Curiosidades
A partir de 1930, quando o Paulistano desativou o seu futebol, os títulos de campeão paulista eram conquistados ou por Corinthians ou por Palmeiras (então Palestra Itália). O São Paulo havia vencido em 1931 e só. Em 1943, antes de começar o campeonato, acontece uma reunião na Federação Paulista com os representantes dos grandes clubes fazendo as previsões de quem seria campeão. Palestrinos e corintianos não aceitavam a quebra da hegemonia e, para menosprezar com os outros, diziam que chegaram a um acordo: jogar-se-ia uma moeda para cima e se desse cara, o campeão seria o Palmeiras, e se desse coroa, o Corinthians. O são-paulino protestou: "E como fica o São Paulo?". Os dois responderam: "Só se a moeda cair em pé". Naquele ano, o Tricolor, que tinha Leônidas da Silva, faturou o campeonto e quebrou aquela hegemonia para sempre. A torcida são-paulina comemorou o título desfilando com um carro alegórico simbolizando uma moeda em pé.
José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro, jogou no Tricolor de 1954 a 1963, e ganhou também o apelido de "O Mágico" por causa de seus dribles desconcertantes. Um deles ganhou até nome, "Solavanco": a bola correndo sobre a linha lateral, um giro de cintura para a direita, um corte seco e a bola tocada em velocidade inimaginável. Muitos dizem que foi um "Garrincha canhoto". Nascido no Maranhão, conta-se que, para impedir seu filho de viver com a bola o dia inteiro, o pai o prendia na mesa. Mas o menino, mesmo amarrado, ainda conseguia tirar do bolso uma bolinha de papel e praticava embaixadas. Teria vindo daí a assombrosa habilidade no trato com a bola?
Na tarde de 27 de junho de 1971, mais de 115 mil pessoas lotavam o Morumbi para assistir à final do Campeonato Paulista entre São Paulo e Palmeiras. Aos 6 minutos, Toninho Guerreiro abre a contagem para o São Paulo e o Tricolor passa a segurar o Palmeiras. Um jogo difícil em que os são-paulinos chegavam junto, não dando espaço aos talentosos Ademir da Ghia e Leivinha. O Palmeiras atacava e o Tricolor respondia com contra golpes fulminantes, que só não acabaram em gols graças às defesas do goleiro Leão. No segundo tempo, Leivinha sobe mais que a zaga são-paulina e, de cabeça, empata. O juiz Armando Marques anula o gol, alegando que o jogador dera um soco na bola e não uma cabeçada. Os últimos minutos são emocionantes e quando o árbitro apita o final da partida, os jogadores palmeirenses partem para cima dele, reclamando do gol anulado. Os são-paulinos? Já estão comemorando o título nas ruas da cidade. "Gol de mão? Não vimos não!", gozam.
Num jogo contra o Corinthians, o legendário Mosenhor Bastos se viu constrangido, por falta de lugar, a sentar-se no meio da torcida rival, junto com alguns companheiros. Quando o São Paulo marcou um gol, o padre não se conteve e gritou. Foi quando ouviu a provocação: "Parece que temos saia entre nós!". Monsenhor achou melhor silenciar, seria briga feia. Porém um homenzinho se levantou e encarou o adversário. "Se quer briga, venha. Não está vendo que estes homens são diretores do clube?". O desafiado desceu. Melhor não tivesse feito. Apanhou feio. O homenzinho que o tinha encarado era o pugilista Kid Jofre, pai de Éder Jofre, futuro campeão mundial de boxe.
E o Santos de Pelé e cia. fugiu de campo...
A partida entre São Paulo e Santos, realizada no Pacaembu na noite de 15 de agosto de 1963, entrou para a história como o jogo em que o Santos fugiu de campo. E nada indicava que o time da Vila Belmiro usasse o recurso do "cai-cai", porque o jogo começou equilibrado. Faustino abriu o placar para o Tricolor aos 5 minutos. Pelé empatou para o Peixe aos 21. Mas nos oito minutos finais do primeiro tempo aconteceu de tudo! Benê marcou o segundo gol do São Paulo aos 37 e Sabino aumentou para 3 a 1 aos 40 minutos. Aí começou a confusão. Os santistas protestaram, o árbitro Armando Marques não tolerou as reclamações e explusou Pelé e Coutinho. Pelé estava indignado: "Quero que um avião caia sobre minha cabeça e de meus familiares se eu fiz alguma coisa!", esbravejava.
