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© 1966
Título Original: Viagem À Um Planeta Artificial Por Rapto

Ficção Científica

Edição em Português

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Autor: Adelino dos Santos Abreu

ÍNDICE

1. Personagem Principal
2. O Despertar de Um Destino
3. Término de Uma Infância
4. Abstrato Concreto
5. Operação Georwaka’s
6. O Peso da Fama
7. Operação Wakageorg’s
8. Objetos Voadores Não Identificados
9. Viagem à Um Planeta Artificial
10. Primeira Parada: Lua de Addtinim
11. Rumo ao Planeta Artificial
12. Chegada ao Planeta Artificial
13. Epílogo.

 

Prefácio

Certa vez um ser por ideal

criou o Universo.

Agora. divido com todos o

dom desta criação.

A primaterialidade deste livro trouxe à tona, uma realidade, que nem mesmo eu imaginava. Os fatos se desencadearam por si. Quase além da minha vontade. E se tornaram concretos em duas dimensões, livro como estória e em mim como segunda realidade.

As ciências explicam esta dualidade, mas nada explica porquê milhões de células cerebrais podem criar mundos e gerar realidades, como está, por exemplo.

A realidade é uma dimensão; existem outras, no interior de cada um. Resta saber em qual se deve viver. E me pergunto; até que ponto fiz este trabalho e até que ponto ele foi feito através de mim?

O que é, aí está. Só tenho certeza que ele foi gerado do movimento febril de meus dedos. As outras questões, responda você.

O AUTOR - 1966

 

1. O PERSONAGEM PRINCIPAL

Ao viajarmos pela fantasia do espaço/tempo, na velocidade surpreendente da imaginação e do raciocínio, gera-se a ficção e o espaço concreto.

O mundo é a incógnita e, no fundo da visão, desenha-se, ponto por ponto, o mais estranho planeta do Universo: a Terra, o marco desta estória.

Verifica-se a hora e o dia de chegada: 14 horas da tarde, do dia 16 de Outubro de 1992.

Na atmosfera transparente do cenário que se aproximava, uma cena corriqueira; a queda das primeiras gotas de chuva artificial. O tempo passava e a chuva, em calmo compasso, regava a exótica cidade de Weikkow 1.742 Enylow, até às 16:00 horas, quando parava pontualmente.

A aproximação ampliava em detalhes, a imagem que se via nas telas do vídeo e, ao sul da cidade, desenhava-se cada vez mais nítida a moderna maternidade Wayjenlow. Neste instante nascia aí uma criança, do sexo masculino, que foi batizada com o nome de Wakanerefy Templeyn Towmmor.

Seu pai, Hokerh Tempekery Towmmor, um cientista pouco conhecido, em começo de carreira, trabalhava no Centro de Cientistas Mundiais, cuja sigla: CCM, todos conheciam.

Sua esposa, Georhely Kennery Towmmor, era desenhista de engenharia astronáutica. Administrava o trabalho de seu marido e achava que em breve faria descobertas fantásticas.

Hokerh, cientista dedicado, sempre envolvido com suas pesquisas, negligenciava, por isto mesmo, o convívio no lar. Acreditava no entanto, que com o tempo poderia modificar esta situação e estar mais junto aos seus.

 

2. O DESPONTAR DE UM DESTINO

Com alguns dias, Wakanerefy foi levado para a sua nova residência, localizada a cinqüenta e quatro quilômetros ao norte da cidade de Seinktoweed 14 714 Kinkow. Na encantadora cidade de Erinshow 14 643 Wankin, há o sofisticado bairro de Bertasawn 14 652 Townoty. Possuí gigantescos prédios, contrastados com casas de modelos arquitetônico hipermoderno e mais um sem-número de magníficos conglomerados habitacionais subterrâneos, controlados automaticamente por centrais eletrônicas, denominadas Hibertawn.

Encantadoras árvores enfeitam toda a extensão das avenidas e ruas, com o seu reflexo dourado no chão metálico, dando uma visão deslumbrante no ambiente da moderna cidade. Tudo isto reunido pela natureza e a mão do homem, resultando em um cenário de cores quase-divino. Homem & Natureza.

Contempla-se o céu podia-se ver uma quantidade quase infinita de pássaros. Pareciam pequenos pontos com vida e confundiam-se na abóbada celeste.

A noite veio lentamente e fez com que o silêncio chegasse. Os pássaros recolheram-se a seus ninhos térmicos e ficaram à espera de um novo dia.

Com o passar das horas, apareceram os primeiros raios do Sol. Todas as aves despertaram e foram em direção ao horizonte, receber com seus cantos o astro-rei, acompanhado de toda sua verdadeira magnitude, juntamente com o seu colorido ainda encabulado pela névoa matutina.

E aqui na Terra, todos esperavam dias mais felizes e que o futuro da raça humana fosse em tudo, mais promissor

Na família Towmmor, acontecia o primeiro aniversário de Wakanerefy. Compareceram à cerimônia grandes personalidades e patentes do CCM.

Com esta idade, Wakanerefy começou a dar os seus primeiros passos, acompanhados ainda certas caminhadas e de um grande número de tombos. Somente aos treze meses seus passos estavam mais firmes e seguros.

A esta altura, mais do que nunca, Georhely, sentia a falta do marido. Tudo indicava que ele podia viver sem o carinho de um lar, a companhia da mulher e do filho, dedicando-se à ciência. O importante mesmo era habitar a maior parte do seu tempo a sua verdadeira moradia, o CCM, local onde ficava quase todo tempo. deixava passar semanas e meses inteiros sem regressar à casa e esquecia-se, de vez em quando, de escrever à companheira.

Tudo isto era motivo suficiente para que Georhely fosse abandonada à solidão por longos períodos em sua vida conjugal, mas, corajosa, enfrentava os seus árduos desejos e enclausurava dentro de seu ser. E toda recompensa estava à sua frente: o filho.

Para manter este perfeito equilíbrio, tinha confiança de que sua angústia teria fim, pois, dentro de si, uma intuição feminina despontava e parecia-lhe dizer docilmente:

- Georhely, deixe caminhar as coisas de maneira normal, não tenha receio, pois Hokerh está a caminho de uma fabulosa descoberta. Assim, basta aguardar o desenrolar natural dos fatos, com respeito.

Georhely confiava fielmente em sua intuição e, ansiosa, esperava as boas notícias. No entanto, não deixava de imaginar que algo poderia sair errado; porém, a melhor solução era ter calma e ficar otimista.

Neste ambiente de uma certa insatisfação vivia Wakanerefy e, chegando aos cinco anos de idade ganhou do pai o primeiro de uma série de laboratórios de pesquisas químicas e científicas. Wakanerefy agradecera emocionado a seu pai e, antes de guardá-lo, confiante e com um sorriso angelical nos lábios, disse-lhe:

- Futuramente serei um grande cientista e terei também muitas glórias... o senhor será testemunha de minhas palavras.

Hokerh, ouviu com enorme espanto, ficou admirado com a forte convicção de seu filho e sentiu-se orgulhoso. Pois, ao que tudo indicava, a pretensão de Wakanerefy para o futuro, seria mesmo a de seguir os passos de seu pai e ser um cientista dedicado e de muita fibra.

Wakanerefy levou com bastante cautela para o seu quarto o presente e lá o guardou com cuidado, evitando assim que alguém o encontrasse e, justamente, guardou alguns desenhos esquemáticos do pais, imaginando usá-los futuramente; talvez viessem algum dia a ter alguma utilidade.

O tempo continuava passando e Wakanerefy desenvolvia bem a inteligência, evidentemente motivado pela maneira como era criado: ambiente puro e culto e o respeito mútuo entre todos que faziam parte de uma sociedade particular do bairro. A finalidade era que todos usassem a sociedade para debater problemas que afligiam a grande cidade. Esta entidade colaborava para a existência de uma confraternização maior entre todos.

As crianças em geral, eram quase todas da mesma idade e gostavam muito de aventuras e, constantemente, faziam as suas diversões em espaços programados para entretenimento infantil, num local denominado Muflayer, onde ficavam quase todos os dias e nem percebiam o cair da tarde. Faziam como de costume, campeonatos diários e sempre o prêmio que cabia ao vencedor, era algum objeto de pouco valor. Raras vezes surgiam brigas entre eles.

Entrava agora Wakanerefy aos seis anos de idade e teria de esquecer um pouco os divertimentos diários e se dedicar mais aos estudos.

Ao ingressar no colégio, foi matriculado no ciclo normal de ensino. Porém, foi logo transferido para um período adiante, para um maior aproveitamento de sua capacidade, reconhecido por uma comissão especial e deferido pelo reitor do estabelecimento de ensino, na cidade de Eringhow 14 643 Wankin.

Com o tempo, Wakanerefy demonstrou uma admirável inteligência. Suas notas eram iguais as de um aluno normal, mas sua imaginação era fervilhante.

Wakanerefy teve muita sorte em não repetir nenhum ciclo escolar. Não estudava quase nada, mas, por outro lado, tinha uma grande facilidade em aprender e gravar todas as aulas pelo rápido raciocínio.

No atual ambiente, tudo contribuía para que seus pais se orgulhassem revelando talentos dentro e fora da escola.

Ao fazer nove anos de idade, foi surpreendido em seu quarto pelo pai, que sorrindo disse:

- Bom dia, meu filho... feliz aniversário para você! Agora, levante-se e venha ver seu presente. Espero que seja de seu agrado, mas, veja bem. Heim... lá no fundo de casa... está bem guardado.

Wakanerefy, feliz, foi ao encontro de seu pai, beijou-o carinhosamente e respondeu:

- Ah... lá no fundo da casa, Heim ?... então, tem algo de estranho... e deve ser na lavanderia, pois já faz mais ou menos uma semana que está fechada e, por mais que procurasse não consegui encontrar a chave...

- Só agora você percebeu!... seu bobo!... não desconfiou que o seu aniversário estava se aproximando?

Os dois caminharam em direção à lavanderia e lá Hokerh fez questão de fazer um pouco de suspense, em dado momento, de supetão, abriu a porta e Wakanerefy viu à sua frente um imenso e fabuloso laboratório, como sempre havia sonhado.

Encantado e boquiaberto, foi caminhando lentamente examinando aquele gigantesco presente. Enquanto observava tudo minuciosamente disse-lhe:

- Meu filho, uma vez você fez uma promessa para mim e jamais esquecerei. Assim sendo, esta é a minha contribuição... É tudo seu e espero que saiba fazer um bom uso disto.

Ao ver concretizada a idéia de seu velho sonho, olhou devagar para o rosto enérgico do pai, correu ao encontro do mesmo e, chorando de alegria, disse-lhe soluçando:

- Muito obrigado... obrigado mesmo... paizinho... nunca esquecerei do senhor e... toda ajuda que me prestou... espero algum dia recompensá-lo.

- Não chore... meu filho... pois ainda chegará o momento de trabalharmos lado a lado.

- Sim, ainda chegará o grande dia em que ambos lutaremos em prol do mesmo ideal, para o bem de todos...

- Assim seja... agora não há mais motivos para este choro.

- Está bem... Ah... e... quando o senhor achar que precisa de meu laboratório, desde já está à sua disposição.

- Pode deixar, pois irei fazer uso, logo que possa...

- Mas papai, o senhor promete não usar muito, certo?

- Está bem, espertalhão, já que faz tanta questão, não irei abusar!

- Ah! mas, o senhor vai fazer um favorzinho para mim, não é?

- Bem... dependendo do favorzinho...

- Ah... não é lá muita coisa... é prá de vez em quando o senhor dispensar uma verbinha, para comprar alguns complementos.

- Está bem, seu pestinha... semanalmente lhe enviarei a sua verbinha, ouviu?!...

- Ótimo, gosto muito de sua força capitalista. Em especial, comigo.

- Bem, continuando como um filho compreensivo, dedicado, principalmente com sua mãe, poderá futuramente vir a ganhar mais presentes incríveis.

- Está muito bom, aceito qualquer tipo de contrato com o senhor, acho que está tudo certo. Mais uma vez, obrigado.

Hokerh retirou-se e deixou seu filho meditando.

- Puxa vida?... quem diria... este, finalmente é meu. Talvez venha a fazer inveja aos seres de outros planetas... hum... acho que não, mas... quem sabe se não é verdade?....

Olhava atento para todos aqueles aparelhos. Aos poucos, perdendo o medo, aproximou-se e, com cuidado, o tocou, procurando compreender o seu funcionamento e utilidade, pois tudo, a princípio, apresentava-se de maneira muito complicada ao seu entedimento.

Em dado momento, o seu pai retornou e, com extrema paciência, explicou-lhe a utilidade prática e científica de tudo. Orientou a respeito do uso dos aparelhos eletrônicos e químicos para não haver o risco de um acidente.

A seguir, inteirou-o sobre todo o sistema contra incêndio e roubo e quando deveria ligá-los e desligá-los.

À tardinha, Wakanerefy telefonou para os amigos e colegas mais chegados, convidando-os para a sua festa de aniversário, aproveitando para falar do presente ganho.

Pelo tom de voz, os amigos percebiam a alegria que dele transbordava, parecia mesmo a criança que acabara de ganhar o grande prêmio.

Mias tarde, quando Wakanerefy já havia terminado a lista de telefonemas, aproveitou a ausência dos pais e dirigiu-se ao laboratório.

Wakanerefy, sem muita experiência ainda com novos elementos químicos, pressentindo encrenca, juntou-os em um pequeno potinho de chumbo fino e o fechou com cuidado.

Com o potinho nas mãos, foi para o quintal, escolheu o lugar e jogou o artefato no solo com toda a sua força.

O resultado foi surpreendente e inesperado: uma explosão descomunal e, por pouco, Wakanerefy não perdeu a vida. A sua sorte foi a distância. Estava a um poouco mais de sete metros do local da explosão e foi o bastante para salvá-lo da morte certa.

Com um enorme susto, Wakanerefy passou a mão sobre a testa, com alívio de nada ter-lhe acontecido. Somente se recordava da enorme explosão e de uma densa nuvem branca que cobriu a sua visão por alguns segundos e aos poucos dissolveu-se no ar, até desaparecer por completo.

Restava agora o problema de que, talvez, seus vizinhos tivessem escutado, era agora uma probabilidade a ser encarada.

Wakanerefy ficou contente e ao mesmo tempo nervoso, ao ver que havia descoberto um explosivo tão poderoso. O problema mais grave, era de que se tratava de uma mistura por demais sensível e era recomendável mudar para um sistema mais fraco e menos arriscado.

Começou a imaginar como trabalhar com o mesmo, tendo maior segurança. Decidido, procurou um livro referente a detonadores do tipo caseiro, de ação mecânica ou controle remoto. Ao encontrá-lo, leu atentamente.

Não tardou a chegar à conclusão de que dois tipos seriam os mais indicados para o caso. O primeiro, tratava-se de um detonador elétrico e o segundo, por pressão. Imaginou fazer experiências com o uso mais adequado destes, em outra ocasião.

Seu nervosismo intenso foi, aos poucos, dando vazão a um novo estado espiritual de alegria, que sentia pela recém-descoberta. Além do mais, pensava em não se deixar levar por todo o incidente, pois nada de mal lhe havia acontecido.

Ao olhar para a enorme mancha feita no chão, sentiu um orgulho de si mesmo, foi a primeira vez em toda existência que sentiu o prazer em ter algo de defesa ao seu dispor, sem fazer uso do físico.

Para perpetuar a lembrança do momento inesquecível, lembrou-se de sua vídeo câmara, que, por acaso, estava com sobra de fita virgem.

Subiu para o quarto e de lá voltou ajustando a programação do equipamento. Desde o início da seqüência de tomadas, não se cansou de procurar novos ângulos.

Ao terminar, apanhou o detergente e outros acessórios e começou a remover a enorme mancha, pois se alguém a visse, estaria em maus lençóis e haveria muitas confusões.

Ao final da limpeza, guardou tudo em seus devidos lugares, apanhou a vídeo câmara e subiu para os eu quarto. Depois, sentou-se em frente à escrivaninha, puxou o diário de pesquisa e descreveu em todos os detalhes a recente experiência.

À noitinha, antes da chegada dos primeiros convidados, resolveu fazer mais uma bomba, com a qual queria se divertir, assustando os amigos.

No laboratório, iniciou os trabalhos de peso e porcentagem de produtos. Ao término, colocou-o na gaveta 44, tendo todo o cuidado necessário para evitar novas surpresas.

O Videotrans emitiu o som de chamadas. Wakanerefy trancou a porta do laboratório e correu para a grande sala, porém sua mãe atendera primeiro.

Wakanerefy não ouvia, pois sua mãe estava com os fones ligados ao sistema, mas, pelo tamanho da imagem, reconhecia o rosto de sua vizinha Tatilow.

O diálogo abordava a denúncia dos empregados sobre uma enorme explosão, seguida por uma grande nuvem de fumaça branca, proveniente dos fundos da residência de Georhely.

Wakanerefy foi-se aproximando da mãe e sem desconfiar de nada, indagou-a:

- O que Tatilow está lhe contando, hein?

Georhely nada respondeu e continuou normalmente a conversa. Wakanerefy, frustado, perguntou mais algumas vezes. De nada adiantou a sua insistência não tinha resposta.

Ao desligar o Videotrans e guardar os fones de ouvido. Georhely, pegou depressa nas orelhas do filho e perguntou, nervosa:

- Muito bonito, sua praga!... agora você vai ter de explicar sobe a tal explosão de hoje à tarde, durante a minha ausência...

- Como é que a senhora soube?!...

- Tatilow terminou de avisar-me.

- Bem... eu... simplesmente... desenvolvi uma bombinha durante uma nova experiência, mas só que exagerei um pouco na dosagem e o resultado foi um pouco forte.

- É... muito bonito... mas, veja se não vai explodir o bairro da próxima vez!.

Contra toda a esperança de Wakanerefy, sua mãe aceitou a desculpa. Este, aproveitando a ocasião, pediu-lhe um favor.

- Já que a senhora está a par de tudo, quero que não conte nada ao papai, caso contrário, as coisas vão ficar pretas para o meu lado.

Georhely, compreendendo bem a delicada situação de seu filho, respondeu-lhe:

- Prometo que não vou contar nada a seu pai, ainda mais hoje... que é dia de seu aniversário.

Mais tarde, quando os convivas começaram a chegar, Wakanerefy se encontrava com Antwood, um dos seus melhores amigos.

- Pois é Antwood, esta é a minha idéia e será usada hoje à noite. É de você que eu mais preciso, pois só assim vai dar certo. E fique sabendo, isto é importante só mesmo após o apagar das luzes da sala... você deverá jogar o potinho ao chão, que se encontra na gaveta 44. E não se esqueça, jogue-o a uma distância mínima de oito metros de você, está bem?

- Tudo bem, eu acho?!...

- Bem, aqui está a chave, companheiro... ah!... e além do mais, ao terminar, corra para junto dos outros para que não descubram.

- Wakanerefy pode contar comigo, não sou nenhum medroso, farei tudo do jeito como você acaba de me dizer e iremos dar o maior susto na turma. E nada irá nos acontecer, pois ninguém poderá provar que fui eu o você. A esta altura, estarão cantando parabéns.

Chegou assim a hora de Wakanerefy se reunir com os seus convidados e apagar as velas do bolo. Virou-se para Antwood e disse:

- Boa noite... companheiro.

- Obrigado e para você feliz aniversário. E... não seu esqueça de comer a minha fatia, tá legal?

- Quanto a isto, pode ficar sossegado.

Wakanerefy em seguida, dirigiu-se à sala e, entre seus amigos, encontrou-se com seu primo Paosy que lhe disse:

- Waka! já está na hora de você se preparar e dar um jeitinho em sua aparência, daqui a pouco o espetáculo vai começar, é melhor andar depressa.

- Certo. Pode dizer à mamãe que vá preparando tudo. Daqui a pouco vou para a mesa. Só falta trocar de roupa e dar um jeito no cabelo.

- Está bem, mas veja se não demora muito... de preferência prá hoje, ouviu?

- Tudo bem, vê se não enche muito, ouviu, priminho!...

Subiu as escadas rumo ao quarto e lá aprontou-se. Depois, desceu e foi para o jardim, convidando a todos para entrarem, antes que se começasse a cantar os parabéns. Todos correram até a grande sala e lá ficaram à espera do aniversariante. A esta altura, cada qual estava interessado em participar dos arranjos e curiosos com as surpresas.

Wakanerefy estava preocupado com o que dissera a Antwood. Imaginava se havia dado todos os conselhos necessários; talvez sim, talvez não; era esta a questão do conflito, mas esperava que tivesse mesmo dito tudo, pois havia alguns detalhes de suma importância que não poderiam ser esquecidos, como devolver as chaves do laboratório e da gaveta.

Mais do que nunca restava a ele esperar o desenrolar dos fatos. E se alguma coisa de mal acontecesse ao amigo? o responsável seria ele. Porém, não havia outra alternativa, senão esperar os acontecimentos, bons ou maus.

Wakanerefy, um tanto quanto confuso ainda, encaminhou-se à solenidade. Entrementes, passando por entre ele colegas e amigos, foi sentindo o carinho de todos e não tardou a sentir remorsos e arrepender-se de que havia combinado com Antwood, mas, infelizmente, não dava mais tempo mesmo. Sua mãe acabara de chamá-lo para o momento de apagar as velas.

Nesta atmosfera, todas as crianças e adultos se acotovelavam, disputando um lugar melhor e se preparavam para participar do grande momento.

Georhely, à frente da mesa, procurou Hokerh e ao encontrá-lo disse-lhe:

- Querido... quer fazer a gentileza de desligar as luzes e acionar o sistema?... Surpresa!

Com a sala às escuras, Georhely afastou-se e com suave toque em um pequeno instrumento que tinha nas mãos fez com que, de súbito um cilindro colocado no centro do bolo desse início a um maravilhoso espetáculo eletrônico.

As pessoas ficaram fascinadas pela riqueza das cores e efeitos que tomavam conta de todo o ambiente; nos telões surgiam frases e desenhos geométricos, tudo em incrível velocidade, misturando-se, confundindo-se. Raios de luzes de diversas cores, aos milhares, desenhavam no espaço curvas, linhas e muito mais. Seus olhares extasiados seguiam o efeito estroboscópico de toda aquela parafernália e a infinidade de cores movendo-se de um lado para o outro, subindo e descendo, com as tonalidades apresentando, a cada instante, mais efeitos de rara beleza.

Ninguém dizia uma palavra sequer, ouviu-se apenas urros e sons ininteligíveis, tamanho era o clímax visual e auditivo reinante. O efeito culminou com a imagem de Wakanerefy projetada em terceira dimensão no centro do espetáculo, com legendas coloridas correndo em 360 graus, cumprimentando o aniversariante.

Aos poucos, a intensidade de luzes e efeitos foi diminuindo e Wakanerefy fundiu-se com a sua própria imagem. Georhely apertou novo botão e uma forte luz azul de uma só vez, como por encanto, acendeu as velas do bolo e desapareceu diante os olhos de todos, como se não houvesse existido. Fascinados e boquiabertos, gritaram "Bravo" várias vezes e começaram a cantar os parabéns.

De súbito, ouviu-se uma forte explosão e acabou o clima de confraternização . O silêncio aterrorizou o ambiente. Wakanerefy parou de sorrir e seu rosto cobriu-se de sombras, pois a intensidade sonora fora maior do que prevista; mas, como qualificar o verdadeiro motivo de tanta potência?...

Pálido e com tremores pelo corpo, correu em direção ao laboratório, cruzou com seu pai, que foi detido com perguntas de dezenas de pessoas. Georhely pedia à todos que se acalmassem, que não havia motivos para pânico. Afinal, sabia que o barulho deixou a todos muito assustados.

Wakanerefy, mesmo assim, foi o primeiro a chegar, entrou e ficou assombrado, não vendo sinal de Antwood. Uma monstruosa quantidade de cacos espalhava-se por todo o recinto. Uma sensação pessimista se apoderou de Wakanerefy, seu sentimento de culpa cresceu. Correu à sala pois, como havia combinado, Antwood deveria misturar-se com os seus amigos.

Hokerh conseguiu, com palavras, se livrar da massa humana que o cercava e dirigiu-se ao laboratório. Ao chegar, deu de encontro dom Wakanerefy, que pediu desculpas e continuou correndo como um desesperado, seu pai estranhou sua atitude, mas não deu muita importância e entrou para verificar as causas do fenômeno da explosão.

Wakanerefy, quando chegou à sala, para o seu maior espanto, não encontrou Antwood em parte alguma. E ao sair, encontrou-se novamente com o seu primo Paosy que lhe perguntou:

- Waka, o que aconteceu com o seu gato Ketty? Faz tempo que não o vejo... será que sumiu?...

- Desculpe-me, não sei!... e você não tem nada a ver com o meu gato, está certo?

Paosy, espantado com a brusca resposta do primo, disse-lhe:

- Desculpe Waka, não queria magoá-lo com algo tão banal. Além do mais, não tem nada a haver mesmo.

- Eu é que lhe peço desculpas, fui rude com você, Paosy. Perdoe-me em lhe ter respondido assim, estou um pouco nervoso.

- Nervoso por que, Waka?

- Não sei, talvez à toa...

- À toa ninguém fica nervoso, acho que deve existir algo estranho atrás de sua impaciência, não é verdade?

- Talvez sim, talvez não....

- Está bem, Waka, não vou lhe fazer mais perguntas. Não tenho nada a ver com o seu gato, mas acho que deve ter se assustado com o barulho e fugiu...

- Muito obrigado pela sua opinião, mas se você quiser fazer um grande favor, deixe-me a sós, tá legal?!

- Está certo... não precisa engrossar, até mais tarde.

Wakanerefy continuou a fazer buscas.

Enquanto vasculhava a casa, seu pai fazia o mesmo no laboratório, à procura das causas. Estava em sua companhia seu sobrinho Aloffins. Em dado instante, este percebeu a falta de um vidro de compostos inflamáveis na prateleira 15. Esta ausência foi o suficiente para Hokerh tirar suas conclusões, ao examinar cuidadosamente as manchas espalhadas em quase todo o solo e paredes. Agora faltava somente saber o que havia motivado a queda do vidro. Felizmente, não demorou muito, encontrou a prova final ao notar atrás de um transformador elétrico, um gato em péssimas condições e tudo se esclareceu.

Hokerh terminou a averiguação e voltou com Allofins para a festa, sem nada dizer a ninguém sobre o que vira. Por outro lado, Wakanerefy, continuava, já desesperado, à procura do amigo e sombrios pensamentos vinham-lhe à mente, terminando com lágrimas em seus olhos, sentindo o peso da culpa pela possível morte de seu fiel companheiro.

Hokerh, intrigado, estava à procura so filho. Ao encontrá-lo, este correu em sua direção e começou a chorar. Seu pai, impressionado, perguntou-lhe:

- Por que está chorando desta maneira?... o que lhe fizeram de mal?...

- A mim nada fizeram, estou triste por causa do Ketty, ele desapareceu... não consigo encontrá-lo em parte alguma.

- É... realmente Ketty sumiu...

Wakanerefy, ato término da resposta, admirava a desculpa dada, usando o seu gato como motivo de sua verdadeira angústia.

Hokerh compreendeu o problema de seu filho e para não chocá-lo sobre a morte de Ketty, disse-lhe:

- Ora, isto não é motivo para choradeira. Talvez Ketty esteja passando a noite em companhia de seus amigos, do mesmo modo que você está fazendo agora e, amanhã, se não aparecer, então... nós iremos procurá-lo, está bem? Você vai ver, não só o encontraremos, como também uma pequena família de gatos.

Wakanerefy, com isto, fez um pouco de cena e enxugando o rosto, respondeu-lhe:

- Sim, talvez seja isso mesmo. Faço votos também que nada lhe tenha acontecido.

- Claro, você verá como o que eu lhe disse é verdade...

Hokerh, a esta altura, sentia como era difícil mentir para o filho, pois sabia muito bem que Ketty não mais existia. Tinha receios, pois isto não o aborreceu e, também, para evitar chocá-lo ainda mais.

Wakanerefy, depois de algum tempo, parou de chorar e agradeceu a seu pai e continou a busca de seu amigo.

Tudo transcorria numa atmosfera de insegurança, até que um dos convivas, Chakkes, subiu em cima de uma mesa e falou em voz alta para que todos o ouvissem.

- Por favor... prestem atenção... pelo menos sejam um pouco mais compreensíveis. tudo não passou de um plano muito bem bolado para nos assustar; eles conseguiram êxito, mas não é motivo para ficarmos parados feito estátuas, sejamos esportistas, vamos todos colaborar, fazendo desta noite a comemoração de aniversário mais encantadora e inesquecível para o nosso querido Waka!

Ao fim de seu discurso, pulou da mesa e ligou todo o sistema de audio no volume máximo. Ao som de músicas de sucesso, o jovem ganhava aos poucos novo ânimo, que já se espalhava a todos e não tardou para que o ambiente se tornasse feliz e descontraído, novamente.

A turma brava, comandada por Chakkes, foi provocando humor e alegria. Assim, risos e gargalhadas voltaram a ser ouvidos por toda a casa. As crianças voltaram a brincar com jogos eletrônicos, a assistirem telão... Chakkes animava sua turma imitando personalidades do mundo político e artístico. Os adultos aderiram, esquecendo o incidente e a festa foi chegando ao apogeu.

Mekko, irmão de Chakkes, mais tarde foi buscar em sua casa várias micro-fitas de vídeo. Queria mostrar aos seus amigos os últimos sucessos em vídeo, desde o musical mais badalado até às melhores aventuras de viagens interplanetárias.

Dividiu sua turma em vários grupos, por fim, os que quisessem assistir os vídeos deveriam subir para o quarto de Wakanerefy e os que não faziam questão de nada, que ficassem onde bem entendessem, mas não viessem atormentar.

O clima alegre predominava. Por outro lado, Wakanerefy continuava separado de tudo e de todos, encontrava-se no corredor de vidro opaco, próximo à garagem de sua casa. Caminhava sobre o chão de vidro, de um lado para o outro, triste e solitário, à procura do amigo.

Em dado momento, andando em direção à fachada de sua casa, Wakanerefy viu um veículo aproximar-se e, com medo que fossem os pais de Antwood, procurou esconder-se atrás de uma placa de vidro opaco. Ficou atento. Viu duas pessoas saírem do veículo e confirmou serem mesmo os pais de seu amigo desaparecido, arrastou-se pelo assoalho envidraçado até chegar à entrada da garagem e por lá ficou à espera dos acontecimentos. Tocaram a campainha; Wakanerefy ficou transtornado, pois achava que tivessem vindo buscar Antwood, diante da situação inesperada, tudo se confundia em sua mente; por isto, resolveu ficar mais algum tempo oculto, até a saída dos mesmos.

Do outro lado, as coisas eram bem diferentes da realidade de Wakanerefy, Churyn o pai de Antwood, com duas chaves na mão, disse a Hokerh:

- Viemos lhe trazer estas chaves, pois meu filho pediu para que entregasse ao senhor, ou então, a Wakanerefy. Infelizmente, Antwood sentiu-se mal e foi prá casa. Eu e minha esposa nos preocupamos, pensando talvez que meu filho não tivesse comunicado a alguém sobre a sua repentina saída e, para não causar confusões, viemos devolver as chaves.

