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Quatro Haicais de Bashô

 

Quatro horas soaram.

Levantei-me nove vezes

Para ver a lua.

 

Fecho a minha porta.

Silencioso vou deitar-me.

Prazer de estar só…

 

A cigarra… Ouvi:

Nada revela em seu canto

Que ela vai morrer.

 

Quimonos secando

Ao sol. Oh aquela manguinha

Da criança morta!

 

 

 

 

 

 


Soneto LV de Shakespeare

                                      Original

 

Not marble, nor the gilded monuments

Of princes, shall outlive this powerful rime;

But you shall shine more bright in these contents

Than unswept stone, besmear’d with sluttish time.

When wasteful was shall statues overturn,

And broils root out the work of masonry,

Nor Mars his word nor war’s quick fire shall burn

The living record of your memory.

Gainst death and all-oblivious enmity

Shall you pace forth; your praise shall still find room

Even in the eyes of all posterity

That wear this world out to the ending doom.

   So, till the judgment that yourself arise,

   You live in this, and dwell in lovers’ eyes.

 

 

 

Soneto LV de Shakespeare

                   Tradução de Ivo Barroso

 

Nem mármore, nem áureos monumentos

De reis hão de durar mais que esta rima,

E sempre hás de brilhar nestes acentos

Do que na pedra, pois o tempo a lima.

Pode a estátua na guerra ser tombada

E a cantaria o vil motim destrua;

Nem fogo ou Marte apagará com a espada

Vivo registro da memória tua.

Há de seguir teu passo sobranceiro

Vencendo a Morte e as legiões do olvido,

E os pósteros, no juízo derradeiro,

Hão de a este louvor prestar ouvido.

    Pois até a sentença que levantes,

    Vives aqui e no lábio dos amantes.