| Prof.
Kano aos 22 anos
Jigoro
Kano, que era pequeno e fraco por natureza, começou
a praticar o ju-jitsu aos 18 anos pelo propósito de
não ser dominado por sua fraqueza física. Ele
aprendeu atemi-waza (técnicas de percussão),
e katame-waza (técnicas de domínio) do estilo
ju-jitsu Tenjin-shin-yo Ryu e nague-waza (técnicas
de arremesso) do estilo de ju-jitsu Kito Ryu. Baseado nestas
técnicas ele aprofundou seus conhecimentos tomando
como base a força e a racionalidade. Além disso,
criou novas técnicas para o treinamento de esportes
competitivos mas também pelo cultivo do caráter.Adicionando
novos aspectos ao seu conhecimento do tradicional ju-jitsu
o professor Kano fundou o Instituto Kodokan,com a educação
física, a competição e o treinamento
moral como seus objetivos.
Com o estabelecimento do dojô Kodokan,
em 1882, e com 9 alunos, Jigoro Kano começou seus ensinamentos
do judô. O texto do estudioso japonês Yoshizo
Matsumoto mostra os conceitos iniciais deste esporte e os
seus objetivos.
 
Fundação do Instituto Kodokan
O prof. Kano estabeleceu o Instituto Kodokan
em 1882, época em que o dojô (local de treino)
tinha apenas 12 tatamis e o número de alunos era nove.
O ju-jitsu foi substituído pelo judô pela razão
de que enquanto "jitsu" significa técnica
o "do" significa caminho, este último podendo
ter dois significados: o de um caminho em que você anda
e passa e o de uma maneira de viver.
Como meio de ensino, no Kodokan, Jigoro Kano
adotou o randori, kata e métodos catequéticos,
adicionando educação física ao treinamento
intelectual e à cultura moral. A harmonia desses três
aspectos de educação constituem a educação
ideal pela qual o judô será ensinado.
Ao redor do ano 20 da era Meiji (1887), o
judô tinha dominado o ju-jitsu, que foi varrido de vários
países. O princípio do "JU", do judô,
passou a significar o mesmo que na frase "gentileza é
mais importante que obstinação".
Assim a teoria do "JU", que é
gentileza, suavidade, pretende utilizar a força do
oponente sem agir contra ela, podendo ser aplicada não
somente na competição mas também aos
aspectos humanos.
 
Boa cultivação e uso da energia
O prof. Kano disse em 1910 que a teoria da
cultivação da energia tratava de adotar um método
para melhorar a habilidade mental e física pelo armazenamento
de ambas quanto for possível. Ele disse que o seu bom
uso é cultivar e usar a energia humana para o bem e
que a teoria pode ser adquirí-la através do
treinamento de judô, podendo ainda ser ampliada para
todos os aspectos da vida. Antes de se expandir, o conceito
de judô do professor veio a formar dois grandes guias:
o melhor uso da energia individual e o bem estar mútuo.
Com estes princípios o judô expandiu-se no próprio
Japão e no exterior. Com esta base, o prof. Kano deixou
como ensinamento que através do treinamento a pessoa
deve se disciplinar, cultivar o seu corpo e espírito
através das técnicas de ataque e defesa, fazendo
engrandecer a essência do caminho. O melhor uso da energia
e o bem estar mútuo são uma versão resumida
dos ensinamentos de Jigoro Kano, que definiu como objetivo
último do judô construir a perfeição
de uma pessoa e beneficiar o mundo.
Texto de Yoshizo Matsumoto, publicado
na revista oficial da "Jigoro-Kano Cup International
Judo Tournament", 1996
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Maeda
(à esquerda) com o Prof. Kano
Em 1904, Koma ao lado de Sanshiro Satake,
saiu do Japão. Seguiram então para os Estados
Unidos, México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá,
Colômbia, Equador, Peru (onde conheceram Laku, mestre
em ju-jitsu que dava aulas para a polícia peruana),
Chile, onde mantiveram contato com outro lutador, (Okura),
Argentina (foram apresentados a Shimitsu) e Uruguai. Ao lado
da troupe que a eles se juntou nos países sul-americanos,
Koma exibiu-se pela primeira vez no Brasil em Porto Alegre.
