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"MAPA CEREBRAL" É RECONSTITUÍDO
APÓS TRANSPLANTE DE MÃOS
Segunda-feira, 25 de Junho de 2001
Fonte: Nature Neuroscience 2001;4:691-692 -Reuters
NOVA YORK - As imagens cerebrais de um homem francês
que recebeu transplante de duas mãos demonstraram
que seu sistema de mapeamento cerebral se assemelha ao de
uma pessoa com funções das mãos e do
cérebro normais.
O trabalho foi publicado na edição de julho
da revista Nature Neuroscience.
No cérebro, diferentes regiões são
responsáveis pelo controle de funções
dos membros como o movimento dos ombros, joelhos, mãos
e pés.
"A atividade em regiões específicas
desse mapa motor dispara contrações voluntárias
de grupos específicos de músculos", explicou
Angela Sirigu, uma das pesquisadoras da equipe do Instituto
para Ciência Cognitiva do Centro Nacional de Pesquisa
Científica, em Bron (França), à Reuters
Health.
Em janeiro de 2000, Denis Chatelier, um pintor que perdeu
as duas mãos em um acidente quatro anos antes, foi
a primeira pessoa a receber transplante de duas mãos.
Um equipe internacional de oito cirurgiões realizou
uma operação de 17 horas.
A equipe de Sirigu usou uma técnica de imagem cerebral
chamada imagem de ressonância magnética funcional
para observar o cérebro de Chatelier seis meses antes
do transplante e dois, quatro e seis meses após a
operação.
Antes da cirurgia, os pesquisadores verificaram que a região
do cérebro normalmente responsável pelo controle
dos movimentos das mãos estava controlando o movimento
do antebraço. Após a cirurgia, o cérebro
se reorganizou gradualmente até que o "mapa
cerebral"responsável pelo controle das mãos
e dos braços voltou a ser semelhante ao de uma pessoa
saudável. As mudanças principais foram verificadas
após seis meses, quando o paciente começou
a flexionar os dedos, explicou Sirigu.
"O fato do cérebro ter reconhecido e integrado
as novas mãos do paciente à representação
do esquema corporal é muito interessante", disse
a pesquisadora.
"As novas informações periféricas
vindas das mãos transplantadas permitiram uma remodelação
global de toda a representação cortical dos
membros e reverteram a antiga reorganização
funcional induzida pela amputação", acrescentou
Sirigu.
"Nossos resultados sugerem que há um alto grau
de plasticidade no cérebro", acrescentou a especialista.
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