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Família Castro Alves


Genealogia Cearense

1. Genealogia da Família Castro Alves (abaixo)
2. Genealogia da Família Barros Leal
3. Genealogia da Família Holanda no Ceará
4. Genealogia da Família Gurgel do Amaral
5. Genealogia da Família Moreira de Azevedo
6. Genealogia da Família Lopes, de Sobral
7. Lista dos Primeiros Colonizadores Portugueses no Ceará 1700-1800
8. Os Cristãos Novos no Ceará
9. Links


  PASCHOAL DE CASTRO ALVES  


     Paschoal de Castro Alves nasceu em 17 de Maio de 1893 em Pentecoste, Ceará, filho do tabelião Francisco Alves de Souza e de Maria Lopes de Castro. Casou-se com Maria de Lourdes Moreira de Azevedo.

Não era apenas o capricho na letra manuscrita que fazia Paschoal de Castro Alves um rapaz destacado em Pentecoste. Seu espírito dinâmico e o tino para negócios já chamavam a atenção desde garoto, no tempo em que freqüentava a aula pública de caligrafia. Com tão bela letra, boa até para auxiliar o padre da cidade, Aureliano Matos, na transcrição de documentos da Igreja, era mesmo de se esperar que o rapaz auxiliasse o pai nos serviços de escrevente no cartório, copiando certidões, escrituras, páginas e páginas de burocráticas linhas paralelas a preencher. Mas não era bem isso que ele queria. Jovem ainda, já havia enfrentado cem quilômetros de percurso até Fortaleza, acompanhando a pé comboios de mercadorias, descobrindo que na cidade grande é que estava seu destino. Enquanto isso, trabalhava em Pentecoste cuidando do estoque da pequena mercearia, com duas portas abertas para receber os fregueses, que era sua desde os 16 anos de idade. “Paschoal de Castro & Cia”, era a inscrição pintada logo abaixo da linha do telhado, abaixo ainda das bocas de jacaré por onde se derramava a água da chuva.

O ano de 1921 trouxe mudanças na vida de Paschoal. No dia 14 de outubro havia casado com Maria de Lourdes Moreira de Azevedo, irmã mais nova de conterrâneos da família Moreira e vieram morar definitivamente em Fortaleza,estabelecendo-se no centro da cidade abrindo uma loja de esquina com 19 portas; a empresa PASCHOAL DE CASTRO ALVES & CIA LTDA.

Paschoal de Castro Alves tornou-se relevante figura de nossa sociedade exercendo varias atividades sociais e comerciais, tais como Diretor da Associação Comercial, Diretor do Clube dos Diários, Diretor do Asilo de Menores Juvenal Carvalho, Fundador do Náutico Atlético Cearense e Membro do Rotary Clube de Fortaleza. Paschoal de Castro Alves destacou-se por sua inteligência, bondade, educação e bom senso. Tornou-se um homem de grandes posses materiais, porém jamais deixou de ser um homem simples, bondoso e preocupado com o bem estar dos seus semelhantes. Mas seu maior recado estava na carta manuscrita aos filhos, poucos dias antes de falecer, ao dizer: “Riquezas nem sempre trazem felicidade; o que considero riqueza é a paz de espírito, a harmonia no seio da família e da sociedade”.

Seu Falecimento deu-se no dia 23 de julho de 1964. Os jornais destacaram sua morte com grande pesar. Merece citação, um trecho da crônica da grande escritora Dinah Silveira de Queiroz, publicada no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro em agosto de 1964:




  A ÚLTIMA CARTA  


IVAN E LAERTE, o que vou expressar não é nem uma novidade, mas tenho que manifestar alguma coisa que penso acerca dos negócios de nossa firma.

     Muito embora reconheça em vocês elementos de real valor, e a boa vontade de acertar e de organizar, vejo que os negócios estão em uma base superior ao nosso capital e isto nos obriga a assumir maiores compromissos, pelo que temos de fazer verdadeira ginástica para trazer em dia as nossas obrigações. Não tem faltado a vocês essa coragem e esforço no sentido de que nossa firma continue merecendo a mesma confiança, o que para mim já é um motivo de orgulho; entretanto, não deixa de preocupar um pouco, porque a nossa base é pequena para mantermos os negócios nestas proporções e isto nos obriga também a recorrer a agiotas contraindo empréstimos, alguns sujeitos a reposição nos momentos exigidos. Uma outra coisa a considerar é que as despesas que enfrentamos, são da ordem de 1/3 das nossas vendas, assim sendo não vejo muita probabilidade de um sucesso, sobretudo porque trabalhamos com um pessoal que em parte não procura corresponder integralmente as obrigações que lhes são afetas, cuidam somente (como é natural) de seus interesses próprios. Sei que é difícil encontrar elementos capacitados, como requerem as condições de nossos negócios, portanto, precisamos de muita habilidade e tino, porque se avançarmos, teremos de arcar com maiores responsabilidades e se recuarmos, teremos um percentual de despesas muito maior. E assim, já que estamos pensando e já pondo em prática a restrição de negócios, acho que seria prudente fazermos uma experiência procurando vender numa base de 55 a 60 milhões. Essa venda nos proporcionaria um lucro bruto na base de 40%, correspondente a uns 22 a 24 milhões, e um lucro líquido de uns 3 a 4 milhões mensais, ainda sujeitos aos prejuízos eventuais. Com isto íamos acompanhando os dados apresentados nos balancetes mensais, sentindo as reações pró ou contra. Esta maneira posta em prática poderia nos orientar, para seguirmos ou não esta norma. Sei que as coisas são complexas mas uma escrita organizada é como uma lente que alcança os defeitos da organização, para que assim possa ir corrigindo-os. A reducão de despesas deve ser também objetivo de cogitações, tendo em vista o adagio que diz: “A economia é a base da prosperidade”. Não é para acumular riquezas, que nem sempre trazem felicidade; o que considero riqueza é a paz de espírito, a harmonia no seio da família e da sociedade.

