"Ideologia dos meios de produção"
Para compreendermos melhor o significado de ideologia dos meios de produção é preciso conhecer a Teoria das Quatro Causas de Aristóteles. Segundo esta teoria existiria uma causa material, uma formal, uma causa eficiente e, por último, uma causa final. As quatro causas então explicariam tudo o que existe, o modo como existem e se alteram, e o fim ou motivo para o qual existem.
A relação entre a Teoria das Quatro Causas e a ideologia dos meios de produção, é que as quatro causas não têm o mesmo valor. Indo da mais simples à mais importante, segundo a teoria, a causa mais simples seria a causa eficiente, e a mais importante a causa final.
A grosso modo, a teoria só serviria para explicar as ações e transformações de tudo na natureza e até das transformações humanas. Nada parece indicar a estruturação dos meios de produção, mas, sabendo que a sociedade capitalista se divide em classes sociais, indo do proletariado aos que detêm o capital, podemos chegar à conclusão de que um é mais valioso do que o outro. Sabemos porém que, obra na sociedade capitalista, dá-se mais valor ao capital do que à mão-de-obra. Ora, os meios de produção de estão voltados para a obtenção de lucro (causa final), quem retém o lucro é o burguês, e quem trabalha para este fim (causa eficiente) é o proletário, ora se a causa final é mais importante que a eficiente, pois, se não houvesse finalidade a mudança ou ação não haveria acontecido, uma está subordinada diretamente à outra, e então, na sociedade, o proletário é subordinado ao burguês. Essa interpretação é propriamente humana, pois na natureza nem tudo tem uma finalidade específica.
Esta teoria metafísica liga a causa final a toda atividade livre e espontânea de Deus ou do homem. O capitalismo surgiu, porém, no meio calvinista que desenvolvia, na teoria da predestinação, o seguinte pensamento: quem é rico é abençoado por Deus , e quem é pobre não; daí esta ideologia superioridade dos burgueses em relação aos proletários.
O trabalho, antes ligado somente à produção de cultura e como meio de expressão do ser humano (tido como espiritual), hoje é ligado também à relação da máquina corporal com as máquinas mecânicas, ou seja, um ato natural do ser humano e um ato exclusivamente dirigido, em que o proprietário dos meios de produção se coloca na posição humana e o assalariado na posição de mais uma máquina vivente nos meios de produção.
A questão ética se coloca na constatação da profunda desigualdade entre as pessoas na sociedade capitalista. Todas as pessoas são iguais em dignidade e devem ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades.
A divisão capital e trabalho não é injusta quando as pessoas relacionadas são tratadas em pé de igualdade.
Ricardo Moreira da Cruz.