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Antenor Gomes de Barros Leal


Genealogia Cearense

* 1903       † 2002

"É graça divina começar bem.
Graça maior, persistir na caminhada certa.
Mas a graça das graças é não desistir nunca."

D. Helder Câmara



Força do Destino


     Deixei Fortaleza em dezembro de 1924. Eu era jovem e extremamente impulsivo, filho de pequenos proprietários de farmácia e sobrinho dos médicos José Dias e João Paulino de Barros LeaI Filho, residentes em Quixeramobim. Aos 10 anos já ajudava minha mãe a preparar a célebre "limonada de Léfort", fechava cápsulas amiláceas e fazia pequenos curativos.

     Tinha alguma prática de hospital em Fortaleza, como assistente de um tio afim, alma de santo, Capitão médico Henrique Leite Barbosa e só pensava em trabalhar, vencer e casar.

     É difícil falar no meu tio Henrique e deixar de lado alguns aspectos particulares de sua personalidade de fina flor. Meu nobre tio conservou intocável a educação primorosa de uma família tradicional. Em tempo nenhum transformou-se em militar de caserna e nunca o vi fardado; aliás, se tinha uniforme, não tive ocasião de admirá-lo.

     Tratava seus subalternos como iguais e era inimigo de muitas continências. Arrastava levemente a perna esquerda e usava uma bonita bengala, grossa e com ponta dourada. O remate superior era o símbolo da Medicina, de ouro puro, presente recebido em um de seus aniversários.

     Usava sempre roupas escuras e colete branco, com relógio Patek Philippe e correntão de ouro de um lado para o outro. Gostava, vez por outra, de camisa de peito duro e a gravata era de cor preta. Sempre o vi com chapéu de feltro na cabeça. Era um tanto calvo e dizia que usava chapéu constantemente porque “não quero levar sol no meu coco luzidio”. Conservava no dedo o anel de Esculápio, não por vaidade, mas para sua identificação como pessoa humana.

     Muitas vezes me disse: “Meu filho, antes de ser médico, o homem tem que ser humano, sofrer e chorar com seus semelhantes”.

     Entrava no quartel em hora impreterivelmente certa, com um riso muito seu, que às vezes se transformava numa caretinha que eu não achava feia. Gostava de sentir a amizade de seus soldados, a sofreguidão em seu derredor disputando na cara e coroa qual o felizardo que iria buscar o “cafezinho do Capitão”. Tomava o moca dando uns estalinhos na ponta da língua, devagarinho, dizendo meio dedo de prosa a cada soldado.

     Enrolava entre os dedos um cigarro, do mais puro fumo baiano, o qual conservava num saquinho de borracha; acendia-o e soltava com muito gosto longas baforadas de fumaça...

     Quando aparecia ao longe um graduado, franzia a testa e prevenia: - Cuidado, companheiros, que lá vem gente grande! Pés juntos e mão na testa!...



     ...Em 1925, cheguei em Boa Viagem como proprietário da única farmácia da cidade.

     A vaidade de apresentar ao público uma botica meio moderna, com vitrinas e grades reluzentes de verniz copal levara-me a arrumar com diligência os vidros de Saúde da Mulher, Bromil, Biotônico Fontoura, Água Inglesa, Elixir Mururé, Nogueira, Peitoral do Cambará, Xarope Roche, Ankilol, Panvermina, Anquilostomina, acompanhada da história de Jeca Tatu.

     As injeções de Thiosol deixavam os braços com manchas azuis; a 914 vez por outra matava um cristão e a Aluetina número 1 e número 2 eram injeções como Thiosol e 914 usadas, contra a sífilis, indiferentemente das reações de Kahn, Kline e Wasserman. A “lues”, doença contagiosa produzida por um micróbio, o Treponema Pallidum, não poupa vida por gerações seguidas.

     Havia também a exposição de pílulas, sabonetes e perfumes, dos quais o mais procurado pela classe média era o “Flor de Amor”.

     Em Boa Viagem, ainda na década de 20, as distrações eram minguadas. Falava-se de política, jogava-se sinuca ou baralho, ou dedilhavam-se instrumentos de corda ao som de melodias apaixonadas. A chegada de um circo ou de cancioneiros com as suas violas, as quadrinhas amorosas e brejeiras, os desafios, as trovas e os sambas caipiras mudavam o aspecto triste da cidade.