     Tenho sobretudo de ressaltar que o meu propósito de me afastar da firma não é em absoluto falta de confiança nos seus orientadores, que são vocês. O motivo pelo qual procuro me afastar da firma é a condição em que me encontro, mentalmente cansado, a ponto de não poder mais prestar a ajuda que o desenvolvimento requer. Estou sem idéia, sem expressão para debater os assuntos ventilados do interesse da firma, estou como cego, a quem resta somente o tato e que não vai além daquilo que ele pega. Portanto, se continuar na firma é apenas por um dever de solidariedade a vocês, não levado mais por interesses pecuniários próprios. O meu interesse é que a firma cresca dentro do mesmo conceito que tem gozado no decorrer de tantos anos e tenho certeza desta continuidade, uma vez que a firma está vivendo a vigilância de elementos esclarecidos, capacitados e conhecedores da situação financeira encontrada nos balancetes e organogramas em preparo, um trabalho digno de mencão, trabalho este que por si só credencia os dirigentes da firma. Quanto a mim, ficando ou saindo, estarei sempre solidário com vocês, só tenho motivos para enaltecê-los.
09/07/64
a)Paschoal

* Paschoal faleceu exatamente duas semanas após ter escrito esta carta.




  UM HOMEM CERTO  
  por Dinah Silveira de Queiróz,  
  da Academia Brasileira de Letras  


     Nossa viagem pelos Estados Unidos, cujas etapas vocês ainda conhecerão, foi interrompida por uma notícia: em Fortaleza acabava de falecer Paschoal de Castro Alves.

     Posso dizer que o conheci muito em pressentimento e pouco em companhia referindo-me a este que começou menino ainda, com apenas dez anos, o seu trabalho de dia a dia, em Pentecoste no Ceará. Por essa época, aquele que iria ser um dos mais estimados, um dos mais íntegros cidadãos de toda Fortaleza, acompanhava a pé, por cem quilometros de estrada, os comboios de animais que iriam levar mercadorias. O menino Paschoal conheceu, portanto, a humildade do chão em que pisou, este chão e esta terra dos humildes que ele carregou para sempre em seu íntimo.

     Quando eu o conheci, dono de uma das maiores lojas de Fortaleza, onde se poderia comprar desde a miudeza ao avião, Paschoal de Castro Alves representou logo aquele que tendo construído um patrimônio na vida, bem se tornou pelos trabalhos que conheceu, pela profundeza dos dias vividos do quotidiano ganho honestamente, a criatura sem vaidade. Entre este homem de setenta anos e o menino de Pentecoste, não deveria haver nenhum traço de diferenciação humana, ambos eram inocentes de qualquer soberba.

     Vi agora em Fortaleza o quanto soube fazer em amizades. Cheguei a ler em jornais um comentário em que Paschoal de Castro Alves aparecia como uma coluna partida da cidade.

     No entanto, este homem tão estimado, que sempre encontrava tempo para atender os interesses dos órfãos e aconselhar judiciosamente quem o procurasse, era um cearense de muito poucas palavras, mas de palavras exatas, as palavras certas de um homem certo.

     Debruçando-me sobre a vida deste homem, que deixou, como aquele justo de que nos fala a Bíblia, a sua família e a sua obra, árvore plantada à beira-rio que se expande com todo vigor, colho uma lição. Sua morte ele a esperava com a perfeita naturalidade de quem as horas da tarde fecha a porta de seu negócio. Deixou cartas aos filhos, dizendo como queria que a firma continuasse, quinze dias antes de morrer. E sem dizer a ninguém, levou um neto a visitar a casinha bonita que o vovô mandou pintar: seu jazigo. Enquanto a cidade estava vivendo seu mais intenso momento de vida, Paschoal de Castro Alves, dirigindo seu carro, parou num sinal e, dentro do sinal, morreu como um “homem certo” que sempre foi.

Transcrito do “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro. Agosto de 1964




  MARIA DE LOURDES MOREIRA DE CASTRO ALVES  


“AGORA É NOIVA OUTRA VEZ” (1967)



     No dia 11 do mês passado a sociedade cearense recebeu a triste notícia do falecimento da Senhora MARIA DE LOURDES MOREIRA DE CASTRO ALVES , mulher de grandes virtudes, como esposa e mãe de família, tendo ainda a elevá-la, aos olhos dos que a conheceram, o ingente sofrimento que lhe santificou a alma, nos últimos 13 anos de sua existência.

     D. Maria de Lourdes, religiosa e boníssima, foi casada com o saudoso comerciante conterrâneo PASCHOAL DE CASTRO ALVES, homem que deixou entre nós um alto exemplo de moralidade pessoal, além de sólido patromônio econômico, fruto de longo e honestíssimo labor. De tal consórcio, duradouro e feliz, vieram os seguintes filhos: Ivan, Laerte, Dário, Eunice e Idilva. Os dois primeiros pertencem ao alto comércio de Fortaleza, como continuadores da obra mercantil de Paschoal Castro Alves, representada por uma firma séria e firme – PASCHOAL DE CASTRO ALVES S. A. – de largo conceito interestadual. O terceiro, Dr. Dário Castro Alves, é diplomata de carreira, com nome feito no Itamaraty.

     A extinta, cujo desaparecimento foi grandemente lamentado, pois seu espírito cristão e caridoso gerou muita amizade, respeito e gratidão, nasceu a 2 de fevereiro de 1902, no município de Caucaia e estudou no Colégio São José, antigo educandário de Fortaleza. Neste ponto surge a razão sentimental da estima que eu particularmente lhe devotava. D. Maria de Lourdes foi colega de estudos de minha falecida esposa, D. Nilza Cabral Cavalcanti. Conservaram-se amigas pelo correr dos anos, não obstante a diferença que as distanciavam em matéria de fortuna material. Este motivo, aliás, nunca prevalesceu nessa amizade, uma vez que D. Maria de Lourdes possuia esta virtude pouco encontradiça nas pessoas ricas: a bondade, que nela era ingênita, inalterável.

