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Voz das Novelas
Por Diógenes Campanha
Presença
constante nas produções
de Jayme Monjardim, a peruana Adriana
Mezzadri participa da trilha sonora
de América e conta com sua
voz que seduziu o diretor.
Na novela
América, o sonho de imigração
de Sol (Deborah Secco) é embalado
pela canção “Êxodo”,
interpretada pela peruana Adriana
Mezzadri. Por uma coincidência
que une realidade e ficção,
a cantora de voz doce, que desde O
Clone participa da trilha sonora de
todas as produções de
Jayme Monjardim, já pensou
em tentar uma carreira nos Estados
Unidos. “Tenho alguns parentes lá
e já pensei em me mudar”, diz
Adriana, nascida há 34 anos
em Lima, capital do Peru. Ela veio
para o Brasil em 1971, quando tinha
apenas oito meses e sua família
fugia da ditadura militar. “Minha
mãe é peruana e veio
a passeio para o Brasil, onde conheceu
meu pai, que é brasileiro e
era o guia da excursão”, conta
Adriana, que só voltou a morar
em seu país natal nove anos
depois, quando já se aventurava
pela música. “Na adolescência,
compunha músicas para os namorados
que não tinha. Fazia uma por
ano, que era o tempo de duração
dos meus amores platônicos”,
diverte-se a cantora, que está
solteira.
Radicada no Brasil desde 1987, ela
teve sua chance de “fazer a América”
quando começou a gravar seu
primeiro disco, Marcas de Ayer, com
o produtor americano K.C. Porter.
Respeitado por seus trabalhos com
Ricky Martin, ele pretendia lança-la
por uma grande gravadora, mas os atentados
de 11 de setembro de 2001 mudaram
tudo. Neste dia, Porter concorria
ao Grammy Latino de produtor do ano
e queria apresentar Adriana aos executivos
do mercado. Com o ataque terrorista,
o evento foi cancelado e a cantora
foi colocada no primeiro avião
para o Brasil, mas passou a noite
acampada no aeroporto de Miami. O
violão em sua bagagem chamou
a atenção de crianças
venezuelanas e, a pedido delas, Adriana
improvisou um show. “Percebi que poderia
emocionar as pessoas em qualquer lugar.”
Na volta ao Brasil, assistiu aos primeiros
capítulos de O Clone e achou
que a canção “Marcas
de Ayer” combinava com o personagem
de Murilo Benício. Não
conhecia ninguém na Globo,
mas um amigo namorava uma coreógrafa
que dava aulas de dança do
ventre para o núcleo árabe
da trama. Ao ouvir a música,
Jayme Monjardim declarou que estava
procurando uma voz como aquela há
anos. “O Jayme mandou suspender o
disco, que já estava pronto,
para incluir a música da Adriana.
Disse que ela era a voz de O Clone”,
conta o produtor Marcus Vianna. Foi
o início de uma parceria que
continuou em A Casa das Sete Mulheres,
quando Adriana emplacou cinco músicas,
e em Olga, quando sua voz chegou à
tela grande.
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