Hokerh, ouviu tudo com atenção e respondeu-lhe:

- Só tenho mesmo a lhe agradecer, mas, como está passando o seu filho agora?

- Muito bem, felizmente. Já não há mais motivos para preocupação. Ele vem reagindo rápido e deve estar dormindo, protegido pelo centro eletrônico que, em caso de piora, se encarrega de corrigir ou dar o alarme. Amanhã acredito que já estará bom e, sob cuidados médicos, logo se restabelecerá.

- Bem,.. graças a Deus, está tudo bem. Para comemorar as melhoras de seu filho, aproveito a oportunidade de convidá-los para entrar e tomar uma taça de champanhe.

- Muito obrigado, Georhely. Desde já, aceite os meus votos e de minha mulher de feliz aniversário para seu filho.

Entraram e por lá ficaram até tarde. Enquanto isto, Wakanerefy, da garagem, por acaso viu sair um casal e logo imaginou se tratar dos pais de Antrwood. resolveu subir para o quarto da mãe, a fim de dar a impressão de que estava descansando por longo tempo. De Antwood, não sabia nada e uma idéia passava a lhe perseguir:

- Por quanto tempo você terá de ficar mentindo e fugindo de si mesmo?

Wakanerefy, estava cercado de incerteza e medo e carregava um sentimento de culpa pelo que havia acontecido ao seu melhor amigo.

Antes de subir as escadas, ficou parado por alguns minutos; admirava-se de ver os outros se divertirem a valer, livres de qualquer problema e ele, por causa de um estúpido capricho, trazia consigo um problema sem solução.

Começou a subir os primeiros degraus e foi interrompido quando um menino perguntou-lhe:

- Wakanerefy, por que você não vem brincar com a gente?... Vamos lá!...

- Não... muito obrigado... me desculpe, estou passando mal, fica para a próxima vez, tá!

- Não tem nada... vou procurar outro que esteja mais disposto a brincar. Tomara que você fique logo bom.

Wakanerefy continouou subindo as escadas e, para piorar ainda mais a situação, encontrou-se com os seus pais acompanhados pelos de Antwood. Um tanto nervoso e sem jeito, pediu licença, correu com rapidez e imediatamente entrou no quarto de sua mãe e seu cérebro, a mil, pensava:

- Os pais de Antwood aqui em casa! É evidente que estão à procura de Antwood! E agora, chegou o momento mais terrível... o que devo fazer agora?...

Os dois casais desciam as escadas quando Hokerh, estranhando mais uma vez a atitude de seu filho, desconfiou que estava preocupado com alguma coisa diferente, além do caso do Ketty. Pediu licença e subiu para o quarto da esposa.

Abriu lentamente a porta e ouviu o som baixo de choro. Entrou mansamente e, ao chegar próximo a Wakanerefy, tentou iniciar uma conversa, porém, não ouviu uma só palavra.

Para Hokerh, tudo lhe parecia muito misterioso: o problema que afligia o filho não era muito simples, ao que tudo indicava. Imaginou que talvez o fato de Ketty ter sumido, tivesse transtornado fortemente a emotividade de Wakanerefy.

- Meu filho, por acaso, não é por causa de Antwood que está assim? Não se preocupe, ele sentiu-se mal e foi para casa.

Wakanerefy, ao ouvir do pai esta brilhante notícia quase não acreditou e, emocionado, disse:

- Por gentileza, repita cada uma das palavras.

- Eu não disse nada demais. Só comentei se a sua preocupação é com relação a Antwood, pode esquecê-la, pois ele sentiu-se mal e foi para casa, sem nada dizer. Por isto, seus pais aqui vieram para dar este recado e convidei-os para ficarem...

Enquanto o pai falava, suas palavras tinham o sabor de dádivas, eram como um grande presente para Wakanerefy. Hokerh prosseguia, dizendo-lhe:

- Concluindo, o verdadeiro motivo da explosão, infelizmente, foi... Ketty...

- Ket... Ketty!... o que ele tem a ver com a história?

- Quer fazer o favor de calar a boca e ouvir com atenção?... Ketty, à procura de alimentos, entrou em seu laboratório... subiu para uma das prateleiras e lá chocou-se com um tubo de material explosivo. Na queda, levou a pior. O resto você já sabe.

Wakanerefy, a esta altura, sentia-se tremendamente aliviado. Finalmente o desfecho! Conhecia em síntese os reais motivos. Sentia muito a perda de seu gato Ketty.

Com tudo esclarecido, respirou aliviado, sentiu-se novo e pronto para novas aventuras. Agora imaginava:

- É... mais uma que passou... saí de uma enrascada e tanto. Ufa!... Quase...

O seu bom humor voltou, desta vez, com toda carga. Ria de sí mesmo ao imaginar que durante todo o tempo vivera um monstruoso pesadelo, criado por ele próprio. Acabou por aceitar a idéia de que tudo não passara de um exagero de sua parte.

Em dado instante, enquanto Wakanerefy filosofava mentalmente, Hokerh entregou-lhe as chaves dizendo-lhe

- Fique sabendo de uma vez, nenhuma das chaves do laboratório deve ficar caída pelo chão. Não atraia problemas com sua desatenção.

- Sim, senhor. Talvez por descuido de minha parte, estas tenham caído de meu bolso, mas prometo tomar mais cuidado e garanto que isto não voltará a ocorrer.

Wakanerefy, ainda comovido, agradeceu por tão boas notícias e, logo após, foi para o quarto. Pediu desculpas por interromper a sessão de vídeo, apanhou uma fita de micro-vídeo e disse a todos:

- Peço perdão a todos, mas vim para convidá-los para, dentro de meia hora, assistirem a um verdadeiro espetáculo. Conto com a presença de todos.

Wakanerefy, ouviu comentários, de que pareciam estar curiosos sobre o que seria o grande espetáculo desconhecido e retirou-se.

Descendo as escadas, encontrou-se com Berin, outro primo e disse:

- Berin, vou precisar de sua ajuda para fazer uma surpresa para o pessoal. Daqui a meia hora, quero que esteja pronto. Você pode ajudar-me?

- Claro Waka, seja o que for, eu estou a seu lado.

- Berin, obrigado... sabia que podia contar com você. Por favor, agora preste atenção!... Vou ficar aqui na sala, encontre-se comigo em frente ao laboratório, daqui a uns quinze minutos.

- Tudo bem, espero que o seu plano, desta vez, tenha êxito.

- Curioso... também espero.

Os dois tocaram as mãos, cada qual foi para o seu lado. Wakanerefy dirigiu-se para os controles de audio e vídeo, colocou o seu micro-tape predileto. Depois, pediu para aguardarem mais alguns minutos o seu chamado.

Durante o suspense, Wakanerefy dançava com amigas o Tranny, dança da moda jovem eletrônica. Agora sentia o gosto de divertir-se sem grilos.

Berin, na hora marcada já estava à espera. Wakanerefy chegou. conversaram durante algum tempo. Em seguida, entraram no laboratório e, com a ajuda do primo, o tempo perdido foi bem recuperado.

Saíram juntos, carregando uma enorme caixa de madeira e, como era pesada, resolveram colocá-la em cima de um carrinho de rodas.

Seguiram em direção ao jardim e, do lado oposto da piscina, montaram vários enfeites, repletos de pequenos tubos de papelão. Em seguida, começaram a colocar uma considerável quantia de pavios e, ao uni-los, um pavio mestre, que daria início ao show.

O último check-in foi realizado; tudo estava de acordo e não havia nenhuma combinação errada. A seguir, voltaram à grande sala. Wakanerefy colocou o seu micro-tape para exibir uma reportagem feita ao vivo, em Marte, com uma equipe de astronautas e cientistas de quase todos os pontos do globo. Quando a fita estava chegando ao final. Wakanerefy correu para o jardim para acender a pira.

Quando todos chegaram. Wakanerefy pediu para as pessoas se afastarem um pouco de volta da piscina e disse:

- Bem... como prometido, terão a oportunidade de assistir ao espetáculo pirotécnico espacial... Lá vai!... Um... Dois... Três... Fogo!.

Teve início a queima de fogos de artifício. Novamente um novo show de cores naturais e movimentos incríveis, ainda mais misturando os reflexos com a água da piscina e com o verde, que dava um reflexo todo especial aos vegetais. A música eletrônica, vinda do fundo, criava a atmosfera de um mundo desconhecido.

Ao final de centenas de estouros fortes, o show chegou ao fim, deixando como recordação as cinzas, que se encontravam espalhadas pelo chão. Emocionados com tamanho happy end, os convidados retiraram-se.

Não restando mais nenhum, Wakanerefy foi correndo ver os presentes ganhos e que ainda nem tivera tempo de abrir. Desembrulhou um por um e encontrou algo que o fascinou: uma luneta de longo alcance.

Excitado, subiu rápido para seu quarto e não perdeu tempo: montou a luneta calmamente e, ao terminar, ficou muito tempo admirando os astros do Universo.

A lua lá estava, tão perto como nunca. Tinha a nítida impressão que com uma das mãos poderia tocar em sua superfície arenosa. Depois, foi à procura de grandes e pequenos planetas. Naquele momento, percebeu que algo de novo nascia dentro de si; um interesse que, paulatinamente, iria aumentar com o passar do tempo.

Em seu delírio celeste, Hokerh passou em seu quarto e ao vê-lo, disse-lhe:

- Wakanerefy, desculpe... mas já está um pouco tarde. É melhor você dormir, afinal, hoje foi um dia muito agitado. Amanhã à noite poderá continuar admirando os corpos celestes.

- Tá bem... Puxa vida, estava somente dando uma olhadinha. Boa noite, papai.

- Boa noite, meu filho... até amanhã; sonhe com os anjos de Netuno.

Hokerh beijou o filho no rosto e foi embora. Wakanerefy colocou o pijama e, quando terminou de escovar os dentes, voltou para o quarto, deitou-se e, antes de dormir, lembrou-se de dar um nome especial aquele dia repleto de aventuras, suspense, emoção... terminou por escolher Kettyblim.

Enquanto o sono não o vencia, continuou pensando nas maravilhas que viu no Espaço Sideral e um novo sonho surgia, de um dia conhecer o Universo e, assim, terminou por dormir.

No dia seguinte, após o desjejum. Hokerh dirigiu-se ao laboratório a fim de terminar a limpeza dos resíduos químicos, ainda espalhados pelo recinto. Iniciou pelo chão, depois, fez limpeza de todas as gavetas e abrindo uma delas, encontrou por detrás de uma pequena caixa de tubos de ensaio, um pequeno potinho de chumbo, e ao vê-lo mais de perto, notou o cuidado de sua confecção. Desconfiado, tratou de abri-lo. Ao notar a cor e o odor de seus compostos químicos, percebeu o perigo. Caminhando para perto da torneira, com cuidado anulou com água o risco de uma futura explosão que poderia ser ativada quer por calor, atrito ou choque.

Logo que acordou, Wakanerefy foi chamado pelo sistema de comunicação interno para ir ao laboratório o mais rápido possível. Wakanerefy; preocupado, trocou de roupa e imaginou uma porção de desculpas.

Ao chegar, deparou, além de seu pai, a sua mãe. Não demorou muito para certificar-se do mal humor de ambos. Hokerh apanhou o potinho e caminhou em direção a Wakanerefy, até chegar diante dele, levantou o explosivo sem pronunciar uma palavra sequer.

O silêncio dominava o ambiente; em dado instante, foi quebrado por Hokerh, que perguntou:

- Com quem você aprendeu a fazer explosivos tão poderosos?

Wakanerefy, ainda assustado, olhos nos olhos de seu pai, resolveu contar toda a estória. Demorou um pouco a criar coragem, mas, por fim, emocionado, começou a descrever tudo.

Ao final, quanto terminou a narrativa, Hokerh disse-lhe:

- Bem... acredito em suas palavras, por isto, está desculpado mas da próxima vez, tome mais cuidado com suas experiências, e não faça somente por diversão, e sim, para aprender também, principalmente se é que você quer ser um cientista.

- Sim senhor, pode deixar que para o futuro tomarei mais cuidado...

Hokerh, com ar sereno interrompeu:

- Nada de tomar mais cuidado, e sim, a partir de agora!...

- Está certo... Foi só força de expressão... Foi sem querer... não precisa ficar zangado...

Wakanerefy, dizendo-lhe isto, lembrou-se de algo e com voz serena disse-lhe:

- Papai, não sei se vale a pena contar-lhe, mas...

Georhely sentindo o clima mais ameno, retirou-se para dar continuidade aos afazeres diários, enquanto seu filho tentava conversar com o pai. Este, notando a dificuldade de comunicação, perguntou-lhe:

- O que você acha que não vale a pena contar para o seu pai, hein?

- Não sei se vale a pena... mas, desde ontem estou pensando na formação do Universo. Desde que apanhei a luneta, a minha maneira de pensar está mudando e tenho muitas perguntas sem respostas. Por isto, não seria nada mal se o senhor comprasse algumas fitas, livros... para que eu pudesse estudar um pouco mais este Universo Infinito. Afinal, ele é tão grande e tem tantos segredos... qual a opinião do senhor em ter um filho cosmólogo?!...

- Ótimo... muito bom, pode contar comigo para tudo que precisar.

Com a resposta positiva de Hokerh, Wakanerefy o abraçou carinhosamente.

- Obrigado, velho?... o senhor é um verdadeiro Papai Noel o ano inteiro!.

Hokerh achou graça e voltaram para a sala, onde aguardaram o almoço. À tarde, aproveitaram para passear pela cidade e procurar vídeo livros.

Os anos passaram e Wakanerefy foi tomando gosto pela ciência, fazendo de seu laboratório o maior divertimento.

 

3. TÉRMINO DE UMA INFÂNCIA

Wakanerefy, aos quatorze anos, teve sua primeira namorada, que chamava-se Kerin Ank. Conheceu-a em uma vernissage, em sua cidade.

Kerin Ank tinha a mesma idade. Era loira, olhos castanhos, corpinho bem feito, sem dúvida uma bela menina. Era conhecida como o encanto dos moradores de Senktoweed.

Wakanerefy tivera muita sorte mesmo na conquista de sua primeira namorada. Sabia perfeitamente que era admirada pelos amigos de escola, mas não dava muita bola. Só se importava em ser um namorado carinhoso e dedicado.

Certo dia, no Mughin, restaurante badalado da juventude local, Wakanerefy em companhia de sua bela garota, descrevia seu mais recente problema:

- Ank... eu preciso apresentá-la aos meus pais, pois, quero dar uma satisfação a eles de meu relacionamento. Desculpe-me se isto a incomoda.

- Waka... não peça desculpas, quanto a mim, não há nenhum problema... por que você não escolhe um dia desses?

- Ótimo, quer dizer que você concorda em conhecer a minha família?

- Sim... já escolheu a data?

- Ainda não... Deixa eu pensar um pouco. Já sei, vou escolher o dia 25 de Março. Encontro você no Tanghuim, depois da sua última aula, está bem?

- Por mim, está ótimo.

Continuaram conversando animadamente, até que chegou o horário de Ank ir para o colégio. Wakanerefy acompanhou-a e de lá despediu-se, relembrando para não esquecer do combinado.

Wakanerefy, feliz e com tempo de sobra, rumou para os estúdios da televisão AWX Ghabb’s. Encontrou-se com alguns amigos no estúdio 22, onde conversou demoradamente sobre suas experiências sentimentais.

O assunto se esgotou quando a nova equipe de trabalho estava sendo substituída. Após a apresentação à nova turma, Wakanerefy se despediu, prometendo voltar outro dia.

Wakanerefy, a caminho de casa, imaginava:

- Puxa vida, é a primeira vez que isto me acontece, penso que mamãe vai gostar dela. Papai, acho que ele estará na CCM, mas acredito que não haverá problema!

Tinha confiança em sí e uma boa dose de otimismo, pois muito se orgulhava de sua namorada e por isso queria apresentá-la em breve a seus pais.

Wakanerefy, jantou ao lado de sua mãe, contou sobre o seu curso de Cosmologia, a visita aos novos estúdios de televisão com efeito tridimensional, som estéreo com filtros especiais (dolby) e outras coisas.

Ao final do jantar, encaminhou-se para o laboratório, a fim de continuar a pesquisar seus explosivos, denominados Cfs-Nz-17. Iniciou os primeiros testes e, atentamente, tomava nota de todos os produtos usados, como porcentagem, reação, potência... e também, para que não viesse a esquecer as fórmulas empregadas.

Perto já da madrugada, exausto, subiu para o quarto e, não mais resistindo, dormiu.

No dia seguinte, à tarde, foi aos estúdios Ghabb’s. Adorava o intercâmbio de micro-fitas; curtia muito aquele universo de botões, chaves, centenas de luzinhas coloridas. Por inúmeras vezes, teve a oportunidade de tocá-los, dirigir programas, emitir e receber imagens do exterior via laser.

Wakanerefy conquistara mais dois novos amigos, com os quais trocava informações científicas, eletrônicas e filosóficas. Sem dúvida, em muito contribuía para acelerar seus pensamentos.

Naquela noite, como de costume, após o jantar voltou novamente para o laboratório; os progressos continuavam na área da Cfs-Nz-17, mas não lhe saia da cabeça a chegada do grande dia.

No dia marcado, Wakanerefy levantou-se com uma disposição de tigre e com fome de elefante. Durante o desjejum, conversou animadamente com a mãe, preparando seu espírito, descrevendo em detalhes sua namorada. Depois, foi ao restaurante Tanghuim, ansioso, excitado, pensando em muitas coisas. De repente, um amigo de Ank foi ao seu encontro. Convidou-o para sentar-se e tomar algum refresco, depois, perguntou-lhe:

- Sunseet, você viu Ank na escola?

- Ank!... sim, eu a vi. Ela deve estar na última aula. Falando nela, como vai o seu namoro com aquela maravilha?

- Meu namoro vai bem. Imagina, hoje vou apresentá-la à minha mãe.

- Não me diga, paixão mesmo?

- Acho que é!...

- Puxa! Meus parabéns, tudo de bom para você. Sucesso!

- Obrigado, chapa!

A conversa foi agradavelmente interrompida com a chegada de Ank. Sanseet despediu-se e ambos, Wakanerefy sentia despontar em si uma imensa vontade de transmitir tudo aquilo que sentia por Ank, por meio de palavras carinhosas e repletas de doçura, porém, não sabia por onde começar.

- Ank, ontem a noite, estive pensando sobre nós e confirmei o quanto a amo... amo muito... acredite. Sem dúvida, você é o meu primeiro e verdadeiro amor. Não quero perdê-la!.

Ao término da declaração, embaraçado e sem muito jeito partiu para novo assunto:

- Então... correu tudo bem na última aula? Algum teste hoje?

- Sim, hoje correu tudo bem. Além do mais, tivemos um debate exaustivo.

- Debate... qual foi o tema explorado?

- Complicado, energia nuclear aplicada. Felizmente, consegui obter boas notas, mas, para ganhá-las, defendi com toda força a teoria de um companheiro de classe.

- Qual é a teoria?

- Pollopolis é partidário de que no núcleo atômico existem partículas ainda menores, mas, muito menores mesmo. E os núcleos destas sub-partículas são responsáveis pelo fator gravidade, constituindo assim, parte comum no Universo.

- Se teu amigo estiver certo, isto explica a gravidade e não só o movimento dos astros, como também, para onde caminha o Universo... interessante!

A troca de teorias continuou. Ao final do lanche, rumaram em direção à casa de Wakanerefy. Lá chegando, notaram grande silêncio. Ank curiosa, pergunta:

- Será que sua mãe não está?

- Não sei, ela não disse nada de manhã. Caramba!... eu esqueci, ela foi para a cidade visitar uma velha amiga, mas, acho que não demora. Vamos ver se tem algum recado no Vídeotrans.

Logo em seguida chegou Georhely, Wakanerefy se preparou para a apresentação oficial, dizendo-lhe:

- Olá, mamãe... quero que conheça Kerin Ank, minha namorada.

- Muito prazer, Ank... estou felicíssima por esta oportunidade... confesso estar realmente encantada em conhecê-la, seja bem-vinda à família. Só espero que meu filho esteja se comportando bem.

- O prazer é todo meu. A senhora é muito bonita. Quanto a Waka, não se preocupe... carinhoso, bom e um perfeito cavalheiro.

- Ank, por favor... também sou jovem, pode me chamar de você. E por favor, desculpe ter esquecido do horário.

Não se repetirá. Antes de mais nada, Ank, para você, desejo muita felicidade e que tenha ao lado de meu filho... tudo aquilo que realmente procura.

Emocionados, ambos agradeceram e continuaram a conversar de forma descontraída. Georhely, como não poderia deixar de fazer, notava todos os movimentos de Ank, gostou dela, certificando-se do que sentira em relação à primeira namorada do filho.

Ao final de sua análise, Georhely levantou-se e disse ao jovem casal:

- Dêem-me licença, vou preparar um lanche para nós, estará pronto daqui a pouco... Vocês não acham uma boa idéia?

- Ótimo, é muito amável de sua parte.

Depois, terminaram o lanche e o assunto foi se estendendo um pouco mais, até que Ank, ao olhar para o relógio, disse:

- Querido, sinto muito. A senhora... quer dizer, você desculpe, mas, é que preciso ir. Está na hora de voltar para casa.

- Está bem, então mamãe, até daqui a pouco, vou acompanhá-la e não demoro muito.

- Pode ir, meu filho... cuide bem de Ank, adorei a sua garota.

- Pode deixar, protegê-la é a minha especialidade.

- Boa noite para vocês. Ank, a você tudo de bom e volte sempre.

- Muito obrigada... até outro dia.

- Até!

Pelo caminho de alguns quarteirões. Wakanerefy contava sobre os elogios que a sua mãe lhe havia feito confidencialmente.

De súbito, em um momento que ambos foram atravessar uma larga avenida. Ank adiantou-se e foi pega por um veículo que corria em direção contrária. Ao ver, Wakanerefy deu um grito de intensa dor. Infelizmente, não houvera tempo para nada.

Atônito, ao lado do corpo de Ank, reparou que o veículo do tipo Ghuginim 2 215 TX, não pertencia a seu bairro. Sentiu-se por demais chocado, parecia tudo irreal, confuso e sem nexo, duro demais para ser verdadeiro.

A porta do veículo, abriu-se, um indivíduo de média estatura saiu cambaleando. Wakanerefy não conseguia controlar uma nova força dentro de seu ser: o ódio.

A esta altura, a multidão tomava conta do local. Votos de pêsames eram ouvidos, todos lastimavam o triste acontecimento. Por segurança, detiveram o motorista para que não tentasse, eventualmente, a fuga. Já aliás, não teria forças, pois mal conseguia manter-se em pé.

Wakanerefy, desorientado e andando em volta do corpo de sua garota, procurou conter seu ódio. A ausência de vida, sua impotência perante o sinistro, o arrastavam ao desespero. Afinal, poucos minutos atrás, aquela bela jovem estava sorrindo e alegre ao seu lado; agora, desgraçadamente, sem vida. As lágrimas começaram a cair, uma sensação estranha e incontrolável dominou seu espírito.

Em passos curtos, fora de si, queria vingança. Foi em direção àquela criatura desconhecida. Chegando próximo, olhou fixamente nos olhos daquele homem, e a violência tomou conta de seu ser. Desferiu uma série de movimentos bruscos, atingindo-o com inúmeros socos e ferindo gravemente a perna dele.

O público assistiu inerte a tudo aquilo. Com isto, parecia existir uma cumplicidade de todos no fato. O homem ferido, não resistindo às dores, tombou ao solo com algumas hemorragias e, mais uma vez, ninguém tentou ajudá-lo.

O silêncio da massa continuava, a tristeza tomou a todos. O dia daquele bairro pacato não seria o mesmo. Nenhuma pessoa acreditava na notícia da morte de Ank, era realmente inacreditável.

Por outro lado, Wakanerefy, sem receio, aguardava a chegada das autoridades, mesmo continuando abalado. A cena o chocava. No chão, amor e ódio.

Logo chegaram ao local viaturas de polícia, acompanhadas de várias ambulâncias. Durante o levantamento de perícia, a multidão dissipava-se; não havia uma pessoa disposta a relatar o fato. Enquanto técnicos gravavam os pontos demarcados e isolados do acidente, outros elementos liberaram os corpos para as ambulâncias.

Ao visto, Wakanerefy seria a única testemunha a relatar o acontecido. Neste instante, passava a seu lado, carregado em uma maca eletrônica, o alcoólatra. A seguir, com uma dor incrível, viu o corpo de sua amada ser colocado em um retângulo de cristal e ser transportado por quatro policiais.

Wakanerefy, não conseguiu conter as lágrimas. O comandante pediu para Wakanerefy narrasse os fatos. Com um lenço, limpou o rosto molhado e, em seguida, sem hesitação disse:

- Sim... eu o matei! Matei por ter furtado a vida de uma criatura tão incrível.

Mal terminara de falar, quando um desconhecido surgiu da pequena massa e, desmentiu suas palavras. Confiante disse:

- Todos aqui estão de testemunha, este jovem está escondendo o verdadeiro motivo, defesa própria. Eu mesmo vi com estes olhos.

Nisto, um dos policiais perguntou-lhe:

- Então, jovem... onde está a sua prova?

- Pois não... o senhor a quer?... então vamos lá!

O estranho fez uma pausa, dirigiu-se aos presentes e em voz alta disse:

- Pergunto á consciência de cada um... foram verdadeiras ou não, as minhas palavras?.

O silêncio predominou, mas, em dado instante, todo o público em coro clamava:

- Defesa própria!... Defesa própria!

Wakanerefy, confuso, consultou um dos policiais, que lhe disse:

- Estão tirando a culpa de você e tentam provar a sua inocência, não vai ser difícil conseguir testemunhas a seu favor.

O mesmo jovem, aproximou-se de Wakanerefy, com lágrimas nos olhos e disse:

- Fica frio! sou Edwardyn, primo de Ank.

Calou por mais alguns minutos, depois, ao ver nova chance, sussurrou:

Para todos, você é inocente e assim deve continuar. Não faça nada para se complicar.

Wakanerefy, agradeceu o incentivo, dizendo-lhe:

- Obrigado... algum dia lhe recompensarei.

- Sem essa, deixe de bobagens... em nome de nossa querida Ank, você não me deve nada. Por outro lado, eu é que tenho de agradecer-lhe, pelo seu gesto de heroísmo.

- Hei, Edwardyn, aí vem um policial!

Este se aproximou de Wakanerefy e disse:

- Parabéns rapaz! Sua garota tinha um prestígio inacreditável. Acredito que se você não a tivesse defendido, a cidade o faria por conta própria.

Wakanerefy, neste instante, desabafou:

- Jamais esquecerei este maldito dia!

- Amigo, outros dias virão; é a regra da vida. Daqui para a frente, o tempo será seu melhor amigo. Não se esqueça disto.

- Muito obrigado, é saudável receber palavras de alento de pessoas que a gente nem conhece.

- E tem mais, para todos, você é inocente e vai continuar assim, entendeu?

.Wakanerefy terminou por aceitar a imposição da sugestão e, além do mais, não havia motivo para receios.

Ao chegarem na delegacia, Wakanerefy, pressentindo a preocupação de sua mãe, pediu permissão para ocupar o Vídeotrans, sentado em um pequeno banco diante do sistema televisivo.

Georhely ouviu o relato sobre o acidente e disse que dentro de poucos minutos iria vê-lo e pagar sua fiança se necessário fosse.

Real ou irreal tudo que ouvira, dirigiu-se o mais rápido para a delegacia. Lá chegando, falou com o delegado titular de plantão e pediu para que a levassem até o seu filho.

Escoltada por dois guardas, dirigira-se à cela de Wakanerefy; a cada passo, Georhely sentia-se agredida pela depressão do ambiente; imagens inesquecíveis. Ao chegar à cela, perguntou:

- O que está havendo com você?

- Nada de mais. Só estou muito abalado, e não vejo a hora de deixar este lugar horrível.

Neste momento, por um moderno sistema de circuito fechado de televisão computadorizado, o delegado afirmou que seria libertado dentro de mais alguns minutos.

Em seguida, aproximou-se um policial com documentos para serem assinados. Ao abrir a porta, disse:

- Wakanerefy é só assinar aqui, por gentileza, a senhora também. Ah, caso lhe interesse, o infrator foi salvo por uma equipe suprema. E no relatório diz que o indivíduo não era alcoólatra.

O guarda pediu que os dois o acompanhassem. Enquanto caminhavam, falou:

- Ah, e antes que me esqueça, ouvi dizer que receberá alta em breve, retornando para Envimkaw.

- Por favor, senhor... desculpe-me a distração, mas... qual é mesmo o nome da cidade?

- Pois não, Envimkaw.

- Obrigado.

Wakanerefy, diante da exposição de novos fatos, começou a compreendê-los de uma maneira mais lógica, chegando a novas conclusões.

No carro, de volta para casa, durante a repetida explanação, Georhely interrompeu e perguntou:

- Afinal, qual o motivo de perguntar o nome da cidade?

- É simples, esta é a cidade próxima de papai.

- Não entendi!

- Também não, apenas casualidade!

Nada mais disseram. Ao chegarem em casa, encontraram Mhartim e Tellet, pais de Kerin Ank. Estacionando o carro, foram surpreendidos por Mhartim, que aproximou-se de Wakanerefy, sacou uma perigosa arma e, começou a dizer:

- Jamais poderia pensar tal coisa de você, mas... nunca pensei que fosse um assassino!

- Com este novo tropeço, tanto Wakanerefy quanto sua mãe ficaram confusos. Wakanerefy, paciente, procurou acalmá-lo dizendo:

- Senhor!, sempre amei sua filha e, jamais seria capaz de fazer algo que a magoasse; o que diz, não tem fundamento... é falso!.

Mhartim, com a arma na mão, o seguia em direção à entrada da casa, dizendo:

- Não aceito desculpas de moleque; um criminoso que levou minha filha para a morte, tem que morrer!

- Por favor, meu senhor... continuo não sabendo nada do que está dizendo. Juro, não tem motivo de chamar-me de assassino.

- É melhor calar a boca, estou sabendo de tudo. Seu cafajeste!

Com esta frase fulminante, Wakanerefy sentiu-se agredido moralmente. Procurou se controlar mais uma vez e ignorar aquelas palavras.

- Bem, o senhor acredita que sou o responsável pela morte de sua filha, o que não é verdade, mas, antes gostaria de saber o que o levou a crer nesta história, pois não passa de uma grande mentira.

Mhartim fez uma pequena pausa, parou a uma mínima distância e seguido do olhar inseguro de sua esposa, disse:

- Está bem, como um último favor à sua pessoa; fui informado esta tarde que a minha filha havia sido assassinada em uma avenida... quando ao atravessar a rua, ao lado de seu namorado, foi jogada de propósito debaixo de um carro. Resumindo, o namorado só podia ser você!