     Mas os bens terrenos pouco recomendam as criaturas, sobretudo depois da morte. O dinheiro dá conforto e até falsa nobreza, porém é esse efeito superficial e efêmero. Só o patrimônio espiritual se perpetua, fica valendo e representando, mesmo quando o ente humano que o mereceu se vai deste mundo. Se a sabedoria eleva e eterniza, nas letras, nas artes ou na ciência, não menos exato é que o sofrimento exalta e dignifica o mortal diante da humanidade e diante de Deus.

     D. Maria de Lourdes Moreira de Castro Alves alcançou na terra um grau avançado de purificação. Sua bela alma de mulher simples e honesta acrisolou-se na dor sem remédio e definitiva. Durante seus derradeiros anos de vida, padeceu diuturnamente, numa resignação edificante. Todo esse longo tempo ficou presa ao lar, sem mais tomar parte em altos acontecimentos sociais, ela que fora senhora de educação e muito relacionada.

     Seu universo resumiu-se, no decorrer de três intermináveis lustros, no conforto de que era cercada no afeto de marido e filhos e na abençoada luz do dia que lhe vinha ao encontro cada manhã. E assim, na meditação e no silêncio, sua alma se foi levando, subindo os primeiros e dolorosos degraus da escada que leva à santificação.

     E essa imensa solidão que lhe cercava o coração multiplicou-se por mil, quando a 23 de 7 de 1964, seu grande companheiro de toda a vida repentinamente desapareceu dentre os vivos. O falecimento de Paschoal Castro Alves, o esposo bom, o amigo de cada minuto, lançou-a em profunda viuvez sem lenitivo. Somente durante três anos pode suportar sua ausência. Seguiu-o mansamente e agora, na eternidade é a noiva outra vez ao lado do noivo. Novamente reunidos – tal como viveram na terra – terão o velho amor reflorecido, eternamente alcandorado, a cavaleiro das contingências humanas.

     Essas letras eu as escrevo espontâneamente, curvado e irreverente, em homenagem a que agora partiu para o seio de Deus e com o pensamento naquela que sobre a terra foi o meu amor, a minha cruz e a minha glória.

Artigo do cronista Caio Cid, transcrito do jornal “O Correio do Ceará”, de Fortaleza




  MEUS PAIS, por Ivan de Castro Alves  



Não é a carne e o sangue,
e sim o coração,
que nos faz pais e filhos.
Schuller (1759 - 1805)

Vassouras, Laranjas e Agradecimentos

Início de minha carreira comercial e outras lembranças


Paschoal de Castro Alves
1893 – 1964
Com respeito e saudade de
José Edísio de Sousa


     No tarde de 31 de maio de 1935, guiado pela mão de meu primo José Cirilo Bezerra, entrava eu no armazém da Casa Paschoal de Castro Alves, número 204 da rua Castro e Silva em Fortaleza. Para mim, era um momento histórico, pois eu iria tentar meu primeiro "emprego sério" em uma conhecida e respeitada Casa do "comércio atacadista". Tendo chegado à capital em 1933, sozinho, "sem lenço e sem documento", com doze anos de idade, eu tinha sobrevivido milagrosamente com empreguinhos ("ganchos" como se dizia) enquanto mantinha entusiasmo e coragem acesos, estudando à noite, sempre pensando em melhores dias.

     - Este é o menino de quem eu falei, apresentou-me o primo ao dono da Casa que, depois de me olhar brevemente da cabeça aos pés, perguntou: - Você sabe somar bem? Sem esperar resposta, jogou uma segunda pergunta pra cima de mim: - E sua letra, como é? Antes que eu respondesse, meu futuro patrão entregou-me um lápis e uma folha de papel dizendo: - Escreva aí seu nome completo e endereço. Sem demora, ainda de pé, procurei a primeira superfície disponível e caprichei na letra, entregando meu "exame escrito" ao "professor". Depois de rápida olhada ao papel, veio logo a decisão nervosamente por mim esperada: - Acho que serve... vamos experimentar por trinta dias... pode começar amanhã... o ordenado é duzentos mil reis. (Ao câmbio então corrente, mais ou menos uns 10 dólares... por mês). Os 30 dias se transformaram em mais de 700 felizes dias para mim. Assim, iniciei minha carreira comercial, num noviciado que hoje, não sei por que, me faz lembrar o clássico filme "Noviça Rebelde". Diga-se de passagem, que nunca fui um noviço rebelde - nem o Sr. Paschoal foi um rigoroso Capitão Von Trapp. Sempre respeito e uma "amizade calada", de lado a lado, tendo seus filhos continuado o mesmo caminho.

     Bem, no dia seguinte, cedinho, lá estava eu na frente de umas das muitas portas da Casa. Em poucos minutos, chegava o Sr. Paschoal que abriu a porta e entramos os dois para o trabalho antes da chegada dos outros empregados. Recebi minhas primeiras instruções: "Dê uma boa varrida aqui na entrada... ali deve ter uma vassoura..." - e apontou-me o quarto no fim do longo balcão. Só isso. Com a vassoura na mão, iniciei minha "carreira comercial" na avançada idade de quase catorze anos. No ano seguinte, quando nasceu o "Departamento Nacional do Trabalho" e foi exigida "carteira", dona Luiza, secretária da firma, simplesmente inventou nova "data de nascimento" para mim, tendo eu recebido minha carteira de "comerciário" com o pomposo título de "auxiliar de armazém". Viva o Brasil, "o país de leis trabalhistas mais avançadas no mundo!" Minha idade fora avançada para dezoito, idade legal. Leis avançadas mesmo! Virei adulto aos catorze anos! País de samba e pandeiro... e "adultos" de catorze anos. Minha carreira me levaria a mais de cinqüenta países em muitos continentes... numa jornada de setenta anos de muita alegria.

