Música tem o mesmo endereço que sexo e comida em nosso cérebro
01/10/2001
Fonte: Agência de Notícias Prometeu
Utilizando um aparelho de tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan) que permite observar as alterações de pressão sanguínea em um cérebro humano, pesquisadores detectaram as partes do cérebro que foram ativadas quando dez pessoas ouviram músicas que, segundo elas mesmas, provocaram-lhes "arrepios na espinha", ou seja, músicas que lhes deram intenso prazer. O "arrepio na espinha" não é neste estudo uma linguagem figurada. Os pesquisadores consideraram a pressão sanguínea exatamente no momento em que as pessoas diziam sentir literalmente a espinha se arrepiar. Verificou-se que ao ouvir essas músicas as pessoas acionaram exatamente as mesmas partes do cérebro que, em pesquisas anteriores, têm mostrado comprovada relação com estados de euforia, como os do prazer sexual, do abuso de drogas e da alimentação. As partes do cérebro acionadas são tantas e trabalham com tal sintonia que eliminou-se a possibilidade de se tratar de mera coincidência. Ao ouvir as músicas, as pessoas ativaram um sistema que envolve o striatum ventral, o cérebro intermediário, o córtex orbitofrontal e o cortex prefrontal medial ventral.
Os autores do trabalho, Robert Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Anne Blood, do Massachusetts General Hospital (EUA), acreditam que esse estudo confere à música uma grande relevância biológica, relacionada aos circuitos cerebrais relacionados ao prazer. O estudo foi publicado na edição mais recente da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.