Neste exato momento, mãe e filho começaram a compreender a loucura daquele pai mal informado. Wakanerefy chocado com tanta mentira, disse:

- Sabia de uma coisa, senhor! esta notícia, somente pode ter sido criada por um indivíduo inescrupuloso, que quer muito me prejudicar, pois, ao contrário do que diz, tentei salvar sua filha. É posso até imaginar quem inventou esta estória.

- Qual é o nome dele, rapaz?

- O nome dele... só pode ter sido um de bem baixo nível! Seu nome é Sharrim e mais ninguém!

- Sim, o nome dele é este mesmo, mas... isto não importa, pois como posso saber quem está falando a verdade?

Georhely, até aqui, passiva ao extremo, seguiu à frente do filho e, sem nenhum temor, disse:

- Vamos por um ponto final. O senhor tem plena liberdade de duvidar das palavras de meu filho, mas, eu lhe garanto que são verdadeiras, pode acreditar...

Wakanarefy interrompeu, dizendo:

- Inclusive o senhor poderia confirmar com o seu sobrinho, Edwardyn, que assistiu tudo, e ainda me ajudou.

De súbito, um vulto se aproximou, na calçada oposta. Mharthim, mais do que depressa, escondeu arma no bolso externo de seu casaco e disse:

- Nenhuma palavra a mais!

A pessoa distante, mudou de calçada e veio em direção a eles. A medida que se adiantava. Wakanerefy pode reconhecer a silhueta, tratava-se de Bewxy, a filha de sua vizinha.

Ao chegar, cumprimentou a todos, depois, olhando para Wakanerefy, disse:

- Meus sinceros pêsames... mas, aceite também os meus sinceros parabéns, você realmente merece, por ter feito algo contra o alcoólatra que matou sua garota. Senti muito o acontecido e, mais uma vez, aceite meus profundos pêsames.

Um breve silêncio e, de repente continou:

- Ah, antes que eu me esqueça, fique prevenido e tome cuidado, pois, alguns dos seus amigos que não gostam de você lançaram um boato na cidade de que a culpa foi sua. Por isto, cuidado!

Em seguida, despediu-se e continuou a caminhada. Com esta revelação expontânea, os pais de Ank tomaram uma nova posição. Mhathim desligou a arma e, arrependido pediu desculpas.

- Peço-lhes perdão pelo que fiz... Qualquer pai que ama sua filha o faria. Sem dúvida, no imediatismo dos fatos, a minha primeira reação, foi sair à procura de você. Felizmente, agora entendo tudo.

Ao término, Georhely disse:

- Wakanerefy simplesmente foi envolvido neste boato por motivos alheios à sua vontade. Eu compreendo o quanto é duro para um pai, ou mãe, de repente, perder a filha; que são anos e anos de sacrifícios e amor perdidos em fração de segundos.

Os pais de Ank se despediram e foram embora, tristes e envergonhados, compreendendo quão precipitada fora sua atitude.

Ao chegar em casa, Wakanerefy foi para o quarto e não resistindo, começou a chorar. Georhely ouviu. Percebeu a gravidade de sua dor e evitou de intervir, pois o melhor seria de encarar mais a realidade, para libertar-se de sua angústia. Superando este dissabor, estaria mais preparado para o futuro.

Passando direto pela porta do quarto do filho, Georhely rumou para o seu. A resposta para todos os problemas de solidão de companheira -- pensava -- seria o próprio tempo. Ele, o melhor remédio.

O tempo foi passando, Wakanerefy foi se restabelecendo no trauma com o início de uma maturidade que despontava. Voltou, a ser forte e corado, como antes, só que agora, um pouco mais desenvolvido fisicamente.

Aos quinze anos, passou a freqüentar uma turma de seu bairro que se reunia quase diariamente em uma casa enorme, propriedade do próprio grupo. E de lá participava de jogos e campeonatos. Wakanerefy teve algumas vezes a chance de ganhar, e outras de perder. Porém, isto não o molestava, pois, o nome do clube era: Deller Tikko, que queria dizer no idioma local "Os Bem Humorados" . E caso alguém perdesse o humor, perderia também a carteira de sócio e, automaticamente, passaria a ser visado e marcado pela associação, até que um dia acabaria por levar uma surra, como resposta à quebra dos princípios de estatutos.

Certo dia, os jovens tinham como missão dar uma nova sova em Minanrow, um ex-sócio. No programa constava o horário da saída da última aula. O motivo: traição a um dos membros da diretoria do Clube.

Depois do almoço, quando alguns sócios se reuniram, resolveram escolher o cabeça. No decorrer da votação, todos aguardavam o nome do favorito e cada um torcia em favor do seu candidato.

Ao final do cômputo das urnas, o chefe Kijeran, dirigiu-se à platéia, fez um pouco de suspense, e disse:

- Atenção, pessoal... o nome do vencedor é... um novato, chama-se...

Kijeran, com muita classe, insistiu em fazer mais um pouco de mistério, o que deixava a molecada ainda mais ouriçada. Por fim, terminou dizendo:

- O grande mérito vai direto para... Wakanerefy Templeyn Towmmor.

No mesmo instante, o vencedor, ao contrário dos demais, não ficou nem um pouco feliz com a escolha. Caminhou lentamente em direção à mesa julgadora. Durante seus passos, inúmeros votos de confraternização foram ouvidos. Todos parabenizavam o eleito.

Ao chegar, durante a felicitação do presidente e ao entregar a Wakanerefy o pacote, que continha os pormenores da missão, ele surpreende a todos dizendo:

- Honestamente, o meu muito obrigado por tudo, principalmente, pelos votos, mas... não poderei, por motivos particulares, participar desta missão.

Irromperam as primeiras vaias.

- Não me incomoda que debochem de mim, não vejo nenhum motivo tão grave, para que um associado seja obrigado a cumprir ao pé da letra, todos os estatutos. Além do mais, tenho a minha vida particular e, sendo o único responsável por mim mesmo, sei quando posso deixar de cumprir um compromisso.

Durante suas palavras, todos haviam parado de vaiar. Wakanerefy, aproveitando a atenção que lhe prestavam, continuou dizendo:

- A razão de minha inscrição na sociedade foi a de estar à procura de novas aventuras. Não é aventura, de maneira nenhuma, ficar à espera de um jovem à saída do colégio, para dar-lhe uma surra, querendo com isto, que ele pague por um erro cometido há algum tempo atrás. Desculpas a isto, jamais será capaz de dá-las, com isto estamos criando mais um inimigo para o futuro, ao invés de mantermos o amigo, que algum dia poderia ser-nos útil.

Espero que entendam as minhas razões para não aceitar esta missão. Antes de mais nada, o meu sincero muito obrigado por toda força que me deram.

Ao término, o tumulto tomava conta do recinto, pois alguns eram a favor, outros contra. As coisas começaram a complicar para Wakanerefy, quando outro membro da diretoria tomou a palavra e disse:

- Bem... calma pessoal... Baseado em nossos artigos e parágrafos dos compromissos dos sócios e o seu não cumprimento, somos obrigados a expulsá-lo!

A reação foi geral; alguns tentavam convencer a diretoria de que Wakanerefy deveria ter mais uma chance. No impasse, Mincripow tomou de novo a palavra, dizendo:

- Atenção!... Desculpem, em nome da presidência, infelizmente, não podemos mais ficar com um membro tão impotente, que não passa de um covarde!

Durante a sua fala, rasgou o pacote da missão, colocando todos os pedaços sobre a mesa.

Wakanerefy, aviso publicamente, que fique o mais longe possível de nossa entidade. Entendeu?!

Nisto, dirigindo os olhos para Wakanerefy, sentiu-se mais empolgado com sua atuação e continuou:

- E você, Wakanerefy!... Saiba que mais cedo ou mais tarde, o seu dia chegará, pois a nossa turma irá dar-lhe uma tremenda surra para perder esta mania de ser filósofo fresco.

Mincripow, satisfeito com a humilhação, deu a sessão por encerrada. O tumulto continuou, mas, após tal vexame, Wakanerefy retirou-se e foi para casa.

Durante algum tempo pensou e chegou à conclusão que fora ele quem dera o primeiro passo. Mais tarde, chateado com o ocorrido, queria esquecer de tudo e foi dormir um pouco.

A noitinha, preocupado com as promessas de ameaça, foi para o laboratório e, durante algumas horas, continuou fazendo pesquisas com explosivos, só que agora introduziu novos efeitos, com características de irradiar sono em toda a àrea de expansão do explosivo. Ficou mais aliviado, ao verificar que tinha dado certo a nova bomba e chamou-a de: Cfs-Nz-17.

Ao sentir cansaço, resolveu deixar tudo de lado, guardou todo o equipamento e foi para a cozinha fazer um lanche. Depois, subiu para o quarto de sua mãe, despediu-se e voltou para o seu, a fim de dormir.

Noutro dia, voltou ao laboratório e continuou pesquisando. No meio da tarde, cansado, escolheu um cinema. Antes de ir, tratou de colocar em um recipiente de plástico, imitando uma caixa de fósforos, algumas cápsulas de seus explosivos.

Ao caminhar para o cinema, não percebeu estar sendo seguido. Ao parar em frente à bilheteria, foi abordado por quatro rapazes e, um deles disse-lhe:

- Psiu... moço... nenhum movimento em falso, ouviu!

- Tudo bem, estou ouvindo. O que querem?

- Queremos que vá conosco. Espero, para o seu bem, não vá nos contradizer.

- Oh... Claro que não! Afinal para onde vamos? Para a casa de alguém?

- Não senhor, vamos entrar naquele veículo cinza metálico, para darmos um pequeno passeio por nossa encantadora cidade!

Wakanerefy, sem fazer nenhuma objeção, acompanhou-os e entrou no carro, que já estava pronto para partir. Ao entrar, todos permaneceram em silêncio. O carro acelerou tudo e partiu e, em seguida, decolou.

Durante o percurso, notou no altímetro que o veículo estava a trinta e três metros de altura, o que queria dizer que em breve tornaria a aterrissar. Sem dúvida, nesta situação, toda confiança de Wakanerefy estava depositada da Cfs-Nz-17, sua maior esperança.

O veículo fez uma violenta meia volta para a esquerda e foi aterrissar nos jardins do Clube "Os Bem Humorados". Desceram e foram em direção ao anfiteatro.

Mincripow recebeu o ex-sócio às gargalhadas e disse com ar de superioridade:

- Como é, fedelho! Agimos rápido, não acha?

- É claro, estão de parabéns, sabem fazer muito bem o serviço... qualidade esta, que, infelizmente não tive.

- Ainda bem que reconhece... e quanto ao nsso serviço, muito obrigado pelos elogios. Por falar nisso, sabe o motivo de ser transportado até aqui?

- Não faço a mínima idéia!

- Pois muito bem! Saiba que o trouxemos para dar-lhe a surra prometida! Aquela que você não deu, vai receber. Sabe como é que é... palavra de um Deller Tikko, não volta atrás.

- Está bem, mas, antes de dar início a sessão de pancadaria, gostaria de saborear u cigarro. Alguma proibição?

- Oh... claro que não... pode fumar à vontade, e depois poupe os gritos de socorro, pois não há ninguém aqui por perto. Sinto muito, vai ser um serviço à moda da casa, sem falhas.

- Tudo bem, vocês mandam... alguém quer um?

Ninguém respondeu. Wakanerefy se preparava para acender o cigarro. Apanhou a caixa de fósforos; neste momento, Mincripow se propõe a acender com seu isqueiro. Wakanerefy, ao ver sua única chance se dissolvendo, disse:

- Muito obrigado, Mincripow, por sua atenção. Desculpe frustrá-lo, prefiro muito mais os fósforos; apesar de antigos, são muito eficientes.

- Deixe de modéstia, não há motivo para pedir desculpas, pois ainda temos muito tempo.

- Espero que haja mesmo. Olhe... às vezes as coisas de repente, como um passe de mágica... se invertem e, normalmente, o caçador passa a ser caçado.

Wakanerefy, com gestos delicados, procurava distrai-los e atiça-los, para ganhar tempo e ter acesso às cápsulas, mas, suas palavras agrediram, o que acelerou os fatos e Mincripow irritado disse:

- Vamos pessoal... vamos dar aquela lição a este pivete linguarudo e ensinar-lhe a medir melhor o que fala para os mais velhos.

Wakanerefy, aproveitando-se de seu coringa explosivo, respondeu-lhe:

- É o que veremos, moleque medito a machão barato!

Com isto, não houve dúvida. Todos avançaram como feras sobre ele. Rápido, lançou ao solo à primeira cápsula e pulou para trás em diversas cambalhotas cinematográficas. O resultado foi uma inesperada explosão. Depois, uma enorme mancha no chão e cinco criaturas dormindo profundamente, quem sabe, sonhando com os anjos.

Wakanerefy, em sua fuga, não teve o menor problema. Com o mesmo veículo do rapto, voltou para a cidade e, próximo à sua casa aterrissou, seguindo a pé o resto do caminho.

Ao chegar, cumprimentou sua mãe com a cara mais limpa desse mundo. Mais tarde, jantou e foi assistir alguns micro-vídeos de sua coleção, para relaxar da excitação do dia.

Mais alguns meses se passaram. felizmente, não voltou mais a ter problemas com ameaças, pois a esta altura, era confirmada a dissolução do clube.

Sem maiores problemas, e à sucessão dos anos. Wakanerefy começou a dedicar-se mais profundamente ao estudo de Cosmologia. Chegava a ficar noites seguidas no terraço, observando o çéu com sua luneta, cada vez mais equipada de recursos eletrônicos sofisticados, ampliando assim, as pesquisas dos corpos da abóbada celeste.

Na química, prosseguia em sua análises, desenvolvendo cada vez mais novas fórmulas de explosivos com múltiplas funções.

Para completar sua ansiedade de conhecimentos, matriculou-se em uma videoteca regional e, não dava descanso à sua aguçada curiosidade.

De corpo e alma, sonhava com a futura carreira, a mesma de seu pai e ingressar no CCM. Não pouparia esforços para ser um cientista renomado, e trabalhar para o bem de toda a humanidade.

 

4. ABSTRATO CONCRETO

Mais alguns anos se passaram, Wakanerefy, não parava com suas pesquisas, o que mais o apaixonava era o Universo. Para entendê-lo melhor, criou sua primeira teoria, à qual deu o nome de: O Abstrato Concreto do Universo.

O nada é tudo e o tudo é nada. se o Universo à nossa volta é infinito, igualmente o é a energia e a matéria. Então podemos desintegrar qualquer quantidade de matéria. O fato não irá fazer diferença, porque é, por sí só, um produto da matéria infinita.

Já compreendia que não se subtrai nada do infinito, por mais que se transforme, continua sendo infinito.

Além deste, preocupava-se com outros fenômenos: o simples fato da existência de nosso Sol é um perigo futuro, pois ninguém sabe ao certo o tempo de duração de sua luminosidade no espaço, ou quando se extinguirá.

Wakanerefy, pensando no problema, criou outra teoria: a de que todos os planetas do nosso sistema solar, não provinham da estrela de quinta grandeza, o Sol. Ao contrário, toda a matéria existente vinha da mesma fonte de origem. Assim, desde o princípio e jamais haveria um final, porque a lei do Universo é: AD ETERNUM.

Uma imensa força distribuí matematicamente todos os corpos. Wakanerefy pensava que esta força poderia ser a minúscula partícula, de que lhe falará certa vez a saudosa Kerin Ank. A partícula responsável pela gravidade inter-corpos celestes. Assim, deu-lhe o nome de Graviters, ou simplesmente, partícula GTS. É por ela que os planetas, satélites, cometas, e demais sistemas, vão tomando os seus lugares e aguardam novas fases de um desenvolvimento complexo e perpétuo.

Um fabuloso número de anos se sucedem, até que, em um pequeno e ínfimo ponto do Universo, um planeta torna-se o berço de um dos maiores fenômenos: a vida. O primeiro contato de moléculas primitivas fora provocado pela expontânea combinação de fatores físicos e geológicos, trazendo à crosta terrestre, as primeiras formas de vida. Desta evolução lenta, surgiram milhares de formas e espécimes variados foram gerados.

O reino animal foi-se sincronizando com o animal até que um dia, um animal, pela primeira vez, diante de uma caça perigosa, colocou em risco sua vida. Por instinto de autodefesa ou reflexo de um despertar diminuto do raciocínio, pela primeira vez, fez uso de algo mais que não apenas seus músculos e empregou algo desconhecido que lhe valeu a existência.

Descoberta a arma, esta primitiva criatura tinha agora pela frente um horizonte imensurável, a ser amplamente explorado. Desde então este ser evoluiu para não mais regredir e as transformações vieram. O futuro impunha um desenvolvimento da inteligência que aumentava à medida que empregava, em seu meio ambiente.

Com o passar dos séculos os homens libertaram-se de seu planeta natal, partindo em naves feitas por suas mentes criativas, deixavam a Terra tão hesitantes, como os primeiros seres pré-históricos ao saírem de suas cavernas pela primeira vez, para explorarem mais intensamente o desconhecido.

O ponto fraco de Wakanerefy era o Sol. Deus e monstro de todas as eras, seu maior temor, pois um dia se apagará. À medida que for exaurindo o seu hidrogênio, a sua temperatura irá aumentar cada vez mais. Os oceanos não resistirão e desaparecerão. As rochas e metais fundindo-se, eliminarão a vida em sua superfície. E a Terra, como alguns planetas, explodirá em conseqüência de fenômenos interiores e exteriores.

Na fase final, o Sol irá se resfriando e, ao chegar ao fim, escurecerá aos poucos como uma chama de gás ao apagar-se e, lentamente, diminuirá de tamanho.

Os planetas restantes do sistema, não poderão mais suportar a vida. Os sobreviventes, perder-se-ão pelo espaço afora até que um novo equalizador de forças gravíticas formem um novo equilíbrio em suas órbitas e, assim consigam se estabelecer em novos sistemas. Para isto, acreditava ainda mais naquela teoria dos Graviters.

Wakanerefy, achava não haver motivo para preocupação demasiada. Muito antes deste caos acontecer, os homens estarão em outros rincões do espaço. Sítios mais remotos e longíquos serão explorados, como também, um número infinito de aventuras os aguardarão.

O futuro oferecerá a possibilidade de se conhecer formas de vida,diferentes e evoluídas, fora do sistema solar. É evidente, não se está só nesta imensidão do espaço e, nem tampouco, deve-se acreditar na encomenda do Universo para os homens.

Não tardarão os primeiros contactos com espécies mais adiantadas, existentes em satélites de outros sóis de outras galáxias, talvez não de viagens interplanetárias feitas pelo homem, mas de visitas deles à Terra.

A ciência da Radio Astronomia, em acelerada evolução poderá, em pouco tempo, receber e enviar sinais destes rincões. Mais cedo ou mais tarde, é inevitável, o contato se estabelecerá.

Wakanerefy, em seus cálculos primários, pensava: a forma de vida mais próxima se encontra na faixa intermediária de 100 mil anos-luz. E só com a energia nuclear ou gravítica, de preferência, se poderá viajar além do sistema solar ou, quem sabe, a partícula GTS, fator da gravidade possa ser usada como nova fonte energética e as mais distantes estrelas poderão ser alcançadas.

A energia nuclear, representa um novo tipo de fogo, porém mais poderoso do que aquele que libertou os homens pré-históricos de suas cavernas. A primeira chama permitiu ao homem primitivo explorar regiões temperadas do planeta.

A inteligência vem evoluindo de geração em geração e sonhos de tantos milênios se tornaram a mais pura realidade. A conquista da Lua e Marte no século XX, foi um passo marcante de uma caminhada que se inicia.

A Terra é o berço, enquanto durar, mas o homem cada vez mais se levanta e se afasta do local de origem. Depois que venceu a gravidade, pela primeira vez, não parou mais de se afastar do leito primitivo.

Wakanerefy, também pensava na imagem da geração do futuro e imaginava o ser humano sofrendo algumas novas modificações. Como se constituirá esta geração de conquistares do espaço?

Os antigos contemplavam o céu, e não imaginavam que os seus descendentes estariam tão perto das estrelas, como de seus pés, a cabeça.

A cada passo do ser humano, no sentido da exploração espacial, mais e mais aumentava o seu fogo de saber: descobertas e benefícios para a humanidade.

O futuro é otimista. Em relação aos acontecimentos de caráter científico, talvez uma nova arca de Noé virá à realidade. E o homem levará consigo animais de pequeno e grande porte e conviverá com eles em seu novo planeta. E reproduzirá, no novo lar, o berço perdido, porque precisa de terra sob seus pés.

Wakanerefy acreditava que um dia o homem estaria a ponto de modificar as órbitas de planetas e controlar uma parte do Universo. E a geração humana continuaria a se alastrar pelo infinito de todos os lados e em todos os rincões existiriam criaturas da mesma espécie. Afinal, o Universo encerra a verdade e. a verdade encerra o homem.

Em seu modo de pensar, Wakanerefy, achava as idéias uma forma de antecipar os fatos, e as bases científicas de seu conhecimento, davam-lhe a entender, como um trailer de filme, as modificações que poderiam afetar uma geração.

 

5. OPERAÇÃO GEORWAKA’S

Wakanerefy, após tanto devaneio mental, voltou a si. Deixando os sonhos de lado, dirigiu-se ao laboratório, ligou o Vídeotrans. Foi surpreendido pelo drástico corte do programa pela inserção do noticiário urgente, ainda mais, notando a inserção de imagens de seu pai. ficou atento aos comentários

- Boa noite, senhores espectadores. Comunicamos, em rede mundial, em edição extraordinária, uma notícia de última hora. O cientista hokerh Tempekery Towmmor, acaba de construir, juntamente com uma equipe do CCM, a gravidade artificial, ativada por um centro de cérebros eletrônicos denominado Georwaka’s.

Especialistas afirmam que com tal descoberta se poderá movimentar alguns satélites próximos a Terra. Com o controle de tal potência, será possível aproximar a Lua da superfície da Terra, sem oferecer nenhum risco.

Mais detalhes, em nossas próximas edições. Boa noite!

Wakanerefy, durante o decorrer da reportagem, aos gritos chamava a mãe. Ao encontrá-la, comunicou a novidade. Georhely, a princípio, não deu muita bola, mas, vendo o Vídeotrans, ficou dominada por uma curiosidade e alegria sem limites.

O fato repercutiu em todo o globo. Outros cientistas foram chamados para opinar. Nesta mesma noite, foi noticiada a vida da Lua, como primeiro teste. O prazo foi estipulado de três meses, a data certa seria divulgada mais tarde.

As declarações provocavam dúvidas e desconfianças, como já era esperado, porque alguns cientistas levantaram a hipótese de que isto provocaria uma gigantesca maré. Mas o pessoal do CCM garantiu que a mesma força que atrairia a Lua, manteria as marés em seus lugares pela simples razão: equalização de forças opostas.

O fabuloso invento estava construído em uma área de alguns quilômetros quadrados, sendo o mesmo protegido por força aérea e militar, todo rodeado por tanques e minas. Sem dúvida, um poderio bélico descomunal.

A pedido de Hokerh, Wakanerefy e sua mãe telefonaram para o aeroporto de Elhis Shawn, para a reserva de passagens.

No dia seguinte, partiram um pouco antes do meio-dia. Ao chegarem ao aeroporto, uma imensa massa de repórteres, televisão, curiosos por todo o lado, cada qual preocupado em registrar em audio e vídeo o assunto mais comentado e discutido do momento. Somente uma escolta de homens de segurança da polícia local, conseguiu livrá-los para tomarem o avião.

Havia mundialmente uma grande expectativa: se seriam acionadas as teclas e se a Lua viria mesmo ao encontro da Terra. Para tirar dúvidas, o CCM comunicou a data da experiência: 13 de maio de 2 011.

O jato aterrissou no aeroporto do CCM. Os visitantes foram encaminhados até ã sala de Hokerh, que os recebeu, apesar de atarefado. Lá permaneceram à espera das experiências. Neste espaço de tempo, Hokerh ensinou ao filho como operar o cérebro sem o uso de programas ou esquemas. Apresentou-o aos demais cientistas, que seriam seus companheiros durante os testes. Eram gente de confiança.

Wakanerefy, a seu modo, não tardou em criar amizades. Travou conhecimento com pessoas que conhecia apenas como autores de vídeo livros. Aos poucos, sentiu-se um membro extra e até os novos companheiros já o chamavam de protótipo de cientista, pois ninguém conseguia esgotar sua curiosidade. Fazia plena questão de inteirar-se do projeto e o acompanhava como se fosse seu.

Às vésperas do acontecimento, jornalistas especializados, já se encontravam a postos. O clima era de muita excitação por parte de todos.

Faltavam 12 horas. No CCM, o ambiente era calmo e de extrema confiança. Computadores à toda, não escapava nenhum detalhe daquela operação. Hokerh transmitia palavras de otimismo. O sucesso estava em seus lábios.

Faltavam 9 horas. Checagem de todos os programas de base. As rotinas técnicas são inspecionadas por um pelotão de mão de obra. Não poderiam existir falhas neste experimento, qualificado como o maior desafio do homem à mãe natureza.

Faltavam 4 horas. Sinais eletrônicos auditivos e visuais foram acionados e todos os cientistas corriam para os seus postos. Em pouco tempo, mais de setecentos estavam presentes.

Hokerh, orgulhoso de toda esta movimentação, virou-se para o seu filho e disse:

- Wakanerefy, tudo isto é feito para você! É a minha contribuição para o seu aprendizado, pois algum dia você me substituirá.

Faltavam 2 horas. O setor H 222 foi examinado e testado. A programação das fitas magnéticas foi verificada. Os primeiros estágios não apresentaram falhas em seus circuitos. A esta altura, Hokerh e seu filho passavam em vistoria o setor K 333. Tudo em ordem.

Faltavam agora 30 minutos. A pulsação do coração de todos aumentou. A iluminação e reflexos dos painéis eletrônicos, dava ao ambiente um aspecto de mistério.

Restava 1 minuto. A contagem regressiva foi iniciada: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, zero!

Um som de baixa freqüência foi ouvido nas extremidades das pontas das antenas de transmissão. Ao ser pressionada a tecla mestra de comando, os observatórios estavam com a atenção voltada para o trajeto da órbita do satélite natural. Tudo transcorria perfeitamente.

Começou a experiência. Geradores ligados. A terra tremeu com sua hiper potência. Um zumbido surdo ecoou por toda parte. A Lua pareceu imóvel, pregada no céu. Porém, lentamente, sua posição de sombra começa a mudar. Neste instante, tornou-se escura e quase a perderam de vista, num eclipse artificial humano. Havia sem dúvida, um enorme suspense no ar.

Alguns minutos depois, tudo voltou ao normal, porém, surgiu a dúvida sobre um grande problema: a capacidade dos geradores de energia gravítica. Até que ponto suportariam a carga total exigida durante a experiência?

Às 20:15 horas, a força dos geradores automaticamente, diminuiu à medida que o astro se aproximava. Um clima mais otimista tomou conta dos cientistas, que agora descasavam um pouco, enquanto cabia aos cérebros eletrônicos o controle automático da operação e seus ajustes finais.

Às 20:22 horas, o sonho se tornou realidade: a Lua encontrava-se próxima à atmosfera terrestre, a uma altitude de 22.000 quilômetros. A Lua parecia ter aumentado sessenta vezes e o mar continua em perfeito equilíbrio de suas marés.

Hokerh não conseguia conter a emoção. Wakanerefy não saiu de perto do pai. Não queria perder nenhum detalhe de tudo aquilo, como também, os habitantes do mundo inteiro, que acompanhavam, atentos, o grande feito.

No ar, na televisão mundial, o presidente congratulou o responsável pelo empreendimento científico. Logo após, foi permitida a entrada de reportes. A invasão foi completa, tumulto geral; as perguntas choviam. Hokerh não conseguia responder, de tanta felicidade.

Mais tarde, com a saída de todos, o casal e o filho se retiraram para dormir. Queriam conversar mais ainda sobre o feito mas, devido à fadiga, não tardaram a cair em sono profundo.

No dia seguinte, de manhã cedo, o primeiro a despertar foi Wakanerefy que, terminando o café, dirigiu-se à saída do pátio privado para gravar algumas cenas do satélite, agora, tão próximo.

Logo cedo começou o trabalho no CCM. Medições, cálculos, experiências de gravidade com diversos materiais foram feitas. E tinham que ser rápidos, pois logo a Lua teria que voltar ao seu lugar.

Ao cabo de onze horas, foi comunicada ao mundo inteiro uma notícia: a Lua votaria ao seu curso natural. Com isto, aos poucos, as pessoas retornando às ruas aguardavam a despedida da nossa mais velha companheira.

No CCM, novos programas eram carregados na memória do sistema. Os geradores, testados um por um, novamente, suas cargas estavam sendo equalizadas por um processo de medição eletrônico, através de circuitos paralelos, inseridos no novo programa.

Chegada a hora, a contagem regressiva foi feita, durante o decorrer da operação, não houve problema. A experiência já tinha sabor de rotina. Nesta noite, Hokerh deu uma entrevista explicando o experimento:

- Antes de falar da experiência em si, quero fazer alguns esclarecimentos: é do núcleo do átomo que retiramos energia, todos sabem disso. Um reator nuclear, libera energia do interior do átomo, diminuindo o peso da matéria que se transformou em energia. Até aqui nada de novo.

Ora, é no interior do átomo que existem forças que mantém a matéria unida, não sendo esta energia atômica gerada de sua massa. São essas forças que mantém a matéria unida, que faz por exemplo, com que uma gota d’água seja esférica e não se espalhe simplesmente. A forma esférica dos planetas e estrelas é regida pelas mesmas leis, que fazem com que a gota d’água seja esférica. A diferença apenas está no tamanho e densidade. São estas forças que dão peso à matéria e fazem seu peso. Sem este fator, enfim, que chamamos de gravidade.

O átomo é composto de três elementos básicos: o próton, positivo: o elétron, negativo: e o néutron sem carga elétrica. Estes três elementos têm peso e formam os átomos de toda matéria. Resta saber o que lhes dá peso.

Se estas três partículas têm peso, por hipótese, não é apenas no interior do átomo que iremos encontrar a gravidade, mas no interior de cada partícula atômica.

O próton e o elétron se atraem eletricamente. Teoricamente é isto que mantém a coesão do átomo, sem ter carga elétrica alguma que o mantenha lá. Só a gravidade. Por isso começamos a procurar a gravidade no neutrons.

Este fator fomos encontrar, em órbitas, em cada uma dessas partículas. Muito fraco, foi difícil detectar, mas multiplica-se geometricamente e não se dispersa, como a energia atômica: ao contrário, concentra-se. Isolar este fator foi outra epopéia, cujo resultado vocês assistiram.

Os nossos reatores nada mais fizeram do que projetar através de energia radiante, o fator gravidade, nas proximidades da Lua, a cerca de 20.000 quilômetros de sua superfície. E depois foi fácil: trouxemos a fonte de volta e a Lua veio junto.

Uma vez terminada a experiência, bastou empurrar esta força de volta ao seu lugar de formação e a Lua também foi de volta à sua antiga órbita.