     Dois anos depois, com tristeza, eu me despediria do Sr. Paschoal para iniciar nova etapa de minha vida na Ceara Light, Power & Tramway. Os dois anos de trabalho na Casa Paschoal foram um noviciado valioso. Aprendi a trabalhar seriamente com um homem de honestidade e visão, homem sempre calmo e amigo de seus fregueses. Homem de poucas palavras e de muito tino. Nada de mostrar abertamente amizade pessoal para seus empregados, sempre tratados com respeito e dignidade: eu não queria mais do que isso... tinha minha profissão de "comerciário" com carteirinha.

     Eventualmente, terminado meu curso secundário (à noite), emigrei para o Rio de Janeiro onde entrei para a Faculdade de Ciências Econômicas, sempre estudando à noite, trabalhando durante o dia. Com a "Grande Guerra" sem parar, fiz concurso para a nova Escola de Aeronáutica no Campo dos Afonsos e um começo de carreira militar, seguindo para os Estados Unidos e um curso de engenharia aeronáutica. Voltei para o Rio e trabalho na Panair do Brasil, trazendo comigo uma jovem esposa americana que não se deu muito bem com sua nova pátria. Assim foi que resolvi voltar aos Estados Unidos para uma carreira comercial iniciada nos armazéns de Paschoal de Castro Alves em 1 de junho de 1935. Obrigado, querido patrão - suas lições foram valiosas.

     Nas voltas que o mundo dá, na década dos 50, o Sr. Paschoal de Castro Alves, chegou em Nova York, onde eu então morava, trazendo com ele sua esposa, dona Lourdes, à procura de ajuda médica especializada e urgente. Foi com imenso prazer que fui recebê-los no aeroporto, arranjando todos os assuntos de consultas médicas, etc. tendo alugado para eles um flat mais confortável do que o luxuoso hotel de que não gostaram. Levei para lá, de minha casa, numa grande caixa de papelão, panelas, pratos, talheres, toalhas, etc. - foram dias bem vividos com o casal. Quando nos despedimos no final de sua estadia, no portão de embarque do aeroporto onde fui levá-los, o Sr. Paschoal me abraçou e disse mais ou menos isto: Não sei e nem é preciso agradecer... isto é o que a gente espera de um bom filho... Se cuide... O homem tinha seu jeito de dizer muito em poucas palavras. Entendi bem sua maneira de agradecer. E lembrei-me do meu primeiro dia de trabalho no armazém: "Dê uma boa varrida na entrada... ali tem uma vassoura...."

PS - Quando chegou de volta a Fortaleza, o Sr. Paschoal foi logo visitar minha mãe. Segundo ela me contou, meu primeiro patrão tinha dito: "Seu filho nos ajudou muito, dona Ondina...arranjou um apartamento e levou pra lá tudo o que era necessário ... mas eu notei que ele só tinha esquecido uma coisa - esqueceu de levar uma faquinha bem amolada para eu descascar minhas laranjas - só faltava isso mesmo... fiquei com vergonha de pedir. Imagine isso agora: no dia que eu fui arrumar de volta as coisas dele e peguei a caixa, de repente, caiu do fundo da caixa uma coisa. Sabe o que foi? - uma faquinha bem amolada pra descascar laranja... Ele nada tinha esquecido. Seu filho foi como se fosse meu filho."

Escrito por Joseph E. de Sousa - Colorado Springs, USA - 15 de novembro de 2005.
Website - www.joseedesousa.net




  DESTAQUE  


     Eunice Moreira de Castro Alves

     Nasceu em Fortaleza em 7 de dezembro, sendo a primeira dos cinco filhos de Paschoal e Maria de Lourdes de Castro Alves. Formou-se em 1940 como professora pela Escola Normal de Fortaleza. Exerceu a profissão apenas em caráter particular de forma beneficente, tendo alfabetizado dezenas de pessoas, inclusive muitas de suas empregadas e cujos filhos são hoje advogados, enfermeiros, etc. Posteriormente, concluiu, em 1977, o curso de Direito na Faculdade de Direito Cândido Mendes no Rio de Janeiro, onde exerceu a advocacia em escritório próprio por cerca de 20 anos, atuando especialmente nas áreas de direito cível, família e sucessões. Católica ativa e admiradora da literatura clássica brasileira e universal, a par da música (toca piano e acordeão), morou em várias cidades brasileiras, tendo igualmente feito muitas viagens ao exterior, em especial Europa. Reside atualmente no Rio de Janeiro.

     Sendo sócia da tradicional empresa Paschoal de Castro Alves S.A, fundada por seu pai, exerceu também as funções de diretora durante vários anos, quando morou em Fortaleza. Paralelamente às atividades profissionais e, como mãe dedicada, criou e educou 3 filhos, formados em Engenharia, Direito e Economia





     Idilva Castro Alves de Barros Leal

     Minha mãe tem luz própria, uma luz discreta e reservada que compensa com sorrisos mágicos, iluminados, que apagam rugas e trazem de volta seu rosto de jovem, o rosto que mostram as fotos do seu passado.

     Oito décadas não tiraram de minha mãe a disciplina dos horários, a disposição para ir e vir, o firme controle da casa, a auto-imposta obrigação do exercício físico, o gosto por anéis de prata e salto alto, a voz baixa, a elegância para se vestir.

     Entre o caminho dos diplomas, dos horários profissionais, dos mistérios da culinária ou dos trabalhos manuais, minha mãe preferiu tomar o caminho de outras produtivas alegrias: aquelas que levam ao cuidado com o desenvolvimento de plantas, crianças e animais, à leitura atualizada de livros, revistas e jornais, ao saudosismo eventual do piano e das antigas fotografias.

     O que confirmam seus sete filhos é um fato: nossa mãe é uma pessoa de boas palavras, de silêncios apropriados e de paciência infinita, com o dom de aparecer e de se distanciar nas horas certas, dona dessa luz especial que reparte entre filhos e filhas, e que com certeza vem da alegria de ser presença tão desejada e de se saber sempre mãe tão querida.

