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Um pouco da historia do Tuning

No aniversário de 18 anos, Chiquinho Varca Filho ganhou seu primeiro automóvel. Era um Volkswagen 1969, com apenas um ano de uso. Não deu outra: assim como muitos outros garotos da sua idade, ele se apaixonou pelo carro. E pela marca. Exatamente como acontece nos dias de hoje, com a febre do tuning, naquela época já se usava envenenar o carro, e o Fusca, o modelo mais vendido, era também o mais fácil de ser personalizado. O carro de Chiquinho, então, foi envenenado.

Dezesseis anos depois, ao comprar o último Fusca, logo após o modelo sair de linha pela primeira vez, sua paixão pelo Besouro voltou à tona. Decidido a comprar um ³Fusquinha² idêntico ao seu primeiro carro, teve dificuldade em achar um exatamente na mesma cor, verde-folha, e acabou comprando aquele que é atualmente seu Fusca predileto, um 1970 azul-calcinha. Começou equipando o carro com acessórios de época, mas passou da medida: atualmente ele é a verdadeira receita do tuning da época, inclusive com uma carreta da mesma cor sempre engatada. Até a placa do carro e da carreta são especiais: FVW, de Fusca VW, e CVW, de carreta VW, logicamente com os algarismos indicando o ano do carro. Quem conhece o Chico Varca sabe que esse é o conjunto com que ele sempre comparece aos encontros de Fusca.

Se o Fusquinha já não estava igual ao seu primeiro, nem tanto pela cor mas, principalmente, pela personalização especial, encontrar um exatamente como o verde-folha era imperativo. E ele achou. Desta vez o carro ficou como ele queria, rodas de magnésio aro 13 castelinho, volante Fórmula 1, rádio AM (internamente transformado em FM) e praticamente tudo o que seu companheiro de adolescência tinha.

Além desses carros, ele ainda tem o 86 Última Série, uma rara versão a gasolina de uma época em que 99% dos automóveis brasileiros saíam da fábrica movidos a álcool, um último Fusca brasileiro, Série Ouro (versão Itamar), e um fusquinha 1959, o primeiro Fusca nacional. Seu carro de uso diário é um New Beetle, pois, na sua opinião, além de ser um excelente automóvel, e de ser um Fusca na essência, o modelo tem ar-condicionado, equipamento que ele não dispensa. ³Se meus fusquinhas tivessem ar-condicionado, usaria apenas eles, um para cada dia da semana², diz Chico.

Na parede da garagem, na qual ele guarda todos seus carros, há cerca de meia centena de fotos de carros, a maioria Fusca. Foram todos dele, sem exceção. Chico não vende um carro sem antes fazer uma boa foto para um pôster, justamente para figurar nessa parede. Uma verdadeira galeria.

A enorme quantidade de Fusca em sua vida, no entanto, não é páreo para sua maior coleção: tudo sobre Fusca. No escritório, para onde quer que se olhe, há algo com a forma do Fusca ou com o logotipo VW. Só de miniaturas, são quase 2 000. Isso inclui miniaturas originais de Fuscas, de todos os anos, escalas, tamanhos e cores, mas o mais interessantes são os objetos variados. Camisetas, ele tem às dúzias, uma diferente da outra. Relógios de pulso, de parede, emblemas, medalhas, pratos, guarda-chuvas, banquinhos e abajures. Qualquer coisa. Algumas de suas camisas ostentam botões no formato de Fuscas, que ele mesmo mandou trocar pelos botões originais. Como não pode aumentar o escritório, Chico já está pensando em mudar sua coleção para um local maior, no qual tudo possa ser arrumado de melhor forma. Mesmo assim, seus armários com prateleiras e portas de vidro já são uma tentação para qualquer criança que o visite. Dos 5 aos 105 anos de idade.

Além desses objetos, acessórios de época para Fusca também estão na sua mira. Entre os mais cobiçados, Chico mostra com orgulho dois jogos de malas Ika que foram produzidos especialmente para caber no ³chiqueirinho², aquele espaço atrás do banco traseiro. Um bege e outro cinza. Raridades. A peça da coleção da qual mais gosta é um carrinho de pedalar que ele mesmo comprou para sua neta. Fusca, é claro. Passou anos aflito, cuidando para que ela não estragasse sua futura peça predileta: assim que a menina cresceu um pouquinho, o Fusquinha de pedal foi para o alto do armário, juntamente com muitos outros Fusquinhas que podem ser pilotados por uma criança.

Quanto às miniaturas, ele não se satisfaz apenas com as comuns, até porque provavelmente ele tem todas que já foram produzidas, e encomenda versões especiais, com motores V8, cores extravagantes e formas inusitadas, como um dragster ou uma limusine. Mas a miniatura mais importante da coleção é a que ele ganhou do pai: pequena, porém de ouro maciço.