Esta força foi devolvida à sua matéria de origem, que agora está estabilizada no interior dos reatores. O ponto crítico do teste era manter esta matéria aglomerada, pois sem a gravidade, ela poderia dispersar-se e liberar uma quantidade brutal de energia.

Uma vez resolvido este problema, o resto foi fácil.

Um repórter perguntou:

- E que matéria é essa?

- Só posso adiantar que seu número atômico é 105.

- E qual o nome deste fator?

- Não pensei nisso, mas meu filho o chama de partícula GTS e vou adotar este mesmo nome.

Wakanerefy quase caiu da cadeira de emoção. O seu primeiro nome científico, havia passado para a história. Mais tarde, em veículos especiais de segurança, rumaram para o pálacio do Presidente.

Ao chegarem, teve inicio à cerimônia que precede a entrega dos troféus. Vários discursos foram proferidos e, ao final do discurso de Chikko Neikkos, chefe da nação. Hokerh fez uso da palavra:

- Em primeiro lugar, o meu sincero muito obrigado. Antes de mais nada, à vossa excelência, meus cordiais cumprimentos pela sua preciosa presença. Também quero aqui ressaltar o valor de cada um de vocês; a vitória não foi só minha, foi da nação em que nascemos, que jamais esquecerá da nossa maior consagração científica.

Mais uma vez... sem palavras... o meu muito obrigado a vocês todos!

Em seguida, foi servido o coquetel. A excitação era geral. A família Towmmor conhecia de perto o sucesso. Realmente, após tal proeza, conquistaram destaque nas páginas da história da humanidade.

Noutro dia, Wakanerefy e sua mãe voltaram para casa. Hokerh acompanhou-os até o aeroporto. No caminho, a nave sofreu uma pane e, ao aterrissar, capotou na estrada principal de Edewen Paler.

Um transeunte, chocado ao reconhecer os passageiros, telefonou avisando as autoridades. E aguardou a chegada dos primeiros socorros. Entrementes, começou a chover.

Não tardou e aquele pedaço de estrada estava isolado. Nisto, do outro lado da pista, alguns homens atearam fogo a um caminhão de carga, soltaram os freios e o lançaram em direção aos policiais.

Travou-se um confronto muito grande de forças. Mais viaturas chegaram ao local. Teve início um forte tiroteio, alguns policiais tombaram, outros lutaram para proteger a família acidentada.

Inacreditável! Toda aquela tropa policial foi exterminada por aquele grupo estranho! Ao final da chacina, um dos chefes entrou em uma das viaturas e emitiu um alarme falso ao distrito.

Ordens são cumpridas. a turma se dividiu. Em seguida, foram até o veículo sinistrado, retiraram os três corpos, puseram em outro carro e se afastaram rapidamente do local em direção de uma casa abandonada, próximo da estrada.

Ao chegarem, Wakanerefy voltou a si, juntamente com sua mãe e, finalmente, seu pai. O chefe, satisfeito com o despertar, disse:

- Boa tarde, permitam apresentar-me... sou Aflety III. Não se admirem, represento uma das organizações de crimes mais perfeitas do mundo. Resumindo, tudo foi tramado por nossa equipe, desde o delicado trabalho de provocar uma variação no programa do leme de sua nave, até colocar um dispositivo sincronizado no interior da mesma, para no instante exato, expelir gás provocador de sono. Agora, temos que aguardar a chegada de uma pessoa importante, a qual irá dar-nos novas instruções do que fazer e qual o destino reservado a vocês!

Aflety III, mandou colocar os três em um quarto e lá deveriam permanecer presos até segunda ordem. Wakanerefy fingiu um desmaio, deixou-se cair e propositadamente machucou-se. Ao levantar, fez questão de exibir a mão ferida e pediu ajuda. Atento, o líder ordenou que o levassem ao laboratório e fizessem um curativo. Um capanga o acompanhou.

Ao chegarem ao velho laboratório, Wakanerefy, observou todos os vidros de componentes químicos existentes. Ao final do curativo, Wakanerefy procurava distrair a atenção de Tempeny, com conversa fiada. Mexendo em tudo, como se estivesse procurando remédios para passar na mão, notou a falta de Cloreto de Sódio. Com um olhar ingênuo, pediu ao companheiro um pouco de sal, pois, desde a infância, tinha o costume de usá-lo como curativo.

O bandido, desconfiado, foi até Aflety III e comunicou o pedido do refém. Enquanto os dois discutiam. Wakanerefy não perdeu tempo. Como um raio fez a sua mistura e a guardou no bolso.

Aflety III veio até o laboratório, examinou a mão de Wakanerefy. Depois ele próprio foi buscar o sal. De volta, entregou-o e retirou-se. Aproveitando-se disto, Wakanerefy, continuava distraindo a atenção do capanga, com sua conversa. Com uma habilidade incrível, conseguia ao mesmo tempo fazer duas coisas, curativo e explosivos.

Ao terminar, procurou livrar-se do bandido com uma pancada na nuca; este não teve tempo nem para reagir. Wakanerefy correu em direção ao quarto onde estavam seus pais, e foi interceptado por Aflety III. Não deu outra! Jogou o vidro no chão e virou o rosto. O líder não teve tempo de puxar a arma e caiu.

Wakanerefy, mais do que depressa, procurou as chaves e, de repente, ouviu passos se aproximando. Bateram à porta. Wakanerefy ficou indeciso, vacilou, tentando inventar uma desculpa. Por fim resolveu aguardar um pouco mais.

Ouviu reclamações dos que estavam por trás da porta, sobre a demora. Wakanerefy abriu imediatamente e os visitantes estranharam a sua fisionomia e um deles pergunta-lhe:

- O que faz você aqui, rapaz?!

- Eu não faço nada... já fizeram!

- Já fizeram o quê?

- A polícia veio aqui, fez uma revista em tudo. Desconfio que se havia alguém aqui, no mínimo deve ter fugido antes.

Os estranhos ficaram pálidos e voltaram a perguntar-lhe:

- Escuta aqui, rapaz... faz muito tempo que a polícia esteve aqui?

- Hum... deixe-me ver. Uma meia hora mais ou menos, não tenho muita certeza. Mas, ouvi dizer alguma coisa com respeito ao regresso, para maiores averiguações.

- Como sabe de tudo isso? Quem é você?

- Um repórter como outro qualquer, só com um pouco de sorte quanto aos furos jornalísticos!

- Bem, rapaz... é melhor você contar esta estória melhor ou então vai...

- Então vai haver o que?

- Não entendeu, boneco, vai haver um furo daqueles em você! E é uma pena não ser jornalístico.

Com isto, ambos forçaram a entrada e não acreditando muito, foram adentrando na moradia. Ao passarem pela sala, Wakanerefy gritou socorro e ao olharem para trás, foram atingidos pela explosão de mais um vidro. Um deles ao tombar no chão tentou sacar uma arma. Wakanerefy, ágil, voltou a jogar mais um; infelizmente, errou o alvo e o vidro caiu em cima de um material macio. No entanto, o tiro dado foi certeiro e pegou o braço direito de Wakanerefy, mas mesmo assim, procurou correr em ziguezague para atrapalhar a mira de seu inimigo que, a esta altura, tombava sem sentidos.

Wakanerefy, voltou a procurar as chaves. Não tardou a achá-las com Aflety III. Correu para o andar de cima, soltou os pais e, rapidamente, desceram as escadas e, pegaram o primeiro carro que encontraram estacionado em frente.

A caminho, dirigiram-se para a chefatura de polícia mais próxima, para registro da tentativa de sabotagem e seqüestro. O delegado ordenou o envio imediato de viaturas ao local. A família Towmmor foi escoltada até um hotel de propriedade do Estado e ficaram retidos mais alguns dias por medida de segurança e averiguações dos envolvidos.

Tudo corria bem. De repente, Wakanerefy notou sua vizinha de quarto. E quanto menos dias faltava para ir embora, mais ficava a seu lado. E tardes inteiras conversaram sobre inúmeras coisas. O romance ficou mais interessante, ao saber que a mesma iria morar em breve no mesmo bairro de sua cidade.

Com o passar de alguns dias, Wakanerefy, percebeu a semelhança nas coisas e pensamentos de ambos. O gostar ampliou-se e foi tomando forma em seu ser. O melhor era saber que ela sentia a mesma coisa em relação a ele.

Ao aproximar-se o dia da partida, Wakanerefy resolveu contar à mãe:

- Estou gostando de uma menina. O nome dela é Andbelefy Bechy Haam.

- Cuidado meu filho. Não se apaixone tão rápido; deixe o tempo sedimentar as coisas para você.

- Hei, mãe, pode ficar descansada, nos damos muito bem.

- Ótimo meu filho. Faço votos que sua felicidade volte ao lado dela, para o bem dos dois.

Nessa noite, foram jantar cedo, pois no dia seguinte teriam de partir para Eringhow 14 643 Wankin.

Por volta das 11:00 horas, em companhia de Andbelefy, partiram para o aeroporto de Hawsy Kowcy. Ao chegarem, o jovem casal fez inúmeras promessas de um futuro reencontro.

A chamada do vôo foi feita, todos se despediram. Enquanto a família Towmmor tomava a aeronave, Hokerh procurava sossego, pois os fatos o haviam perturbado bastante. Wakanerefy, por outro lado, sonhava com seu novo amor.

Um breve espaço de tempo, a seguir, a aeronave pediu autorização para pouso e aterrissou. Infelizmente para Hokerh, ao descerem, uma grande quantidade de repórteres o aguardavam. Foi um verdadeiro vendaval de perguntas. Todos imploravam uma informação exclusiva, nisto, Hokerh pediu silêncio e disse:

- Por favor, eu vim aqui para minha casa a fim de descansar. Espero que compreendam; prometo, daqui mais algumas horas, falar e dar entrevistas exclusivas. Até mais tarde, vocês sabem o meu endereço.

Hokerh, ao final de suas palavras, uma ligeira salva de palmas. Cada um compreendeu o seu cansaço, dando continuidade apenas às fotografias e vídeo hologramas.

Os primos telefonaram para a residência de Hokerh para comunicarem sua chegada. Wakanerefy, ainda estava um pouco desligado do ambiente. A sua preocupação era a promessa de Andbelefy de um dia voltar e pensava introspectivo: Será que ela vai retornar? ou tudo não passou apenas de carência feminina, afinal, coisas de mulher!

Ao chegarem em casa, estacionaram o carro e, entrando, ficaram emocionados ao ver tanta gente. Abraços e felicitações, uma verdadeira comemoração. A família Towmmor, ficou sensibilizada com os vizinhos e amigos. A seguir, Hokerh disse:

- Espero que me compreendam... agradeço, de coração, esta prova de estima. Peço escusas de não poder ficar mais tempo com vocês, mas estou cansadíssimo e prometo mais tarde fazer companhia a todos!

Subiu para o seu quarto e deitou com roupa e tudo. Em baixo, os risos de alegria e piadas na base da gozação à respeito dos momentos humorísticos da operação, ecoavam por toda a casa.

Evidente, com o apagar de Hokerh, Wakanerefy passou a ser o elemento central da cerimônia. Com paciência, contou suas aventuras no CCM e, o mais importante, a conquista de uma bela moça, hóspede do hotel onde se encontrava.

A madrugada chegou e a animação geral continuava, As fitas de micro-vídeo não paravam, todos atônitos ao ver os detalhes técnicos da experiência. Por fim, exaustos, os últimos amigos se retiraram e outros dormiam lá mesmo.

Wakanerefy, antes de dormir, ficou algumas horas admirando os astros e, sonhando um dia visitá-los na companhia de sua amada. Aos poucos, parecia-lhe um pensamento tão infantil. Para esquecer, procurou distrair-se com a Lua, recordando quando a viu a uma distância tão pequena e, agora, tão longe.

Brincando, batizava as estrelas com nomes de sua imaginação. Às do Cruzeiro do Sul, dera os seguintes nomes:

Ao norte, Khawfery.
Ao sul, Pletaroco.
Ao leste, Chevayye.
Ao Oeste, Mheriwine.
A intrometida, Brinsac.

O cansaço o venceu, guardou todos os equipamentos e foi dormir, sonhando com viagens interplanetárias e com a partícula GTS. Como não poderia deixar de ser, Andbelefy já fazia parte de seus sonhos.

 

6. O PESO DA FAMA

Wakanerefy, certa noite, atento, seguia com a luneta a trajetória de um cometa, quando ouviu passos. Aquela hora não era costume de seus pais se levantarem. Com cuidado e prevenido de cápsulas, andou sobre o grosso carpete, abafando seus passos. Ao mesmo tempo, os outros diminuíram de intensidade. Wakanerefy, percebeu que este alguém já havia passado pela porta da entrada; notou o vulto e o acompanhou sem ser percebido. Mais próximo, viu o estranho ligar uma pequena lanterna e, ao subir as escadas, Wakanerefy entrou em ação. Jogou o seu mascote de marfim no chão para distrair a atenção.

Ao ouvir o barulho, o estranho virou a lanterna para o lado. Sem querer, deu com a luz no corpo de Wakanerefy, e este, com agilidade, jogou uma cápsula e o abateu. Ao cair no chão aquele corpo invasor,, a sua arma rolou até os pés de Wakanerefy.

O barulho da explosão provocou aquela confusão, todos acordaram e correram para baixo, preocupados com algum acidente. Ao acenderem as luzes, ficaram assustados com aquele corpo inerte, dando a entender estar sem vida.

Pânico geral. Wakanerefy, após o susto, se aproximou daquele homem. Ao virá-lo o reconheceu, era o mesmo bandido que tentará raptá-lo e há alguns dias, fugira da prisão. Imediatamente chamaram a polícia. Depois de todas as explicações, foram novamente para a cama e o bandido de volta para a cadeia.

Wakanerefy, ao deitar-se, ouviu alguns ruídos debaixo de sua cama. Desprevenidido, sem suas armas, ficou mais assustado. Levantou-se apavorada à procura de uma cápsula, nada encontrando. O barulho continuava; rapidamente ligou a luz e, ao ver do que se tratava, com uma enorme raiva desligou a tomada e foi dormir. Era Kettyblum, o seu novo gato.

Um novo dia teve início. Os primos, amigos e colegas foram embora, desejando felicidades e muita sorte para a família. Mais tarde, refeito do cansaço, durante o almoço Hokerh tomou a palavra:

- Perdoe-me, mas terei de partir ainda hoje para o CCM. Ainda mais, depois da noite passada. É melhor para todos que eu vá e fique lá um bom tempo. A hora que meu trabalho, folgar um pouco e passar esta onda de violência, prometo ficar mais algum tempo em companhia de vocês, meus queridos.

Wakanerefy e a mãe concordam que partisse. Às 16:00 horas, no aeroporto de Elhis Shawn, ele seguiria para o CCM.

- Georhely, meu amor! Adeus, tome muito cuidado e trate bem de nosso filho, ele tem muito valor. Ah, tenho um novo projeto em desenvolvimento que vai revolucionar o mundo científico... Adeus, eu os amo!

Com a chamada de vôo, encaminhou-se ao portão de embarque. As suas últimas palavras ficaram gravadas na mente de Wakanerefy e, ao ver a aeronave subir ao céu e sumir, paralisado imaginava: Caramba, o que será que este velho está inventando agora?!

Georhely chamou-lhe atenção: estava na hora de regressar à casa. No meio do caminho, Wakanerefy, disse:

- Mãe, já faz algum tempo que não me distraio. Se não se importa, deixe-me na próxima esquina, estou com vontade de andar aí.

- Está bem, mas cuide-se e veja as horas que vai voltar. Sabe dos riscos que passamos. Antes de mais nada, bastante cautela. Um beijo!

Ao descer, Wakanerefy, andando sem direção, começou a olhar vitrines de lojas. A certa altura, ao passar por uma discoteca chamada Twidler, muito famosa, entrou sem titubear.

Um pouco desligado, assistiu a uma atração especial, porém, continuava pensativo nas palavras de seu pai. Enquanto isto o atormentava, passou uma garota e ao ver se ar taciturno, disse-lhe:

- Olá!... Dá licença de sentar-me ao seu lado, pois gostaria de fazer-lhe companhia. O meu nome é Leebewa e o seu?

- ...O meu... qualquer um. Se quer fazer-me companhia fique à vontade, o lugar é todo seu.

- Óh... quanta gentileza, obrigado senhor. E se não me contar o seu nome real, vou chamá-lo de Pato Chato, gostou do nome? Sugestivo, não acha?

- Tudo bem, você venceu? Wakanerefy Templeyn Towmmor, satisfeita?

- Sim, só um pouquinho!

- O que quer dizer com pouquinho.

- É muito simples. Você está com uma cara feia. Você algum problema sério e precisa contá-lo para alguém. Por que não para mim?

- Para você! Está brincando?

- Não, não estou. Falo sério. Afinal de contas, o simples fato de conhecer-nos agora, não quer dizer que não podemos falar de problemas.

- Tudo bem, rainha da sabedoria... deixe-me quieto alguns minutos; depois, prometo contar alguma coisa, está bem?

- Não senhor, nada disso, chapa ou você conta já, senão vou procurar alguém com mais disposição para conversar.

- Por que não pára de me amolar? Quero sossego!

Leebewa, admirada com a má resposta e pensando em se afastar, reconheceu o seu rosto. Visto na televisão. Passou a ter um pouco mais de paciência com ele e, olhando nos olhos de Wakanerefy, com frases sutis e delicadas, diminuiu sua frieza. Este reconheceu seu esforço e passou a admirá-la por sua atitude amigável.

Algumas horas depois, com a troca de um agradável papo. Wakanerefy, sentiu-se mais aliviado. Grato, convidou-a para passear e curtir algum filme.

Leebewa, antes de levantar, ficou intrigada com Wakanerefy que não abria uma das mãos. Impelida pela curiosidade, perguntou/:

- Desculpe uma perguntinha careta. Por que você não abre a mão esquerda? Deixe-me ver?

- Óh, não... Não!

- Ora, vamos, deixe de frescura, mostre-me!

- Está bem, olhe... gostou?

Wakanerefy, ao abrir a mão deixou cair na mesa o tigre de marfim, o seu mascote, ganho de sua nova namorada. Leebewa, querendo brincar, tomou-o e colocou em sua bolsa dizendo:

- Não vou devolver, sabia?

- Corta essa, deixe de brincadeiras, já passou da idade. Você agora é mocinha, não faz mais essas coisas feias!

Em questão de segundos, a situação tomou um rumo diferente. Wakanerefy, irritado, tomou-lhe sua bolsa num gesto brusco, tirou o mascote e ficou surpreso ao ver uma fotografia de Andbelefy. Deslumbrado com a coincidência, perguntou-lhe:

- Leebewa, quem é?

- Andbelefy Beckhy Haam. Você não a conhece, não mora por aqui.

- Você a viu, ultimamente?

- Não, parece-me que estava de mudança... não sei bem para onde. Afinal, posso saber o motivo de tanto interesse.

- Não é por nada, gosto muito de fotografia e o seu rosto é muito fotogênico. Parabéns, tem uma amiga muito bonita!

- Sou grata aos seus elogios.

- Sabe mais alguma coisa a seu respeito?

- Sim, é melhor esquecê-la... está apaixonada por um rapaz..

Wakanerefy, interrompeu:

- É, você tem razão, é melhor esquecê-la... então que tal, irmos a um cinema?

- Estou pronta!

- Ótimo, vamos indo.

Wakanerefy, de um instante para o outro, ao saber da amizade de Leebewa e Andbelefy, tornou-se um companheirão e um perfeito cavalheiro.

Ao final da sessão, acompanhou-a até a sua casa e prometeram em breve se encontrarem. Wakanerefy estava realmente voltando a uma boa fase de sua vida, tanto é, que as horas foram esquecidas.

Wakanerefy chegou em casa e não foi poupado, sua mãe deu-lhe aquela bronca. Ao inteirá-la dos novos fatos, foi desculpado.

Leebewa, na quarta-feira de manhã, telefonou para Wakanerefy para buscá-la à tarde no bale. Na hora do almoço, Wakanerefy, de bom humor, almoçou com sua mãe Nisto, Georhely percebeu que o filho estava nas nuvens, resolveu trazê-lo à terra, perguntando-lhe:

- Está em busca da equalização da gravidade dos planetas?

- Não senhora, ainda não cheguei lá... estou no caminho da desintegração dos planetas!

Georhely, satisfeita, achou graça na resposta, mas não dando muita importância, deu continuidade à conversa. Ao terminar, voltou voando ao laboratório.

Quatro horas mais tarde, de lá saiu com um estranho aparelho carregado entre as mãos. Georhely, ao vê-lo, perguntou:

- Rapaz, onde o senhor pretende ir com esta tralha?

- Tralha, não senhora! É o meu desintegrador atômico de planetas!

- Ora vamos, deixe de brincadeiras e diga o nome deste destruidor dos mundos.

- É apenas um micro emissor de raios laser. Só isso...

- Quem foi que lhe deu?

- Sinto muito, mamãe... mas, não foi dado. Papai me deu o esquema original do CCM.

- Tudo bem, cuidado para não aprontar nenhuma. Não vá desintegrar a casa, que não temos outra para morar. Compreendeu?

- Sim, senhora. O seu pedido para mim é uma ordem, tem de ser cumprida.

Depois, subiu para o quarto para concluir as experiências. Na prática, as radiações eram poderosas, desintegrando duros metais. A segunda etapa, o uso para medidas específicas, ainda não podia ser comprovada.

Não viu a hora de encontrar-se com Leebewa. Guardou todo aquele equipamento em local seguro. E, mais uma vez, voltou ao laboratório, para fazer mais algumas cápsulas de Cfs-Nz-17, e colocou-as no bolso de seu paletó, camuflando-as em uma caixa de fósforo, pois sabia que as encrencas não haviam terminado.

Ao deixar o laboratório, foi fazer a barba. Enquanto isto, pensava: Caramba, será amor o que estou sentindo por aquela jovem? Mas, mal a conheço... e Andbelefy, não é possível! Juro que não entendo o que está se passando comigo.

Ao terminar de se arrumar e pronto, desceu, despediu-se da mãe, pegou as chaves do carro e partiu para a discoteca Twidler.

Ao chegar, Leebewa já o aguardava e o recebeu com seu sorriso típico; sentaram-se no mesmo lugar de antes. Wakanerefy reparou no seu constante bom humor. Aquela mulher estava fascinante. Não resistindo, disse-lhe:

- Creia-me, estava com muitas saudades suas, e como demorou os eu telefonema!

- Para mim também, Waka. Deixei passar alguns dias, para ter certeza de meus sentimentos. Senti muito a sua falta!

- Para comemorarmos, o nosso reencontro, o que quer beber?

- Bem, eu prefiro um Silher Shain.

Wakanerefy apertou na mesa o teclado correspondente do menu eletrônico e, enquanto conversavam, os primeiros toques de carinho foram sentidos.

Entraram três rapazes e Wakanerefy de longe os reconheceu: o mais alto, Jackdill, era o cabeça da turma. O da boina na cabeça, era Georcrisze. O outro, era Babalow, apelidado "menos dois", em virtude da falta dos dedos na mão direita, perdidos em uma briga de faca.

Com o olhar de malfeitores, caminharam em direção à mesa de Wakanerefy. As pessoas presentes foram aos poucos se afastando, dando espaço. Ao chegarem, o mais alto disse:

- Como é rapaz, não levanta para cumprimentar o seu superior?

- Desculpe-me, só se for em ignorância!

- Humm... bravos! Machão, além de tudo!

- Por gentileza, senhores... peço que respeitem a esta senhorita, que não tem culpa nenhuma de nossas diferenças.

- Além de tudo, está delicado, hein... valentão? Não sabia do seu novo passatempo: defender prostitutas!

O orgulho de Wakanerefey pela primeira vez fora violentamente ferido e a moral de sua companheira também. Irritado, disse:

- O meu chapa! Retira o que falou ou vai se arrepender!

- Puxa! Parabéns, está falando como homem, mas, não interessa, não vou retirar. Por que, vai bater-me? Herói eletrônico de meia tigela!

Wakanerefy não suportou tanta humilhação. Decidido, entregou às mãos de Leebewa a caixa de fósforos. Desta vez, lutaria de igual para igual, sem truques. Levantou-se da cadeira, diante do olhar mudo de sua amiga. Foi para um canto e chamou um por um para a briga, dizendo:

Venham, venham todos... bebês desnutridos de proveta! Vamos medir força, vamos ver quem pode mais!

- Os jovens adoraram o convite e partiram para a briga. Wakanerefy, com o seu ar jeitoso e rápido, dominou a todos, que acabaram estendidos no chão. É evidente que o que mais apanhou foi Jackdill, por causa de suas ofensas.

Leebewa, orgulhosa com toda aquela demonstração de afeto, ficou intrigada como o jovem cientista aprendera a lutar daquela maneira tão perfeita.

- Waka, quem o ensinou a lutar tão bem.

- Ufa!... Ah, foram dois grandes amigos que muito estimo. Um deles o meu pai; o outro, um fanático por capoeira, meu tio.

- Meus parabéns, você luta divinamente.

- Muito obrigado!

- Com tudo voltando ao normal, os garçons iniciaram novamente as suas atividades. Nisto, o gerente, com um leve sorriso nos lábios, dirigiu-se ao encontro do jovem casal.

- Muito obrigado pelo favor prestado. Faz vários dias que vêm aqui todas as noites e ninguém consegue dominá-los. Eles são de amargar!

- De nada. Desculpe interrompê-lo, senhor. Leebewa, dê-me a caixa de fósforos.

- Perdoe-me querido, eu a emprestei para aquele cara.

- Óh, não, Leebewa!

- Se você precisa de fósforos, eu tenho até para dar-lhe.

- Um momentinho por favor, eu não demoro.

- Mas...

Wakanerefy, ao pedir licença, levantou-se e foi ao encontro da pessoa que estava em poder de sua caixinha. Chegando, disse-lhe:

- Se o senhor não se incomodar, quer ter a gentileza de devolver-me a caixa de fósforos.

- Óh... perdoe a minha distração. Esqueci de devolvê-la, não foi?

Enquanto procurava aonde havia guardado, uma turma rival, armada, invadiu o local.. Do lado de cá, Wakanerefy, pressentindo a desordem, pediu novamente ao homem:

- Por favor... encontre essa caixa, rápido!

- Para que tanta pressa, jovem! Serve outra?

- Nnão!

- Está bem, não precisa gritar. Ah, aqui está.

Wakanerefy correu em direção à Leebewa e jogou dois comprimidos sobre a mesa, dizendo-lhe:

- Por favor, não pergunte por que; tome-os o mais rápido possível.

Mesmo não sabendo o motivo, mas confiando nas palavras de Wakanerefy, tomou-os e depois disse-lhe:

- Aconteça o que acontecer, estou do seu lado sempre!

- Obrigado, o seu conforto significa muito para mim.

Enquanto a turma vasculhava tudo, um deles foi ao encontro do gerente, perguntando-lhe:

- O meu chapa... que fazem os meus amigos no chão? Quem os surrou?

O homem nada disse. Inesperadamente, um dos fregueses que estava alcoolizado, levantou-se e apontou o dedo para Wakanerefy.

O responsável pelo estabelecimento, temendo encrenca, se apressou em dizer:

- Acho que não vai acreditar nas palavras de um alcoólatra!

- Tem razão, o rapaz não tem físico para tanto!

- Espero que acredite em mim, foi a polícia a causadora de tudo.

- Está bem, retirem estes molengas. Quer dizer que a polícia continua nos perseguindo...

Ao retirarem as pessoas, um dos rapazes despertou. Wakanerefy, como um raio, tratou de agir. Passou a mão em Leebewa e correu para trás da mesa, colocou quatro cápsulas na mão, gritando:

- Cuidado, cuidado, lá vem polícia!

Atônitos diante de sua reação, ficaram assustados, Wakanerefy, de uma só vez, jogou todas ao solo e o ambiente ficou repleto de fumaça e, em questão de segundos, caíram todos no mais profundo sono. Simultaneamente, Wakanerefy molhou o lenço em bebida alcoólica e colocou-o no nariz do gerente. E em companhia de Leebewa, o trouxe à porta para respirar o ar fresco da rua.

Wakanerefy, sentindo as melhoras, pediu a ele que entrasse em contato imediato com a polícia e não se preocupasse com os rapazes, que estavam apenas dormindo.

Ao ouvirem as sirenes, Wakanerefy e sua garota saíram e foram para um local mais afastado e seguro, onde poderiam conversar à vontade.

Na discoteca, a esta altura, as coisas não eram tão calmas. Os rapazes, ao acordarem, receberam voz de prisão; cinco viaturas foram o suficiente. Os guardas não suportavam o reclamar dos jovens e se divertiam ao saber da forma como foram derrotados.

Wakanerefy, mais tarde, foi levar Leebewa à sua casa. Enquanto não entrada, trocaram puras fantasias de vida e alguns instantes de amor.

Mais tarde, rumou para casa. Guardou o carro na garagem, subiu à cozinha para fazer um lanche e tomar um comprimido para dor de cabeça. Após isso, foi para seu quarto, pegou a luneta e passou algumas horas admirando o céu.

Criava, com sua fértil imaginação, a visão dos seres de outro planeta, como falavam, como eram os seus corpos e até seus sentimentos.

Nas noites seguintes, a maior parte de seu tempo era voltada ao seu grande sonho: poder um dia viajar entre as galáxias. Procurava não contar a ninguém seus sonhos, pois temia que as pessoas não entendessem.

Mais alguns meses se passaram. Wakanerefy não teve mais problemas com seus amigos ou inimigos.

Agora, com maior maturidade, deixou de lado uma grande companheira de adolescência, a Cfs-Nz-17.

A tranqüilidade voltava a reinar em seu bairro, comprovando-se, assim, que tudo com o tempo toma jeito. Tudo é devido a uma pequena palavra: o tempo; aquilo que muitos homens tentam dominar e são sempre dominados por ele.

 

7. OPERAÇÃO WAKAGEOR’S

Ao passar quatro meses, Hokerh voltou a ser manchete. Considerado o maior cientista da atualidade, havia finalmente concretizado mais uma grande descoberta: a imaterialização.

A família Towmmor, ao inteira-se da boa nova, ficou radiante de felicidade. Wakanerefy, mais uma vez, sentiu-se orgulhoso. Seu pai cumpriu mais uma meta com grande sucesso e, assim, contribuía para a história tecnológica do mundo moderno.

A vida de Hokerh era um problema para as autoridades que, com total vigilância, seguiam todos os seus passos. O perigo de um complô internacional agravava-se, pois, poderia estar sendo caçado por quadrilhas internacionais, interessadas no novo invento.

Em seu lar, durante um jantar, Wakanerefy perguntou à sua mãe:

- Por que não vamos visitar papai, amanhã cedo.

- Boa idéia. Ele também deve estar com bastante saudade.

- Ótimo, depois do jantar vou fazer as malas. Afinal, não vejo a hora de abraçá-lo... é uma pena que não nos faça mais companhia. Quem sabe um dia...

- Sim, meu filho. Ainda virá o dia... como eu espero que venha!

