O que ouvimos interfere na qualidade do que vemos
26/11/2001
Fonte: Agência de Notícias Prometeu
Os sons que ouvimos interferem e alteram o processamento de informações sobre o que vemos, e a visão pode não ser o sentido dominante do corpo humano, como costuma-se pensar. Essas são conclusões de um estudo feito por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech (EUA). Eles avaliaram a atividade cerebral de 13 voluntários enquanto eles eram submetidos ao seguinte teste: foi pedido que vissem uma tela onde aparecia um rápido flash de luz. Ao mesmo tempo em que surgia o flash, os voluntários ouviam dois sons agudos simples, como os de um bip. Como resultado, eles tiveram a impressão de ter visto dois flashs em vez de apenas um. O estudo será publicado na edição de dezembro da revista NeuroReport.
Os autores do estudo, entre eles Shinsuke Shimojo, professor de computação e sistemas neurais do Caltech, acreditam que esses resultados mostram que sinais visuais são significativamente influenciados pelos sons que ouvimos no nível do córtex que imagina-se ser responsável pela "visão específica". Foi verificado que a atividade cerebral nesta área responsável pela visão se altera quando surge a ilusão, no caso a visão de um segundo flash inexistente.
Além de questionar a avaliação de que a visão seria o principal sentido do corpo humano, o estudo apresenta outra questão: os sentidos não agiriam de forma independente, como aparentam, mas teriam algum tipo de interferência sobre o funcionamento dos demais, formando uma rede complexa de sensações que atuam sobre como captamos e processamos informações.