     Em um dia da semana, havia reunião pública: era quando chegava a mala do correio, trazida em lombo de burro.

     Junho e dezembro eram os meses desejados e aguardados com ansiedade.

     As festas do Coração de Jesus e da Santa Padroeira tinham seus noiteiros escolhidos pelo vigário. Praças com lindas barracas, enfeitadas com palhas de coqueiros e bandeiras multicores, partidos encarnado e azul, prisões, jogos diversos, vendas de adivinhações e sortes e, no final do novenário, o sarau dançante na Casa da Câmara. Tudo isso fazia o modo simples de viver dessa e de outras cidades interioranas. Estávamos acostumados com o nosso cotidiano e assim vivíamos, com minha paz e tristeza.


Trechos do livro”Recordações de um Boticário”, de Antenor Gomes de Barros Leal








  GENEALOGIA DE ANTENOR BARROS LEAL  


1a GERAÇÃO: JOSÉ ANTONIO DE BARROS LEAL E JACINTA MARINHO PIMENTEL
2a GERAÇÃO: JOÃO PAULINO DE BARROS LEAL E JACINTA PIMENTEL
3a GERAÇÃO: AFRO BARROS LEAL E MARIA GOMES DO REGO
4a GERAÇÃO: ANTENOR GOMES DE BARROS LEAL E FRANCISCA AMÉLIA CARVALHO


ANTENOR GOMES DE BARROS LEAL, nasceu em 9 de julho de 1903, em Fortaleza, Ceará, Brasil, e faleceu em 15 de maio de 2002. Filho de Afro Pimentel de Barros Leal e Maria Gomes do Rego (Diquita). Casou-se com FRANCISCA AMÉLIA CARVALHO. Ela nasceu em 23 de fevereiro de 1904 em Boa Viagem, Ceará, Brasil, e faleceu em 31 de dezembro de 1997 em Fortaleza,Ceará, Brasil.

Filhos de ANTENOR e AMÉLIA:

  1. MARIA WEYDES Barros Leal Ribeiro, médica, casada com o médico ALUISIO MALUFE RIBEIRO, residentes no Recife. São pais de:

    ● Aluisio Malufe Ribeiro Júnior

    ● Cláudio Barros Leal Ribeiro

    ● Lúcia Amélia Barros Leal

  2. MARIA WZELYR Carvalho de Barros Leal, irmã Salesiana, diplomada em Linguas Anglo-germânicas, residente em Fortaleza

  3. JOSE WEYDSON CARVALHO DE BARROS LEAL, médico, nascido na cidade de Quixeramobim no dia 25 de fevereiro de 1931. Casado com MARIA ANTONIETA OLIVEIRA DE BARROS LEAL no dia 16 de fevereiro de 1964 na Igreja da Jaqueira na cidade do Recife. Dessa união nasceram três filhos:

    ● Weydson Oliveira de Barros Leal, consagrado poeta e escritor em Recife

    ● Renan Oliveira de Barros Leal, engenheiro, vice-presidente da Companhia Telefonia sediada em Madrid

    ● George Oliveira de Barros Leal, administrador de empresas e, há 16 anos, diretor comercial para a área de papel e celulose do Grupo Industrial João Santos, de Recife. Casado com Ana Cecília Pereira dos Santos de Barros Leal, empresária. São pais de:

        ° Pedro
        ° Antônio
        ° Julia (que deverá chegar a este mundo em março de 2008)

  4. JOÃO PAULINO (falecido), dentista e bacharel em Direito, casado com SÔNIA JAPIASSÚ, dentista, residentes no Recife. São pais de:

    ● Cláudia Barros Leal

    ● Flávia Barros Leal

    ● Roberta Barros Leal

    ● Sílvio Japiassú de Barros Leal

  5. MARIA AMÉLIA Barros Leal, formada em Letras, casada com seu primo GEORGE BARROS LEAL, dentista, residentes em Fortaleza. São pais de:

    George Barros Leal Júnior , médico. Casado com Ciêda Pinheiro de Barros Leal. São pais de:

        ° Davi Pinheiro de Barros Leal
        ° Georgia Pinheiro de Barros Leal

    ● Eveline Barros Leal, arquiteta. Casada com o Deputado Federal João Alfredo Telles de Melo.