Wakanerefy subiu para o quarto. Enquanto fazia as malas, excitado com a viagem, ficou imaginando e procurando o que seria a imaterialização. Só mesmo de madrugada conseguiu dormir, pois não continha sua expectativa. Esqueceu de seus costumes e até a luneta ficou abandonada.

No dia seguinte, após a rotina normal dirigiram-se para o aeroporto de Elhis Shawn. Ao chegarem no CCM, logo foram encaminhados à sala de Hokerh, a qual estava dando prosseguimento à sua nova experiência, com um animal de pequeno porte. Ao vê-lo, Wakanerefy disse:

- Puxa, velho! Você é o máximo mesmo! Não pára de inventar!

- Obrigado, mas esta foi bem mais simples. Afinal, onde está a sua querida mãe?

- Ah, mamãe não quis assistir experiências com animais. Temos de concordar, não acha, pai?

- É claro, mas, já que ela não quis vir até aqui, nós vamos até ela. Por favor, Kriskam, suspenda a operação.

- Mas, senhor Hokerh...

- Eu disse para suspender . Sou uma criatura e não uma máquina. Estou morrendo de saudade de minha mulher. Dá licença, por favor.

- Desculpe, doutor Hokerh. Às vezes, eu mesmo penso que sou mais máquina do que homem.

Hokerh passou a mão pelas costas de seu filho e saiu do laboratório, em direção à Georhely. Ao vê-la, abraçou-a contente. No meio dos cumprimentos disse:

- Querida, você me parece um pouco imaterializada!

- Eu, imaterializada! Hum... para mim, imaterializado é você! Nunca o vejo, só quando descobre coisas malucas!

Mais algumas gozações e encaminharam-se para o hotel, Wakanerefy, curioso e sentindo uma brecha de espaço. Fez inúmeras perguntas ao pai que, com a Paciência de sempre, foi respondendo na medida do possível. E, como não poderia deixar de fazê-lo, perguntou:

- Pai, o que é imaterialização?

- A imaterialização é um processo curioso. Lembra-se de sua partícula GTS? Pois bem, é ela que permite este processo.

Você sabe que na experiência anterior, retiramos esta partícula da matéria para provocar uma gravidade artificial nas proximidades da Lua. Esta matéria ficou comprimida no interior dos reatores, enquanto era feita a experiência. Após a experiência, fomos ver o comportamento dela.

Quando abrimos o compartimento, ela não estava mais lá, mas estava. Não sabíamos porque, a matéria não estava visível, mas estava lá, com seu peso e suas propriedades. Não sabíamos como aquilo foi acontecer e passamos a crer todo o equipamento, para ver qual fora a falha. Quando encontramos a causa, descobrimos este processo por pura sorte.

- Que processo, pai?

- Não se apresse, vou lhe contar. Quando retiramos a partícula GTS dos neutrons, nada mais os mantinha no núcleo dos átomos e, sem o fator gravidade, eles ficaram soltos na matéria. Devido a uma descarga elétrica no reator, estes neutrons adquiriram carga elétrica negativa e positiva e passaram a se comportar como prótons no núcleo e como elétrons nas órbitas. A matéria continuou com o mesmo número e a mesma massa atômica, mas, como este arraso inusitado, ela passou a ter uma outra aparência, isto é, nenhuma. Desapareceu dos nossos olhos,. porque os fótons de luz já não incidiam mais nela: atravessam seu núcleo, que então se encontrava pelo menos vinte e cinco por cento menor.

Revertemos o processo, com nova descarga elétrica, e a matéria voltou a ser como dantes, mostrando que este processo é reversível. Assim, descobrimos a imaterialização, porque significaria a destruição da matéria e não é isto que ocorre, a matéria só desaparece para os fótons. No mais, continua a mesma.

A partir daí, resolvemos fazer esta experiência com animais. Não só deu certo, como descobrimos mais uma coisa quando está no estado de imaterialização, o animal é praticamente invulnerável, porque o arranjo na órbita dos átomos torna a matéria tão dura quanto o diamante; mas isto não afeta os movimentos do animal. É como ele volta ao normal, continua o mesmo, tão vulnerável quanto antes.

Existem outras implicações, mas, por enquanto, basta. Bem, agora vou precisar conversar um pouco com sua mãe e o senhor, por favor, me dá um tempo e fique bonzinho.

Ao longo da conversa quando Wakanerefy voltou para apanhar um copo d’água. Hokerh virou-se para a esposa e diz-lhe:

- Georhely, vou pedir-lhe um grande favor!

- Permite que eu faça uma experiência com nosso filho?

- Mas logo eu, papai?

- Sim, você mesmo. Por que tanta admiração?

- Por nada, pai. Foi apenas uma reação expontânea.

Hokerh, sua pergunta é um tanto quanto maluca. Wakanerefy é nosso filho, não uma cobaia. Você sabe muito bem das responsabilidades. Se alguma coisa sair errada, jamais o perdoarei.

- Deixe-o, mãe. Eu confio no papai. Sei bem o amor que sente por mim; nã irá decepcioná-la. Pode acreditar!

- Sendo assim, está bem. Faço votos que tudo corra bem.

- Muito obrigado, querida. Amo a sua compreensão. Só você mesmo pode me entender, grato. Vamos, meu filho, é como uma nova vida, você verá!

Hokerh estendeu as mãos e retornaram à sala do laboratório, do setor F. Depois de algum tempo. Wakanerefy, despido, deitou-se dentro de um tubo retangular de cristal, onde foi fechado hermeticamente. A assistência sentiu um forte nervosismo, pois, desta vez, não era uma cobaia e, sim, um ser humano.

Wakanerefy, por dentro do tubo, transpirava, temendo uma falha. À sua volta, os cientistas verificavam e corrigiam as curvas de nível dos instrumentos eletrônicos. Todo o comportamento do organismo estava em prova. Os dados foram transferidos para os computadores centrais de Intart (inteligência artificial).

Hokerh ordenou a execução da primeira fase. Uma carga de isótopos radioativos foi ativada. Wakanerefy sentiu as mais variadas sensações. De repente, o sinal vermelho acendeu e, imediatamente, as teclas de comando foram tocadas. Em uma fração de segundos, uma pequena carga fora sentida.

No tubo de cristal não se via mais nada, estava vazio. Abriram-no e sentiram o movimento no seu interior. Wakanerefy estava se levantando. Através de um visor infravermelho. Hokerh acompanhava os movimentos do filho. Daí em diante, seus passos seriam seguidos apenas pela leitura dos equipamentos. A comunicação oral não mais poderia ser mantida, teria de ser de outra forma. Felizmente, os cérebros eletrônicos (IntArt) recebiam a sua freqüência cerebral de onda telepática e traduziam suas palavras. Era, a esta altura, o único inconveniente.

Nos visores coloridos, surgiam os dizeres dos pensamentos de Wakanerefy, dizia estar sentindo muito bem, só que ainda não tivera tempo suficiente para adaptar-se ao seu novo tipo: nenhum, principalmente, despido.

Não tardaria a rotina da conversação eletrônica. Parecia um pouco estranho; para o caso da recepção, o problema era menor: a mensagem era mais rápida, pois a mesma já vinha decifrada.

Uma longa palestra de Hokerh com o filho, por meio do sistema de interpretação eletrônico, chegava ao fim. Depois, foram par o hotel. Antes, Wakanerefy foi vestido com um roupa que lhe cobria inteiro, chapéu de aba larga, óculos escuros, cachecol e uma capa para proteção externa, na qual encontrava-se um sistema complexo de micro-circuito eletrônico, para poderem conversar.

Dirigiram-se ao portão de saída. Hokerh, despediu-se de todos e, nisto, estacionou o veículo oficial à sua frente. Ao entrar, Hokerh olhou para o chofer e ordenou que fosse para o hotel do setor 109.

O motorista seguia sem nada comentar. Durante o curto percurso, tudo transcorreu em silêncio. Em dado momento, Hokerh, percebeu uma modificação na direção de seu caminho. Imediatamente perguntou:

- Por favor... aonde vamos? Não é este o caminho!

- Ora, não é nada disso. Somente estou fazendo uso de um atalho. Desculpe, seu amigo não fala nada, é mudo?

- Hokerh, já desconfiado, respondeu-lhe:

- Ah, o meu amigo é o famoso cientista que move mundos... Seu nome é Hokerh. o fato é que devido ao grande número de palestras, está com a garganta fortemente inflamada.

- É verdade, ele é o verdadeiro Hokerh?

- Sim! Em carne e osso!

- Puxa, é um verdadeiro orgulho para mim transportar uma pessoa tão importante.

Hokerh, ao confirmar que o caminho seguido era outro, não perdeu mais tempo. Colocou as mãos no pescoço do motorista, dizendo-lhe:

- Vamos, cara! Chega de farsa. Para onde vamos, quem é você?

- Ao ver-se pressionado, o desconhecido puxou uma arma brilhante e tentou atingí-lo. Wakanerefy, ao ver um reflexo de metal, empurrou o seu pai para o lado e ficou no lugar dele. Wakanerefy levou um tiro de raspão. O motorista não teve alternativa, mas ficou estupefato ao notar que o mesmo nem sequer sentia dor. Afinal, o tiro resvalou e não aconteceu nada, nem uma gota de sangue.

O veículo desgovernou-se. Transtornado, diante dos fatos, o bandido pensou não existir mais tempo para nada e saltou do carro. Wakanerefy pulou para o banco da frente e com a devida cautela reduziu a velocidade, pisou no freio, e depois, estacionou um pouco mais adiante.

A esta altura, Hokerh tomou conta da situação. Mais relaxado, acionou a partida e rumou para o hotel. Ao chegarem, os hóspedes ficaram intrigados com a aparência dos dois.

Subiram par o quarto e, ao baterem à porta, não tiveram resposta. Ouviram vozes. Hokerh, preocupado e temendo que algo de mal pudesse estar acontecendo à sua esposa, olhou para Wakanerefy e por meio de seu transmissor, comunicou ao filho as medidas a serem tomadas.

Hokerh partiu à procura de policiais. Wakanerefy, abriu a porta lentamente e foi entrando. Ficou perplexo ao ver a mãe amarrada em uma cadeira. Seus nervos se contraíam, olhou para o rosto dos três homens, dizendo eletronicamente:

- Quem foi?

- Não lhe interessa!

- Interessa, sim!

- Então, procure você a resposta.

Wakanerefy, com ódio mortal, caminhou em direção à mãe e pergunta:

- Quem foi, mãe?

- Não posso dizer-lhe, nossa vida corre perigo.

Wakanerefy foi em direção do primeiro que viu à sua frente, dando-lhe um tremendo soco. Os outros sacaram suas armas e dispararam seguidamente. Porém as balas desviaram do seu corpo e foram projetar-se na parede. Ficaram abismados, não acreditando na idéia de um ser invulnerável. Wakanerefy aproveitou a oportunidade, trancou a porta e colocou no chão, um por um. realmente, um verdadeiro herói em ação. Em seguida, apanhou as armas, desamarrou a mãe e perguntou:

- Quem foi?

- Não sei. Wakanerefy, por favor, chega de tanta violência!

- Quem foi?

- Está bem... o mais gordo.

- Obrigado!

Wakanerefy dirigiu-se até o bandido, parou, olhou bem sua fisionomia, depois, ia tentar mais um ato de violência, quando bateram à porta, antes, realizou o seu desejo, depois, perguntou:

- Quem bate?

- Sou eu, Hokerh. Estou acompanhado da polícia.

Ao reconhecer a freqüência de voz, Wakanerefy abriu a porta. Sem perda de tempo, os homens da lei dominaram e algemaram os bandidos. Peritos cuidaram das digitais, transmitiram as imagens ao distrito. Alguns minutos depois, obtiveram a resposta do arquivo: um deles não tinha nenhuma passagem, porém, era um suspeito. Os demais, caçados há algum tempo pela polícia de Lirow 2 883 Brigg, por atentados e seqüestro de cientistas.

Os bandidos recuperaram a consciência. Pressionados pelos policiais, contaram sobre a tentativa de seqüestro de Georhely. Confessaram para quem trabalhavam e como falsificaram cartões magnéticos para ingressarem no CCM.

A rotina policial terminou e levaram os bandidos para a perua. Alguns guardas ficaram para dar cobertura à família. Hokerh, convidou um deles para entrar. Ao fazê-lo, deram início a uma discussão sobre todos os perigos enfrentados pela família nos últimos tempos e, o policial disse:

- Acho que o melhor a fazer, é o seguinte: a esta altura deve existir um monte de quadrilhas atrás dessa fórmula, afinal a imaterialização é perfeita para o crime.

- Então, o que devemos fazer?

- Devemos agir imediatamente. Wakanerefy deverá permanecer neste estado por mais algum tempo, como também, pessoas de confiança da polícia. Desta maneira, faríamos um plano para capturar mais quadrilhas em menos meses. Em curto espaço de tempo, estarão quase todas entregues à mão da justiça. Não haveria risco de vida para o seu filho, o qual poderia passar por uma isca perfeita. Ao mesmo tempo, ajudaria o Estado a se livrar de marginais. Espero que esteja de acordo.

- Estou!

- Ótimo. A primeira coisa a fazer é entrar em contato com uma agência internacional de Inteligência, denominada de Gadda Fly.

Em seguida foram para o CCM. De lá, o policial telefonou e pediu alguns homens para virem ao setor 109. Não tardaram em chegar e o policial apresentou-se como sendo o tenente Drayndrix. Depois, explicou minuciosamente aos detetives a sua idéia. Estes concordaram com os planos. Restando a palavra final de Hokerh, se permitiria a continuação da imaterializarão de Wakanerefy, por mais algum tempo.

Hokerh ficou pensativo. Depois de confabular com sua esposa, terminou por concordar. Primeiramente, por medida de segurança, Hokerh recebia em sua sala todas as fichas de sua equipe de cinco homens, que lhe dariam apoio nesta missão.

Em cinco minutos, todo o grupo estava formado e cada qual em seu posto. No decorrer dos testes preliminares, Hokerh pediu os nomes do que fariam parte da operação. Em seguida, recebia a seguinte relação:

1. Batter Thell
2. Meinry Woosy
3. Heinty Dubby
4. Wolker Hendrix.
5. Nanver Seitkon.

O primeiro a ser chamado foi Wolker Hendirx, que foi conduzido até o tubo de cristal. Após alguns segundos, já haviam terminado a operação. Desta maneira em menos de dez minutos, haviam chegado ao fim do trabalho.

Mais tarde, ao receberem as roupas especiais. Hokerh aproveitou para fazer um ensaio de funcionamento de todo o equipamento do laboratório. Disse que para onde quer que fossem, os cérebros (IntArt) estariam incumbidos do registro de tempo e scanning de localização. Por isto, em caso de traição, a programação enviaria um sinal em uma freqüência especial aos receptores individuais e o resultado seria uma enorme explosão e deixariam de existir.

Com tudo esclarecido, despediram-se de Hokerh e foram para um hotel dar inicio aos planos. Surgiu um imprevisto: Wolker Hendrix havia sido chamado por seus superiores para a encerramento de um caso. Voltaram novamente para o CCM e, ao chegarem, foram informados de que Hokerh havia ido para o hotel.

Desceram correndo as escadas, tomaram um veículo e para lá se dirigiram. Ao estarem próximos, Wakanerefy estranhou a presença de uma ambulância. Temendo algo de ruim, disse:

- Há uma ambulância estacionada em frente ao hotel de papai. Isto não me agrada nem um pouco...

- Não precisa se preocupar, não deve ser nada.

Desceram, passaram pelo lobby do hotel e subiram imediatamente para o quarto de Hokerh. Ao entrarem no quarto, Wakanerefy ficou chocado, ao ver sua mãe sendo atendida por uma equipe de médicos.

- O que significa isto, pai?

- Não se preocupe, é apenas uma recaída de saúde provocada por uma instabilidade emocional. Ela perdeu a sua irmã, entendeu?

- Mas, como aconteceu?!

Uma pane na nave em que viajavam para uma excursão para a Lua, fez com que a mesma explodisse. Não restou uma alma sequer.

- Puxa, sinto muito que isto tenha acontecido. Mamãe, meus sinceros votos de pêsames. Ah, papai... desculpe, eu sei que não é hora apropriada, mas precisam urgentemente de Wolker Hendrix. O senhor poderia nos ajudar.

- Desculpe-me filho, mas na situação que me encontro é difícil. Podem ir para o laboratório: eu entrarei em contato, pelo Vídeotrans. Procurem por Tibby Dowly, que poderá facilmente substituir-me... agora vão... sua mãe precisa de descanso e muito silêncio.

- Obrigado pai... perdoe-me vir incomodá-lo nesta hora.

- Não foi nada, a culpa não é sua. Não perca tempo, mexa-se!

Retornaram ao laboratório e aguardaram a chegada de Tibby Dowly. Ao vê-lo, trocaram algumas idéias e imediatamente, foram encaminhados à sala de operação inversa. A equipe já estava a postos.

Nem bem passaram cinco minutos e o jovem detetive voltava ao seu estado normal: materializado. Depois o acompanharam até o pátio principal, de onde apanhou um veículo oficial e foi para Gadda Flay, onde sua presença era exigida.

A seguir, o quinteto foi para um hotel próximo e lá permaneceu até às 16:00 horas. Depois, partiram em dois carros para um vistoria nos laboratórios restantes. Ao estacionarem os carros, tiraram as roupas e já não se via mais nada: estavam invisíveis.

Passaram-se mais algumas horas e nenhum sinal de penetração de estranhos. As fichas individuais eram constantemente revisadas e confirmadas, o que dava uma certa tranqüilidade a missão.

Continuaram nesta dura campanha por mais de dez dias. Estavam contentes por nenhuma quadrilha ter tentado nada. Em face disto, todos voltaram ao seu estado natural e foram dispensados de seus serviços.

Naquela noite, antes de partirem, os detetives se despediram e avisaram que, em caso de necessidade, era só comunicar-lhes que os atenderiam com o maior prazer.

Dois dias depois, Wakanerefy, chateado e com saudade de leebewa, pediu à mãe que retornassem à casa, mas ela ainda estava em recuperação e não poderia viajar tão cedo.

No quarto dia, Georhely fazia os preparativos para a partida, pois suas condições físicas estavam bem melhores, permitindo a viagem, Wakanerefy foi ao aeroporto de Hawsy Howcy, apenas por distração. No restaurante, viu passar à sua frente um garota que não lhe era estranha. Levantou-se e a seguiu. Ela, ao perceber, olhou para trás e ao vê-lo correu em sua direção. Ao se encontrarem, Wakanerefy disse:

- Andbelefy, como você está linda? Nem parece aquela menina que eu conheci... Afinal, que ventos à trazem?

- Waka, quanta saudade! Que alegria em vê-lo novamente... Você não mudou nada. Vim com os meus pais e vamos partir para a sua cidade.

- Caramba! que bom ouvi-la. Não acredito que seja verdade. É muito lindo! Ainda mais, você vai morar perto de mim, que o céu a ouçam para sempre!

- Ora vamos, não precisa dramatizar tanto... eu gosto de você e estarei bem perto, mais do que você possa imaginar! Mas cuidado hein, não arrume outra, senão as coisas vão ficar pretas par o seu lado.

- Afinal, o que faz você por aqui?

- Vim cumprimentar o meu pai no CCM, e ver o seu trabalho. Devo voltar logo para casa. Que tal sentarmos?

- Boa idéia! Assim, melhor acomodados, poderemos conversar sobre nossas vidas.

- Venha por aqui... Prefere o lado direito ou esquerdo da mesa?

- Direito, por costume.

- Servida almoçar?

- Não, obrigada. Já almocei.

- Como estava lhe contando a respeito do meu pai, ele descobriu coisas maravilhosas. Tudo o que faz dedica à família. Mas, ao mesmo tempo, nós o vemos tão pouco!... Ele trabalha demais e quase não há tempo para conversar. Isto me deixa chateado.

- Por que?

- Porque a minha maior preocupação é nunca ter-lhe feito nada de útil, a não ser, dar-lhe apoio moral.

- Perdoe-me interrompê-lo. Só quero fazer-lhe uma pergunta: tem certeza que ‘s somente apoio.

- Sim. Acho que é só.

- Desculpe meu amor, mas está errado. O que você dá é apenas o sentido de uma palavra poderosa: amor. Compreendeu?

- Mas... como amor?

- Sim, amor verdadeiro. Seu pai faz tudo por vocês, porque ele possuí um imenso amor, principalmente, por você, Wakanerefy! E devido ao seu sistema de vida, ele os recompensa com trabalho e glórias. Wakanerefy, sinta-se realizado em ter um pai assim.

- Andbelefy, estou admirado com seu raciocínio, você é um anjo. Se eu sou o alvo de meu pai para a criação de todas essas coisas, ele será o meu. Ainda chegará o dia em que serei útil para ele.

Gostei, Waka! Parece mesmo estar consciente do futuro que o espera. Ah, veja ali, é a mamãe... Um momentinho. Mamãe, mamãe!

- Olá minha filha, almoçando outra vez?

- Não, mãe. Deixe-me apresentar-lhe o mais jovem cientista do mundo: Wakanerefy Templeyn Towmmor.

- Encantada!

- O prazer foi meu.

Continuaram conversando, mas Wakanerefy, notando as horas e sentindo vontade de dar um passeio ao lado de sua garota, disse:

- Por favor, a senhora poderia me dar a honra de passear um puco com sua filha?

- Tudo bem, mas não temos muito tempo.

- De quanto tempo dispõem?

- Uma hora, aproximadamente.

- Obrigado, é tempo suficiente. Vamos, Andbelefy.

- Por mim, nenhuma objeção.

- Está bem, podem ir. Não demorem.

Correram, brincaram e namoraram. As câmaras de circuito fechado registraram oa mais belos e puros gestos de amor. Foram os melhores momentos de Wakanerefy.

Por fim, estavam próximos do instante de retornarem ao saguão de embarque, pois o número do vôo tinha a sua última chamada. A mãe de Andbelefy ao vê-los, disse:

- Desculpe, Wakanerefy, está em cima da hora. Muito prazer, gostei de você. Eu já vou indo. Andbelefy, o seu pai aguarda-nos no avião. Mais uma vez, foi um prazer em conhecê-lo. Andbelefy, por favor querida, não demore!

- O prazer foi meu. Até breve!

- Adeus, Felicidade.

- Adeus, Wakanerefy. Espero vê-lo o mais rápido possível.

Beijaram-se em uma cena forte de adeus em câmara lenta, por fim, a partida de Andbelefy. Com lágrimas no rosto e sensibilizado, Wakanerefy voltou para o hotel, irradiando alegria, e não vendo a hora para contar à sua mãe: a feliz surpresa que tivera.

Mais tarde, dirigiu-se à sacada e durante horas ficou curtindo o céu, que estava sem nenhuma nuvem e pode ver claramente os planetas e satélites.

No dia seguinte, por volta das 16:00 horas, Wakanerefy e sua mãe foram ao laboratório do CCM para despedirem-se de Hokerh. Ao chegarem, foram encaminhados à sala de espera, pois Hokerh encontrava-se em conferência e em breve estaria livre.

Após a reunião, Hokerh veio ao encontro da família, dizendo:

- Queridos, aguardem um momentinho só... volto a seguir.

Depois, Hokerh voltou com uma pasta debaixo do braço e a entregou ao filho, dizendo:

- Wakanerefy, aqui está o produto de meus esforços. Não abra até chegar em casa, nem empreste a ninguém. Nestes papéis está resumido todo meu trabalho. Para evitar futuros problemas, nesta caneta, na parte interna, se encontra a escala eletrônica da codificação técnica usada nos códigos de todos os diagramas.

- Está bem, cuidarei com todo cuidado, pode deixar!

Wakanerefy, contente, se apoderou da pasta, pois agora poderia entender em detalhes as descobertas do pai. Nisto, seus pais se despediram com muito carinho, com promessas de um breve retorno.

Mais tarde, Wakanerefy e sua mãe partiram para o aeroporto de Hawsy Howcy, a fim de voltarem finalmente para casa.

 

8. OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS

Um mês depois, praticamente, todos os jornais noticiavam o aparecimento de objetos desconhecidos, com formas estranhas e luz própria. O movimento dos mesmos era uniforme e silencioso e, durante algum tempo, fizeram verdadeiras acrobacias no espaço, desafiando as leis da natureza. Quando os radares começaram a rastreá-los, eles desapareceram.

O noticiário era extenso e repleto de fotografias. Farto material, em vídeo, fora registrado. As estações de televisão não comentavam outro assunto. A aparição mais ousada dos últimos anos.

Wakanerefy, curioso, comprou todos os jornais e revistas. Depois, recortou e colou tudo em seu álbum. De repente, ao olhar minuciosamente foto por foto, percebeu que as circunferências e os traços feitos na aboboda tinham algum sentido e pareciam constituir uma linguagem, mas como não tinha a sequência cronológica correta, não pode decifrá-la.

Durante aquela noite, ficou à procura das naves desconhecidas, mas não teve sorte; não apareceram. E uma série de questões vieram-lhe à mente: Por que será que eles apareciam e desapareciam sem deixar vestígios? Nem os radares conseguiam estabelecer o seu rastro? Como chegavam e como partiam? Por mais rápidos que fossem os aparelhos na chegada e na ida, pareciam registrar tudo à velocidade da luz. Ou eles se materializam no espaço, ou...

Não é possível? Difícil de acreditar!... São mais velozes que a luz! Se isto é verdade, quando diminuem a velocidade, aparecem para os radares e quando ultrapassam a velocidade da luz, desaparecem. Por isso a impressão se materializarem de repente; mas será isso mesmo?

Wakanerefy estava atordoado, mas continuava a pensar, não esmorecia instante algum.

Esta velocidade fenomenal, se for maior que a da luz, criará uma série de paradoxos, para a física que conhecemos. Isto explicaria o aparecimento quase simultâneo em lugares distantes. Assim, quando se vê uma imagem em um determinado ponto do céu, eles já estão em outro lugar produzindo outra. É como dizem os astrofísicos: é possível estudar o passado pela luz das estrelas. Se uma estrela está a 10.000 anos-luz, estamos vendo a luz produzida por esta estrela a 10.000 anos atrás. Os fenômenos que ocorrem nela, agora, só chegarão até nós daqui a 10.000 anos. Mas se uma nave se aproxima desta estrela, acima da velocidade da luz, vera o percurso do tempo se acelerar; mas se a nave se agastar, o tempo voltará para trás.

E esta linguagem, o que eles querem dizer? Se estão aqui, é porque nos conhecem e se usam esta linguagem, é porque sabem que vamos decifrá-la.

Wakanerefy não desistia e mesmo diante de teorias fantásticas, não esmorecia. Continuaria em suas pesquisas a qualquer custo.

Na semana seguinte, havia trocado o seu telescópio por um mais sofisticado e de maior alcance, para facilitar-lhe à procura dos objetos não identificados. Comprou, também, vários equipamentos eletrônicos, para identificar a presença de corpos voadores. Instalou câmaras fotográficas e de vídeo com todos os seus acessórios de controle remoto. Estava tudo pronto, para o registro seqüencial em tempo real de seus movimentos no céu.

Muitas noites se passaram e nada! Um dia, Wakanerefy, viu alguns pontinhos no céu. A princípio, davam a impressão de estrelas cadentes, pela velocidade que vinham ao encontro da superfície terrestre.

Wakanerefy ficou intrigado, mas não tardou a perceber a presença dos famosos discos voadores. Nervoso e desajeitado, diante do resplendor de toda aquela luz, ligou os equipamentos e rodou a gravação. As seqüências das naves foram dirigidas até por computadores de última geração.

Os discos ficaram parados por alguns minutos e, em seguida, voaram sobre as adjacências. Depois, desapareceram no horizonte, a uma velocidade descomunal. Wakanerefy vibrou de felicidade e rebobinou as fitas de vídeo. Ao tocar a tecla do play, ficou frustradíssimo por nada ver na tela do monitor. Por sorte, restava ainda o filme fotográfico.

No dia seguinte, não deu outra. Logo cedo mandou revelar o filme na loja de um amigo de extrema confiança. Em menos de meia hora teve as fotos reveladas e ficou muito contente em ver que não tinha perdido nenhuma.

Satisfeito com a boa nova, rumou para casa pensando nos problemas que teria, em interpretar a linguagem daqueles estranhos movimentos geométricos que assistira na noite anterior.

Durante o almoço. Georhely percebeu o acentuado estado de ansiedade do filho e perguntou:

- O que se passa, filho?

- Não é nada, mãe. Apenas estou aguardando fatos. Estou com um pressentimento aguçado. Se os movimentos das naves são iguais a um código binário, fiz uma coriosa descoberta: A Linguagem Espacial.

- Ótimo, espero que consiga o seu intento. Agora vamos, não esqueça de comer.

Ficaram discutindo um bom tempo; a mãe parecia encantada com suas idéias, pois tinham um certo nexo. Depois, Wakanerefy retornou ao quarto e continuou os estudos da seqüência dos movimentos dos discos.

Aos poucos, lentamente, com acessórios sofisticados de vídeo, fundia em sua mesa de efeitos digitais todas as fotos. No monitor via-se claramente as misturas de imagens sobrepostas; usava todos os recursos que dispunha mais a sua imaginação de lógica e dedução. Com seu mouse preenchia as linhas, círculos, pontos. Em pouco tempo foi estabelecendo a combinação dos sinais, que faziam duas seqüências lógicas:

0----0
0---0
0--0
0-0
00
0....0
0...0
0..0
0.0
00...

Diante este gráfico, pensava consigo mesmo:

Círculos que se aproximam entre traços, isto é claro; estabelecer contato, mas por que duas sequências? Círculos que se aproximam entre pontos e depois do contato dos pontos. Só pode ser o tempo, é isso! Os pontos depois dos círculos em contanto, querem dizer o tempo que levarão para fazer o contato. Quatro pontos, Quatro dias, quatro semanas ou quatro meses, mas será que eles conhecem nossa contagem de tempo? Para um estranho, só poderia: dia, mês lunar ou ano. Quatro anos etá muito distante, quatro dias está muito próximo. Só pode ser quatro meses lunares: 112 dias. É claro!

De repente, parecia-lhe um sonho, mas as mensagens estavam finalmente traduzidas:

ESTABELECER CONTATO, 112 DIAS.

Wakanerefy não resistiu, gritou pela sua mãe ao ver decifrada sua teoria. Ao chegar Georhely, ele disse:

- Olhe, mãe! Seu filho conseguiu fazer uma grande descoberta! Eles vem aí e é prá valer! Prepare-se!

Wakanerefy estava agitadíssimo, não conseguia manter-se calmo; a excitação era total.

- Meu filho, está bem, meus parabéns. Por favor, procure acalmar-se.

- Vou tentar, Não prometo.

As acalmar os ânimos, Georhely telefonou para Hokerh, avisando da partida de Wakanerefy par lá. Depois, ligou para o aeroporto de Elhis Shawn, reservando passagem para o dia seguinte. A seguir, procurou alguns sedativos e deu um para seu filho. Wakanerefy, sob o efeito do tranqüilizante, subiu par os eu quarto e logo caiu em sono profundo.

