| Entrevista
Você cresceu entre dois países com
tradições culturais e musicais bem
diferentes... Como você misturou as
duas experiências na vida e na música?
A fusão cultural e musical
foi acontecendo espontaneamente em
minha vida. Eu vivi durante 7 anos
da minha adolescência no Peru e foi
uma fase marcante para minha formação.
Por ter passado a infância no Brasil
e ter voltado a viver aqui já adulta
também tenho fortes raízes neste país.
O que são as zarzuelas que
você cantava quando você era pequena?
Zarzuelas
são operetas espanholas. Esse estilo
lírico mais leve e bem humorado me
fez gostar de musicais, essa mistura
de teatro com música, de popular e
erudito.
Quais são as suas outras influências
da música popular, erudita e sacra
peruana? E as brasileiras?
Eu comecei a cantar muito pequena.
Quase sempre era em espanhol. Cantava
e tocava órgão e violão em celebrações
católicas que já misturavam o clássico
com o pop nas músicas. Da música peruana,
minha maior influência é Tania Libertad.
Cantei com ela e pude conhecer mais
sobre os vários ritmos afro-peruanos.
Ela tem uma interpretação lírica que
aliada a seu repertório folclórico
fazem dela uma artista única. Quando
era pequena, meu pai me fazia escutar
música italiana (ele é filho de imigrantes
italianos). Depois, nos mudamos para
Lima,Peru e ele levava para lá quando
viajava ao Brasil, gravações de Roberto
Carlos, Gal Costa, Maria Bethânia,
Simone, Caetano, Chico Buarque, Milton
Nascimento. Mas meu contato musical
era mais latino e anglo-saxão. Depois
voltamos ao Brasil e conheci o pop
rock brasileiro, Marina, Kid Abelha.
Me identifiquei também com Marisa
Monte e Zizi Possi.
Como nasceu a colaboração
com Oswaldo Montenegro? A Dança dos
Signos e Noturno falam de que?
Me interessei pelos musicais do Oswaldo
Montenegro porque sem ter uma super
produção, contando somente com o elenco,
luz, sombra e melodias cheias de energia,
cativam várias gerações. O Noturno
foi meu primeiro contato profissional
com o palco. Fala de vários aspectos
da noite. A Dança dos Signos descreve
musicalmente cada signo do zodíaco,
mas o roteiro trata de um teste para
o próprio musical. Então há vários
personagens querendo fazer o teste
para participar de "A Dança dos Signos".
Fale um pouco do projeto Unio
Mystica... As faixas parecem ser ligadas
a tradição alquímica (solve e coagula)...
Sim , fala de alquimia. Também tem
cantos gregorianos e elementos árabes.
Tem uma composição minha nesse disco
e os vocais femininos são meus. É
uma produção de Corciolli.
Como foi colaboração com Jorge
Ben Jor?
Participei dos shows e discos do Jorge
Ben Jor durante 3 anos, viajando por
todo o Brasil , Estados Unidos e Montreux,
na Suíça. Foi uma escola importante
para minha carreira. Trabalhando com
ele me aproximei dos ritmos brasileiros.
O show do Jorge tem muita interação
com o público constantemente e exige
bastante improvisação. Isso fez com
que me soltasse no palco.
O conceito musical básico
do disco Marcas de Ayer parece a mistura
entre música andina brasileira e pop-rock
norte-americano. Fale um pouco das
faixas que você prefere (sob o ponto
de vista musical, mas também das líricas...
livremente, você pode também falar
de todas se quiser!)
Marcas de Ayer tem uma melodia
forte e a letra mais espiritual do
disco. Fruto da Inocência e Aliança
Eterna também têm letras profundas.
Estatua de Hielo, Medianoche, Atrapar
e Inspírame passeiam mais pelo pop
e o rock. Te Tengo Miedo é bem hispana.
Más Que La Claridad é forte e romântica
e Por Verte Reir consegue traduzir
a fusão Peru-Brasil através de uma
letra alegre com elementos da música
peruana e brasileira.
Como você chegou a conhecer
Porter e como foi recebida a sua música
nos EUA?
Conheci
KC Porter através de Luiz Carlos Maluly,
renomado produtor brasileiro. O KC
estava produzindo o disco Supernatural
do Santana. Então adorou minha voz
e composições e juntos produziram
meu disco na Califórnia-EUA. Com o
sucesso da minha música Marcas de
Ayer na novela O Clone, fui várias
vezes para os Estados Unidos e me
receberam com muito carinho.
Como nasceu a colaboraçao
com Marcos Viana?
Quando percebi que minha canção se
encaixava bem na novela, liguei para
Cláudia Cenci, coreógrafa de danças
árabes da novela. Ela mostrou para
o diretor Jayme Monjardim, ele gostou,
colocou na trilha e me disse que trabalharíamos
outros projetos. Eu fiquei feliz porque
admiro imensamente o trabalho dele.
Então me pôs em contato com Marcus
Viana. Foi um presente para mim. Temos
uma afinidade musical incrível. Considero
o talento do Marcus uma fonte de inspiração.
O que você pensa da personagem
histórica Anita? Ela é bem querida
na Itália (existe até uma cidade chamada
Anita, perto do lugar aonde ela morreu,
no norte da Itália) como no Brasil.
Mas de fato, na Itália se conhece
pouco das lutas latino-americanas
dela e do Garibaldi...
Acho que Anita Garibaldi é realmente
uma mulher de muito valor, um exemplo
de coragem para homens e mulheres
dos dias de hoje.
Achei curioso o texto de "Sete
vidas" ... mesmo falando de personagens
históricos, o texto parece ligado
a uma situação onírica, mágica, misteriosa
... ligada ao numero 7 (um número
mágico)...
Sim,
além do lado épico. Marcus fez uma
versão do hino do Rio Grande do Sul.
É uma canção que transmite serenidade.
Quando canto Sete Vidas é como se
estivesse flutuando. Me apaixonei
por ela desde que Marcus cantarolou
a melodia para que eu a interpretasse.
Foi composta para a minissérie, mas
ele me disse: "Fiz esse tema para
sua voz. É a sua cara, não é?". Além
disso, o número sete aparece sempre
na minha vida de uma forma ou de outra.
Curioso...
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