulo que começava a crescer.
Tricolor Conquista o Mundo nos Anos 90
Nos anos 90 o São Paulo ficou de vez na história do futebol mundial. A década de 90 começou ruim mais tudo mudou com a chegada de Telê Santana, em agosto daquele ano. Com Telê, o São Paulo se transformou numa máquina de ganhar títulos. O time tricolor era praticamente imbátivel no Campeonato Brasileiro de 1990, foi vice-campeão. Em 1991, com a volta de Müller o São paulo ficou mais forte e conquistou o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Paulista, para no ano seguinte executar com sucesso o velho sonho de ser campeão mundial, com uma geração marcada pelos passes certeiros e os gols de Raí, Palhinha, Müller, Cafu e, claro, as defesas de Zetti. Venceu a Libertadores de 1992 e bateu na final de Tóquio o Barcelona de Cruyff em um jogo emocionante. Em 1993, o São Paulo repetiu a façanha: ganhando a Libertadores e o Mundial Interclubes, desta vez derrotando o todo-poderoso Milan, da Itália, com um golaço de letra de Muller . De quebra, o time se consagrou como "dono da América, vencendo ainda a Recopa e a Supercopa dos Campeões.
Em 1994, o sonho
do tri da libertadores foi interrompido pelo goleiro Chilevert e pela péssima
atuação dojuíz uruguaio Ernesto Fillipi. O consolo foi a conquista da Copa
Conmebol pelo "Expressinho", equipe formada por jogadores reservas e
juniores. Ainda nesse ano estádio do Morumbi seria interdidado e foi preciso
reformá-lo, o que consumiu os cofres do clube por três anos, prejudicando os
investimentos no time por alguns anos. O São Paulo passou três anos apenas
participando dos campeonatos, fazendo campanhas, às vezes, até ridículas. O
anos de 1995 e 1996 foi uma das piores épocas do tricolor paulista. Em 1997,
sob o comando técnico de Dario Pereyra, o São Paulo dava sinais de vida e
foi vice-campeão paulista e da Supercopa dos Campeãoes. Surgem novos craques
como Denílson, Dodô, Serginho e França. Com a volta de Raí que estava
atuando na França o São Paulo voltaria a sentir o gosto de ser campeão, em
1998, quando faturou o campeonato paulista.
O significado do nome e cores do São Paulo F. C.
Nome, cores e uniformeO nome, as três cores e as formas dos uniformes do São Paulo não nasceram por acaso, nem tão pouco como fruto de uma combinação harmoniosa de cores e formatos. O nome obviamente foi tirado da cidade e do Estado. As três cores do São Paulo foram tiradas do vermelho do Paulistano, do preto da A. A. das Palmeiras e do branco dos dois. A camisa do Paulistano era branca com as iniciais do clube (CAP) vermelhas no peito e uma faixa horizontal vermelha, enquanto que a camisa da A. A. das Palmeiras era branca com uma faixa horizontal preta. Assim, a nova camisa do São Paulo seria branca com faixas horizontais vermelha e preta (o que se mantem até hoje). O São Paulo F.C. herdaria do Paulistano também o apelido de "Glorioso". No uniforme número um, a faixa vermelha e o distintivo obedeceram a mesma disposição da camisa do Paulistano. A faixa preta da A. A. das Palmeiras ficou abaixo. O uniforme número dois, listado, foi idealizado segundo as faixas da bandeira paulista. Os formatos oficiais das camisas e do símbolo foram desenhados por Walter Ostrich (Oliver), alemão simpatizante do novo clube em formação. Nessa tarefa, segundo seu próprio testemunho, Firmiano de Moraes Pinto Filho, um dos fundadores, prestou grande colaboração. |