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No dia 27 de Abril de 2005, na cidade de Horta, ilha de Faial, foi feita, pela Sra.


Dra. Alzira da Serpa Silva, Directora Regional das Comunidades dos Açores, a apresentação do livro...

      Dr. Óscar Monteiro, Dra. Alzira Silva e Dra. Elisa da Costa

“Nas Asas da Palavra”

Nasceu em Goa, viveu em Portugal, em Moçambique, actualmente Canadá. Já passou pelos Açores e as ilhas foram o mote para alguns dos seus versos. A sua lusitanidade revela-se no quotidiano, nas aulas de língua e cultura portuguesas, na sua poesia, na sua música.

Ser emigrante não o tolheu. Pelo contrário, o cruzamento cultural enriqueceu-o e motivou a ousadia poética. Diz ele próprio que não é fácil "aventurar-se a escalar duas esferas siderais com a mão da pena e fazê-las caber na palma do verso." Mas logo a seguir reconhece que "novos mundos não se dão ao mundo em bandeja, sem a tentativa e o esforço de se ir ao encontro do dragão ignoto do mar incógnito."

Com esta crença, Dr. Óscar Monteiro desafiou os ares e procurou novos significados na existência, no conhecimento, na cultura, nas palavras. Sem perder a sua identidade, descobriu e cultivou novas formas, tendo a harmonia como objectivo ético e estético. O horizonte é talvez inalcançável, mas um artista busca eternamente a perfeição no mais imperfeito dos sentimentos: o amor à poesia.

Dr. Óscar Monteiro é um artista que dá corpo aos sentimentos, aos afectos, à sua alma. É ali que mora a sua essência, é ali que voa o seu sonho, é ali que projecta um mundo mais belo, e é também a alma o infinito da estética e dos valores.

Tudo o que é, constrói com paixão. Colhe a luz dos seus autores preferidos e introduz-lhe as metamorfoses de que necessita para alimentar o seu lirismo. A sua maior musa acompanha-o hoje: Rosa Maria, nome de flor e de mulher, cujo sorriso brilha na certeza de que não há sacrificios quando se ama.

Porque, como escreve Dr. Óscar Monteiro, "o Amor não é um estado nem positivo nem uma condição fixa ou excesso a que um certo atributo está deveras associado; antes uma condição de mudança, um processo." Então o processo passa pelas Asas da Palavra. . "No reino da poesia, no cosmo do vocábulo, tudo - o impossível- se toma possível nas asas da palavra. Por isso, quando o homem perde o contacto com a poesia, ele perde a sua alma."

- Óscar Monteiro, quem acredita nunca perde a sua alma. Agradecemos estas parcelas que nos oferece de si, e que - espero - sejam companhia e deleite dos que estão aqui presentes. Os que não estão... talvez um dia queiram estar.

- Obrigada por ter vindo. É nosso dever fazer pontes de identidade cultural. Esta é uma delas.

Alzira Silva


APRESENTAÇÃO DO LIVRO NO CONSULADO DE PORTUGAL Em Toronto, no dia 17 de Fevereiro de 2005


"Nas Asas da Palavra" de Óscar Francisco Conceição Monteiro

Pela Professora EMÍLIA JR. DE OLIVEIRA


É dificílimo, nos dias que correm, arranjar tempo para o que necessitamos fazer. A família e os amigos queixam-se e, em silêncio muitas vezes, nós queixamo-nos a nós próprios porque nos apercebemos desta realidade. É uma vida «supersónica» e apenas assim porque ainda ninguém inventou uma palavra para a velocidade superior a luz... de que eu tenha conhecimento... será para a geração dos nossos filhos, quiça, mas, não muito mais tarde, creio.

E neste rodopiar constante, perde-se o tempo para outros aspectos preciosos da vida : a Reflexão, a introspecção, a contemplação e a apreciação do SILÊNCIO.

É pois de admirar aqueles que ainda conseguem roubar algumas horas ao tão escasso tempo de sono para poderem saborear e sentir as vozes a que apenas o silêncio pode proporcionar.

O Óscar Monteiro é uma dessas pessoas.
Nascido em Pangim, Goa, estudou em Moçambique onde completou o primeiro ano da Universidade e em 1974 foi para Portugal onde em 1977 casou com a tão celebrada Rosa Maria dos seus sonetos. Mais tarde veio para o Canadá onde completou os estudos em Psicologia na Universidade de York. Algum tempo depois obteve a Licenciatura de Educação na Universidade de Toronto.

