| 1984 - O Fusca passava a ter apenas o motor
1.600 e os modelos a álcool recebiam ignição eletrônica.
Surgia nova série especial, Love, em tom azul metálico, simbolizando
a paixão suscitada pelo Fusca. 1985 - Opção de cores
metálicas para o Fusca e nova série especial, desta vez em
verde metálico, com rodas de 14 pol com sobre-aros cromados, faróis
de longo alcance, buzina dupla e vidros verdes. Mais um modelo "a água"
surgia: o Santana. |
A
pedido do presidente Itamar, o Fusca voltava às lojas em 1993, trazendo
alguns melhoramentos e um conjunto fora do contexto da época |
| 1986 - Ano da primeira paralisação
do Fusca no Brasil. Os últimos exemplares tiveram lista de reserva
e saíram das linhas de montagem com acabamento luxuoso. Só
o México prosseguia com a produção dos Sedans. O Fusca
de Itamar A ausência, porém, se desfez em 1993, quando novamente
a vontade política -- desta vez num grande país ao sul do
Equador -- dava novo empurrão no carro. O então presidente
da República Itamar Franco, apaixonado confesso pelo Fusca (sua
namorada Lisle, filha do senador Humberto Lucena, tinha um) e interessado
na geração de empregos e na popularização
do automóvel, incentivou a Volkswagen do Brasil para que trouxesse
de volta o glorioso besouro. Dessa forma, o Fusca retornava à cena. |
A
linha de produção foi otimizada no relançamento do
VW, mas continuava menos eficiente que a de famílias de modelos mais
atuais |
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Dessa vez, não só o carro recebia aperfeiçoamentos,
como também a linha de montagem. O maior problema do Fusca estava
na forma de produção, já bastante fora dos padrões
e por isso com baixa produtividade. Carros mais modernos podiam ser montados,
em modelos e versões diferentes, numa mesma linha de produção,
com alto grau de automação. A nova linha de produção
do Fusca alcançou um nível razoável de automação,
mas era dedicada a apenas um carro, já que o Fusca não permitia
a mesma pluralidade de modelos, por exemplo, da família BX (Gol,
Parati, Voyage e Saveiro). Com apelo à razão, mas fortemente
apoiado na emoção que sempre cercou o carrinho, as campanhas
promocionais falavam do "novo" Fusca como um velho conhecido que
voltava de férias. De 1993 a 1996, o modelo "Itamar" vinha
equipado com ignição eletrônica, pára-brisa laminado,
pneus radiais sem câmara (165-15, medida inadequada, pois a correta
seria 155-15, como no Fusca mexicano), catalisador e cintos de segurança
dianteiros de três pontos. O interior recebia novo volante espumado,
bancos com apoio de cabeça de série e revestimento protegido
contra fogo. Havia até versão a álcool. O câmbio
continuava de quatro marchas, com relação de diferencial
3,88:1, mas os pneus de maior diâmetro que o previsto deixaram a
quarta longa demais.
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Clássico
e Jeans -- com esse material revestindo o interior --, duas
das versões atualmente produzidas pela filial mexicana |
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| Na aparência, o novo Sedan trazia uma
gama mais sofisticada de cores, com destaque para as metálicas. O
tradicional friso cromado dava lugar a um adesivo nos tons verde e amarelo.
Cromados, só se mantinham as capas das luzes de direção
dianteiras e os aros dos faróis. Por último, a mais curiosa
modificação externa passou desapercebida por muitos: o escapamento
passava a ter saída única, na parte de baixo do pára-lama
traseiro esquerdo, substituindo as tradicionais saídas centrais.
Com cerca de R$ 30 milhões em investimentos, o Fusca "Itamar"
gerou cerca de 800 novos postos diretos e 24 mil postos indiretos de trabalho.