Seguiram depois para o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador,
Recife, São Luís, Belém (em outubro de
1915) e finalmente Manaus, no dia 18 de dezembro do mesmo
ano. A passagem pelas cidades brasileiras foi marcada apenas
por rápidas apresentações. Por sua elegância
e semblante sempre triste, Mitsuyo Maeda ganhou o apelido
de Conde Koma durante o período que ficou no México.A
primeira apresentação do grupo japonês
em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio
Pires Júnior, em 20 de dezembro de 1915, aconteceu
no teatro Politeama. Foram apresentadas técnicas de
torções, defesas de agarrões, chaves
de articulação, demonstração com
armas japonesas e desafio ao público. Com o sucesso
dos espetáculos, os desafios contra os membros da equipe
multiplicaram.
Entre os desafiantes, boxeadores como Adolfo
Corbiniano, de Barbados, e lutadores de luta livre romana
como o árabe Nagib Asef e Severino Sales. Na época
Manaus vivia o "boom" da borracha e com isso as
lutas eram recheadas de apostas milionárias, feitas
pelos barões dos seringais. De 4 a 8 de janeiro de
1916, foi realizado o primeiro Campeonato de Ju-jitsu amazonense.
O campeão geral foi Satake. Conde
Koma não lutou desta vez, ficando apenas com a organização
do evento. No dia seguinte (09/01/1916), o Conde, ao lado
de Okura e Shimitsu, embarcou para Liverpool, na Inglaterra,
onde permaneceram até 1917. Enquanto a dupla permaneceu
no Reino Unido, Satake e Laku seguiram lecionando ju-jitsu
japonês aos amazonenses no Atlético Rio Negro.
E os mestres orientais continuaram vencendo combates a que
eram desafiados. Até que em novembro de 1916, o lutador
italiano Alfredi Leconti, empresariado por Gastão Gracie,
então sócio no American Circus com os Irmãos
Queirollo, chegou a Manaus para mais um desafio. Satake que
estava adoentado cedeu seu lugar para Laku, sendo este derrotado
por Leconti. Sataki, em recuperação, seria o
próximo adversário do italiano, mas devido a
brigas geradas por ocasião do combate entre Laku e
o desafiante, o delegado Bráulio Pinto resolve proibir
outras lutas na capital amazonense.
A volta ao Brasil
Em 1917, de volta ao Brasil, mais
especificamente em Belém, e tendo ao lado sua companheira,
a inglesa May Iris Maeda, Conde Koma ingressa no American
Circus onde conhece finalmente Gatão Gracie. Em novembro
de 1919, o Conde retorna a Manaus, agora na condição
de desafiante de seu amigo Satake. Foi então que aconteceu
a única derrota de Koma em toda sua carreira. Na biografia
anterior diziam que ele nunca havia sido derrotado.
Então ele volta para Belém
e em 1920, já com a crise da borracha, é desfeito
o American Circus. Com isso, Mitsuo Maeda embarca novamente
para a Inglaterra. Em 1922, regressa como agente de imigração,
trabalhando pela Companhia Industrial Amazonense e começa
a ensinar judô aos belenenses na Vila Bolonha. No mesmo
ano, seu ex-companheiro Satake embarca para a Europa e nunca
mais se tem notícias do grande mestre.Conde Koma continuou
em Belém, falecendo em julho de 1941. Carlos e Hélio
Gracie, filhos de Gastão seguiram atuando no ju-jitsu,
modalidade que aprenderam com Koma no circo do pai.
Isso, depois que a arte marcial já
estava definitivamente implantada em Manaus pelos membros
da troupe de Koma, principalmente Sanshiro "Barriga Preta"
Satake.
Texto extraído da pesquisa
feita pelo amazonense Rildo Heros Barbosa de Medeiros.
O trabalho do judoca/pesquisador foi reconhecido pelo Instituto
Kodokan.
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