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Ainda assim, o Fusca não estava parado. Além das tradicionais modificações impostas corriqueiramente, com a chegada da década de 70, a fábrica propôs uma modernização no Sedan, lançando o Typ 1302. Mas, se as características técnicas mudavam bastante, as feições mantinham-se quase inalteradas.
Além da frente distinta, o 1302 alemão trazia suspensão dianteira McPherson e traseira com braços arrastados, melhorando a estabilidade
A década de 70 representou certa profusão de tipos de Fusca. Outras unidades da Volkswagen, fora da Alemanha, prosseguiam com o modelo primitivo, mas também com suas peculiaridades. Pára-brisa curvo, freios a disco na dianteira, suspensão McPherson à frente (no Typ 1303), entre outros aprimoramentos, eram o desenvolvimento lógico para aqueles mercados ricos. No México e no Brasil, contudo, o Fusca continuava um campeão de vendas justamente por sua rusticidade e fama de robusto. Os modelos mexicano e brasileiro tinham diferenças entre si. Visualmente, a principal estava nos vidros laterais e pára-brisa, lá mais amplos que aqueles produzidos aqui, baseados na carroceria do VW alemão de 1964. Já na mecânica, o Brasil viria a abandonar a motorização de 1.200 cm3 ainda na década de 60, enquanto que tal cilindrada permanece, até hoje, um sucesso naquele país, apesar de serem motores diferentes quanto à carcaça (tripartida) e outros detalhes. Na verdade é um 1.300 com curso dos pistões menor (de 69 para 64 mm).
Juscelino Kubitscheck, num conversível Karmann, inaugura a fábrica no Brasil em 1959. Dois anos depois o chassi já era nacional e os componentes locais chegavam a 90%
Por outro lado, enquanto a indústria americana parecia não entender a fórmula -- ou desprezá-la --, os japoneses invadiram a América do Norte. Com conceitos revolucionários e novo estilo de gerência, criaram automóveis pequenos, baratos e confiáveis. Mas o pequeno carro japonês não era necessariamente apertado; o barato era apenas em comparação com carros maiores, revelando uma relação custo-benefício das mais compensadoras. A confiabilidade... Bem, a confiabilidade parece que jamais chegou ao nível do Fusquinha.

O Fusca sempre foi o campeão da simplicidade, mas o japonês provou que um pouco de tecnologia poderia representar benefícios muito maiores. A sociedade pródiga americana tornava-se cada vez mais pródiga e o mesmo caminho era seguido do outro lado do mundo. O fantasma da guerra estava mais longe e a Europa experimentava os requintes de uma economia desenvolvida. Além disso, quando o Fusca começou a ser importado pelos Estados Unidos, o câmbio era US$ 1 para 4 marcos alemães, passando a 1:2,5 quinze anos depois. O Fusca estava ficando caro demais para o que oferecia. E outra nuvem escura pairava no ar: o controle de emissões, que encareceria ainda mais o carrinho alemão.

Momento histórico: os Sedans saem da linha de produção da Volkswagen, em 1959
Dessa forma, o robusto motor refrigerado a ar deixou de ser um achado para aqueles mercados, permanecendo como produto sedutor apenas em regiões com estradas rústicas e população com baixa renda. Onde as condições permitiram, a tecnologia tornou obsoleto o conceito do carro do povo. O derradeiro Typ 1303 representava o último esforço de manter viva a lenda do motor "a ar". Por outro lado, a própria Volkswagen apostou em outra tecnologia e, contrariando sua tradição, apresentou uma linha com motor refrigerado a água. Se, para os puristas isso era uma heresia contra Ferdinand Porsche, para a maioria dos compradores era uma evolução mais que bem-vinda. Assim nasciam, em 1973 e 1974, o Passat e o Golf.
Da praticidade da Kombi à "simpatia" do modelo a álcool, não faltaram argumentos a serem explorados nas campanhas da VW
A fábrica mexicana foi inaugurada em 1964. Hoje é a única no mundo a fabricá-lo, em três versões tradicionais, além do New Beetle

As décadas de 60 e 70 assistiram à evolução técnica e comercial do "Fuca", como é conhecido no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo em que a mecânica era aprimorada, os números das vendas alcançavam, paulatinamente, números cada vez mais expressivos. Nos anos 60 o Sedan recebia uma série de alterações, tais como o câmbio com primeira marcha sincronizada (1961), chassi nacional (1962) e aumento de cilindrada do motor 1.200, de 30 cv, para 1.300, de 38 cv (1967). Continua

Fatos & curiosidades - I

* Em 1938, existiam 150.000 contratos para o KdF-Wagen, algo como um título de capitalização. * Mercedes-Fusca: mais de 40 KdFs foram fabricados pela Daimler-Benz. * O conceito do Kübelwagen retornou após a Guerra com o Typ 181 (foto), também conhecido como "The Thing" (A Coisa), produzido no México.

* Antes de ser equipado com medidor de combustível, o Fusca possuía torneira de gasolina de três posições: aberto, fechado e... .reserva! Podia ser operado com o pé, por ficar sob o painel, em cima do túnel do chassi. A reserva de cinco litros permitia andar cerca de 50 quilômetros, o suficiente para encontrar um posto. Tal e qual numa motocicleta. * Consta que o Fusca brasileiro foi o único no mundo com dupla carburação. * Um Fusca é constituído por 5.800 a quase 7.000 peças, dependendo do modelo. * O VW é o carro que permanece há mais tempo em fabricação com as formas básicas inalteradas. * Apesar disso, no Brasil foram efetuadas cerca de 2.500 modificações. * A Volkswagen é responsável pelo maior número de lançamentos no Brasil. E também de modelos descontinuados. * Conta-se que uma professora, uma das primeiras compradoras brasileiras, teria se assustado com a "perda" do motor, ao abrir o capô dianteiro... A que um gaiato teria respondido que ela não se preocupasse, porque o Sedan trazia um motor sobressalente atrás... * Conta-se que um casal perdeu seu Fusca nas areias do Saara... E, numa escavação, ele teria sido reencontrado. Tirado de lá, fora posto a funcionar na hora! * O primeiro Fusca importado foi vendido, no Brasil, em 17 de novembro de 1950. E o primeiro nacional foi vendido em 3 de janeiro de 1959. * Em 1979, pela primeira vez, o Fusca perdia a liderança do mercado. A Brasília tomava esse posto. * Existe pelo menos um Fusca adaptado com motor Ford 302 V8 -- montado na dianteira. * Tanto na Europa como no Brasil, adaptaram-se Fuscas para atravessar lagos: aqui, no do parque do Ibirapuera; na Itália, no Estreito de Messina, na Sicília. * Ah, o Fusca não esteve (ainda) na Lua!

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