Contudo, o mercado não foi seduzido pelo preço pouco inferior
ao de concorrentes modernos, como o Mille da Fiat, em contraste com suas
características arcaicas e fora do contexto de mercado da época. |
Quem
nunca assistiu às peripécias de Herbie, o Fusca do cinema?
O filme, de 1968, provoca emoções até hoje nas mais
diversas gerações . O número 53 era a potência
em HP brutos |
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Naquele período esperava-se que o Fusca viesse a ser o segundo ou
terceiro carro de muitas famílias. Por conseqüência, sair
de um automóvel moderno e dirigir um de concepção antiga
poderia ser arriscado, em função de suspensão ineficiente
(a cambagem das rodas traseiras sofria enormes alterações
com o movimento normal da suspensão) e freios pesados, sem servoassistência.
Sua aceleração de 0 a 100 km/h, contudo, era melhor que a
dos modelos "populares" de um litro -- cerca de 13 segundos --
e a velocidade máxima chegava a cerca de 145 km/h. Sua produção
ficou em 47.700 unidades e, em 1996, as últimas unidades novamente
se vestiram de pompa para mais uma despedida. Surgia uma nova Série
Ouro, com revestimentos do esportivo Pointer GTi, novos mostradores de fundo
branco, faróis de neblina e outras sofisticações. Os
últimos Fusquinhas eram descontinuados, em 28 de junho de 1996, de
modo definitivo -- por enquanto! |
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O filme de Walt
Disney (à esquerda no título original) teve seqüências,
menos aplaudidas mas também interessantes
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| E quando a trama parece um pouco mais clara
e definitiva, é o México que dá o tom de uma leve comédia
romântica, com as duas famílias -- o velho Fusca e o New Beetle
-- dividindo as linhas de produção. O Sedan permanece em três
configurações: o modelo básico, semelhante a nosso
último Fusca; o Clássico, com direito a todos os cromados
da época aura; e o curioso Jeans, com pintura em azul metálico
e revestimentos no mais tradicional jeans índigo blue. O motor é
1.600 com injeção eletrônica multiponto, mas a potência...
apenas 44 cv. É o preço do controle de emissões pelo
escapamento. O clássico Sedan promete se manter em produção
até, pelo menos, 2003. Será que essa odisséia tem
fim?
Há quem garanta que não... |
| Nas telas |
| Quem pode se esquecer do filme "Se meu fusca
falasse"? Herbie, um '63 branco com faixas vermelha, branca e
azul, equipado com teto solar, número 53 no capô e nas
portas (sua potência bruta, em HP SAE, mas também o número
do jogador de baseball Don Drysdale, do Los Angeles Dodgers, segundo
o site da Walt Disney), faz trapalhadas e bate adversários
muito mais potentes em arrancadas de rua, pistas e estradas. O filme
de 1968, que se chamava em inglês "The Love Bug",
teve seqüências menos aplaudidas mas válidas como
"Herbie Rides Again" e "Herbie Goes To Monte Carlo".
Também no engraçadíssimo "Deu a Louca
no Mundo" ("It's a Mad, Mad, Mad World" em inglês)
um conversível vermelho, conduzido por Mickey Rooney por
estradas sinuosas da Califórnia, faz sucesso. No Brasil,
o carro foi tema de música -- "Fuscão Preto"
--, recebendo posteriormente adaptação para as telas.
E foi personagem de novela como o "Fusca do Mário Fofoca".
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| Em escala |
| Incontáveis fabricantes de miniaturas fizeram
e fazem réplicas do VW Sedan. Pode-se destacar a Bburago, que
tem um modelo 1955 vermelho na escala 1/18. Informações
sobre filmes, literatura e miniaturas por Francis Castaings |
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| Para ler |
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* Coccinelle Volkswagen -- 1939-2000? - de Dominique Pagneux; 128
páginas e 290 fotos. * Volkswagen Bug! The people' s car
- de R. Miller; 320 páginas e 1.400 ilustrações. |
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