Trabalhou em escritorios de advogados durante algum tempo e depois para a Ford Electronics onde durante alguns anos exerceu o cargo de editor da revista «News and Views». Simultaneamente, ao cair da tarde, juntava, e continua a juntar-se, ao grupo de professores que se dedicam ao leccionamento da Língua e Cultura Portuguesa aos filhos de emigrantes da nossa comunidade. Durante muitos anos trabalhou para a escola do First e, hoje é director da Escola Portuguesa "A Caminho do Saber".

Não é tarefa fácil!
E... não se fica por aqui !
Pois quem conhece o Óscar de perto sabe que ele tem um dom muito especial para a música e que toca piano e guitarra com uma sensibilidade extraordinária !

Assim faz sentido que esta sensibilidade se transferisse para o sonho e para o papel. Esta evolução é natural e ao mesmo tempo a concretização dos sentimentos que, principalmente nos seus poemas dedicados a Moçambique e aos Açores, está bem patente.

É facílimo "ouvir" a música do marulhar das ondas nas praias, de apreciar os aromas e perfumes e de «ver» os verdes e os azuis ao ler as suas homenagens as ilhas dos Açores...

A sua poesia esta repleta de efeitos cinestésicos que nos transportam para bem longe, para os lugares protegidos da sua infância e juventude, em que homenageia os pais pela delicadeza e coragem; para os «desvios» que teve de tomar a fim de tentar sacear a sua curiosidade, até chegar ao país que o recolheu, «onde vive numa região entre dois mundos : entre o mundo longínquo onde está mas não reside e o mundo onde reside...mas não está». Esta imagem, por qualquer razão, é-me muito familiar...

É aqui que ele da "asas" ao seu sonho, «a sua palavra guiada e protegida» pela sua musa e Criação: a «Citoleia ». Creio ser este o inicio duma «Mitologia Oscariana », se me permitem, que ainda está em embrião mas já consciente nos seus poemas.

No preâmbulo desta sua segunda obra, o autor filosofa sobre o que é poesia. E, se bem que o Óscar constantemente se refer, e com successo, através de toda a sua obra aos clássicos da literatura e filosofia, eu vou referir-me a dois nossos contemporâneos.

Carlos Paião disse que «para ser poeta era necessário ser-se sofredor» e José Cid, num dos seus poemas refer que não se pode ser poeta sem se ter poesia. O Óscar define a poesia como uma forma de arte, que dá significado a existência humana e por conseguinte uma necessidade humana fundamental. Assim sendo, usando as palavras do autor, todos temos «necessidade de passar pela experiência e explorar a sua existência com "significado". Como tal, senhores e senhoras, de uma forma ou outra, todos somos poetas ou poetisas que na maioria, creio, ainda não deu «asas as suas palavras».

Mas, ser poeta é tambem ser pintor de telas cujas palavras são tintas em que cada leitor, imagina e vê o quadro a sua maneira; é ser-se sofredor, senão não se consegue ter a sensibilidade necessária de experimentar e explorar a existência e, de igual modo, é necessário ter-se poesia...a fim de poder transmitir todo o empirismo dessa mesma existência.

Mas, na minha opinião, ser-se poeta é ser-se corajoso pois, compartilhar com o mundo o que nos vai na alma não é tarefa fácil ! Porque o que temos para dizer não só nos desvenda os sentimentos e experiências mais íntimas, fazendo de nós alvo certo de jocosos sem escrúpulos, como também expõe as nossas opiniões mais delicadas e de fácil interpretação errada, ao sabor de uma maré tempestuosa, como no seu soneto MARIOLATRIA : uma verdadeira crítica aos pseudo-religiosos. E o Óscar vai ainda mais longe ao divagar e trabalhar (porque escrever é TRABALHO) noutras línguas que não a nossa como o Inglês e o francês.

Entre quadras e sonetos, com uma riqueza de linguagem rebuscada e erudita, clássica e moderna, com conhecimentos histórico-literários, de mitologia clássica e de ditados populares, e o cuidadoso uso de figuras de estilo que são, indubitavelmente, uma dádiva preciosa ao leitor, o Óscar apresenta-nos amigos, colegas e família que, de uma forma ou outra, o tocaram, tal como na sua homenagem a colega e amiga, D. Margarida, sua «sereia açoreana» ou a sua saudosa falecida irmã Alzira.

Transporta-nos assim, num vaivem cultural entre um passado bem longínquo e um presente teimoso em passar, dentro de uma "nuvem psicológica de sonho e realidade” !

