INTRODUÇÃO
- As principais informações sobre São
José são encontradas nos primeiros Capítulos do Primeiro e do
Terceiro Evangelho, que são verdadeiramente as notícias mais
fidedignas.
Todavia, existe uma literatura
que embora apócrifa, e portanto, não pertence ao Cânon da
Igreja e não são considerados Livros Sagrados,
revelam entretanto muita imaginação e alguns dos livros, baseiam
os escritos na tradição judaica, apresentando informações preciosas e
interessantes sobre os costumes e hábitos dos judeus. Entre
estas obras, as que mais abordam episódios da Vida de São
José, podemos citar o denominado: "Evangelho de James", o
"Pseudo-Mateus", o
"Evangelho do Nascimento
da Virgem Maria", "A História de José, o
Carpinteiro", e a "Vida da Virgem Maria e Morte
de José" que são livros antigos e muito
raros, escritos a cerca de 2.000 anos, mas que podem ser encontrados
na biblioteca do Vaticano e em algumas bibliotecas de Comunidades
Religiosas espalhadas pelo mundo.
Com prioridade utilizamos as informações contidas na Bíblia Sagrada de Jerusalém. Contudo, para oferecer uma agradável continuidade ao enredo da Vida de São José, acolhemos também algumas inspirações daqueles livros que seguem a Tradição Judaica, as quais consideramos apropriadas, porque entendemos que estavam fundamentadas no comportamento humano da época, e que portanto, podem representar com fidelidade hábitos do cotidiano da Sagrada Família.

FAMILIARES
José nasceu em Belém de Judá (Lc 2,3-4), e presumivelmente
deve ter permanecido lá até idade adulta (12 anos pelos costumes
judaicos).
Embora não encontrando
nenhuma informação confiável sobre a sua mãe, é certo que o seu
pai
chamava-se Jacó e mudou-se com a
família para Nazaré da Galiléia, provavelmente para cultivar
uma terra que comprou no Vale Esdrelon. Junto com o seu
irmão mais velho chamado Cleófas, trabalhou na lavoura,
ajudando o pai a produzir alimentos para o consumo próprio e
comercialização. Todavia com o passar dos anos, revelou uma
notável tendência para o trabalho com madeira, que o levou a
deixar o cultivo do solo num segundo plano e a se empenhar na
profissão de carpinteiro. Cleófas era casado com uma jovem
também chamada Maria, conhecida no Novo Testamento com o
nome de Maria de Cleófas, com quem teve três filhos:
1 - Tiago Menor, Apóstolo de JESUS, autor de uma
epístola e foi o segundo Bispo de Jerusalém.
2 - José, conhecido por "Barsabás, o Justo".
3 - Maria Salomé, que se casou com Zebedeu e teve
dois filhos: Tiago Maior e João (o Evangelista) autor do
Terceiro Evangelho, dos Atos dos Apóstolos, de três Epístolas
e do Apocalipse. Ambos foram Apóstolos de JESUS.
José, era um homem de poucas palavras, tinha gênio calmo e retraído, dedicado essencialmente ao trabalho e as orações na sinagoga, fazendo do labor o seu próprio lazer.

