Site hosted by Angelfire.com: Build your free website today!

Por que é que rio se tenho

tantos motivos para chorar?

 

Choro porque quem amo não me quer,

porque quanto mais me esforço

maior é o meu fracasso,

chove nos dias em que me alegro,

os amigos são raros e distantes,

por ver que o mal é quem vence o bem,

que os impérios se expandem e aumenta

a miséria em todo o mundo,

sou a voz que clama e Deus não ouve,

meus inimigos me cercam e pisoteiam,

as bocas erguem-se contra mim.

 

Choro, mas sonho com o sorriso

de amanhã no alvorecer de

uma novíssima realidade azul,

uma nova vida, justa e fraterna;

onde os impérios serão dos sentidos

e o amor é eterno e mútuo.

 

Sorrio porque chamam-me Esperança!

 

—————————————————————————————————

 

Vem comigo meu amor.

Deitemo-nos sobre a verde relva,

entre as sombras dos eucaliptos,

adormeceremos um na pele doutro.

Deixa-me sentir novamente teus perfumes

de rosas, jasmim e bálsamo verde,

esse teu hálito de mel, teu olhar de luz.

Fazei-me extasiar em teus alvos braço frágeis,

respirar os ares de teus cabelos de ébano,

alimentar-me de teus seios tenros e delicados.

Dá-me mais uma vez poder ter a

sensação de tuas mão percorrendo meu corpo,

o calor ardente dos cálidos afagos seus.

Ou arranca-me do peito esta brasa

inda acesa e causticante feito sol,

esconjura-me de teus sonhos insanos,

dê adeus a esse teu anjo caído,

mate-me a alma, pois sem ti mais não vivo.

 

—————————————————————————————————

14/01/98

 

O poeta não é um fingidor

é sim um ator versátil que

mau ou bem interpreta

os personagens de seus

profundos sentimentos.

 

—————————————————————————————————

 

15/01/98

 

É ela, é ela!

Tirem ela de perto de mim

não deixem que ela tome

posse de meu pobre coração.

Não, não mereço tal pena

horrenda, vil, arrasadora;

ela que faz matar, suicidar,

doer-se em amargo pranto,

envenenar-se com o próprio

fel, destruindo tudo o que

não lhe agradar totalmente.

Por misericórdia, livrem-me,

libertem-me das falses peçonhentas

desta víbora "paixão".

 

—————————————————————————————————

 

17/01/98

 

Ó amada, és minha fonte de

dor e prazer, liberdade e escravidão.

Por ti faria tudo, sabes bem;

iria aos confins do mais profundo

inferno, para lá me dares somente

um único e eterno beijo doce.

Ah meu amor, por quê insistes

nesta sádica recusa de estar

ao meu lado, dar-me seus seios

para beija-los, sua boca macia

para poder deitar meus lábios.

Se quiseres, arranca do meu peito

este coração que já não é meu

e abraça-me embebida em sangue,

sangue embriagado de ti, só de ti.

Deixa-me deitar mais uma vez

em sua alcova e lá nos acabarmos

no total êxtase, insanos a desejar

um fundir-se ao outro num abraço

infinito de amor, paixão e loucura.

Permita que meu funéreo corpo

tenha como derradeiro leito o teu,

unindo-nos num mórbido matrimônio.

 

—————————————————————————————————

 

24/01/98

 

Quem dera ser como a água

a qual banha o corpo todo

envolvendo-o num abraço morno

beijando lábios, acariciando seios

percorrendo cada curva das ancas.

Ser volúvel de natureza,

puro como cristal, cintilante;

extasiar em vapores, fulgor de

prazer a amar nas entranhas.

Ó musa, quão mais bela és por

dentro quanto por fora desta

carne que vela mortal tua existência

perfeita e única neste mundo de

horrores e prodígios, dúbio como

o quer o diabo — pobre dele!

Sim, ai do diabo que ama qual

fogo vivo; abrasador, arrasador.

Ama destruindo por não se conformar

com a leviandade da beleza

concreta, que envelhece com o tempo

Sua paixão é labareda que

por quão forte e luminosa seja

é superficial e brevíssima.

 

—————————————————————————————————

 

25/01/98

 

O corpo é o templo da alma

assim como o coração vem

a ser a basílica do sentimento.

Assim, o poeta é um sacerdote do

profano vício de amar sentindo,

com todos os seus sentidos,

em todos os sentidos existentes.

Sente a magnitude do obscuro,

a fragrância exalada pela Lua,

o sabor suave de cada estrela.

Ouve o choro das alvas velas,

a canção de adeus de quem ficou,

o grito fúnebre de alegria eterna.

Vê o grande lume da escuridão,

o clarão proveniente dos túmulos,

a luz que vem de trás e escurece a vista.

Existem aqueles que só versificam

o perfume que vem das rosas,

o som de arpas de anjos e serafins,

o brilho do olhar de suas musas.

Esses são cegos pois só vêem o que

a matéria lhes permite enxergar

e sentir o que as suas mãos tocam.

Meu perfume é a dor sem fim que sinto,

a música que ouço é pranto amaro,

o brilho que vejo é de meu sangue

que escorre de meus pulsos a gotejar.

 

—————————————————————————————————

 

01/02/98

 

Que carrasco é esse que me atormenta

noite e dia sem cessar nem um instante,

seja para eu comer ou para sonhar.

Ferroa-me com seu tridente de ferro vivo

de modo que nunca consiga eu esquecer-lhe

a terrível presença a castigar-me por um

crime que nem bem o conheço, ignoro.

Mas me pune até quando estou só;

e principalmente nestas vezes,

que não são raras, vivo solitário sempre.

Quem é este atroz pensamento.