"Será fantasia ou realidade próxima?
Que importa ?
No reino da poesia, no cosmo do vocábulo, tudo,
- o impossível
- se torna possível
- nas asas da palavra.

Por isso, quando o homem perde o contacto com a poesia, ele perde a sua alma."

Gostaria de convosco compartilhar dois sonetos. Um aborda o tema do sonho O outro É uma chamada a nós próprios.

A CHAMA QUE NOS CHAMA!
(Página 166 do livro)

É sempre estimulante alto sonhar!
Mesmo que alguém nos diga que não,
Que nos queira desapontar e magoar.
Sonhar, e alto, é nunca tempo em vão!

O Sonho, a semente latente da acção,
É a chama com que a vida nos chama!
Quem por ele alto e lauto não clama,
Tem alma insípida, não tem ambição.

O que cresce na galeria grandiosa
Do mundo são sonhos, que suponho
Fez magotes de gente ficar famosa.

Por morrer o sonhador não morre o Sonho,
Nem da primavera a flora verde e viçosa,
O Sonho é a "lei mental" do fruto risonho.

CONHECE-TE A TI PRÓPRIO
(Página 169)

Já muito, muito longe o homem chegou!
Desbravou as terras perto da sua cabana,
E as que ficavam p'ra além da Taprobana,
Com as frágeis caravelas com que viajou.

E para mais além sua curiosidade o ateou!
Após cruzar os mares da região africana,
Sem muito lhe permitir a sua asa humana,
No vasto oceano do espaço se aventurou.

Agora com o universo todo já descoberto,
Tem o homem que navegar por mais perto,
E descobrir o que vai dentro de si mesmo.

Ou então não viverá por não saber quem é;
E não sendo, não poderá suster-se em pé,
E tudo desabará por ter viajado a esmo...







COMUNIDADES EM FOCO


"Nas Asas da Palavra" já voa...

Óscar Monteiro fez nascer uma obra que se nos afigura digna de figurar na mesa de trabalho dos que se interessam pelas coisas do Espírito. É que se trata de um Livro que, mesmo sem o dizer, é didáctico, dá lições, mostrando a alma do autor, sim, mas jogando-a de encontro a situações (e sobretudo emoções) que nos aparecem no dia-a-dia das coisas.

Mesmo não sendo, contrariamente ao que o autor diz, um "voo arrazoado de palavras que tocam e mexem" com o ser humano, ele é, isso sim, uma colectânea de crónicas, no melhor sentido do termo, que aparecem como que a dar corpo a situações reais, da vida comum, do intrínseco pensar... dos que ainda pensam. E quando assim é, é certo e sabido que "a poesia é (mesmo) uma tentativa, um desafio, onde o homem busca explicações para a Natureza Mãe e natureza das coisas". O que acontece, muitas vezes, é que o homem "tem vindo a desviar-se da sua ligação com a Natureza mãe".

Óscar Monteiro, o Homem e o Poeta, tem vindo a semear coisas válidas no decorrer das aulas que vai dando. Entende a comunidade que o absorve, no seu todo, frequenta as tertúlias (inexistentes, nós sabemos) onde ainda se vai pensando e dialogando. E quando assim é, não restam dúvidas de que o Escritor - para mais Poeta - sai enriquecido.

E, com "Nas Asas da Palavra", Óscar Monteiro sai, de facto, mais rico. Pena será se for só ele a sair mais rico... e a comunidade que ele serve e quer continuar a servir não entender a mensagem. Ou, mais simplesmente, não quiser entender a mensagem.

"Quando eu era uma criança" ou mesmo "Quando eu era ainda jovem", gostava de ter lido um livro assim. Só que os "Tempos Remotos" não podem amarfanhar a ideia de andar em frente, criar mais coisas, deixar de ser um "triste humilde" - a frase é minha - e avançar para que ao "Ser Poeta", se possa enriquecer o ambiente em que se vive.


Óscar Monteiro não precisa de elogios, muito menos de quem, à pressa, sem pensar - às vezes também não penso... - foi lendo o Livro, aos solavancos, como quem tem pressa de chegar ao fim. Não precisa de elogios... que ele merece. Por isso, lhos dou, na certeza de que, em breve, vou ter mais uma obra para - essa, sim - ler ainda mais pausadamente. Como quem "sorve", porque a Poesia de Óscar Monteiro merece, de facto, ser "sorvida". Para alimentar o espírito...

- CG