"Alguém que achava que sabia"
Alguma coisa vai mudar. Não sei o que, mas vai mudar. Sente-se o cheiro de mudança na ar. Essa mudança vai ser radical, uma metanoia. Sim ele vai mudar tudo, todos, o universo; mas quem é ele? Será que ele sou eu?
Gente, se ele for eu, terei uma grande responsabilidade, tenho que mudar. Mas mudar o que? Acho que posso até ser morto. Mas como faria essa mudança? Como ele faria isso?
Já sei, é só deixar que ele faça, fingir que ele não sou eu e estará tudo certo. Ninguém precisa saber que eu sou ou posso ser ele, mesmo porquê eu sou eu, ele é ele ... ou não?
A bem da verdade eu não sei o que fazer. É melhor fingir que essa mudança nunca irá acontecer, que eu não sou quem pensava ser, ou seja, ele, que ele nunca existiu e nunca vai existir.
Quem sabe ele já tenha existido, pensado como eu e desistido. Ou então foi morto e tido como desaparecido; um herói sem rosto, sem heroísmo; um herói morto. Quem sabe esse cheiro de mudança não seja o vestígio da luta desse herói sem rosto e sem vida, que impregna o ar que respiro, afim de me acordar desse sono hipócrita para que seja, eu também, um herói que tentou, tenta, ou tentará ser ele.
Se eu posso ser ele, porque não você? Esse odor, não sou só eu que o sinto, não estou sozinho, tenho certeza disso ... ou será que não? Seria eu louco de pensar que eu sou outra pessoa não eu?
O caso é que não sei se sou o que sou, não sei se ele é o que é, nem sequer sei se ele existe, existiu ou existirá. Por Deus, sou um homem que não sabe se é, está, ou sabe! Ou eu fui um homem que pensava que não sabia o que era, o que estava, ou o que sabia? Pior, será que eu sou um homem que pensa não saber o que é, está, ou sabe?
Só sei de uma coisa, não sei de nada.
Ricardo Moreira da Cruz