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Um trecho apenas, de um poema sobre Lilith. Poesia moderna.

 

Poema “The Passion of Lilith”

 

O que gente como eu tinha

a fazer com gente como Adão?

 

E no entanto por algum capricho

ou mesmo por obra de Seu humor negro

fomos atirados juntos, a terra

polida e o brilho da lua...

 

Então Adão quase me deixou

louca – meu primitivo e boquiaberto

homem, dócil como pilão

e brando como a lógica

vivia ostentando o direito divino

de suas propriedades

perante minha óbvia carência

de bens.

 

A princípio, tentei agradar,

abri minha caixa de milagres para ele;

ele só queria mondar as ervilhas.

Queria seus pássaros em sua mão,

Usei, de bom grado, de todos os rodeios.

Fiz um abrigo de folhas, trepadeiras e veneno para anjos;

ele não quis entrar.

Não quis deitar sob minha improvisada

colcha de retalhos. Preferia morrer.

 

Ele tinha a Palavra,

recebera-a do alto, enquanto eu,

anterior aos alfabetos, inútil como um &,

permanecia mergulhada no remoinho do caos.

 

Jardins foram feitos para ordenadores,

jardineiros foram feitos para ordenar,

mas eu não sou ordenável, sou a primeira transgressora.

Por isso, enquanto Adão cercava cuidadosamente suas bestas

e apertava a sebe,

e enquanto os anjos guerreavam e buliam

com os nervos de Deus,

inadaptada e fora de lugar, fugi.

 

Xinguei Adão.

E deixei meu primeiro amor

chupando o dedão.

 

 

 

 

(Fonte: Pamela Hadas, no The Passion of Lilith, 1976)

 

 

 

 

 

Referente ao poema acima:

 

“Que Lilith discordasse de Adão em muitos assuntos não é nem um pouco surpreendente, considerando-se sua natureza sombria, ardente, feminina e lunar. Os sentimentos engendrados por essas diferenças são expressos pelos versos de uma poetisa moderna”.

 

(Barbara Black Koltuv)