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CÉREBRO SE DESENVOLVE ATÉ
PRÓXIMO DOS 50 ANOS
Segunda-feira, 14 de maio de 2001
Fonte: Estado.com.br.
Washington - Um aspecto-chave do cérebro humano
continua a se desenvolver até próximo dos
50 anos, cientistas anunciaram nesta segunda-feira, em uma
descoberta que contradiz a atual visão de que tal
maturação termina antes dos 20 anos e pode
lançar uma nova luz sobre as doenças cerebrais
tais como a doença de Alzheimer e a esquizofrenia.
Os pesquisadores, liderados por George Bartzokis, do US
Departament of Veterans Affairs, usaram imagem de ressonância
magnética para medir o desenvolvimento do cérebro
em 70 homens normais com idades entre 19 e 76 anos.
Matéria branca e cinzenta
A chamada matéria branca - que envia sinais de uma
parte do cérebro para outra - continua a se desenvolver
nos lobos frontal e temporal em média até
os 48 anos, segundo descobriu o estudo.
Os pesquisadores confirmaram que a chamada massa cinzenta
- o córtex cerebral - chega ao auge do seu desenvolvimento
no final da adolescência, e a partir de então
vai declinando até a maturidade.
"Se seu cérebro fosse a Internet, a massa cinzenta
seria seu computador, e a matéria branca, as linhas
telefônicas que conectam seu computador a todos os
outros computadores do planeta", explicou Bartzokis,
chefe do pessoal do setor de saúde mental do V's
Central Arkansas Veterans Health Care System.
O cérebro muda entre os 17 e os 40
anos
"A maioria das pessoas pensa que o cérebro
pára de se desenvolver ou na infância ou quando
chegam à idade adulta", disse Bartzokis.
Mas os pesquisadores notaram que, aos 40 anos, as pessoas
são muito diferentes do que eram aos 17 anos. "Você
não é realmente a mesma pssoa. E a questão
é - você não é a mesma pessoa
apenas porque teve uma série de experiências
ou não é a mesma pessoa porque seu computador
(cérebro) tornou-se muito diferente? E este estudo
sugere que seu computador é muito diferente."
O estudo foi publicado nos Archives of General Psychiatry.
Doenças relacionadas com a idade
Bartzokis disse que compreender como as estruturas do cérebro
se desenvolvem e degeneram durante o passar dos anos é
vital para se ter uma análise melhor da doença
de Alzheimer, a esquizofrenia e a dependência de drogas.
O aparecimento da doença de Alzheimer e da esquizofrenia
estão fortemente associados à idade. A Alzheimer
é uma disfunção degenerativa do cérebro
que se manifesta primeiramente entre pessoas com mais de
65 anos, embora a doença possa estar presente no
cérebro por muitos anos.
O surgimento da esquizofrenia, doença que se caracteriza
por ilusões (delírios) ocorre, tipicamente,
no início da adolescência.
"Quem somos como humanos"
Bartzokis disse ter enfocado os lobos frontal e temporal
- a parte da frente do cérebro onde a memória,
o alto raciocínio e funções tais como
controle do impulso ocorrem.
Estas funções definem "quem somos como
humanos", explicou. As anormalidades vistas na doença
de Alzheimer, na esquizofrenia e na dependência de
drogas, como a cocaína, são vistas nessa parte
do cérebro.
No início dos anos 60, houve sugestões de
que o desenvolvimento da matéria branca continuava
na idade adulta, mas baseadas em informações
de autópsias.
Ténica de imagem
Bartzokis disse que ele empregou uma técnica de
imagem que maximiza a capacidade de traçar a maturação
da matéria branca em pessoas vivas.
Desde que tanto as mudanças de desenvolvimento quanto
as de degeneração podem ser medidas em pessoas
vivas, tais métodos de imagem cerebral podem ser
usados para identificar quais fatores interferem no desenvolvimento
ou promovem a degeneração do cérebro,
explicou o pesquisador.
Ele sugeriu que a imagem poderia ser usada para comprovar
quais medicamentos podem promover o desenvolvimento do cérebro
ou prevenir a degeneração.
Adiar a doença
"Na realidade, leva de 20 a 30 anos para a Alzheimer
se manifestar, embora ela possa estar se desenvolvendo no
seu cérebro, porque você tem uma capacidade
de reserva", disse Bartzokis.
"Se você puder medir isso com imagem aos 50 anos
e fizer uma intervenção quando tiver 50 anos,
então você muda a trajetória (da doença),
mesmo que apenas um pouquinho, e então, de repente,
em vez de ter Alzheimer quando chegar aos 70 anos, você
a terá com 110. E então ela não será
mais um problema."
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