Não adiantaram desculpas, o Santos teria que voltar para o segundo tempo com apenas nove jogadores. No intervalo, Oswaldo Brandão, técnico do São Paulo, setenciou: "Este jogo não vai acabar. O Dr. Nélson Consetino (médico do Santos) já me disse que vão melar o jogo". E foi o que aconteceu. O Santos voltou para o segundo tempo só com oito jogadores: o lateral Aparecido, que tinha estreado naquela noite, ficou "contundido" no vestiário. O jogo recomeçou e aos 7 minutos Pagão ampliou para 4 a 1. Começou então o "cai-cai". Pepe e Dorval resolveram cair e esperar a maca para não voltarem mais ao gramado. Armando Marques apitou o fim da partida, pois o Santos não tinha número legal de jogadores em campo para continuar o jogo. Nesta partida, o São Paulo jogou com: Suli; Deleu, Bellini e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. O Santos "fujão" formou com: Gilmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe.
Laudo Natel precisava de dinheiro para as escavações do Morumbi. Foi à Antarctica e vendeu a concessão para bebidas no estádio. Recebeu um título, descontou-o no Bradesco e iniciou os trabalhos. Mandou fotografar as obras e com as fotos em mãos percorreu empresas em busca de patrocínio. A cada etapa, um novo recurso. Outra vez, Laudo teve que se transformar em "garoto propaganda". Na hora de colocarem os bancos no estádio, calculou-se que seria preciso 400 mil parafusos. Natel foi à TV, fez publicidade de uma indústria e os bancos foram instalados. O Morumbi estava praticamente pronto para a inauguração, mas ainda não tinha iluminação e placar. Henri Aidar e Antônio Nunes Lemes Galvão foram à Philips e viram catálogos moderníssimos. Mas, e o dinheiro? Foi quando os dois venderam a imagem do estádio, conseguindo os refletores por aluguel, por um prazo de dez anos. Para pagar o aluguel, permutaram. A Philips colocou no estádio painéis de publicidade em troca dos pagamentos.
O São Paulo e a Seleção Brasileira
Fortalecendo a Seleção
desde 1930
O São Paulo participou praticamente de todas as seleções brasileiras formadas
a partir de 1930, quando foi fundado na sua primeira fase. Araken Patuskas foi o
primeiro são-paulino a defender a Seleção, em 1930. O goleiro Pedrosa, Zezé
Procópio, o zagueiro Zarzur, os acatances Leônidas, Friaça... eles ajudaram o
Brasil a vencer as taças Rocca, Rio Branco e outras. O primeiro grande título
da Seleção Brasileira depois da fundação do SPFC foi o Campeonato
Sulamericano de 1949. Estávamos lá com Mauro, Bauer, Rui e Noronha. Nosso
clube esteve também em todas as Copas do Mundo vencidas pelo Brasil e em todos
os outros títulos significativos da Seleção Brasileira - entre os quais:
Campeonato Pan-americano de 1952 (com Bauer); Torneio Bicentenário dos EUA em
1976 (Valdir Peres e Chicão); Campeonato Pan-americano de 1987 (Nelsinho e
Pita); Campeonatos Mundiais de Júniores de 1983 (Boni e Sidney), 1985 (Müller
e Silas) e de 1993 (Catê e Pereira).
Em 1940, em votação aberta a
todos os torcedores, o São Paulo foi considerado "O Clube Mais Querido Da
Cidade". Dentre os acontecimentos que marcaram a trajetória da grandeza
Tricolor, cabe-nos destacar, relembrando, os fatos que culminaram com a
conquista dessa láurea. Era a tarde de 25 de janeiro de 1940, e o Pacaembu,
hoje Paulo Machado de Carvalho, realizava as festividades de sua inauguração,
com a presença do Presidente da República, Getúlio Vargas. Acontecia um
desfile de quase todos os clubes desportivos da Capital, em homenagem à então
efeméride-mór do futebol paulista. Vale lembrar que o citado presidente,
naquela fase, havia incinerado em praça pública, em nome da unidade nacional,
as bandeiras representativas dos Estados.