Texto de Angela Barros Leal Farias


      Ivan Moreira de Castro Alves

      Nasceu em 21 de julho, em Fortaleza. Comerciante e industrial. Iniciou as lides comerciais aos 19 anos com o pai, que muito inspirou em sua vida pessoal e profissional. Em 1961 fundou a partir de um modesto galpão a Indústria Metalúrgica Castro Alves, fabricante das Bombas King, que se consolidou anos mais tarde em organizada fábrica com mais de 350 funcionários. Casou-se em 1954 com Margarida Maria Lopes de Castro Alves, de cuja união nasceram dez filhos, cinco homens e cinco mulheres.

      Foi agraciado em 1979, pela TV Verdes Mares Canal 10, com o “Troféu Sereia de Ouro ” e também com a “Comenda de Cavaleiro da Ordem de São Silvestre”, conferida pelo Papa João Paulo II, por ter participado da comissão de Construcão da Catedral de Fortaleza.

      Escreveu em 1975 o livro “Pelo Mundo Afora”, que descreve viagens por trinta e dois países. Em 1983 editou o livro “Salada Mista”, de crônicas e fatos cotidianos e, em 1985, escreveu um ilustrado livro com narrativas de viagens: “A China Que Eu Vi”. Lançou em 1987 o livro “O Caracol de Chumbo - Experiências e memórias de um empresário sessentão”. Fez uma monografia “C.C.Q. - Círculo de Controle de Qualidade e Administração Participativa”, divulgada pelo SENAI. Escreveu um livrete “Cuba e Seus Aspectos Sociais e Econômicos”. Em 1990 publicou também um livrete de bolso “Reflexões”, que versa sobre variados assuntos sempre ligados a uma filosofia de vida que reconhece e sente o poder Divino no dia a dia. Destinou a renda de todos eles para construção de uma unidade de quimioterapia para tratamento de pessoas carentes que sofrem de cancer.

A maior herança que os pais podem deixar para os filhos é o saber e a educação. Entretanto, aquele que se propõe a adquirir o saber precisa ter força de vontade, determinação e persistência, aliando isso à vivência. Os que vivem em constante aprimoramento intelectual são possuidores de um bem inalienável que é a cultura, mola mestra do progresso do mundo e da auto-realização.
Ivan de Castro Alves

      É bom apreciador de artes em geral, pinturas, esculturas, (já fez algumas) bem como fotografia e botânica, boas leituras e música clássica.

      Considera como objetivo de vida a boa formação moral e religiosa para o encaminhamento da familia, célula mater da sociedade, segundo o mesmo, única fonte de progresso e bem estar social do País.

      Em 2007, imbuído de espírito reconheciamente humanitário, Ivan de Castro Alves realizou doação à Fundação Mata Atlântica, por 20 anos em regime de comodato, o sítio Betânia, de sua propriedade, situado no cume da serra de Maranguape. Apoiado pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, a sede do sítio foi reformada visando a instalação de uma escola de eco-alfabetização. A nova escola conta ainda com um museu zoobotânico, um herbário vivo e um albergue, propiciando a visita de estudantes universitários e secundaristas.


      Dário Moreira de Castro Alves

     Nasceu em 14 de dezembro, em Fortaleza, Ceará, e faleceu em 6 de junho de 2010. Em 1949 concluiu o curso de Ciências Jurídicas e Sociais na PUC do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano ingressou por concurso no Serviço Diplomático Brasileiro, tendo exercido postos em Buenos Aires, Nações Unidas (Nova Iorque), Moscou, Roma; de 1979 a 1983 exerceu as funções de Embaixador em Lisboa; de 1983 a 1989 como Embaixador na Organização dos Estados Americanos em Washington; em 1984 foi Presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos; em 1990 aposentou-se na Cidade do Porto, Portugal, com categoria de Embaixador.

     Em Brasília foi Chefe do Gabinete do Ministro das Relações Exteriores, Chefe de Administração do Ministério das Relações Exteriores, Secretário Geral e Ministro Interino das Relações Exteriores.

     Foi agraciado com cerca de 30 condecorações honoríficas do Brasil e de vários países.

     Foi Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará; Acadêmico de Mérito da Academia Portuguesa de História; Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo de Lingua Portuguesa, em Lisboa; Diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Internacional de Lisboa.

     Era conferencista e jornalista. Na área de letras escreveu Era Lisboa e Chovia; Era Tormes e Amanhecia - dicionário gastronômico baseado na obra de Eça de Queiroz; e Era Porto e Entardecia - dicionário de enologia da obra de Eça de Queiroz, além de Luso-Brasilidades nos 500 anos, todos publicados no Brasil e em Portugal. Concluiu recentemente a tradução em verso, de russo para português, da obra Eugênio Onegin, de Aleksandr Pushkin.

     Foi casado em primeiras núpcias com a escritora Dinah Silveira de Queiroz, e, em segundas núpcias com Rina Bonadies de Castro Alves.


Acessar o Blog de Dário.


Artigos escritos por Dário na Revista do Instituto do Ceará:

Brasil e Portugal - Há 40 anos uma comunidade (1993)
O Reconhecimento da Independência do Brasil (1994)
O novo relacionamento Luso-brasileiro (2000)
Discurso de posse de Dário de Castro Alves como sócio efetivo do Instituto do Ceará (2004)


NOTA SOBRE TRADUÇÃO DE EUGÊNIO ONEGIN (Yevgeni Onegin)

Artigo de Adelto Gonçalves, publicado no jornal russo Pravda, edição de 11 de setembro de 2005.

Dostoievski disse que Aleksandr Sergueievitch Pushkin (mostrado na pintura ao lado) representou a vida russa, no romance em versos Eugênio Onegin, com tal força criadora e com arte tão consumada como jamais alguém alguma vez antes dele o fizera.

Nem ninguém jamais o fará depois dele. É fora de discussão que Pushkin, nascido em Moscou, em 1799, e falecido em um duelo, em São Petersburgo, em 1837, é o maior poeta da Rússia de todos os tempos.

Essa obra prima de Pushkin, autor de vasta obra literária, que inclui poesia, romance histórico e romances em geral, merece estar na prateleira de uma centena de livros que são obra prima da literatura mundial. Traduzido para numerosas línguas do mundo, não se achava até agora Eugênio Onegin traduzido para o idioma português.

