Site hosted by Angelfire.com: Build your free website today!
Com a Segunda Guerra, entretanto, os planos civis do Fusca foram interrompidos e este passaria a carregar características de veículo militar. Alguns outros veículos puderam ser desenvolvidos a partir de seu conceito. Entre eles um jipe, o Kübelwagen (carro-cuba, ou banheira;leia na página anterior), e um anfíbio, o Schwimmwagen (combinação de schwimmer,flutuador, e wagen, automóvel;saiba mais). A produção de bélicos com mecânica Volkswagen chegou a quase 100 mil unidades.
A apresentação do KdF-Wagen, em que a inscrição anuncia a produção dos primeiros automóveis
Pós-guerra Se o campo de batalha pode ser um excelente campo de testes, após a derrota da Alemanha para os aliados a fábrica de Fallersleben, rebatizada Wolfsburg, estava praticamente inutilizada devido aos bombardeios. Nesse momento os ingleses assumiam papel importante na história do besouro. O major Ivan Hirst foi responsável pela retomada da produção dos primeiros Fuscas do período pós-guerra. O carrinho retomava seu papel desenvolvimentista, sendo utilizado basicamente pelos serviços essenciais, como atendimento médico, correios, etc.

Entretanto, o "carro do povo" ainda não recebia aval para ser o fenômeno hoje conhecido. Durante a gerência de Hirst, fabricantes ingleses, americanos e franceses fizeram pouco do projeto de Porsche. É clássica a história de que Henry Ford o teria recusado por achá-lo sem futuro...

O motor de cilindros opostos e a suspensão simples, mantidos toda a vida do Fusca
Sem outra alternativa, o controle da fábrica passaria às mãos do governo alemão e seria designado um ex-diretor da divisão de caminhões da Opel, Heinrich Nordhoff, de 50 anos, como gerente-geral da fábrica. Nordohoff não estava conseguindo trabalho nem mesmo na Opel, que temia críticas caso empregasse quem havia colaborado para o esforço de guerra alemão. Credita-se a ele o comentário de que o acabamento, conforto, mecânica e nível de ruído dos primeiros Sedans eram absolutamente desastrosos.

Nordhoff empreendeu uma grande modificação nos processos de produção da fábrica e reprojetou uma série de detalhes do carro. Assim, o Fusca ganhava ares de automóvel de grande produção. Se em 1945 sua fabricação podia ser considerada insípida, no ano seguinte já eram 10 mil e, em 1948, a cifra chegava a 25 mil unidades.

A produção subia em ritmo acelerado: em 1948 já eram 25 mil unidades anuais

Mais uma vez, o Fusca contribuiu com seu papel desenvolvimentista: a Alemanha deve boa parte de sua recuperação econômica à Volkswagen. Esta, além de ter sido um dos maiores empregadores após a guerra, também foi responsável pela entrada de divisas no país como o maior exportador de veículos da época.

Da Alemanha para o mundo Se você acredita que a idéia de um carro mundial é recente, o Fusca foi um dos que mais se aproximaram do conceito puro. Numa época em que quase todos os países utilizavam combustível semelhante, a eletrônica ainda engatinhava e as condições de vias e estradas talvez não fossem tão díspares, o Fusca se adaptava bem a diversos mercados -- tanto pobres como ricos, tanto de clima gélido, como escaldantes.

Momento histórico: o Fusca cruza o Atlântico em sua primeira exportação para os Estados Unidos, em 1949
Os primeiros Fuscas a "alçar vôo" fora da Alemanha tiveram como destino a vizinha Holanda. Cerca de 4 mil veículos foram vendidos nas Terras Baixas e, ao que parece, sinalizaram ao mundo o sucesso do carrinho. Daí para o mercado norte-americano foi um pulo. Em 1949 algumas unidades desembarcaram nos Estados Unidos e já no ano seguinte começava-se a vislumbrar o mercado americano. O sucesso lá, porém, só chegaria em meados da década de cinqüenta.
Schwimmwagen: o Volkswagen que flutuava
Além do Kübelwagen, outro modelo com a "benção" militar foi o Schwimmwagen. Com o mesmo motor de 1131 cm3 do Kübel, podia ser encarado, grosso modo, como um barco com mecânica VW. Com tal filosofia, foi lançado como Typ 128. Sua produção não chegou a números expressivos, tendo evoluído, em 1942, para o Typ 166.

Como os primeiros modelos, apesar do sucesso nos campos de batalha, receberam pequenas críticas, o Typ 128 saía da produção mais curto e com melhores ângulos de ataque e saída que seu antecessor. Com as mesmas características de altura livre do solo que o Kübelwagen, não fica difícil imaginar sua valentia.

Sua versatilidade em terrenos alagados era tanta, que chegou a substituir, com boa folga, até as motocicletas equipadas com metralhadoras em side-cars. Motos eram utilizadas pela agilidade, mas seu desempenho era ruim em terrenos alagadiços.

O Schwimmwagen manteve-se em linha até 1944, quando, por escassez de material e mão-de-obra, teve a paralisação decretada. Sua produção ultrapassou 10 mil unidades e, hoje, é uma raridade apreciada por colecionadores. Por seu exotismo, é sucesso garantido nos encontros de VW. Há notícia de que um deles está no Brasil.

Anterior
Próximo