Ao surgir na entrada do estádio a representação do São Paulo F. C., à ovação
de aplausos então ouvida só caberia este qualificativo: inigualável. Os
atletas são-paulinos envergavam o tricolor do Pavilhão Paulista. Na
oportunidade, o mesmo padrinho do "Clube da Fé", o saudoso "Olimpicus"
(o jornalista Thomaz Mazzoni), ministrava ao um novo batismo: São Paulo F. C.,
"O Clube Mais Querido Da Cidade". Este "slogan", que até
hoje figura nos impressos de correspondência do clube, teve a sua confirmação
pelo público alguns meses depois do evento do Pacaembu - através do concurso público
instituído pelo DEIP (Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda), que
inclusive criou um troféu alusivo. Segundo o referido concurso, o São Paulo
conquistou o troféu de "O Clube Mais Querido Da Cidade", com 5523
votos. Em segundo lugar ficou o Corinthians Paulista, com 2671, menos da metade
dos votos, e em terceiro, a Sociedade Esportiva Palmeiras, com 2593, citando
apenas os primeiros colocados.
| 1936 | Manoel do Carmo Mecca |
| 1936-37 | Frederico A.G. Menzen |
| 1938 | Cid Matos Viana |
| 1938-40 | Piragibe Nogueira |
| 1940 | Paulo Machado de Carvalho |
| 1940 | João Tomaz Monteiro da Silva |
| 1941-45 | Décio Pedroso |
| 1946 | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1947 | Paulo Machado de Carvalho |
| 1948-57 | Cícero Pompeu de Toledo |
| 1958-71 | Laudo Natel |
| 1972-77 | Henri Couri Aidar |
| 1978-83 | Antonio Leme Nunes Galvão |
| 1984-87 | Miguel Aidar |
| 1988-90 | Juvenal Juvêncio |
| 1990-93 | José Eduardo Mesquita Pimenta |
| 1994-98 | Fernando Casal de Rey |
| 98-2000 | José Augusto Bastos Neto |
Na ciranda dos treinadores,
Vicente Feola foi o que mais orientou o São Paulo: 12 vezes. Seguido por José
Poy (7 vezes) e Joreca (5 vezes), estes dois, antigos jogadores. Foram do São
Paulo e depois da seleção brasileira: Feola, Aimoré e Zezé Moreira, Flávio
Costa, Carlos Alberto Silva, Osvaldo Brandão e Telê Santana.
Dos quatros treinadores campeões mundiais com o Brasil (Feola em 58 e 62,
Zagalo em 70 e Parreira em 94), apenas Zagalo não dirigiu o tricolor. A
passagem mais rápida pelo banco foi a de Valdir de Moraes: um mês. O SPFC foi
o primeiro clube brasileiro a contratar um treinador estrangeiro, o genial Bella
Guttman, que veio em 1957 e foi campeão
paulista.
| 1936 - Del Debbio 1937/38 - Vicente Feola 1938 - Tito Rodrigues 1939 - Vicente Feola, Ignácio Ansel, Amilcar Barbuy, Ponziníbio 1940 - Ramón Platero 1941/42 - Vicente Feola 1942 - Conrado Rosa 1943/47 - Jorge Gomes da Silva (Joreca) 1947/50 - Vicente Feola 1951 - Leônidas da Silva 1951 - Ariston de Oliveira 1952 - Leônidas da Silva 1953/54 - Jim Lopes 1954/55 - Leônidas da Silva 1955/56 - Vicente Feola 1957 - Caxambu 1957/58 - Bella Guttman 1959 - Renganeschi 1959 - Remo Januzzi 1959 - Vincente Feola 1960/61 - Flávio Costa 1961 - Cláudio Cardoso 1962 - Aimoré Moreira 1963 - Osvaldo Brandão 1964 - José Poy 1964 - Otto Vieira 1964/65 - José Poy 1965 - Jim Lopes 1966 - Aimoré Moreira 1967/68 - Sílvio Pirilho |
1968/69 - Diede
Lameiro 1970 - Zezé Moreira 1971 - Osvaldo Brandão 1971 - José Poy 1972 - Alfredo Ramos 1972 - Vail Mota 1972 - José Poy 1973 - Telê Santana 1973/75 - José Poy 1976 - Mario Juliato 1977/78 - Rubens Minelli 1979 - Mário Juliato 1980 - Carlos Alberto Silva 1981 - João Leal Neto 1981 - Formiga 1982 - José Poy 1983 - Mário Travaglini 1984 - Valdir de Moraes 1984/85 - Cilinho 1986 - José Carlos Serrão 1986/87 - Pepe 1987/88 - Cilinho 1989 - Carlos Alberto Silva 1990 - Pupo Gimenez 1990 - Pablo Forlan 1990/95 - Telê Santana 1996 - Carlos Alberto Parreira 1996/97 - Muricy Ramalho 1997 - Dario Pereyra 1998 - Nelsinho Batista 1998 - Mário Sérgio 1999 - Paulo César Carpegiani 2000 - Levir Culpi |