O autor da tradução brasileira que agora será publicada em edição bilíngue por uma editora privada russa, com o conhecimento do Instituto Gorki de Literatura Estrangeira, é o Embaixador brasileiro aposentado Dário Castro Alves, que serviu como Secretário Cultural da Embaixada do Brasil em Moscou, nos anos 60, e agora fez em Lisboa (e em Fortaleza) a tradução diretamente do idioma russo.

Pushkin era descendente direto de africano, filho de abissínio, que fora preso pelos turcos. Permaneceu refém dos turcos até os oito anos de idade, quando foi liberado e adquirido pelo Embaixador russo em Istambul, que o "deu de presente" a Pedro Grande da Rússia, fundador da Rússia moderna, criador de São Petersburgo, em 1703.

Aleksandr Sergueievitch Pushkin viveu apenas 38 anos - mas anos cheios de aventuras, extravagâncias, hábitos de dissipação e dandismo, conquistas amorosas, que verdadeiramente lhe marcaram a existência. Espírito liberal, indômito e genial, que lhe criou dificuldades de convivência com o regime autocrático da Rússia: confinamentos e restrições em várias partes da grande Rússia, de norte a sul. Com seu espírito aberto e liberal numa época de autocratismo tsarista, como foi a de Alexandre I e Nicolau I, foi exilado em sua própria terra, temido e respeitado, criativo e impávido em seu temperamento, profundo e frívolo ao mesmo tempo, hipocondríaco, fascinado por Byron, amigo de liberais "dekabristas" - movimento de Dezembro de 1825.

Dizia que seu Eugênio Onegin não era autobiográfico - mas em parte o era. O tradutor de Eugênio Onegin estará em Moscou de 9 a 15 de setembro próximo (2005), quando apresentará a sua tradução que constituí um marco na história da língua portuguesa, ausente que era na publicação de tradução de obra tão relevante na língua de Camões e Jorge Amado. O Embaixador Dário Castro Alves será por sua tradução de Eugênio Onegin, homenageado pelo Embaixador brasileiro em Moscou, Carlos Augusto dos Santos Neves.


EMBAIXADOR DÁRIO CASTRO ALVES ASSINA CONTRATO COM A EDITORA RECORD

Em 30 de agosto último (2006), o Embaixador Dário Castro Alves encerrou nove anos de trabalho na tradução do russo para o português da obra prima de Alexandr Sergueivich Pushkin, Eugênio Onegin: Um romance em versos. O livro será brevemente lançado para o grande público brasileiro pela Editora Record.

A obra tem caráter pioneiro na literatura russa. Cabe ao livro ter vencido períodos caracterizados por vários títulos, como o de que a literatura russa estava ainda em estágio “bárbaro”, apresentando ao mundo uma criativa solução de linguagem nacional. De fato, é o próprio Dostoievski quem afirma que ninguém representou, ou representará, tão bem e tão poderosamente a vida russa como o fez Pushkin em sua obra.

Os leitores de língua portuguesa, que ainda não dispunham de uma tradução de Eugênio Onegin, romance na esteira do qual a literatura russa adquiriu seu grande estilo e sua grande forma, agora podem regozijar-se ao ler uma obra que desperta sentimentos, e que por isso mesmo jamais envelhecerá, apresentada em uma tradução de valor, digna e extremamente útil.


P: Embaixador Dário Castro Alves: o que o motivou a realizar esse trabalho de tradução para o português da obra Eugênio Onegin, de Pushkin?

R: Na minha formação pesa um certo substrato de cultura russa, que se acentuou com minha permanência na Embaixada brasileira em Moscou, de 1962 a 1965. Era então minha mulher Dinah Silveira de Queiroz, escritora profissional, que mantinha um amplo relacionamento com escritores e artistas soviéticos de então. Ela achou que eu devia aprofundar minha sensibilidade pela vida e literatura da Rússia, procurando conhecer melhor as expressões literárias russas.

P: E porque Pushkin?

R: Porque notávamos que era um escritor clássico, que todos, sem exceção, todos na Rússia veneram, conhecem e sabem algo dele, exaltam sua personalidade. A presença de Pushkin na formação cultural do povo russo é ainda maior que Shakespeare na Inglaterra, ou que Camões em Portugal.

P: E porque Eugênio Onegin?

R: Essa é uma obra sem igual. Um personagem literário de fortíssima presença, tanto no povo de sua época como na posteridade. Tem um lugar cimeiro na minha cultura pessoal, é a obra mais conhecida de Pushkin e ainda não havia recebido uma tradução em português, embora houvesse em dezenas de outras línguas. Fixou-se em mim a idéia “pushkiniana” ainda na década dos 60. Dinah insistia muito para que eu me convertesse num escritor, ao que eu reagia dizendo ser, antes de tudo e sobretudo, um funcionário diplomático. Quando Dinah, gravemente doente, se preparava já para deixar esse mundo, comecei a aplicar suas idéias e seus pensamentos, e comecei a me preparar para escrever. Minha segunda mulher, Rina, foi também de imensa ajuda no meu esforço de me tornar um homem de letras, um escritor.

P: Pushkin é sua estréia na área literária?

R: Não. Minha estréia se deve a Eça de Queiroz. Notava eu que muitos e muitos brasileiros que passavam por Lisboa, onde eu servia como Embaixador, sabendo que eu tinha interesses em Eça de Queiroz me vinham perguntar onde se deram tais e tais cenas, presentes nos grandes romances de Eça – Os Maias, O Primo Basílio, A tragédia da Rua das Flores, A Capital e outros. Perguntavam tudo, minuciosamente. Dinah então me assinalou que seria um tema interessante, considerando que Eça era uma personalidade viva na sensibilidade brasileira. Eça era Lisboa, e ninguém a decantou mais fortemente como escritor do que ele. Além do mais havia o lado propriamente brasileiro. O Brasil estava atrás de toda a vida lisboeta. Raspando-se um pouco as velhas paredes de Lisboa, se dá no Brasil. Isso é um fato.