SURGIU MARIA
É provável que tivesse a idade de 26 anos, quando
sua atenção foi despertada para aquela encantadora jovem de
cabelos negros e olhos azuis, chamada Maria, que diariamente
atravessava a rua com um cântaro de barro em direção a uma
fonte que ficava na praça central, para apanhar água.
Nazaré, como a grande maioria das cidades naquela época não possuía água encanada, mas tinha uma fonte, onde todos se serviam, levando água para o asseio e preparo das refeições.
José logo ficou interessado naquela jóvem, que além de muito bonita, revelava uma decidida aptidão pelo trabalho, além de portar-se com dignidade e discrição.
Sempre que surgia uma oportunidade ele se aproximava para dizer-lhe algumas palavras. E assim, alimentando interiormente uma grande simpatia por Maria, decidiu freqüentar a casa do senhor Joaquim e de dona Ana, pais da moça, pois ansiava estar perto dela. Maria observava o interesse dele, mas se calava na sua modéstia e simplicidade, deixava que as visitas acontecessem como bons vizinhos, sem contudo as estimular para não alimentar nenhum projeto dele, mesmo porque, nessa ocasião, seu ideal já estava direcionado para um outro objetivo, "buscava e cultivava intensamente o Amor de DEUS".
Entretanto a medida que passava o tempo as visitas de
José se sucediam e se multiplicavam com crescente freqüência
até que num daqueles dias, em que os dois jovens conversavam
sobre as coisas do cotidiano, ele declarou decididamente o seu
amor. Maria silenciou, assumiu uma atitude mais séria e revelou
a José o segredo de sua vida. Explicou-lhe que havia consagrado
a sua existência ao CRIADOR numa escolha livre e espontânea,
inclusive, revelou que fez o voto de castidade perpétua, como a
melhor maneira que encontrou para demonstrar o seu
incomensurável e apaixonado amor a DEUS.
José ficou perplexo! Como
todo judeu, queria casar e ter os seus filhos. Afinal, naquela época, a função primordial das mulheres
era casar e ter filhos. Aquela que não se casasse,
ou que se casasse e não tivesse filhos, era considerada
pelos costumes e pela lei judaica como mulher
opróbia, isto é, castigada por DEUS. Por isso, é fácil
imaginar a grandeza do espanto de José, diante daquela
afirmação da mulher que ele amava.
Por essa razão, podemos conjeturar, que ele saiu
daquele encontro, frustrado e desapontado com o rumo dos
acontecimentos, repleto de intranqüilidade porque em sua mente
não conseguia encontrar explicações para aquele inusitado
desfecho. Passou dias cheio de angústia, mergulhado em profunda
reflexões a procura de caminhos ou soluções que lhe
restituíssem o equilíbrio emocional, porque permanecia em pleno
espanto, sem conseguir entender o que estava acontecendo. Ele
também amava DEUS, frequentava a sinagoga e diariamente
rezava as orações. Dessa forma, José acreditava na bondade
do CRIADOR e suplicava a Luz Divina, sempre que lhe aconteciam
problemas no cotidiano. E assim, ficou imaginando uma solução para
o seu caso. Passaram-se vários dias... Na verdade, embora estivesse
ansiando por uma inspiração, a medida que decorriam as semanas
começou a entender também, que Maria tinha traçado o ideal de sua
existência e que sua decisão era definitiva e irrevogável. A
partir de então, ele começou a raciocinar de outro modo,
enveredando-se na busca de outras possibilidades, porque
sobretudo compreendeu que Ela era uma mulher admirável, bonita,
com uma personalidade forte e marcante, e que já estava ocupando
uma imensa dimensão em seu coração. Percebeu ainda que não se
tratava apenas de um casamento, com o objetivo de constituir uma
numerosa família, da mesma forma que entendeu, que não seria a
mesma coisa se ele se casasse com outra mulher. Porque
ele estava apaixonado por Maria... Lembrava-se
de seu maravilhoso sorriso, de sua suave e encantadora maneira
de falar, de seu raciocínio inteligente, simples e profundo, e da
ternura de sua atenção... Compreendeu que não podia viver sem
a companhia Dela e por isso mesmo, resolveu assumir uma decisão
corajosa. Podemos imaginar que ele foi ao encontro de Maria e
junto Dela, com a convicção de ter feito a melhor escolha,
fixou-lhe o olhar e apresentou a sua proposta: "Se você se casar comigo eu também
farei o voto de castidade perpétua, para juntos vivermos o nosso
amor e consagrarmos ao CRIADOR os nossos
trabalhos, as nossas alegrias e tristezas, e toda a nossa
vida".
Considerando a posição da mulher naquela época,
sem dúvida para Maria foi a solução ideal, porque casando-se
com José, poderiam juntos cultivar a virgindade sem que ninguém
viesse a desconfiar.
Maria aceitou o convite de José e logo, começaram os preparativos para o Casamento conforme o costume judaico. A alegria ocupou integralmente o coração dos dois noivos, que não conseguiam esconder a imensa felicidade que envolvia o casal.

ANÚNCIO DA VINDA DO SENHOR
Certo dia, tendo terminado os serviços domésticos
na casa de seus pais, Maria descansava em seu pequeno quarto
quando subitamente recebe a visita de um Anjo do SENHOR, que
sorrindo, depois de cumprimenta-la, anunciou-lhe que Ela era
Alguém muito especial no Plano Divino. Que Ela tinha sido escolhida
para MÃE do Redentor, Aquele que viria salvar a humanidade de
seus pecados e deixar meios para que as pessoas pudessem ter vida
em plenitude, vivendo reconciliadas e em comunhão de amor com
DEUS. O Anjo confidenciou-lhe também que sua prima Isabel,
considerada estéril, apesar da idade avançada, estava grávida
de seis meses. (Lc 1,26-38)
Maria disse "Sim" ao plano do CRIADOR e o Anjo partiu para a eternidade. Pela Vontade de DEUS PAI e ação do ESPÍRITO SANTO, o FILHO DE DEUS veio e se agasalhou de modo sobrenatural no ventre de Maria. Começava a Santa Gravidez de Nossa Senhora.
Na seqüência dos dias, conversando com José, seu noivo, e seus pais, contou-lhes a notícia sobre a prima, mas não lhes disse que tinha sido escolhida "MÃE DO SENHOR" . E procedeu assim por achar prematuro anunciar um acontecimento de tal grandeza e também, porque entendeu que se tratava de uma ocorrência que estava no domínio de DEUS, e ninguém melhor do que ELE para escolher a ocasião certa para a revelação de algum fato e os esclarecimentos que se fizessem necessários. Por isso, Maria silenciou e guardou o precioso segredo no fundo de seu coração.
Joaquim, seu pai, que sempre viajava
a Jerusalém a fim de comercializar, passando por Nazaré uma
caravana de mercadores, decidiu viajar e também levar
consigo sua filha. Ele ficou em Jerusalém para fazer
transações comerciais e Maria caminhou sozinha os 6
quilômetros de estrada que separam Jerusalém de Ain Karin,
onde morava a prima Isabel, para prestar-lhe os serviços
necessários durante os três meses finais da gravidez. (Lc 1,39)

