Como já foi contado em outro capítulo, os Romanovs foram assassinados no porão da casa Ipatiev, na madrugada de 17 de julho de 1918. Os corpos foram desfigurados com ácido e jogados numa mina. Com eles, foram também enterrados o cozinheiro Kharitonov, o empregado pessoal do czar, Sr. Trupp, a empregada da czarina, Sra. Damidova e o médico da família, Dr. Botkin. Durante oitenta anos os corpos ficaram enterrados todos juntos, empilhados, numa cova comum. Os ossos foram danificados, não só pelos golpes de baioneta no momento do crime, como também pela umidade do solo siberiano e pelo ácido utilizado para desfigurá-los. Quando os corpos foram desenterrados definitivamente em 1991 para serem identificados, houve uma grande controvérsia sobre suas identidades, apesar de toda a tecnologia utilizada. A discussão continua, apesar do funeral da família ter acontecido (os empregados foram enterrados junto com os patrões) em 1998 na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo.
Houve exaustivos exames dos restos mortais que estavam disponíveis. Dois corpos estavam faltando: o de Alexei e o de uma das meninas. Qual delas? A versão oficial, durante o funeral que foi transmitido para todo o mundo pela televisão, foi a de que o corpo da jovem que faltava era o da Grã-Duquesa Marie. Mas há discussões sobre isso. Neste capítulo, conto um pouco dos resultados dos exames feitos, dos esforços dos especialistas e das dúvidas que devem perturbar muita gente.
Havia, então, somente nove corpos. O comandante da casa Ipatiev, Yakov Yurovsky, deixou sua versão para a falta dos dois corpos: eles foram queimados perto da mina onde os outros tinham sido enterrados. Esta versão é muito suspeita. Por que queimar dois corpos separadamente e enterrar os outros nove? Não fazia sentido.
Para estudar os nove esqueletos encontrados, duas equipes se juntaram na tarefa: uma americana e outra russa.
Os esqueletos foram numerados de 1 a 9 e ambas as equipes concordaram logo sobre o seguinte: que o esqueleto n°1 era o da empregada da czarina, Ana Demidova; que o n°2 era do dr. Dotkin; o n°4 o do czar Nicholas; o n°7 da czarina Alexandra; o n°8 o do cozinheiro Kharitonov; e o n°9 do sr. Trupp, o valete do czar.
Como isso foi feito é muito complicado explicar, mas através dos estudos dos ossos, da arcada dentária e dos testes de DNA. Por exemplo, o esqueleto do czar foi reconhecido pela altura e idade na época da morte e também por causa de deformações causadas por contínua prática do hipismo. O czar realmente passava muitas horas na sela. Já, por exemplo, o sr. Trupp, seu camareiro, foi reconhecido por ser o homem mais velho do grupo, o que é detectado pela situação dos ossos. Ele tinha 61 anos quando morreu.
No entanto, no que diz respeito às grã – duquesas, a coisa foi muito diferente. As equipes apontaram o esqueleto n°3 como sendo o de Olga, que era a mais velha e a única que tinha a ossatura total desenvolvida, já como adulta. As outras duas geraram controvérsias. A equipe russa apontou o n°5 como Anastasia, mas o dr. Maples, da equipe americana, não aceitou a conclusão alegando que o esqueleto era de uma garota alta demais para ser Anastasia.
De fato, ambos os esqueletos restantes eram de jovens altas demais para serem a jovem grã – duquesa. Anastasia, como se comprova nas fotos em que aparece junto com a família, era muito menor do que suas irmãs. Tatiana era a mais alta, mas Maria era quase tão alta quanto ela, sendo pouca a diferença, o que poderia confundir os cientistas. Mesmo Olga, que era a mais baixa das três, não fazia tamanha diferença quanto Anastásia. Esta sim, era de estatura bem menor, o que não deixa de ser difícil de aceitar que seja ela o esqueleto n°5. Este poderia ser o de Maria.
Obs: O esqueleto desaparecido de Alexei não pôde causar qualquer especulação porque ele era o único filho homem do czar.
Anastasia é a quarta (da esquerda p/direita), portanto a mais baixa das irmãs.
As meninas estão carecas devido à febre muito alta causada por sarampo. Como se vê, Anastasia era a menor de todas (a 1a. da esquerda p/direita).