P: O senhor escreveu então uma trilogia?

R: O primeiro foi Era Lisboa e chovia, um roteiro cultural, histórico, literário e sentimental construído a partir da obra de Eça de Queiroz. Modéstia à parte, trata-se de um livro não superado quanto ao tema. A longínqua explicação para o título vem de Alfredo Valadão, eciano fanático, que adorava explicar o sentido profundo, profundíssimo, de porque Eça escolhera falar de Lisboa. E naquele trecho de A capital, em que o grande autor registra a fase altamente irônica de que “era Lisboa e chovia”, queria dizer o seguinte: Fradique vinha de Paris, granfinérrima cidade das luzes, e chegava à suja estação de Santa Apolônia, em Lisboa, em lúgubre madrugada. Surge então a frase que ficou famosa, em que dizia “além de ser Lisboa, ainda chovia”. Era, pois, o fim...

P: E os outros dois volumes?

R: Era Porto e entardecia, listando todas as bebidas mencionadas por Eça, do absinto à zurrapa. E por fim Era Tormes e amanhecia, um completo dicionário gastronômico cultural, com o nascimento literário de Eça de Queiroz na região do D´Ouro.

P: E de Eça a Pushkin...

R: Exatamente. O amor pelos melhores padrões de escritores fez essa transição. Pushkin era o maior na literatura russa, como, em outros planos, era o maior da escritura portuguesa o nosso Eça.

P: Quais as dificuldades na tradução desse romance em verso?

R: Enormes. A intimidade com certas frases, certos conceitos, me escapava. Mas pedi socorro a grandes amigos russos, cultores de Pushkin, sobre o significado de determinadas expressões, a essência das palavras. Alguns consultores foram, em primeiríssimo lugar, Olga Ovtcharenko, do Instituto Gorki, e Marina Kosarik, da cátedra Camões na Universidade Lomonosov, de Moscou, além de tantos outros. Bons dicionários e boas combinações de instrumentos de pesquisa também colaboraram. Pelejei muito, mas acho que consegui algo, graças também aos três anos que passei em Moscou, que me trouxeram o interesse vivo em temas como a descrição da natureza física, abundante em Pushkin, a complexidade da alma russa, o estilo de vida do povo russo. Dinah dizia sempre que os regimes ficavam “na periferia do ser humano”. Todas as reações e maneira de ser do cidadão russo que conhecemos estavam, por exemplo, em Tchekov. Pouco importava se esse russo era do fim do século XIX ou se era russo dos tempos da administração por regime comunista.

P: Quanto tempo o senhor ocupou nesse trabalho?

R: Levei nove anos. Não posso dizer que todos maciçamente dedicados a Pushkin, mas era uma preocupação constante, um quase pesadelo. Para os travesseiros levava sempre notinhas, para fechar as rimas que faltavam. Com o tempo fui “matando” alguns truques e mistérios na produção, que é mais viável do que se pensa, mas com muito afinco, trabalho e consciência.

P: Qual sua expectativa para o livro?

R: O brasileiro do trópico entenderá perfeitamente o Pushkin de Onegin. Não tenho dúvidas disso. Os estudiosos e interessados na cultura russa, no Brasil, vão conhecer uma Rússia cheia de complexidade. Em muitas cenas os personagens vão e voltam, empacam, seguem à frente, raciocina, deixam um rastro de inquietação e indefinições. Por exemplo, as inquietações existenciais sentidas por Onegin após matar em duelo o amigo Vladimir Lenski, seu então futuro cunhado. Uma curiosidade: a morte de Lenski como que antecipa o verdadeiro duelo mortal contra D´Antès, no qual Pushkin iria perder a própria vida.


      Laerte Moreira de Castro Alves.

     Filho mais novo de Paschoal de Castro Alves e Maria de Lourdes Moreira de Castro Alves, nasceu em Fortaleza em 18 de janeiro. Cursou o Colégio Castelo Branco até 1955, quando, a partir daí, ingressou no curso de Economia da Universidade Federal do Ceará – UFC, se formando em 1959.

     É Oficial da Reserva no posto de Segundo-Tenente do Exército. Participou de vários cursos na América, onde residiu por seis meses, na área de motores Diesel e gasolina. Brevetou-se como Piloto Privado em 1959, Piloto Comercial em 1966 e Instrutor de Vôo (INVA) em 1972. Foi empresário por 40 anos na firma Paschoal de Castro Alves S/A, até 1997.

     É casado desde 1960 com Margrit Meyer de Castro Alves, alemã, nascida em Kiel, com quem teve cinco filhos: Christine, Sandra, Astrid, Sylvana e Laerte Meyer

     Tem 7 netos: Newton Filho, Gustavo, Bruna, Rafaela, Daniel, Pablo e Mariana.


     Tibério Burlamaqui, comodoro Francisco Martins de Lima e Laerte de Castro Alves, coordenadores das comemorações dos 50 anos do Iate Clube de Fortaleza. O Iate homenageou os ex-comodoros, promovendo hasteamento de bandeiras, regata e almoço festivo em sua sede.



Em família


  GENEALOGIA DA FAMÍLIA CASTRO ALVES  


Francisca Moreira de Azevedo,
mãe de Maria de Lourdes Moreira
de Castro Alves


FRANCISCO ALVES DE SOUZA, nasceu em 31 de janeiro de 1843 e faleceu em 6 de abril de 1935. Casou-se com MARIA LOPES DE CASTRO, filha de Antonio de Castro e Teodora Lopes de Castro. Maria nasceu em 17 de julho de 1860 e faleceu em 23 de fevereiro de 1942. Francisco, filho de Nicolau Alves de Souza e Maria Bernardo da Cunha, foi Tabelião na cidade de Pentecoste, Ceará, Brasil.