 

—————————————————————————————————

 

09/02/98

 

Todos seres cantam a música celeste

da glória de Deus criador da beleza etérea.

Como poucos, nesse mundo sem sentimento,

ouço atento a canção entoada pelos lírios,

a melodia soprada de dentro dos troncos ocos,

a ode gorjeada pelos pássaros em revoada.

 

Como também ouço a fanfarra das criptas

esculpidas em gélido mármore morto,

o allegro da funérea sinfonia de Asmodeu,

a marcha triunfante dos que de modo

derradeiro deixaram a vida de sofrimentos.

 

E o que mais me agrada é poder contar

com a cantiga de ninar de minha única

e inseparável amada imortal por natureza

e infalível por profissão, a morte.

 

—————————————————————————————————

 

23/03/98

Duas forças estão a dividir-me,

são elas antagônicas e complementares,

simbióticas, vitais uma à outra.

Revezam-se incessantemente em minh'alma,

prensando-me entre o mar e o rochedo,

dilacerando cada dogma de minha existência.

O ciclo entre a adoração à dolorosa Madona

e a volúpia irresistivelmente infernal de Lilith

— o divino e o profano me encantam.

Tenho um anjo e um demônio dentro

deste meu ser viciado em prazer e incenso,

extasiante em preces e gemidos.

O suor do coito que me escorre do rosto

é o mesmo que, misturado com sangue,

escorreu do rosto do Cristo crucificado.

Idêntica lágrima sorrateiramente liberta

rola-me dos olhos serrados e ardentes

tanto no gozo quanto na tortura.

Quem nunca amou sem ser amado

que me diga sinceramente

se desejo e ódio não combinam.

—————————————————————————————————

 

15/05/98

Já não sinto mais tua boca

cálida e sumarenta de desejos

a dizer meu nome maliciosa

chamando para a cama macia.

Ainda respiro aquele doce perfume

que fazias questão de passar entre

seus fartos e rosados seios.

Traz-me saudades a lembrança

de teus gemidos de prazer intenso,

de teus olhos cerrados no êxtase,

ápice profundo da fusão de nossos

dois corpos nus e molhados.

Eras um sonho — pudera eu nunca acordar,

viver assim como num devaneio,

sem responsabilidades nem dor,

somente prazeres inesgotáveis,

e a loucura — ah, a loucura

que arrebata o homem ao estado

de graça de um verdadeiro deus.

O meu ópio é a cópula na cátedra,

meu frenesi o corpo convulso e suado

e meus grilhões a eternidade.

—————————————————————————————————

 

06/07/98

"TEMPUS EDA RERUM"

Maldito é todo o Tempo que

nos arranca da primordial inocência

e petrifica nosso coração.

Ele mata sem piedade a criança

que chapinha nas possas,

corre livre pelos campos e

adormece com um sorriso natural

a adornar-lhe a rosada face.

Pior! Faz brotar do corpo infante

desprezível e egoísta golen

que insiste em tornar feio

o mundo que antes embelezava.

—————————————————————————————————

 

07/07/98

Por que fizestes isto comigo

ó dama que em meus sonhos habita?

Por um acaso fiz eu mal maior

que desejar-te além do cosmo?

Olhe para mim, diga-me que

sentes, mentes quando dizes

adeus para sempre, e me beijas,

beijas como quem quer dar

naquele instante seu último suspiro.

Não, não me deixe aqui sozinho

pensando, pois para quem ama

pensar dói tanto quanto arrancar

os olhos com ferro em brasa.

Volta, porque se não voltares

ficarei aqui, parado neste cais,

até que meu corpo apodreça

por inteiro e meus ossos não

consigam mais ficar junto.

—————————————————————————————————

 

02/09/98

Ah, estranha leveza de ser!

Extrema aventura de existir

de modo completo e consciente.

Ó essência animal

que faz dos homens

sonhadores natos e

amantes espasmódicos!

—————————————————————————————————

 

07/11/98

Hálito,

meu hálito no teu.

Meu suor, teu suor.

Nossos corpos

convulsos chegando

juntos ao êxtase.

Sangue,

teu sangue no meu.

Teu fel, meu fel.

Dois cadáveres

gelados, enrijecidos

unidos na morte …

—————————————————————————————————

 

Poema a uma Amante ( ?/01/99 )

Noite do resto de minha vida,

sonho do qual jamais acordarei.

O espasmo toma nossos corpos!

Toco tua pele de carrara delicada

percorrendo com meus dedos

cada curva de tuas ancas macias.

Minha boca tem sede de beijar

estes teus lábios de fino rubi

cálidos de desejo e luxúria.

Que me vale o melhor olfato

senão para sentir o perfume

que exala o manto de teus cabelos?

Teu olhar misterioso como a noite

enfeitiça-me como se fosse eu

uma presa a ser devorada.

Sedemos então um ao outro,

unindo nossos corpos suados

num êxtase sem fim.

—————————————————————————————————

 

13/01/99

O que queres de mim?

Diga, lhe rogo, que queres?

Não machuca este teu menino

que em outra noite ninaste

entre teus tenros seios de Vênus.

Monto frases e odes de paixão eterna,

mas é só ver-te que as palavras somem,

e dizes que o melhor que sai de minha boca é a língua.

Sou inábil e tonto com as mãos,

entretanto perto de ti tua magia transforma-me

no melhor dos artesãos para dar forma a teu corpo nu.

Estou no meu lúdico mundo de sonhos

e com uma única palavra arrebata-me deste devaneio

para teu universo depravado e febril de prazeres.

Dá-me sempre tua presença feminina,

divina pedofilia que tem o dom de transformar,

em noites estreladas, este garoto em homem.



Página Inicial