No dia seguinte, Wakanerefy com sua mãe foram até o aeroporto. Depois de alguns minutos, partiu sozinho para Hawsy Howcy. Ao chegar, uma equipe de segurança o esperava e de lá rumaram para o CCM.

Wakanerefy preparava os micro-vídeos para exibir nas telas eletrônicas, ampliadas por computador. Não tardou, Hokerh chegou animado e disse:

- Olá filho, estou contente. Pelo que sei você não vai me decepcionar. Você será um grande cientista. Parabéns!

- Obrigado pai. Só espero estar certo.

- Não é necessário agradecer, filho. Preciso de ações e você tomou o rumo certo. Isto me alegra bastante. Quanto a estar certo ou não, o futuro dirá.

- Calma pai, não seja tão pessimista... torça para que eu esteja certo.

- Assim espero. Bem... então vamos começar a projeção. Parece que todos estão bem curiosos, como eu também!

Foram exibidos os vídeos individualmente, depois, a mistura de todas as seqüências. Wakanerefy defendia suas teses, que pareciam consistentes. A maioria concordou. Restava esperar os cento e doze dias. Mas, em dado instante, nas imagens superpostas, notaram que na macro ampliação se formava uma palavra, que não tinha sentido para eles: Kathelaws.

Wakanerefy supôs tratar-se do nome da geração visitante. Muitos concordavam também, mas de qualquer forma, se tudo fosse comprovado, estava solucionado o problema dos objetos voadores não identificados.

Ao final dos debates, Wakanerefy permaneceu mais um dia. Conversou longamente com o pai, reportando-o a respeito de seus sonhos em visitar o espaço e até sobre o conflito em relação às namoradas: Leebewa e Andbelefy.

No dia seguinte, à tarde, partiu novamente para casa; tornava-se uma rotina agradável as viagens de casa para o CCM.

Wakanerefy chegou e logo notou a ausência da mãe. A princípio, não deu muita importância; pensava que a mesma havia saído para fazer algumas compras. Subiu ao quarto e desfez as malas.

Por volta das oito horas da noite, nenhum vestígio de Georhely. Esta demora começava a deixá-lo mais preocupado, pois ela não costumava demorar tanto, ainda mais ao anoitecer, sabendo que ele voltaria.

Mais algumas horas se passaram e nenhum sinal, nem um recado ou telefonema. Parecia-lhe agora ter acontecido algo de anormal. Ao que tudo indicava, teria muito que esperar.

Os relógios digitais marcavam meia-noite. Sem dúvida, algo de errado no ar, Wakanerefy perdia a paciência e começava a telefonar para todas as amigas da mãe. Infelizmente, não conseguiu nada. O pânico tomou conta de sí, não conseguia nem dormir e ficou à espera de um comunicado qualquer.

Duas horas da manhã, não conseguindo mais vencer o sono, caminhou para o quarto. Quando começou a subir as escadas, o Vídeotrans emitiu o sinal costumeiro. Wakanerefy correu em sua direção e atendeu: era sua mãe, que comunicava um grave acidente com os pais de Hokerh, que corriam risco de vida.

Wakanerefy, chocado com as cenas do acidente de seus avós, ligou em seguida para seu pai, que prometeu ir no primeiro vôo para a cidade natal de seus pais: Erinshow.

Hokerh, ao chegar, recebeu a amarga notícia: o Senhor Keufgener Lenner Towmmor, havia falecido e a Senhora Winguem Lenner Towmmor, havia falecido horas antes, não suportando os ferimentos.

Mais tarde, Wakanerefy rumou para Erinshow. Ao chegar, encontrou-se com toda família, enquanto aguardavam a liberação dos corpos para desintegração eletrônica. Outros parentes cuidavam da parte legal dos documentos, para tal autorização.

Ao cabo de uma hora, tudo foi resolvido. Naquela noite, conversaram muito pouco entre sí. Afinal, independentemente dos séculos, a morte dos entes queridos, nunca foi muito bem aceita.

No dia seguinte, na hora marcada, foi feita uma cerimônia simples e, logo ao final, os familiares se despediram, prometendo visitas, em breve.

Wakanerefy voltou com os pais. Sentia a dor da morte dos avós mas, por outro lado, o seu penar não era tanto, diante do esplendor que os novos fatos lhe reservavam.

Chegando em casa, logo seu pai partiu para o CCM. Wakanerefy, para desligar um pouco, estava de volta sonhando com a espera de uma nova mensagem dos estranhos tripulantes dos objetos voadores não identificados, incógnitos seres do espaço sideral.

 

9. VIAGEM A UM PLANETA ARTIFICIAL

Wakanerefy continuava em sua rotina e seus pais também, no ritmo de sempre. O pai dificilmente vinha para casa visitá-lo e a mãe raramente saia de casa para viajar ou coisa parecida, pois se entregava muito no trabalho.

.A esta altura Wakanerefy esquecia de tudo. Sua amiga Leebewa, durante o seu afastamento, estava com outro namorado e havia mudado de emprego, indo para outra cidade. Vivia agora trancado em seu laboratório, trabalhando duro.

Nesta atmosfera de apatia, chegou em sua casa o primo Hanney Ghukky Towmmor. Veio passar um mês de férias escolares. Os dois logo tiveram um bom entrosamento.

Hanney já aprendera a lidar com os explosivos. A noite, discutiam, pois ao contrário de Wakanerefy, não gostava de ficar olhando para o céu e não acreditava muito em viagens espaciais e gostava dos prazeres terrenos.

Um dia, Hanneu percebeu que o vizinho estava de mudança. Aproximando-se do dono da casa, reparou que era um homem idoso, deveria ter mais de setenta anos. Ao conversar com ele, ficou sabendo que iria para a cidade de Richmond 12 720 Trukk, sua cidade natal, onde preferia lá permanecer no final de sua velhice.

Hanney ficou intrigado com sua maneira de viver, pois, com esta idade, vivia sozinho; a não ser uma contratada por alguns dias por semana. Ficou surpreso ao saber que ele era fanático pela música eletrônica contemporânea.

Possuía uma quantidade enorme de laser musicais. Confessava que o motivo de sua coqueluche eram as linhas dissonantes da música contemporânea e que isto era um espelho de tudo o que ele via. Assim, entendia o mundo através da música. E nada mais o surpreendia.

Ao término da conversa, o senhor Woodloffity retirou-se e Hanney o acompanhou até o carro que o aguardava. Nisto, Wakanerefy chegou em companhia de um amigo.

Woodloffty despediu-se de todos, deixando o seu novo endereço, fazendo votos de felicidades para todos e dando o último aceno de adeus aos vizinhos. Depois. Ouviu-se apenas o ruído de seu veículo.

Mais tarde, os três entraram e começaram um bate-papo de suas tramas e conquistas do dia. A noitinha, depois de subir com os rapazes. Wakanerefy percebeu que no sentido da constelação Innos, a uma grande altitude, viu-se nitidamente uma esquadrilha de discos voadores. Porém, desta vez, o movimento era contínuo e uniforme. Enquanto procura sua câmara, o primo e o amigo dormiam como anjos.

De máquina em punho, ocorreu um fenômeno; as naves diminuíram sua luz ao máximo, ficando quase ocultas na escuridão. Desta maneira, ficou frustrado por não conseguir fotografar, mas pensou que talvez eles estivessem à procura de informações. A solução era aguardar uma nova mensagem, para confirmar o grande dia do primeiro contacto com os incógnitos visitantes do espaço.

No dia seguinte, de manhãzinha, Wakanerefy descreveu ao seu primo o ocorrido. Desceram ao jardim à procura dos jornais e não os encontraram. Subiram ao quarto da mãe de Wakanerefy, para lhe falar do desaparecimento e, ao fazê-lo, surpreenderam-se ao vê-la com o jornal nas mãos. Na capa, lá estavam as fotografias estampadas das estranhas naves espaciais. Os comentários foram os mais variados e assim passaram-se mais duas semanas para os dois aventureiros.

Da segunda para a terceira semana, Hanney, em seus habituais passeios, reparou estarem estacionando alguns caminhões de mudança ao lado da sua casa, onde morava antes aquele senhor idoso e logo novos donos chegariam. Com sua curiosidade aguçada, dirigiu-se à um dos motoristas, mas estes não souberam informar nada.

No último dia de sua estadia, fizeram de tudo para aproveitá-la ao máximo. A tarde, partiram par o aeroporto de Elhis Shawn.

Uma quinzena passou. Um dia, Wakanerefy estava voltando para casa, quando viu entrar em sua rua um carro que chamou-lhe a atenção. Notou a presença de três pessoas muito bem trajadas; evidentemente, deveria ser a nova família de vizinhos.

A jovem sentada no banco traseiro o intrigou. Olhou fixamente para o vulto e, finalmente, a reconheceu. Não era possível, pensava, trata-se de Andbelefy!

O moderno veículo estacionou ao lado de sua casa. Um senhor foi o primeiro a sair; supostamente, o pai. Wakanerefy olhou para o seu rosto, ficou chocado. Tinha a impressão de tê-lo visto em algum lugar. O senhor parou e durante alguns segundos olhou para Wakanerefy. Em seguida, abriu a porta de Andbelefy.

Wakanerefy, preocupado com a troca de olhares entre os dois, foi para casa e logo subiu para o quarto e de lá ficou assistindo a tudo. Com o binóculo, contemplava a beleza de usa namorada; parecia que agora estava mais linda. Paralelamente, um problema o perseguia, aonde havia visto o rosto daquele homem?

Tudo era novidade, quebrada a rotina, agora só pensava em Andbelefy. E naquela noite não foi ao laboratório e até sua luneta foi esquecida.

Ao deitar-se, sua mente, transbordava de belos pensamentos, ainda mais, ao tê-la, agora, todos os dias a seu lado. O impulso do amor tornou-se forte.

Noutro dia, já acordava com novidades: uma mensagem no Vídeotrans, do primo Hanney, avisa estar tudo em ordem, pois fez uma ótima viagem. Depois de lê-lo, desceu para o café. Pensava em coisas maravilhosas. Porém, a imagem do rosto daquele homem o perseguia cada vez mais. Aonde e quando o vira? Por mais que pensasse, não conseguia; misturava o seu rosto com um sem número de outras fisionomias conhecidas.

A cada momento, o tormento aumentava. Para aliviar, correu para o seu arquivo fotográfico de amigos e parentes, mas, quanto mais bisbilhotava, menos sabia. Somente o enigma dos discos voadores conseguia desviar sua atenção de seus problemas existenciais.

Por fim, optou em ir à casa de um amigo para jogar xadrez eletrônico e desencanar um pouco. À tardinha, já o sol desaparecia no horizonte, quando Wakanerefy despediu-se e veio pelo caminho habitual, encontrava-se bem mais aliviado.

No caminho, foi surpreendido ao ver a cada de um vizinho mais afastado, sendo devorada pela chamas. Correu em sua direção. A massa humana era grande e todos queriam ajudar, mas de nada adiantou. O fogo aumentava mais e mais. As sirenes são ouvidas, o tumulto se propaga, pois, o mais difícil de acontecer, naquela época, era um incêndio. O material da construção, não era inflamável.

Os bombeiros com coragem, partiram par o combate ao incêndio; este, com a sua fúria, não os amedrontava. Mas nada adiantou, o inimigo venceu. Restou cinzas e nada mais. Ao passar alguns minutos, chegaram várias viaturas de polícia. Todo o lugar é isolado e vasculhado.

Os peritos chegaram à conclusão de curto-circuito, por não haver outros indícios. Wakanerefy ficou perplexo ao ver a fraqueza do homem diante do fogo.

Ao término, todos se foram e só permaneceu Wakanerefy, que, ainda pensativo, começou a caminhar sobre as cinzas. De repente, pisou em algo. A sola do sapato queimou de forma estranha. Nisto, notou tratar-se de um tubo metálico que refletia uma luz vermelha em movimentos circulares. A temperatura era altíssima, não podia nem sequer pegá-lo.

Com o passar das horas, Wakanerefy percebeu a queda da temperatura. Ao chegar aos 50 graus centígrados, apanhou o tubo e o levou consigo para o laboratório, a fim de pesquisá-lo imediatamente.

Ao chegar em casa, uma idéia surgiu: seria aquele pedaço de metal proveniente dos discos voadores? Sua idéia parecia correta e, com curiosidade, procurou uma abertura na parte superior do objeto. Sabia que praticamente não existia metal na Terra que suportasse a temperatura do incêndio e somente poderia ter vindo de outro ponto do espaço. A causa do incêndio estava em suas mãos; não precisava se esforçar muito para descobrir o motivo do sinistro.

Wakanerefy levou um enorme susto quando, de repente, o metal atingiu a escala zero e abriu-se. Pode-se ver dentro um outro metal retilíneo, impresso com os mesmos sinais que havia fotografado. Não demorou muito para descobrir o sentido; os sinais diziam que chegariam dentro de um mês lunar.

Era o sinal confirmado de uma civilização superior, prestes a entrar em contato. O grande dia estava mais próximo. A emoção de Wakanerefy era enorme. Como seriam eles? Que tamanho teriam? Gordos ou magros? A imaginação deslanchava veloz demais; a excitação mental atingia o clímax. Estava próximo do grande encontro.

No dia seguinte, à tarde, como combinado, Wakanerefy se encontrava na varanda do quarto; estava preparando-se para a grande surpresa: o encontro com a namorada. Não o fizera antes, por timidez e excesso de acontecimentos inesperados.

De repente, viu Andbelefy passeando pelos jardins de sua residência. Ela respondeu friamente a um aceno de mão. Isto fez com que Wakanerefy ficasse frustado e deprimido; afinal, qual o motivo daquele gesto? Ao olhar mais para o lado, notou a presença dos pais dela. Logo pensou, talvez tenha sido o motivo de seu estranho procedimento.

A esta altura, o bom mesmo era Wakanerefy ficar quieto, antes que surgissem algum tipo de problema. Mais tarde, durante o jantar, a campainha tocou. Wakanerefy levantou-se e foi verificar de quem se tratava. Ao abrir a porta, ficou surpreso ao ver Andbelefy, que lhe disse:

- Que se passa? Parece não me reconhecer mais... Afinal, não precisa ter receio, não vou fazer-lhe nenhum mal. Mesmo sabendo que andou flertando com uma amiga minha, Leebewa. Você se lembra? Não perdeu tempo!

- Eu... Eu... Eu explico!

- Você não tem nada a explicar. Deve ter os seus motivos. Além do mais, ninguém garantia a minha vinda, ninguém. A não ser a minha palavra.

- Andbelefy, jura que não está magoada comigo? Não o fiz por querer e sim por uma questão de falta de companhia feminina.

- Ora... não precisa preocupar-se; antes com uma amiga minha, de que uma estranha. Eu é que tenho de pedir-lhe desculpas por não ter respondido ao seu aceno. Espero que saiba compreender... papai é muito bravo. E eu não queria cumprimentá-lo, além do mais, ele não está a par de sua existência concreta. Bem, dá licença de entrar... ou está muito ocupado? Não tem problema, venho outro dia!

- Ah, mas é claro, entre... Desculpe-me de não ter-lhe convidado antes, mas, é que fiquei um pouco fora de sintonia e esqueci até dos bons modos.

A seguir, entraram e foram conversando até onde estava sua mãe, que a abraçou, muito contente ao revê-la e por saber que era a nova vizinha. Wakanerefy contou a Andbelefy sobre suas recentes descobertas; ela ficou deslumbrada diante da narrativa do namorado.

No final da conversa, Wakanerefy aproveitou a oportunidade e a convidou para seu aniversário, dia 16 de Outubro, quando completaria vinte e dois anos. Andbelefy agradeceu e confirmou presença. Ele a levou até o portão de sua casa, onde ficaram mais algum tempo, pois não conseguiam vencer tanto assunto.

16 de outubro de 2 014, a data de aniversário. Durante o dia todo estavam cuidando dos preparativos para a ocasião e, segundo um pressentimento de Wakanerefy, depois deste não voltaria mais a comemorá-la.

A noitinha, chegaram os primeiros convidados: alguns vizinhos, amigos e colegas. Aos poucos, a festa começava a ficar animada. O número de convivas foi aumentado, porém, Andbelefy, até aquele momento, não havia dado a sua graça. Para Wakanerefy, sem a sua presença, não era a mesma coisa.

Hokerh chegou e a alegria do filho aumentou. A seguir, entrou sua namorada acompanhada dos pais. Wakanerefy dirigiu-se ao encontro deles e apresentou-os à sua família.

Ao mesmo tempo lhe veio à mesma cisma com a fisionomia do pai de Andbelefy. Havia uma certa frieza na maneira de falar, dando a impressão de alguma coisa ter existido, tempos atrás.

Quando Wakanerefy ficou sozinho com a garota, perguntou-lhe?

- Desculpe a indiscrição... Mas ainda não sei o nome de seu pai.

- Pois não, o nome é Arvenny Bechy Haam. Mais alguma coisa, senhor?

- Óh não, obrigado... Por que o costume de colocar, às vezes, a mão por dentro da camisa?

- É por causa de uma pequena cicatriz cirúrgica, realizada em seu abdome. Foi um acidente que tivera uma vez no trânsito.

Wakanerefy, chocado, lembrou-se, por fim, de onde o conhecia. Parecia-lhe impossível, mas não restavam mais dúvidas, tudo tornava-se mais claro agora. Há oito anos atrás, fora ele o assassino de sua primeira namorada. Seu rosto ficou sombrio e tudo transformava-se em péssimas lembranças daquele momento passado.

Andbelefy percebeu a estranha modificação e perguntou-lhe qual motivo. Ele desculpou-se dizendo ter esquecido de um importante recado para seu primo. Não mais tocaram no assunto. Wakanerefy fazia tudo para não magoar sua namorada, que não tinha culpa nenhuma daquilo tudo.

Mais tarde, Wakanerefy, um pouco mais controlado emocionantemente, pediu à namorada para ajudar a gravar algumas cenas de seu aniversário, e Andbelefy disse-lhe:

- Querido, se começar a gravação pela fachada da casa, será mais profissional... que acha?

- Ótima idéia, vamos então para o jardim.

Ao chegar lá, preparou o equipamento para o início das primeiras tomadas. Programou legendas e efeitos coloridos, como também, rotinas de enquadramento. Após, disse:

- Por que não nos sentamos um pouco? Temos tempo ainda.

- Está bem, não é uma má idéia... Está começando a tomar iniciativas. Isto que eu chamo de progresso!

- Obrigado.

- De nada. Sabe que a sua mãe é muito cuidadosa com a decoração de sua casa? É muito mesmo, tudo racionalmente bem distribuído. Internamente, uma verdadeira jóia. Externamente, uma... ...O que é aquilo no céu, Wakanerefy!!!

Andbelefy mal terminara de falar e uma escuridão completa tomou conta do distrito. Nenhum sinal de luz. A falta de energia elétrica era praticamente impossível, pois a fonte era permanente de energia nuclear.

Georhely tentou telefonar para a companhia responsável , mas foi em vão. O telefone estava mudo, o que, a esta altura, já era uma coincidência um tanto quanto inexplicável.

Todos encontravam-se em silêncio. O fenômeno tomou conta de cada pessoa. O estranho acontecimento fez com que alguns moradores saíssem de suas casas, à procura de explicações.

Todos convivas da festa foram à rua, que estava iluminada pela luz da Lua, tornando a atmosfera ainda mais carregada. Algo anormal estava acontecendo.

Andbelefy, tremendo, s agarrou nos braços de Wakanerefy. De repente, fortes ventos sopraram, acompanhados de uma queda brusca de temperatura. Todos estavam boquiabertos. Jamais haviam visto coisa igual.

O vento aumentou a sua fúria e algumas vidraças se partiram. Várias árvores das ruas caíram sobre carros estacionados próximos às calçadas.

Ninguém sabia do que se tratava. A resposta poderia estar naqueles dois pontinhos de luz que desenvolviam uma velocidade espantosa e, quanto mais se aproximavam, mais os ventos se enfureciam.

Algumas pessoas, mais espantadas, correram para os seus veículos, mas a energia dos mesmos era nula. Assim, foram obrigados a esperar e nada puderam fazer.

Wakanerefy, Andbelefy e Hokerh estavam lado a lado, para o que der e vier. Naquele clima de suspense, após alguns minutos, Wakanerefy gritou eufórico:

- São eles!, são eles!

Hokerh confirmou que eram naves espaciais e ficou espantado; a emoção tomou conta dos dois. Realmente, tudo era tão fantástico!

Os dois discos vinham em direção de Eringhow. Ninguém mais se entendia, parecia que haviam enlouquecidos. Não conseguiam controlar-se, tamanha paura do desconhecido.

As naves tinham uma velocidade incrível e sua luz aumentava à medida que ficavam mais perto da cidade. Em seguida, começaram a diminuir a velocidade e, nisto, novo fenômeno: as luzes, telefones e motores tinham novamente sua energia. Porém, ficavam com uma intermitência irritadora. O acende e apaga continuava, deixando a todos atônitos.

Os discos agora eram vistos mais de perto e não deixavam vestígio de gás ou esteira de luz, nem mesmo ruído. Pairaram sobre a casa de Wakanerefy e desceram a uma altura de 300 metros, por algum tempo. Todos ficaram admirados diante do esplendor luminoso.

Georhely caminhou até o micro-vídeo e o desligou. Imediatamente, este se desintegrou, o que deixou a todos abismados, mas ninguém arredava o pé; pareciam paralisados. De súbito, os dois discos lançaram uma fortíssima luz sobre todas as pessoas; era forte e penetrante, porém não incomodava a vista.

O impossível aconteceu, Wakanerefy, Andbelefy e Hokerh, apenas, sentiram uma sensação estranha de imponderabilidade (ausência de gravidade). Ficaram leves como pluma no espaço. Ao mesmo tempo, as duas naves moveram-se em sentido circular. Os três, como por encanto, subiram lentamente em direção ao centro das naves.

O casal foi para o lado direito e Hokerh para o esquerdo. Paralelamente, à subida, houve um decréscimo da intensidade de luz. Ao ingressarem, tornou-se tênue e fraca. Eles tiveram a impressão de chocarem-se contra a superfície do estranho objeto, mas, num piscar de olhos, abriu-se uma portinhola e noutro, estavam lá dentro.

Não entendiam o motivo da separação; talvez, em breve, tivessem a resposta. A imensa curiosidade os levou à procura dos seres que comandavam a nave. Nisto, Andbelefy encontrou um par de luvas feita de um metal orgânico, muito leve e resistente. Wakanerefy examinou com cuidado; nunca virá material assim.

Enquanto não avistavam os Kalhelaws (Entidades Biológicas extraterrestres, EBET) ficaram admirando o luxo do interior do disco, que parecia ser um lugar monótono e sem vida. Notavam uma beleza exótica que provinha da parede de metal: era a luz ambiente muito bem distribuída. Em dado momento. Wakanerefy vê uma passagem e diz:

- Olhe uma porta!... Vamos tentar abri-la.

- Está bem, espero que tenhamos sorte!

A porta abriu-se antes que algum esforço fosse feito. De dentro surgiram três criaturas altas, medindo 1,90 metros, de cor negróide e, quanto ao resto, normais. Um clima enigmático tomou conta do ambiente e um deles do centro, quebrou o silêncio e disse:

- Bem vindos à nave VOYAGE, o seu novo lar. O ano cósmico é 22.000.111. Previsão de vôo: 300 anos-luz terrestres. Espero que façam uma boa viagem!

- Por que nos abduziram?!

- Não se afobe, meu jovem, em 300 anos-luz terão a resposta.

- É, tem razão.

As naves começaram a desenvolver velocidade de partida extraterrestre. Por intermédio de uma grande tela, assistiram o afastamento da Terra. Logo tornou-se um grão de areia na imensidão do espaço que os envolvia.

Wakanerefy, chocado com a despedida de seu planeta natal, perguntou a um dos Kalhelaws:

- Para onde vamos?

- Para Skalaghadoffiana, um planeta artificial. Podem ficar descansados e tranqüilos, nossa missão é pacífica. Prometo: nada de mal lhes acontecerá e, em breve, estarão de volta.

- Isto já é uma notícia animadora. Que acha, Andbelefy?

- Não sei... Só sei que fomos raptados, vamos para um planeta artificial e, depois, voltaremos para casa...

- Tem razão, é o mesmo que não saber nada!

- Desculpe a curiosidade, ela é uma fêmea. Não é?

- Sim. Por que tanta curiosidade?

- Não conhecemos fêmeas em nosso planeta, há alguns milhares de anos.

- Por que as fêmeas não existem em seu planeta?

- Andbelefy, eliminamos esta diferença há muito tempo. Deste ponto de vista, somos todos iguais. Mas, não posso lhe adiantar qual sexo prevaleceu. Querem jantar?

- Já que a casa é nossa, estamos servidos.

- Tenham a bondade, é por aqui.

Enquanto os acompanhavam, ficaram encantados com o luxo existente nos demais pontos da nave, toda decorada de estranhos metais, contornados com figuras abstratas em relevo. Depois, sentaram-se em mesas especiais e foram servidos de algumas pílulas de alimento concentrado.

O jantar teve uma curta demora, terminou na terceira cápsula. Era de estranhar, mas, com o tempo, se acostumariam.

- Bem, está na hora de nos apresentarmos a vocês. Meu nome é: Snoffy, meu companheiro da esquerda é Pindillok e o outro chama-se Jananaik, que falará a respeito de vossa abdução.

- Prazer em conhecê-los. Faz milhares de anos que estamos aguardando, sempre rodeando a Terra, à procura de seres inteligentes, mas, infelizmente nesta época não existia sinal de vida racional, somente a irracional predominava.

Mais tarde, fizemos explorações por rincões de sua via-láctea e nada foi encontrado com as mesmas características. Retornamos à Terra e ficamos circundando por mais um período de 150.000 anos. Encontramos, então, um ser racional primitivo, de características espantosas, que fazia uso de sua mente.

A evolução destes seres, nos animava, esperamos um pouco mais e estamos aqui. Acho que evoluíram bastante, ainda mais, ao mudarem a trajetória de pequenos satélites. O que facilita em muito a nossa missão.

Daqui a algum tempo, chegaremos em nosso planeta natal e conhecerão a nossa civilização. Estamos avançados sobre a sua cultura, mas isto não impede o contato. Vocês estão num ponto de evolução razoável. Já estão tirando energia do átomo!

A conversa continuou com perguntas de Wakanerefy. Eles respondiam algumas e deixavam de lado outras. De repente, Snoffy disse:

- Como é Wakanerefy! Você não adorava ficar curtindo o Cosmos? Pois aí o tem! É todo seu, curta-o.

- É verdade! É um verdadeiro encanto a sua contemplação em uma nave espacial, mas... Como você sabe?

- Ah... Wakanerefy. O problema de sua teoria a respeito do final do ciclo solar, terá uma solução quando chegar à Skalaghadoffiana.

- Mas, como soube?!

- Só posso adiantar-lhe o seguinte: temos guardado em nossos arquivos todo o seu traçado mental. Na verdade, você e o seu pai, como verdadeiros gênios da atualidade, tiveram as freqüências mentais gravadas e arquivadas.

- Obrigado por nos chamar de gênios.

- Agora, por gentileza queiram me acompanhar-me.

- Para onde vamos?

- Para a sala ao lado. Quero mostrar-lhes uma pequena tela eletrônica.

Ao chegarem, ficaram fascinados com a variedade de equipamentos, totalmente diferentes e com uma estética maravilhosa. Podiam ver a imagem da Terra e de outros planetas, apenas, com comandos verbais.

Verificaram a distância que se encontravam do planeta natal: na tela os digitos apontavam para 1.422.789.000 quilômetros. O planeta Saturno era visto a uma distância de 43.011.000 quilômetros. Ao mesmo tempo, estavam encantados com o colorido de seus anéis, tão conhecidos e sonhados pelo homem.

A exposição deste planeta foi de curta duração; a nave estava desenvolvendo uma velocidade média de 250.000 quilômetros por segundo. Desta maneira, Saturno e mais os cinco planetas restantes logo seriam ultrapassados. Podia-se ter a nítida impressão de perfeitos bailarinos, ao som de um concerto perpétuo. Tratava-se de um espetáculo bastante raro.

Júpiter apareceu com seu imenso tamanho e a atmosfera densa, acompanhado de suas doze luas, porém, pelo ângulo em que se encontrava a nave, podiam ser vistas apenas seis. Os demais planetas pareciam estar parados e no centro o Sol, possuía este, a esta altura, uma luz calma e sem fulgor. Não sofria nenhuma alteração, dando a impressão de uma estrela mais brilhante apenas.

A medida que a nave se dirigia ao seu destino, o cenário ao seu redor tornou-se magnífico. As estrelas pareciam pequenos pontos que cresciam e davam ainda mais encantamento ao Universo.

Ao olharem atentamente para a Terra, viram que o seu tamanho era igual a uma jabuticaba, tão pequena e frágil. Mas, algum dia voltariam a pisar na terra de sua origem.

Neste instante, Wakanerefy, preocupado, perguntou por sua mãe, que ficara na Terra. Eles responderam que ela estava informada de tudo e que ele pode manter contato com o Vídeotrans dela, a qualquer hora. Depois, mais tranqüilo disse:

- Snoffy, e o meu pai?

- Tudo bem. Está na outra nave, em perfeitas condições de saúde, só que fazendo muito mais perguntas que você, Wakanerefy. Mas, quando quiserem usem os canais de vídeo comando para se comunicarem, certo.

Ao decorrer de mais algumas horas, foram informados que um robô, mascote da tripulação, havia sofrido uma avaria em seu circuito mestre, assim, teriam de pousar em uma lua de Netuno, chamada de Addtinim

 

10. PRIMEIRA PARADA: ADDTINIM, Lua de Netuno

A enorme nave ao chegar a 2.000 metros de altitude, deu várias voltas pelo satélite e diminuiu a velocidade. Depois, pousou mansamente no solo de Addtinim. Jananaik apertou uma tecla de seu sofisticado controle remoto e, em questão de segundos, abriu-se uma portinhola e desceu uma escada, dando livre acesso à superfície.

A luva que Andbelefy encontrara fazia parte da roupa que agora vestiam, recobrindo o corpo todo, com exceção do rosto, que dispunha de uma viseira transparente. Com esta espécie de escafandro, podiam sair da nave.

A outra nave, prosseguia em sua rota, porém, com a velocidade cruzeiro diminuída, para facilitar futura equalização de rota. Entrementes, as luzes artificiais do local foram ligadas por intermédio de controle remoto, que se encontrava em uma das mãos de Snoffy.

Ao cabo de alguns segundos, o chão moveu-se como uma esteira rolante e foram conduzidos ao interior de uma caverna. Lá encontraram uma grande quantidade de robots, espalhados dentro de retângulos de cristal, dando o aspecto de um museu, com uma diversidade ilimitada de modelos.