Filhos de FRANCISCO e MARIA:

  1. PASCHOAL
  2. NICOLAU
  3. JOANA (Tia Janoca) *24/6/1878 +8/7/1974, com 96 anos de idade.
  4. ISABEL (Tia Totó)

PASCHOAL DE CASTRO ALVES, nasceu em 17 de maio de 1893 em Riacho da Sela, hoje Umirim, Ceará, Brasil, e faleceu em 23 de julho de 1964 em Fortaleza, Ceará, Brasil. Casou-se com MARIA DE LOURDES MOREIRA DE AZEVEDO , filha de SEBASTIÃO CARNEIRO DE AZEVEDO e FRANCISCA MOREIRA DE AZEVEDO. Maria de Lourdes nasceu em 2 de fevereiro de 1902, e faleceu em 1967.

Filhos de PASCHOAL e MARIA DE LOURDES:

  1. EUNICE, nasceu em 7 de dezembro em Fortaleza, Ceará, Brasil. Divorciada do Coronel do Exército HIDELBERTO FERNANDES DE MELO. São pais de:

    ● Haroldo, nasceu em 17 de dezembro. Casado com Angela Arend - residentes no Rio de Janeiro. São pais de:
                  •  Maureen, nasceu em 30 de abril

    ● Artur, nasceu em 20 de dezembro. Casado com Angela Schopen - residentes em Berlim, Alemanha. São pais de:
                  •  Max, nasceu em 14 de março
                  •  Celina, nasceu em 1 de dezembro

    ● Sérgio, nasceu em 11 de janeiro. Residente no Rio de Janeiro

  2. IDILVA, nasceu em 6 de fevereiro. Casada com VINÍCIUS ANTONIUS HOLANDA DE BARROS LEAL. São pais de:

    ● Angela, nasceu em 30 de abril. Casada com Gil de Aquino Farias, nascido em 4 de abril. São pais de:
                  •  Deborah, nasceu em 14 de agosto. Casada com Júnior Arruda. São pais de Iago e Luna
                  •  Rui, nasceu em 28 de abril

    ● Virgínia, nasceu em 1 de setembro. Casada com Cláudio Roberto de Carvalho Ferreira, nascido em 2 de junho. São pais de:
                  •  Bruno, nasceu em 2 de agosto
                  •  Victor, nasceu em 16 de fevereiro

    ● Elizabeth, nasceu em 2 de abril. Casada com João Neves Montenegro de Carvalho, nascido em 11 de junho. São pais de:
                  •  Sarah, nasceu em 18 de abril
                  •  Livia, nasceu em 28 de março
                  •  João Marcelo, nasceu em 6 de maio

    ● Fernando, nasceu em 19 de julho. Casado com Camila Franklin Lucas, nascida em 4 de novembro. São pais de:
                  •  Lia, nasceu em 18 de dezembro

    ● Adriano, nasceu em 21 de julho. Foi casado com Maritza Furiatti, nascida em 27 de março. São pais de:
                  •  Natalia, nasceu em 17 de abril

    ● Tarcísio, nasceu em 31 de janeiro. Casado com Helena Oliveira, nascida em 5 de maio. São pais de:
                  •  Clariana, nasceu em 21 de abril

    ● Marilu, nasceu em 17 de abril. Casada com Haroldo de Aguiar Miranda. São pais de:
                  •  Pedro
                  •  Raquel
                  •  Viviane

  3. IVAN, nasceu em 21 de julho. Casado com MARGARIDA MARIA VINHAS LOPES. São pais de:

    ● Fernando José, casou-se em primeiras núpcias com Catarina Lis, e em segundas núpcias com Circe Jane Teles da Ponte. São pais de:
                  •  André
                  •  Rafael
                  •  Tiago

    ● Maria Cecy, casada com George de Castro. São pais de:
                  •  Daniel
                  •  George Júnior
                  •  Felipe
                  •  Anelise

    ● Celina, foi casada com Adrísio Câmara. São pais de:
                  •  Camila
                  •  Eduardo

    ● Paschoal Neto, casado com Mônica Sanford Guimarães. São pais de:
                  •  Paschoal
                  •  Giovana

    ● Dário, casado com Alina. São pais de:
                  •  Bruno
                  •  Victor
                  •  Liana

    ● Ivan Filho, casado com Sâmia. São pais de:
                  •  Giselle
                  •  João Paulo

    ● Ricardo, casado com Inês. São pais de:
                  •  Nathalia
                  •  Isabella

    ● Andréa, casada com Carlos Mapurunga. São pais de:
                  •  Júlia
                  •  Gabriel

    ● Adriana, foi casada com Luiz Jorge Macedo da Silva. São pais de:
                  •  Lucas

    ● Luciana, mãe de:
                  •  Lara

  4. DÁRIO . Nasceu em 14 de dezembro em Fortaleza, Ceará. Casou-se em primeiras núpcias com a escritora DINAH SILVEIRA DE QUEIRÓZ. Casou-se em segundas núpcias com RINA BONADIES DE CASTRO ALVES.

  5. LAERTE, nasceu em 18 de janeiro. Casado com MARGRIT MEYER. São pais de:

    ● Christine, advogada, casou-se em 25 de junho de 1981 com Newton Pires Basto. São pais de:
                  •  Newton Filho, nasceu em 21 de abril
                  •  Daniel, nasceu em 7 de agosto
                  •  Rafaela, nasceu em 2 de outubro

    ● Sandra, casada em 5 de dezembro de 1980 com Lupércio Araújo, residentes no Rio de Janeiro. São pais de:
                  •  Gustavo, Advogado, nasceu em 28 de maio
                  •  Bruna, Nutricionista, nasceu em 8 de outubro

    ● Astrid, nasceu em 2 de janeiro. Casada com Amaury Sanguesa Weyne, nascido em 30 de novembro. São pais de:
                  •  Pablo, nasceu em 22 de dezembro

    ● Sylvana, nasceu em 13 de fevereiro

    ● Laerte, advogado, nasceu em 20 de janeiro. Casado com Ana Maria Bruno Siqueira, nascida em 27 de janeiro. São pais de:
                  •  Mariana




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Última atualização: 10/08/2013




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