Wakanerefy e Andbelefy admiraram-se diante do que os seus olhos enxergavam. Durante o caminhar, notaram as variações de características de um para o outro. O fato mais surpreendente era que todos, aparentemente inertes, eram possuidores de sinal de telepatia. Assim, os assuntos eram discutidos mentalmente pelo casal e os robôs

A nova sensação da comunicação através da telepatia abriu novos horizontes ao jovens exploradores, deslumbrados diante de tanta novidade. A esta altura, Andbelefy começou a tomar gosto pelo passeio e, ao mesmo tempo, sentiu amor por aquelas criaturas metálicas que demonstravam tanta paz.

No estranho local, existia um relógio movido a fissão nuclear que, durante muitos séculos, continuaria funcionando. Em dado momento, Wakanerefy perguntou a Snoffy:

- Por favor, qual a história e o porquê da existência disto tudo?

- É muito simples. Há milênios atrás, alguns Addtinianos exploraram este satélite. Foi uma equipe de quatro astronautas, vindo de outro rincão, à procura de elementos radioativos, mas a nave, ao pousar, sofreu uma pane e ao chocar-se ao solo, fez-se em pedaços

Mais tarde, equipes de resgate os encontraram e, antes de descer, verificaram os marcadores, que indicavam a presença de forte radiatividade. Desta maneira, descobriu-se que o satélite é quase que praticamente constituído de material radioativo.

Mais algum tempo se passou, novas equipes vieram e o batizaram com o nome de Uramorique 235, mas a única maneira de se explorar toda sua riqueza mineral, seria explodindo o satélite. Assim, os restos seriam atirados em direção ao planeta, que teria equipamentos de gravidade artificial, para a freqüência: 28 Megahertz, para uma equalização de: Radiante Artificial de 16,8.

Felizmente, uma nave de nossa patrulha, estando por estas bandas e temendo o desequilíbrio do sistema planetário, não concordou com os planos da explosão. Houve muita luta e os descontentes foram afastados.

A seguir, todas as operações foram suspensas e os robôs ficaram de vigia durante séculos. A paz voltou a reinar em Addtinim. Nossos heróis metálicos terminaram a sua missão e foram colocados dentro de cristal e, enquanto existir energia em suas células eletrônicas, continuarão em suas funções apenas, em caso excepcionais, enviarão sinais de alerta à base.

O nosso robô, Ropper 97, será substituído por outro, pois o seu limite de uso já está esgotado. A avaria é o primeiro sinal de esgotamento. Ali adiante, estão robôs ainda intactos e sem uso. Podem escolher um para ser o mascote de nossa viagem.

O casal, bastante empolgado, correu e escolheu um, mas as opiniões divergiam. Por fim, terminaram ficando com o de denominação Gabiteriam 103. Snoffy elogiou a escolha, dizendo:

- Por acaso, escolheram o modelo mais recente e mais moderno. Vamos levá-lo para a nave; está na hora de partimos.

Ao término da missão de emergência, ligaram os comandos do robô ao controle geral da espaçonave, transferiram os programas e Gabiteriam os acompanhou.

Antes da partida, os robôs Additnimianos despediram-se telepaticamente de todos e diziam aguardar uma próxima visita, pois gostariam de ter um contato mais longo com as criaturas terrestres. Afinal, fazia séculos que não tinham a satisfação de contemplar uma geração de carne e osso.

Mais alguns segundos e tudo estava no mais perfeito funcionamento. A nave moveu-se e regressou ao espaço, em direção ao desconhecido planeta artificial dos Skalaghadoffianos.

 

11. RUMO AO PLANETA ARTIFICIAL

Ao final da partida, Andbelefy comentou a respeito da enorme distância do satélite ao Sol e o fato curioso de não existir frio algum: a temperatura era amena e parecida com a terrestre.

Snoffy se aproximou e, mais uma vez, com suas explicações minuciosas, disse:

- Fêmea Andbelefy, desculpe-me o termo fêmea. A temperatura de Addtinim deve-se à energia nuclear do próprio, transformada em energia térmica. Isto foi feito pelos Addtinianos. Desta maneira, a temperatura se perpetuará até o final da existência de elementos radiativos de sua superfície e centro de massa, isto é, mais ou menos nove milhões de anos.

Quanto aos robôs, não passam de explorações comercias de nossa civilização antiga, pois eram vendidos ou trocados. A seguir com a queda das vendas não mais adiantava modificações e, menos ainda, novas experiências. Por fim, sobrou: lá estava um museu da engenharia mecânica-eletrônica ultrapassada e sem valor nenhum. Resumindo, falência total da atividade.

- Por favor, Snoffy. A iluminação interna é muito estranha, parece partir em todas as direções e do próprio cristal. A que se deve este fenômeno?

- Wakanerefy, a energia utilizada por nós tem outros princípios, paralelos ao de vocês. Daí, a propagação é feita em um sistema diferente, causando, assim, o reflexo em corpos transparentes.

- Obrigado, satisfeito pela informação.

- Como dizem na Terra, de nada.

Uma escuridão total ocorreu novamente e novos espetáculos foram assistidos. Estavam agora a uma distância de 9.786.420.000 quilômetros, o sistema solar já era desconhecido e, por mais que tentassem reconhecê-lo, somente identificavam o Sol, a quem os tripulantes em seu mapa cósmico, atribuíam o nome de Neuelestruns 584.333. Para eles, era apenas uma estrela de pequena dimensão, em comparação às enigmáticas quase-estrelas Hovle, cem milhões de vezes mais brilhantes e pesadas.

Mais algumas horas se passaram, quando Wakanerefy e Andbelefy, foram encaminhados a uma sala da ala superior da nave, onde dormiram durante doze horas. Os Skalaghadoffianos continuaram os seus afazeres.

Terminando o período de novidades, a atmosfera tornou-se monótona para eles; um ambiente de rotina. Para suavizar o tempo, Jananaik, o comandante da nave, ordenou o aumento da velocidade, e assim, ultrapassou a barreira da luz.

O primeiro a despertar foi Wakanerefy, seguido por sua companheira. Ao levantar-se, estranharam a falta de um bom banho. Esqueciam-se que em pleno espaço não existe poeira. Desta maneira, com o passar do tempo, logo se acostumaram à falta do mesmo. Quanto as dentes, poderiam escová-los à vontade.

Em seguida, foram conduzidos para uma sala bastante curiosa em sua decoração. Lá foram oferecidos algumas iguarias. Depois, assistiram em uma grande tela na parede, as belezas do Universo. Nesta altura, já bem mais familiares.

Ao término, Snoffy deu inicio à projeção de documentários científicos, descrevendo as fases da evolução do planeta Terra, desde o primeiro estímulo de vida vegetal e animal. Depois, uma infinidade de monstros pré-históricos em lutas gigantescas e com instintos desconhecidos. Sempre, o vencedor era o que mais havia feito uso dos músculos de que dispunha independentemente de tamanho ou altura. As caudas enormes ajudavam muito o animal a vencer seus antagonistas. Assim, por causa da cauda contribuir ao máximo em uma luta, tornava-se uma potente arma e garantia o sucesso da sobrevivência.

Até que um dia surgiu o homem, uma criatura mínima em seu tamanho e proporção, um pouco feio e fraco em sua consistência física, por não estar adaptado ao novo ambiente. Alguns milhares de anos e dois produtos desta espécie estavam na nave, à caminho do planeta dos Skalaghadoffianos.

Neste momento, Andbelefy comentou:

- Se os homens tivessem nascido com cauda, seria mais fácil?

- Mas não teriam pego o bastão, comentou Snoffy.

Ambos caíram na risada. Andbelefy admitiu a inoportuna conclusão a que chegara.

E ao final da exibição, iniciou-se uma pequena palestra. Muitas idéias foram expostas e muitas opiniões discutidas. De um momento para o outro, Pindillok disse:

- Reparem que interessante: o comando anunciou que haverá uma decréscimo no nosso tempo de viagem.

- Por que razão?

- É muito simples. Verificou-se que a trajetória de seu planeta é em sentido ao escape de fuga do Universo, o que representa a dilatação continua e progressiva das massas em direção infinito. E coincide com a linha de nosso planeta artificial, quer dizer, o sentido de direção de nosso planeta é inverso ao de escape das massas. Em miúdos, a vinda é igual à nossa ida; concluindo, há uma sobra de tempo, certo?

- Correto, acho que entendi! Por exemplo: em uma estrada de quinze quilômetros, existe um carro em cada ponta. No caso, o primeiro que partisse ao encontro do segundo, haveria um tempo X para chegar à outra extremidade. Noutro caso, se os dois veículos partissem ao mesmo tempo, o encontro seria à metade do valor de X. Estou certo?

- Wakanerefy, é quase. Você só esqueceu, neste exemplo, que o solo também se move, alterando o resultado do tempo de X. Esbarramos na lei da Relatividade do tempo. Acho um bocado complexo discutir agora. Por que não comentamos algo diferente, como nossas vidas, por exemplo?

Wakanerefy, insistiu:

Espere um pouco, você ainda não me explicou, como consegue esta velocidade fantástica da nave!

- É muito simples. É o mesmo princípio que seu pai empregou para fazer a primeira experiência: aquilo que vocês chamam de partícula GTS. Em vez de usar energia nuclear como propulsor, usamos a gravidade como tractor. Em resumo, energia gravítica.

- Desculpe, mas ainda não entendi?

- A energia nuclear empurra a nave, a gravidade é usada para atrair a nave. Estabelecemos um feixe radiante em qualquer campo magnético de um corpo no espaço, como um planeta ou uma estrela, depois, do elo de parâmetros, o massa do corpo escolhido atraí a nave. Ë só.

- E como se faz para ultrapassar a velocidade da luz?

- A velocidade da luz é um limite como outro qualquer. Ao ultrapassá-lo, você só está sendo mais rápido que o fóton. É um limite, mas não é intransponível. Quando se atinge a velocidade da luz, a nave parece luz para quem a vê. Mas quando se ultrapassa esta barreira, tudo volta a ser como antes, só que ela torna-se invisível e deixa atrás de si um feixe de luz, como um cometa. É como ultrapassar a barreira do som; no momento de ultrapassagem, a nave tem um impacto sonoro como efeito, depois tudo volta ao normal e som corre atrás da nave.

- E quando vocês estão na superfície de um planeta, como sair?

- Aí, invertemos a gravidade. Assim como o próton tem o seu equivalente negativo que é o elétron, a partícula GTS tem o seu equivalente. Usando o GTS na superfície de um planeta, você cria a anti-gravidade e a nave é atraída para fora de seu campo gravitacional principal.

- Quer dizer que vocês usam os dois fatores para se moverem no espaço?

- Exato, e não é só. Trabalhamos com vários feixes radiantes, assim, ao mesmo tempo, várias estrelas ou planetas estão nos atraindo e vários estão nos empurrando. Tudo depende da direção que queremos tomar.

- E por que não usam energia nuclear?

- Só a usamos em pequena escala, porque ela tem vários inconvenientes: ela é poluidora, contamina tudo o que está sua volta, depois altera a matéria, que pode ficar instável; além do mais, a energia usada se perde, mas não é recuperada. Com a partícula GTS acontece ao contrário; você a usa, depois ela volta para o átomo de origem, pronta para ser usada a qualquer instante. Não há perda, pode-se dizer que é infinita como o Universo.

- E por que isto acontece?

- Se você soltar um grão no espaço, ele fica só, mas se soltar mais de um, eles vao se encontrar e permanecer juntos: é a gravidade. Esta força aglomera a matéria e aumenta à medida que aumenta a massa da matéria.

Se só existisse esta força, o Universo seria apenas uma esfera de matéria, mas existe a energia nuclear que expande a matéria. Deste modo você pode pensar que o Universo é o equilíbrio entre estas duas potências: a nuclear explosiva e radiante; e outra mais tranqüila que ajunta a matéria: a gravidade.

Sua partícula GTS, como vocês dizem, é como o amor: atrai constantemente e move estrelas!

Wakanerefy deu-se por vencido. Um longo tempo se passou e todos participaram de assuntos com respeito à existência dos dois. Wakanerefy narrava com bastante calma todas as más e boas aventuras de sua vida. Quando Andbelefy tomou a palavras, muitas coisas foram conhecidas do período anterior ao seu namoro. Tinha-se a impressão de um jogo: o debate e as intimidades vieram à tona.

Os Skalaghadoffianos gostavam imensamente de prosa. Achavam muita graça na palavra namoro e nas suas conseqüências. Ainda mais curiosa as artimanhas para a conquista da fêmea, a prova do amor, o carinho e etc. Eram coisas que jamais ouviram falar, mas ficavam felizes ao saber que o amor ainda existia no Universo.

Wakanerefy às vezes ficava pensativo e preocupado com a diminuição da distância de seu destino e por estarem nas mãos de seres altamente evoluídos, donos absolutos da situação. Desta maneira, existia uma certa dúvida sobre tudo o que diziam. Somente com o passar do tempo saberia a verdadeira intenção dos Skalaghadoffianos.

Cinco anos-luz se passaram sem nenhuma novidade. A nave continuava em marcha a caminho de seu planeta de origem. A esta altura, já estavam novamente ao lado da outra espaçonave.

Em dado momento, ouviu-se um som estranho, que comunicava estar a segunda nave aguardando resposta a seu chamado. Pindillok dirigiu-se à cabine de comando. Ao chegar recebeu uma notícia de Hokerh. Chocado, levantou-se e veio ao encontro dos demais. Em sua linguagem, comunicou aos companheiros o fato. Deveriam agora preparar Wakanerefy para o comunicado SHX 33188.

Mais alguns minutos de ensaio e Jananaik disse:

- Caro Wakanerefy, espero que não sinta ódio nem rancor...

- Mas, de que se trata?

- A respeito de seu pai...

- O que foi que aconteceu com meu pai?!!

- Está morto!

- Não! Não é possível, vocês o mataram!

- Por favor Wakanerefy, a morte de seu pai foi causada por um distúrbio no sistema circulatório do cérebro...

- Não, não é verdade. A morte de um homem que foi tudo para mim, além do mais, meu amado pai. Não é possível, não pode ser verdade!

- Wakanerefy, será que eles vão nos matar?

- Andbelefy, não sei mais nada!

- Por favor, procurem se acalmar. Sei quanto é difícil para você, Wakanerefy, receber a notícia do falecimento de seu genitor. Preste atenção, as causas são muito simples e de muito fácil compreensão: a vida de um ser humano terrestre é limitada por natureza, dependendo do uso e abuso do organismo em suas naturais limitações.

O seu pai, em toda sua existência, fez uso ao máximo de seu cérebro, estando preparado para avançar mais rápido do que você. Assim, passamos a ele mais informações do que à você. Mas isto não é problema. Ele está em "suspensão energética", o que quer dizer, em estado de inércia, porém, acompanhado por monitorização eletrônica e recebendo estimulação bio-celular, para não haver em hipótese nenhuma degeneração celular. E ainda mais, Wakanerefy, prometo de coração que ao chegarmos em Skalaghadoffiana, trarei a vida de seu pai. Pode acreditar em minhas palavras.

- Posso acreditar em suas palavras?

- Pode e faço questão de, em breve, comprová-las.

Wakanerefy e Andbelefy acharam que tais palavras eram um meio para acalmá-los. Porém, Snoffy, com muita calma, explicou os avanços tecnológicos de seu povo, assim, poderiam sentir mais confiança e acreditar em sua promessa.

Aos poucos, o casal verificou que existia boa intenção e que tudo faziam para que acreditassem no que diziam. Mais tarde, voltaram a seus leitos para descansar, mas, antes de dormir, Wakanerefy refletiu algum tempo sobre tudo o que estava acontecendo.

Ao chegar a conclusões, falava com Andbelefy, para trocar opiniões.

Gabirentiam, o robô mascote, trouxe consigo os alimentos para o jantar. Trocaram algumas idéias com o mascote, a respeito de tudo. A sensação de conversar com um ser metálico pré-programado era indescritível.

Alguns meses-luz se passam. Haviam colocado no quarto de hóspedes duas telas micro-eletrônicas, transmitindo o desenrolar da viagem e permitindo o contato do casal com a nave ao lado, como também, com suas respectivas famílias na Terra.

De repente, na tela notaram a presença de um ponto de luz fraca e tênue, que aos poucos aumentava mais e mais. Andbelefy ficou assustada ao pensar que era um comenta vindo ao encontro da nave. Wakanerefy ficou ainda mais preocupado, pois não recebeu nenhuma informação.

A estranha luminosidade a cada instante estava mais próxima. A nave continuava desenvolvendo sua velocidade normal. Em dado momento, uma brusca redução em sua velocidade cruzeiro, como que aguardando a passagem da luz. Depois, a nave passou a seguí-la, fizeram uma volta de 180 graus e retornaram ao curso de antes e aumentaram a velocidade de uma maneira descomunal.

A curiosidade de ambos logo foi satisfeita, ao verem a primeira nave, que havia voltado atrás e agora partiam juntas. Após o breve susto, passeando pelo disco, Andbelefy encontrou uma caixinha retangular muito delicada, do tamanho da palma da mão. Wakanerefy, curioso, apanhou-a de suas mãos. Examinou com cautela e notou a existência de quatro botões na parte inferior e dois na outra. Ao apertar o primeiro, surgiu as páginas de um livro. Ao apertar do próximo, deu-se a passagem para a página seguinte e assim por diante.

Mais tarde, Andbelefy sugeriu que apertasse uma tecla localizada na parte superior do aparelho. A surpresa foi curiosa, pois a mesma obra passava agora a ser animada com figuras e cenas, descrevendo o conto e acompanhadas com sincronismo com uma voz que narrava o desenrolar da estória. Na realidade, era uma grande evolução do livro, reduzido à palma da mão.

Os quatro botões na parte da frente eram:

1. Controle de paginação.
2. Controle de volume de audição.
3. Controle de tonalidade de cores.
4. Controle de sincronismo de tela.

E os dois botões na parte inversa eram:

5. Controle de leitura de micro-faixa magnética.
6. Controle de avanço e retrocesso de endereçamento.

Tudo funcionava com um pilha atômica em miniatura. Realmente, uma versão literária das mais sofisticadas que haviam visto.

Algumas horas depois, os Skalaghadoffianos entravam no quarto de Wakanerefy e pediram desculpas pelo incidente. Explicaram a existência de um problema técnico em uma das naves, agora, continuariam juntas para evitar qualquer eventualidade.

Mais alguns dias, Wakanerefy encontrou uma micro-faixa magnética denominada: Skalaghadoffianos. Curioso, caminhou até Snoffy, para pedir informações. Ao ser indagado, Snoffy respondeu que o documentário era bom e Wakanerefy ficaria sabendo um pouco sobre a origem de seu povo.

Retornou para junto de Andbelefy e assistiram o documentário que, logo ao início, chamava a atenção para as conquistas espaciais.

Contava que, no tempo das grandes explorações do Cosmos feitas pelos Skalaghadoffianos, certa vez avistaram um planeta que tinha condições de habitação e exploração. Ao sobrevoarem a região, encontraram um grande número de monstros. Bastava apenas exterminar esta geração e, sem maior esforço, pousar e reclamar a propriedade do planeta.

Os dois descobridores retornaram a Skalaghadoffiana e, ao chegarem, comunicaram a todos a descoberta do planeta, que poderia abrigar a todos por muitos milhões de anos.

No mesmo dia, uma fabulosa esquadra partiu ao encontro do novo planeta. Ao se aproximarem, ficaram espantados como número enorme de primitivos que os esperavam e se transformavam, a cada segundo, numa exibição ao recém-chegados; uma defesa da mãe natureza, seus corpos ficavam luminosos, chegando mesmo a perturbar a visão dos invasores, que estavam praticamente cegos e nada mais podiam enxergar.

Em seguida, chegou uma quantidade enorme de outros animais e a atmosfera ficou repleta de uma luminosidade bela de longe, mas terrível de perto. Enquanto não diminuíram de intensidade, os exploradores ficaram imobilizados e não conseguiram mover-me um palmo sequer.

Os habitantes locais, fazendo uso da telepatia, avisaram a todos que voltassem ao seu planeta, para evitar complicações. A alternativa, que procurassem outro lugar.

Afastando-se daí, fizeram novas explorações pelo espaço afora, deixando aquelas estranhas criaturas em paz e tranqüilidade. Evidentemente, a própria natureza os protegia da invasão de conquistadores.

No final do documentário, Andbelefy batia palmas de vibração, achando a estória fascinante. Não havia dúvidas, os dois levariam alguns anos para assistirem a todas as caixinhas de documentários e contos daquela civilização.

No interior da nave, a velocidade não era sentida, mesmo sendo superior à da luz. O tempo corri normalmente, embora lá fora os anos fossem se passando mais rapidamente. Fisicamente estavam normais, mas psiquicamente, pequenos problemas começaram a surgir. E Pindillok resolveu eliminar estes problemas para os dois marinheiros de primeira viagem, pois tinham uma espécie de enjôo cerebral. Assim, foram chamados a um sala da nave que não conheciam.

Ao chegarem, a porta foi fechada e Andbelefy foi cuidadosamente colocada em uma mesa. Um pequeno aparelho foi colocado a uma distância de vinte e cinco centímetros de sua cabeça. Não demorou e teve início a operação.

Wakanerefy, curioso, prestou atenção ao manejo da aparelhagem. A certa altura, perguntou a Snoffy:

- Qual é o efeito? Como funciona?

- O efeito é dar fim à causa. O sistema é aquele complexo eletrônico. Na realidade, um emissor de ondas na freqüência da mente humana. Através dele, procura-se o local onde se encontra a faixa que ocasiona os traumas.

Ao estar localizado e equalizado a freqüência danosa, substituímos a estrutura química dos neurônios, por outra. Desta forma, eliminamos definitivamente a perturbação mental, sem afetar em nada o equilíbrio bioquímico do indivíduo.

- Obrigado, Snoffy. Admiro sua tecnologia!

- Muito obrigado. Falando nisso, é a sua vez... até daqui a alguns minutos.

- Até...

Andbelefy dava lugar a Wakanerefy e, agora, passava a admirar os detalhes da operação. O resto da viagem estariam dormindo (hibernação) e seriam acordados ao chegar. Assim, não teriam novos problemas e estariam mais descansados na chegada.

Entretanto, durante os cem anos-luz do percurso, os Skalaghadoffianos continuavam a trabalhar. Jananaik não largava os seus controles, pois faziam parte de sua existência e, ao mesmo tempo, o distraia. Os demais, ora hibernavam, ora procuravam outros meios de satisfação espiritual e física.

Terminou a hibernação, restava agora pouco tempo para a grande chegada. Praticamente ressuscitados, sentiram muita alegria ao voltarem á vida: também a fé na operação de Hokerh se ampliava cada vez mais.

Não mais existia monotonia e ficaram excitados ao serem avisados de que a nave do outro lado faria um acoplamento e seus tripulantes viriam a bordo.

Logo que a notícia foi confirmada, todos se prepararam para a recepção. Ao mesmo tempo, Snoffy informou a respeito da troca de objetos com os visitantes: trata-se de um ritual de boas vindas. E desde já, os dois estavam preocupados na escolha e curiosos em conhecer novos tipos de pessoas.

A velocidade diminuiu e, através da cabine de comando foi notificado o tempo para o inicio do acoplamento. Wakanerefy escolheu o relógio de pulso para presentear. Andbelefy preferiu os brincos que havia ganho de um amigo, durante o período escolar.

Após alguns minutos e, dirigiram-se ao local onde encontrariam os visitantes. A missão não era de costume e a 295.000 quilômetros por segundo, é preciso muita calma, mesmo tudo sendo feito automaticamente.

Terminada a contagem regressiva, do lado direito da outra nave, saíram aos poucos um complexo sistema de vigas de metal entrelaçadas, com 2,30 metros cada uma.

Mais alguns minutos, encaixaram-se nos orifícios da outra nave. Feito isto, as naves ficaram ligadas por uma carga eletromagnética, que mantinha as vigas em seus lugares.

A primeira parte estava terminada. Agora faltava o vidro especial que percorreria os trilhos da viga e a proteção contra radiação cósmica estaria garantida. Não tardou, viam-se os vidros percorrendo os trilhos até encostarem suavemente na nave oposta.

Ao estar totalmente concluída, abriu-se uma portinhola que daria passagem aos dois Skalaghadoffianos. Logo, os dois vultos saíram e foram em direção à outra porta que, com a aproximação, abriu-se automaticamente.

Ao entrarem, foram cumprimentados e a troca de presentes foi realizada. Novamente a mesma manifestação anterior: a admiração diante do sexo feminino.

O mais alto chamava-se Pitikka; o outro, Pixxuco. E após uma pequena pausa, tecerem elogios aos presentes ganhos. Tomando a palavra, Pixxuco disse:

- O nosso agradecimento pela recepeção e, em vista de estarmos próximos da chegada, aqui termina a nossa farsa. A nossa aparência física é fictícia, está apenas no cérebro de vocês e assim foi feito para não chocá-los.

Ao término de minhas palavras, tomaremos nosso verdadeiro formato. Quero dizer que vocês fazem parte de um projeto extenso e complexo de nossa raça.

Todo nosso saber tecnológico e espiritual será passado a vocês. Isto porque chegamos a um ponto crítico de evolução. E podemos desaparecer. Mas, antes disso, queremos deixar nossa herança para outra raça inteligente.

Quando herdamos este saber, evoluímos bem rapidamente e agora estamos diante de nossa missão e precisamos concretizá-la, o que custará a morte de nossa civilização e a destruição de nosso mundo. Desta maneira, quando o homem chegar ao mesmo nível de evolução, deverá partir à procura de uma nova civilização inferior e, ao encontrá-la, tentará se comunicar e depois passar os segredos do Universo, que culminará com o fim dos terrenos e, assim, infinitamente.

Ao término de suas sabias palavras, pairou um longo silêncio. Wakanerefy refletia e sentia o peso da realidade dos novos fatos, compreendia finalmente a abdução e todo o desenrolar dos acontecimentos.

De repente, num passe de mágica, a imagem dos corpos alienígenas desapareceram, restando apenas esferas suspensas no ar e movendo-se de um lado para o outro, conversando, escutando, enxergando.

Wakanerefy e Andbelefy ficaram chocadíssimos com as cenas de transmutação corporal. Só mesmo com o passar de algumas horas, foram se acostumando ao aspecto verdadeiro.

A telepatia passava agora a ser um elemento constante para a continuidade da comunicação. Mais tarde, o casal mais ambientado, foi convidado a visitar a outra nave. A mudança de ambiente seria benéfica e muito útil ao espírito dos jovens.

Alguns minutos e a portinhola abriu-se, dando passagem e livre acesso à outra espaçonave. Todos, com exceção de Jananaik, dirigiram-se à nave.

Wakanerefy e Andbelefya admiram a variedade de equipamentos de bordo. Os quadros, de relêvo metálico, davam com seu próprio colorido uma projeção tridimensional, maravilhosa.

Depois de conhecer toda a nave e com forte dor ao verem o corpo de Hokerh repousando em um retângulo de cristal. Wakanerefy não via o momento de revivê-lo. Andbelefy disse coisas carinhosas tentando levantar o seu astral. Em seguida, procurou afastá-lo do local e seguiram de volta, acompanhados de quatro esferas, para a outra nave.

Falta pouco para terminar a viagem e, para compensar as energias gastas. Wakanerefy e Andbelefy foram levados novamente à sala de operações especiais. Iriam receber, por intermédio de uma agulha especial, alguns líquidos concentrados para a equalização orgânica de vitaminas e demais compostos químicos, para compensar os desgastes do espaço. Esta última operação é denominada WYZ 89Z.

Neste final de viagem, Andbelefy foi sempre rodeada pelas esferas que insistiram em fazer-lhe companhia. Wakanerefy não se importava, pois quem teria ciúmes de esferas andantes? Afinal, tinha de concordar coma curiosidade natural, pois mulher era para eles uma criatura inexistente. Pittika, nesta altura, criou a frase:

- Mulher, este todo maravilhoso!

Em um ambiente descontraído, finalmente a data se aproxima: faltava uma semana, Pitikka e Pixxuco retornam à outra nave para os preparativos finais.

A expectativa é geral. Afinal, o grande momento dos primeiros terráqueos descerem no planeta dos extraterrestres.

 

12. CHEGADA AO PLANETA ARTIFICIAL

Quatro horas era o restante par o encontro. O desconhecido planeta já era visto na tela dos monitores: mostrava uma luz tênue de cor laranja, devido ao material com que era feito.

Wakanerefy não conseguia manter-se quieto, pois o nervosismo e a curiosidade o dominavam, parecia não suportar a alegria que corria em todo o seu ser. Pela primeira vez, roía as unhas, fazendo com que Andbelefy ficasse ainda mais nervosa. Para dissimular a ansiedade do grande momento, conversavam:

- O que você acha da aparência geral do planeta?

- Não sei, a sua superfície é sólida e continua, não mostrando nenhum sinal de relevo. Assim, eles devem habitar dentro do planeta... O que acha da idéia?

- Acho que tem razão. Curioso... Vida na parte interna! Ah, também pudera... é artificial!

- Atenção, querido! Faltam cinco minutos para o pouso.

- Tem certeza trata-se de um simples pouso?

- Bem, não quis dizer isto... quis dizer que estamos chegando e vamos descer... só que não sei onde, nem como!

- É evidente, em algum lugar tem de ser, mas, não sei de que jeito!

- Olhe Wakanerefy, aquela luz...

- De súbito, a luminosidade do planeta tornou-se mais forte e com a freqüência variante, chegando à perturbar os olhos. Snoffy disse:

- Coloquem estes óculos; é uma inspeção de rotina. Não se preocupem, dentro de alguns minutos diminuirá de intensidade e a freqüência de flicker cessará.

- Obrigado, mas, por favor, avise quando for o melhor momento desta operação; peço a gentileza de gravar tudo, não quero perder nenhuma cena.

Ao termino da inspeção, a luminosidade diminuiu os intervalos da pulsação e, aos poucos, voltou ao normal. Snoffy comunicou aos dois que tirassem os óculos e, se preparassem para o melhor: o ingresso no interior do planeta artificial.

A esta altura o bom humor predominava. A velocidade foi reduzida e a contagem regressiva era ouvida pelo sistema de som da nave e vista os dígitos na tela de comando de bordo.

Dez... Nove... Oito... Sete, abriu-se um vão na superfície e dezesseis naves vieram ao encontro deles e acompanhou-os até à entrada principal.

Seis... Cinco... Quatro... Três... Dois... Um... Zero... retrocesso! Afinal, o grande momento! A primeira visão interna era, simplesmente, fantástica. Realmente, um mundo muito evoluído e estranho! Eles tinham a impressão de estarem flutuando na projeção de um tubo cônico.

Milhares de bolóides em todo o cenário. Davam um toque especial ao deslumbrante quadro do horizonte do planeta.

A iluminação maravilhosa, vinha do próprio elemento que o revestia. Não existia atmosfera e os visitantes foram obrigados a usar vestimentas de metal orgânico.

Não havia sinal de vegetação, apenas algumas raridades eram conservadas em tubos de crista, com a devida dosagem de elementos para a continuação da vida em condições artificiais. Snoffy tomou a palavra e disse:

- Vou lhes contar como construímos este planeta, mas antes, como chegamos até aqui.

Há milhões de anos atrás, em um planeta que por coincidência pertence ao sistema solar, nascia o primeiro ser Skalaghadoffiano. A sua vinda ao mundo foi precedida de outras espécies animais próximos e afastados de seu tipo original.

Tempos depois, às raças evoluíram e houve vários cruzamentos e indícios de inteligência já eram notados. Os animais racionais se distanciavam dos irracionais e partiam à procura de novos meios e conquistas.

Com o passar dos séculos, algumas raças se extinguiram para sempre. Mas um pequeno número de Skalaghadoffianos cada vez mais abria novos horizontes.

Maior número de cruzamentos foram feitos e um novo tipo foi se configurando: a sua evolução se acelerou desproporcionalmente. Daquela data em diante, este tipo iria predominar a conquista no espaço e no tempo.

Com a evolução, chegaram a perder todos os pelos. Dois tipos se configuram nesta cultura, os adeptos da força mental e os da força física. Os dois queriam dominar ao mesmo tempo.

A luta foi devastadora, mas, por fim, ambos pediram a paz, pois já não restava quase mais nada. Passaram a seguir somente um ideal: a mais rápida evolução para as duas partes. Mas com a fraqueza deles, o planeta foi dominado por uma raça mais primitiva. Nesta luta, poucos sobreviveram, ocultos em cavernas anteriormente cavadas.

A raça primitiva tomou a propriedade deles e passou a viver despreocupadamente, acreditando ter exterminado todos. Eles, escondidos nas cavernas, limitaram-se a sobreviver.

Os primitivos que viviam na superfície foram aprendendo a lidar com tudo o que encontravam e, em pouco tempo, atingiram o grau de evolução dos Skalaghadoffianos e continuaram evoluindo, ultrapassando-os. Com o tempo, fundaram centros espaciais e desenvolveram toda a tecnologia de vôo espacial. E acabaram por partir, para a conquista de novos planetas.

Os habitantes das cavernas, evoluíram mais lentamente, mas ao perceberem que a superfície estava abandonada, subiram e começaram a desenvolver mais rapidamente, estabelecendo, de novo, o domínio completo da superfície. Com o tempo, também desenvolveram a tecnologia espacial e começaram a explorar novos planetas. Mas tinham ainda na memória as lutas e sofrimentos que passaram. E quando se sentiram mais fortes e maduros, fizeram um juramento eterno de raça, de não mais se envolverem em lutas de conquista; ao contrário, se impuseram a obrigação de ajudar a todos os seres menos evoluídos do Universo, que apresentassem algum grau de inteligência. Este juramento é seguido a milhões de anos e nós somos os herdeiros diretos deste saber, que será passado a vocês. Adotamos o nome Skalaghadoffianos por herança desta raça, que criou este juramento.

Mas nem tudo foi sempre tranqüilo. Muitas vezes encontrávamos espécies belicosas que queriam dominar o Universo. E estivemos perto de sermos exterminados, por não estarmos preparados continuamente para a luta.

Assim, tínhamos que inventar alguma coisa, para não sermos mais surpreendidos, pois não se sabe nunca o tipo de arma que o inimigo usará. Com isso, surgiu a idéia de construir um planeta artificial, pois vivendo na superfície de outros planetas estaríamos sempre expostos a ataques de fora.

Neste período foi descoberto um metal chamado Groisse, que suporta temperaturas fantásticas, sem modificar sua estrutura molecular. E este metal tem a propriedade de ficar luminoso com indução elétrica. Do projeto teórico até à sua realização, foi um passo. Com o domínio de sua partícula GTS, é possível deslocar o planeta no espaço e instalá-lo em qualquer outro sistema galáctico, assim como afastar eventuais inimigos.

A partir daí, passamos a vasculhar o Universo em busca de civilizações primitivas, para dar continuidade ao juramento da raça.

De súbito, Snoofy interrompeu sua explicação, pois estavam se aproximando dos aposentos de Skalaghadoffy, o líder e mais velho bolóide. Ao permanecerem a distância, ficaram admirados com tudo o que viam, mas não conseguiam descrever a sí próprio toda aquela maravilha de arquitetura.

Por onde andavam, uma parte do chão deslocava-se a uma velocidade moderada. As esferas faziam um aglomerado imenso, todas querendo conhecer os visitantes.

Por fim, chegaram aos aposentos de Skalaghadoffianos. No mesmo instante, Wakanerefy reparou na outra tripulação, que trazia um retângulo de cristal com Hokerh dentro, o qual seria transportado imediatamente para a sala de operações especiais setor MN 22Y.

Wakanerefy ficou contente em saber que seu pai seria recuperado rapidamente e aguardava com ansiedade.

Mais alguns minutos e estavam diante do mais velho habitante do planeta: Skalaghadoffy. Wakanerefy e Andbelefy tinham o prazer de conhecer o mestre daquele povo eletrônico. Sua idade: um milhão e meio de anos. Era o mais perfeito símbolo vivo de uma raça digna de crédito.

Ao contemplar os terráqueos, a esfera se deslocou pelo espaço e fez círculos ao redor deles e emitiu uma mensagem telepática:

- Bem vindos, estrangeiros... Esta casa é vossa. Aguardo a presença de seu pai, para darmos início à conversação. Por favor, monitores, quero assistir a operação a ser realizada na sala: MN 22Y.

- Pois não, senhor.

- Wakanerefy, aguarde um instante e seu pai estará presente, ao nosso lado.

- Que Deus o ouça!

- Ouvirá, pode estar certo.

- Confio em seu povo!

Os equipamentos de transmissão estavam prontos, nas telas, assistiram os preparativos da operação de reviver Hokerh e, também, reparos de danos cerebrais.

Depois de dez minutos, tudo havia terminado com sucesso. Os primeiros movimentos lentos foram notados e, aos poucos, Hokerh voltou a si e procurou saber aonde estava e o que foi que acontecera.

Wakanerefy empolgado, não conseguia dominar-se. Era um verdadeiro milagre! Skalaghadoffy, cumprimentava os elementos integrantes da cirurgia.

Nos monitores, imagens do centro cirúrgico. Hokerh, emocionado ao saber das notícias, trocava gentilezas com os novos companheiros. Ao final, caminharam até os aposentos do velho líder, que aguardava o momento de cumprimentá-lo, vivo.

Abriram-se as portas e Wakanerefy correu em direção ao seu pai e se abraçaram longamente. As esferas observavam pacientemente aquele momento marcante. As lágrimas vieram ao rosto dos humanos, deixando incrédulos os habitantes, pois jamais haviam visto lágrimas. E durante minutos a fio, contemplaram a cena emotiva.

Hokerh ajoelhou-se à frente de Skalaghadoffy, agradecendo a volta à vida. Este, diante do reconhecimento humilde daquele homem, disse:

- Terráqueo, não é preciso agradecer... Sua missão será importante e decisiva. É preciso tê-lo com vida. Agora, saibam o verdadeiro motivo de sua presença e da abdução de seu habitat.

Não o fizemos por mal, nem tão pouco por vingança e, sim, por uma promessa de meus ancestrais. Temos de cumpri-la. Estamos à beira da morte; aproxima-se o momento de nosso desaparecimento.

A nossa geração se encontra em tal ponto de evolução que somos obrigados a partir. O nosso próximo estágio é o da energia pura e aí, não podemos mais entrar em contato com seres vivos.

O seu planeta de origem: Olliver’s 22 733W, para vocês, Terra, foi escolhido como nosso sucessor e entregaremos ao seu povo todos os nossos segredos e tecnologia. E quando chegarem ao mesmo ponto máximo de evolução, terão de cumprir a promessa eterna e partirem em busca de novas civilizações primitivas e darem toda a assistência necessária, para que seus herdeiros possam continuar.

Ao concluírem os seus trabalhos, sua civilização, como a nossa, transformar-se-á também em energia e, desta forma, estarão juntos com Deus, sem deixar um traço sequer de sua existência e assim perpetuametne, como um ciclo infinito.

Ao término de seu discurso, o silêncio predominou. Estavam atônitos diante das idéias avançadas, proferidas por aquela pequena criatura possuidora de uma experiência de mais de um milhão e meio de anos. Não deveria haver dúvidas a respeito de suas palavras.

Mais tarde a conversa tomou um rumo mais descontraído e, neste papo, ficaram sabendo a história da evolução física daquele povo, contada por Cinozan, uma das esferas que comandou a cirurgia em Hokerh.

- O nosso povo foi evoluindo fisicamente, até o ponto em que o cérebro tomou conta quase que totalmente da cabeça. A alimentação, neste período, já era sintética, mas ainda dependíamos dela e o nosso ciclo de vida era curto como o de vocês.

Chegamos a um ponto em que não haveria mais evolução física aparente. Desenvolvemos, então, a micro-cirugia dos cromossomos e começamos a alterar as heranças genéticas. Não foi difícil chegar a esta forma esférica, que é constituída quase que só de neurônios, como vocês já devem ter percebido. O difícil foi descobrir um meio de locomoção prático. Aí entra um fator exterior à genética. Foi quando dominamos o ciclo completo daquilo que vocês chamam de partícula GTS.

Daí, alteramos certos genes para que nossa forma esférica pudesse dispor desta fonte; os neurônios fizeram o resto. A nossa forma também não foi determinada por acaso. Se vocês olharem para o Universo, verão que todos os corpos acabam por assumir esta forma. Vocês mesmos a chamam de: Forma Perfeita.

Assim, quando alteramos a forma de nosso corpo, a esfera foi uma decorrência natural. Além do mais, em todo o Universo, a esfera é gerada pela partícula GTS e é considerada o último estágio de forma.

O aparelho mais sensível que seus corpos possuem, é o olho. E ele já tem esta forma. E é por ele que vocês reconhecem a imagem do Universo e adquirem o saber, os outros sentidos são apenas coadjuvantes.

Agora, vocês podem entender a nossa forma; é toda olhos, toda cérebro, toda sensível, toda conhecimento. Mas temos que seguir adiante. Tentem compreender: o cérebro funciona com energia; a interação dos neurônios é mais energética do que química e nós, cada vez mais, somos mais energia e menos matéria.

Aproxima-se o momento em que deixaremos esta última forma, para sermos totalmente energia. Quem sabe, nos confins do Universo, esta energia volte a ser matéria e forme outros seres primitivos, de novo. Não sabemos, mas o comportamento das partículas e da energia do interior do átomo, faz supor que por trás de tudo há uma Inteligência Maior. Só saberemos quando chegarmos lá.

Lágrimas corriam dos olhos de Andbelefy. Realmente, foram palavras profundas e atingiram o âmago de cada um. Wakanerefy, por outro lado, estava confuso, num turbilhão de idéias. Afinal, uma total introspeção ao útero da origem desconhecida.

Oito horas depois, encerrada a sessão, os visitantes foram conduzidos a seus leitos, para o justo repouso. Skalaghadoffy retirou-se para seus aposentos, dizendo que restava muita coisa a fazer.

Todas as esferas se retiraram e aguardavam o despertar dos estrangeiros, para trocarem idéias e conhecerem os modos e costume dos terráqueos.

Doze horas depois, foram conduzidos à esquadrilha de guerra; naves enorme de várias formas se alinhavam nos hangares. Eram verdadeiros monstros, um potencial de defesa brutal. Mais adiante, veículos espaciais de ataque, de linhas delgadas, possuíam tipos variados de radiação mortal.

Hokerh, intrigado, perguntou.

- Para que estas armas, se vocês não tem necessidade disso?

- Realmente não temos, mas são usadas para dissuadir os inimigos de guerrear. Quando não, apenas para intimidá-los. Não destruímos intencionalmente ninguém.

Com este aparato, evitamos a verdadeira guerra. O inimigo em geral só acredita no que vê. As palavras sempre ficam no espaço, menos nossos tiros.

A seguir, chegaram a um local pouco iluminado, onde se encontravam os corpos dos últimos cientistas que criaram as esferas. Eram tipos humanos e isto os deixou empolgados. Eram, ao todo, uns dez mil homens, distribuídos sistematicamente e recobertos por uma fina camada de cristal.

Daí partiram para outros locais e sobrevoaram uma grande área do planeta. Sem dúvida, as novidades se repetiam a cada momento; emoções eram experimentadas em uma verdadeira e maravilhosa sensação para a regalia dos olhos humanos de todos, sentiam-se como: testemunhas do amanhã da raça humana.

Para os Skalaghadoffianos, dentro de sua filosofia, a única esperança era saber que o seu desaparecimento não fora em vão e o prazer de ter em mente a ajuda concreta par o desenvolvimento de uma civilização, que daria continuidade a seu ideal.

Entre uma conclusão e outra, os visitantes desfrutavam do prazer de conhecerem todo aquele complexo tecnológico e de engenharia. Aparelhos e equipamentos nunca antes sequer imaginados, estavam diante de seus olhos, como vitrines de licre acesso par o futuro, parecendo mesmo uma máquina do tempo apontada para a frente.

Ao término, retornaram a seus aposentos par se alimentarem e repousarem. Ao se deitarem, ouvem em baixo volume um tom melódico. Aos poucos aumenta, até chegar a uma atmosfera de paz, parecida com as músicas do gênero clássica-eletrônica, com tons acima do convencional na escala musical, provavelmente criados com instrumentos eletrônicos que eles não conheciam.

Com o passar do tempo, descobriram um parentesco musical ainda maior com as obras conhecidas na Terra. Por fim, concluíram serem idênticas, o que quer dizer, ou copiadas ou originais de autores do século passado.

Com o tom melódico tão suave, não tardaram a dormir. Entrementes, todo o povo estava em conferência e trocando os seus últimos planos. Skalaghadoffy comunicava friamente que a missão estava próxima de seu fim e o melhor a fazer, era procurarem motivos excitantes e darem toda vazão ao espírito, pois desta vez, ao estarem conscientes de um tempo limitado de vida, teriam um maior prazer e desempenho em desfrutar intensamente da mesma.

Nas horas seguintes, os visitantes acordaram e logo de imediato, procuraram seus amigos para se informarem a respeito do som que escutaram e logo souberam que tratava-se de uma transcrição de memória, de freqüências captadas do espaço sideral, provavelmente, oriundas do escape de ondas magnéticas da freqüência de rádio, da atmosfera terrestre.

Em seguida, Wakanerefy partiu em busca de Skalaghadoffy. Ao encontrá-lo, disse:

- Ser Máximo, desejo casar-me; seria possível realizar uma cerimônia aqui?

- Hei, rapaz, o que quer dizer casar-se? Desconheço o significado desta palavra.

- Está bem. O casamento é o ato religioso que une duas pessoas conscientes de seu amor um pelo outro. É um ato onde mais pessoas tomam parte na festividade, para a consagração pública do mesmo...

A explicação foi longa e detalhada. Skalaghadoffy achava muita graça na palavra, pois a milhões de anos o casamento deixara de existir. Afinal, como a idéia era possível, o velho líder não colocou obstáculos à cerimônia, apenas, a natural preocupação em adaptá-la ao novo cenário de tempo e espaço.

A notícia se espalhou; em menos de vinte minutos, todos estavam a par e ficou marcado para as próximas horas. Andbelefy, tomada de surpresa, ficou muito feliz e Hokerh sentia-se orgulhoso diante da posição assumida do filho.

As manifestações têm o seu inicio, todos preocupados em fazer da cerimônia o melhor possível. As esferas consultavam seus arquivos, os terminais de consulta estavam lotados. Sem querer, uma palavra tão simples revolucionou a forma de viver dos Skalaghadoffianos.

A todo momento, a cada descoberta, os bolóides demonstravam um gesto de carinho. Não tardou, os noivos eram visitados e felicitados e ganhavam até presentes. A multidão de esferas tomava conta de todo o recinto cada vez mais.

Curioso, mas a apatia tinha desaparecido por completo. Todos estavam excitados à procura de enfeites para a decoração interna dos lugares onde se passaria a cerimônia. Skalaghadoffy seria o mestre da festividade número um de seu planeta.

Para o jovem casal, a idéia de um casamento em um planeta artificial, realizada por uma esfera de mais de um milhão e meio de anos, era sem dúvida, surpreendente.

Enquanto cada qual ia cuidando de todos os detalhes para culminar com um visual inesquecível, a cerimônia teve o seu início marcado para breve.

Milhares de Skalaghadoffianos foram chegando ao local determinado. O bom gosto, o toque de futurismo sem precedentes, domina em todos os pontos do cenário improvisado.

No exato momento do inicio, um maravilhoso som semi-eletrônico partiu do cimo do cérebro das criaturas, seguindo de um coro interpretando "Aleluia-Aleluia ". Naves coloridas sobrevoavam, lançando ao solo tipos sintéticos de pétalas e pequenos confetes coloridos de um leve metal luminoso.

Ao diminuir o volume da música, e todo o êxtase da abertura estar concluído, Skalaghadoffy tomou a palavra, dizendo:

- Povo! Estamos vivendo um épico de nossos antepassados. Na verdade, para criaturas humanas, o apogeu da maturidade é seguido com a união de dois seres que se amam. Devido a este instinto, ao casarem passam a ser um indivíduo apenas.

A felicidade é conquistada com o tempo. A convivência gera um maior afeto entre os cônjuges, concorrendo fortemente para o laço que os envolve e o cumprimento do juramento: até que a morte os separe. Desta maneira, chegam à perfeição conjugal.

Quero que saibam: o amor é ainda o sentimento mais belo do mundo e - por que não - de todo o Universo! É maravilhoso saber que existem seres que amam física e espiritualmente outro ser de sua espécie.

Desta maneira, devemos evitar que o desânimo nos atinja e devemos procurar, na concretização de nosso dia de hoje, através de nosso saber, enfrentar melhor as situações vividas por nossos antepassados e, pegos de surpresa, talvez isto seja uma espécie de teste em nossa existência.

O que vemos, é uma conseqüência bastante natural do predomínio do instinto humano e uma série de obediências às outras leis e não a simples sujeição passiva dos anseios do homem.

O casamento trata-se da mais velha instituição conhecida pelos antigos. Uma bela necessidade para todas as raças mais gloriosas. Estamos diante dos fatos e a consumação do ele e ela, em um relacionamento que será o prazer do corpo e do espírito.

Eu, Skalaghadoffy, superior de todos os Skalaghadoffianos, os declaro: Marido e Mulher, até que a morte física os separe! Dêem as mãos, obrigado.

Um silêncio total desceu sobre todos. Os noivos foram colocados, cada qual, na superfície superior de um fino tubo cilíndrico de cristal. Tendo os braços levantados. Wakanerefy segurava a mão da companheira.

Logo após ouviu-se um som eletrônico extasiante. Nisto, todas as esferas fizeram movimentos de vôo, circulares e contínuos, em volta dos noivos e, ao mesmo tempo, enviaram mensagens de felicitações. Estavam muito agradecidos pela chance de conhecerem o casamento, à moda dos antepassados.

Ao término de toda a cerimônia, o casal foi conduzido a uma ala especial, a fim de passarem a lua de mel. Agora, pelo menos, estariam livres de todos. Durante mais de uma semana, teriam pela frente uma vida em comum, em lugar incomum.

O ambiente era diferente, mas o importante era o elo entre os dois. Com o passar dos dias, o carinho e o afeto os conduzia ao máximo do amor! Finalmente, um entrosamento de físico e espírito foi consumado.

A seguir, dentro deste espírito, a metódica conseqüência de atos e reflexos cotidianos de uma existência de dois seres. Os idealismos, outrora enclausurados por uma inibição natural de estima e amor, foram agora desvendados.

Neste compasso de fases, a lua de mel foi aos poucos tornando-se um encantador ciclo da união de costumes e prazeres. Alguns vieram a ser modificados, outros, ao contrário, permanecem.

Como não poderia deixar de ser, a vinda de um filho ao mundo artificial, tornou-se um momento aguardado pelas criaturas esféricas, que passaram a ter mais uma chance de conhecerem o modo que a natureza reservou aos humanos e, aos seus antepassados, para sua reprodução. Orgulhosos, assistiram ao processo que colocava em evidência a primaterialidade deles próprios.

Hokerh, com imenso orgulho, passou a ser o vovô muito coruja que não perdia um momento para fazer graças para o neto.

Os Skalaghadoffianos sentiam uma tremenda admiração pelo rebento, suas vidas tinham um novo significado. Seus programas entravam em looping, algo estava acontecendo de estranho com seus programas temporais.

Não tardou e a mesma façanha foi repetida, só que desta vez era uma encantadora menina. Assim, com um casalzinho, deram-se por realizados no que dizia respeito a filhos.

As esferas tinham na menina todo um novo Universo de fascínio. Aquelas duas criaturas inundavam um novo tempo de felicidade para todos.

O rapazinho recebeu o nome de: Waherdoffy Tempekery Towmmor, a mocinha de Gewaffy Tempekery Towmmor. Tinham um belo físico e se desenvolviam muito bem.

Os anos se sucederam, as crianças foram criadas e educadas por intermédio de todo aquele sofisticado complexo eletrônico. Os professores foram substituídos por robôs e farta exibição nos monitores de alfabetização e aprendizado.

Nos estudos foi inserida toda a verdade técnica e espiritual. Nada havia sido esquecido. Por certo, a ausência de fantasia não havia trazido problemas aos menores. Durante todo o curso, os pais tiveram livre acesso aos filhos.

Não havia dúvida, a natureza deu-lhes pequenas diferenças que tendiam mais para criaturas extintas de Skalaghadoffiana, do que para os pais terrestres, sua verdadeira origem.

O meio eletrônico-cultural, somado à influência de costumes do planeta, muito influía na formação das crianças. Os pais sentiam-se recompensados. Viam à sua frente, um novo perfil de intelecto e personalidades marcantes.

Com o decurso de mais seis anos, vinha mais uma criança do sexo masculino, chamado de Hogeely Tempekery Towmmor. O entrosamento entre os filhos corria de maneira normal.

Os irmãos brincavam juntos e um dia resolveram ir ao sub-solo XXIX. Um bolóide permitiu que entrassem nas dependências de radiações experimentais.

Ao descerem, Gewally deixou cair ao solo o seu intercomunicador, que partiu-se em pedaços. Ao apanhar os restos, Hogeely, mais agitado que seus irmãos, escapou de suas mãos e dirigiu-se ao encontro de uma das máquinas, que poderia destruí-lo num segundo. A criança, não tendo consciência do perigo, ao tentar tocar a tecla de desintegração, foi salva pela rápida ação do robô Xeccorin 1.633Z, que não escapou da radiação fulminante.

As crianças, chocadas correram em direção aos aposentos de seu pai. Ao chegarem, Gewaffy tremia, ao mesmo tempo narrava o trágico acidente, pois Xeccorin era o robô mascote muito querido de seu pai.

Andbelefy chegava e, após o relato, soube compreender o ocorrido, avisando para que da próxima vez tomassem mais cuidado em seus passeios e divertimentos, mas, estavam proibidos de regressarem no setor XXIX.

Mais tarde, Skalaghadoffy ordenou que fosse feita uma singela homenagem à lembrança de Xeccorin. O planeta cessou as suas atividades por um período de vinte e quatro horas.

Skalaghadoffy, em seguida foi visitar a família. Ao chegar encontrou todos sentados, em uma profunda tristeza. Não choravam uma lágrima, mas aquele silêncio deveria demonstrar lamentação e luto.

O velho líder caminhou em direção à Hokerh, dizendo:

- Eu entendo o que estão sentindo; era apenas uma máquina programada, não um ser.

- Eu compreendo, mas não deixa de ser um ente querido e, o pior, poderia ter sido meu filho.

- Mas não foi, esta é a realidade. Ninguém domina o traçar do tempo, ninguém!

- Eu sei disso, mas, para mim, eu o amava como se fosse coisa viva.

- Eu sei. Guarde seu amor para outra máquina. Dê esta oportunidade a outro.

- Acho que tem razão, mas, não pode me culpar por aquilo que sinto neste momento.

- Está bem, não esmoreça. Faço votos que seja apenas um pequeno imprevisto em suas vidas. Espero que o futuro lhes reserve coisas muito boas, que estão por vir.

- Muito obrigado, Skalaghadoffy. O seu conforto é muito importante para nós.

- Não foi nada, Wakanerefy. Estou apenas fazendo o que tenho vontade e dar uma força a você é algo muito compensador para mim.

- Tem minha promessa e de minha mulher, que em breve estaremos mais aliviados.

- Fico muito feliz em ouvir isso.

Ao término da visita, durante todo o período de luto, nenhum ser se comunicou com o outro. Era realmente um silêncio total.

Vencido o tempo estabelecido, tudo voltou ao normal. A família Towmmor dava continuidade aos seus planos e projetos; lentamente, progrediam em seus esforços em prol dos terrestres.

Skalaghadoffy explicou a eles que não seria possível transmitir todo o saber de uma só vez, aqui, em seu planeta artificial. Eles teriam que voltar par a Terra, empregar e desenvolver tudo o que estavam aprendendo e, na medida que dominassem algumas etapas, receberiam mais informações para continuar avançando.

Hokerh entendeu logo e passou a trabalhar arduamente desenvolvendo conceitos e projetos de máquinas, mas Wakanerefy, mais ansioso, não dava folga com suas perguntas. Queria saber o ciclo completo da partícula GTS, como também o domínio da antimatéria e mais uma infinidade de coisas.

As esferas respondiam que não queriam provocar-lhe uma pane mental, como aconteceu com seu pai e que ele tivesse paciência. Wakanerefy se irritava com a preocupação dos bolóides, mas depois voltava às boas e continuava a trabalhar.

Ao longo de uma jornada de estudos, foi marcado o regresso para a Terra. Em pouco tempo, embarcaram nas naves originais e, desta vez, retornaram acompanhados de mais outros discos voadores.

 

13. EPÍLOGO

Cento e cinqüenta anos-luz foram percorridos de volta. A esta altura, vinha ao mundo mais uma criança, desta vez, do sexo feminino. Foi batizada com o nome de Maravill’s Tempekery Towmmor. A sua deslumbrante beleza era admirada e comentada por todos.

Andbelefy admirava, com brilhos nos olhos, tanta beleza e sutileza de traços. O pai, mais deslumbrado ainda, dizia que ela era bela por ter nascido entre as estrelas.

Skalaghadoffy reportou aos pais, que em seus arquivos existia uma lenda de que a cada cinco milhões de anos, nasceria uma criatura do sexo feminino de maior beleza e possuidora de dons divinos. Não teria uma existência prolongada, mas sua lembrança seria inesquecível para o mundo consciente; depois viria outra e assim por todo o sempre.

Wakanerefy comentou suas dúvidas com respeito à referida lenda. Andbelefy, ao contrário, como mãe, ficou pensativa, à procura de uma resposta adequada e disse:

- Querido! A sua idade de acreditar em histórias fantásticas já passou. Afinal, uma lenda é uma lenda e não tem relação com a realidade. Deixe de bobagens, ou então, vai me convencer que a sua filha não é de você e, sim, do Universo, o seu genitor!

- É verdade, acho que tem razão.

- Está vendo, tudo é uma questão de lógica.

- Só não se esqueça, somos todos da mesma origem: O Universo.

- Tem razão. Vamos deixar de lado essas idéias. Se continuarmos pensando, só vamos ganhar dúvidas e problemas.

- Tem razão. O que seria de mim sem você?

- Um cientista solitário!

- O que disse é uma verdade.

- Você é um amor de criatura, mesmo quase com os quatrocentos anos ao seu lado. Isto que é amor.

- Puxa! É mesmo! O prazer de ser imortal, mesmo temporariamente, nos dá um sentimento de um dia ter a liberdade de pedir a morte como escolha.

- Onde quer chegar?

- A lugar nenhum, já cheguei. A imortalidade é um pesadelo infinito. A morte, um pesadelo finito.

- Puxa, que profundidade espiritual!

De uma maneira afetuosa, a conversação foi tomando novo rumo. Algumas piadas foram trocadas; aos poucos, riam e faziam planos para a chegada

A rotina de hibernação se sucediam. Eis que chegavam às bordas da via-láctea. Pareciam ter a sensação de estarem chegando em casa e, mais algumas horas, o sonho estaria realizado.

Ao mesmo tempo, diante da aproximação dos planetas do sistema solar, algumas naves partiam em busca de confirmação de campo aberto.

Regressavam ao cabo de algumas horas, o acesso estava livre. Skalaghadoffy ordenou que os últimos preparativos fossem feitos e enviou mensagens pacíficas, avisando do transporte, a bordo, de criaturas humanas.

A seguir, toda a família Towmmor foi conduzida a uma aeronave especial, destinada a aterrissar em solo terrestre. Depois do sinal verde, a operação foi realizada sem embaraços.

Dos terráqueos, ninguém conseguia conter a excitação do momento. Através das telas, o perfil do berço natal era notado em seus mínimos detalhes.

Os filhos de Wakanerefy faziam uma série de perguntas, mas, tomado de fortes emoções, ele mal conseguia falar ou descrever sinais, tamanha a ansiedade de pisar no solo terrestre.

Durante a curta viagem, Skalaghadoffy passava em revista todos os detalhes e programas de consolidação dos povos. A aproximação foi feita. Ao chegarem na atmosfera, para diminuir a aceleração das naves, deram várias voltas ao seu redor.

Na última volta, desceram e ao aterrissarem, a frustração foi por demais violenta! Desgraçadamente, nenhum sinal de vida. Só a visão macabra de ruínas pertencentes a uma civilização. Sentia-se caos por toda a parte.

Uma dúvida pairava no ar: autodestruição ou invasão?

Skalaghadoffy, cercado de toda a sua equipe de apoio, disse:

- O lar é seu, pois no Universo não existe começo e nem fim. Por isso, mais do que nunca, dêem continuidade às suas vidas e às de seus filhos.

Eu sei que é preciso muita disposição e coragem para começar de novo, mas não esqueçam que jamais os abandonaremos. Neste desafio, a luta é de vocês. Aguardaremos o tempo que for preciso, afinal, temos um juramento a cumprir.

Um dia voltaremos e vamos terminar nossos planos, que ainda estão erguidos, mesmo diante do fracasso de sua geração. Se houver culpados, serão severamente punidos A vida no Universo não é um fator acidental e, sim, uma manifestação do próprio Deus que a criou.

Aguardem: VOYAGE II
Do Genêsis ao Infinito
Inédito
Capítulos do VOYAGE II

ÍNDICE

Prefácio
1. Gênesis  8-18
2. O Universo Segundo Zariel 19-34
3. O Surgimento das Civilizações Cósmicas  35-47
4. Propulsão dos UFOS   48-59
5. Os Vizinhos Cósmicos  60-67
6. Vida e Morte das Estrelas  68-78
7. Consciência Cósmica  79-84
8. Viagem Interdimensional  85-97
9. A Volta de Kerin Ank  98-109
10. Plêiades a Primeira Visita  110-119
11. Batalha Contra os Reptilianos 120-124
12. A Grande Confraternização 125-129
13. Partida Para o Infinito  130-140
Glossário Científico
10 casos mais famosos da Ufologia
Relação das Entidades de Estudos do Ufos

 

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ICQ: 8142778