    ● Antenor Barros Leal Neto, engenheiro civil. Casado com Joilma Moreira de Barros Leal. São pais de:

        ° Antenor Moreira de Barros Leal, nasceu em 8 de setembro
        ° George Moreira de Barros Leal, nasceu em 23 de abril

    ● Paulo Roberto Barros Leal, engenheiro civil. Casado com Monica Pontes Barros Leal. São pais de:

        ° Carlos Eugênio Pontes Barros Leal, nasceu em 16 de junho de 2000
        ° Gabriel Pontes Barros Leal, nasceu em 21 de junho de 2005

    ● O quinto filho, Carlos Eugênio Barros Leal, faleceu aos 3 anos de idade

  6. ANTENOR Barros Leal Filho, bacharel em Direito, casado com SÍLVIA MARIA JATAHY ALBUQUERQUE, arquiteta, residentes no Rio de Janeiro. São pais de:

    ● André Albuquerque de Barros Leal

    ● Cláudio Albuquerque de Barros Leal

    ● Cristina Barros Leal


    Netos de Antenor e Amelinha. Ramo pernambucano (1983)


    Flávia, George, Cláudia, prima (à frente), Weydson, Cláudio, Lúcia Amélia, Aluísio Júnior,
    Cristina (RJ) (à frente), Roberta, Sílvio, Eveline (CE) e Renan Barros Leal.

    (Foto: Cortesia de Aluísio Malufe Júnior e Lúcia Amélia)

    Um cidadão benemérito

         Faleceu no dia 15 de maio último (2002) o Dr. Antenor Gomes de Barros Leal, figura por demais conhecida na sociedade cearense e estimada por uma legião de amigos e admiradores, os quais soube conquistar em sua longa e profícua existência.

         Dr. Antenor foi uma figura humana simplesmente privilegiada, o homem bom e justo de que falam os Evangelhos, de retidão e de firmeza de caráter sem contemporização. Transparente nas palavras e atitudes, encarnou as virtudes do cidadão de bem, que soube utiliza-se da profissão para um trabalho humanitário quase heróico, no exercício das funções de farmacêutico, e por vezes de médico, junto à população sofrida do interior do Estado, mais particularmente nos municípios de Quixeramobim e de Boa Viagem.

         Rico de experiências e dotado de prodigiosa memória, seu trabalho profissional em parte está documentado nos livros publicados, especialmente em ''Avivando Retalhos'' e ''Recordações de um Boticário'', em que se revela para futuros pesquisadores a testemunha privilegiada, com inúmeros registros e impressionantes detalhes dos costumes, dos hábitos, dos folguedos, das alegrias e do sofrimento do povo bom do sertão. Tal cenário de um passado já distante se encontra hoje quase completamente modificado em decorrência da vinda da estrada de rodagem, da energia elétrica e da influência da cidade grande através dos meios modernos de comunicação.

         Intelectual dos mais respeitados, soube Antenor, não obstante a incessante atividade profissional, cultivar sempre as letras, conforme revelam a variada biblioteca e os trabalhos publicados, como crônicas, poesias, trovas, pesquisas filológicas e anotações das mais diversas no campo da historiografia e do folclore.

         Não pertenceu a nenhum sodalício, pois julgava inadequada e infeliz tal palavra para designar associações literárias e científicas, mas a diversos silogeus, como a Academia Cearense de Farmácia (sócio benemérito), Academia Cearense de Letras (sócio honorário), Academia Cearense de Retórica (sócio efetivo) Academia de Letras Municipais do Brasil e Academia Sobralense de Estudos e Letras (sócio correspondente). Antes de integrar a Academia Cearense da Língua Portuguesa, Dr. Antenor foi assíduo freqüentador das reuniões mensais na tradicional Casa Juvenal Galeno e sua eleição, caso atípico, ocorreu por aclamação unânime e calorosa dos confrades, em submeter-se ao processo tradicional de seleção e de votação estabelecido pelo Estatuto. Os acadêmicos estavam convencidos de que o ilustre candidato e de votação estabelecido pelo Estatuto. Os acadêmicos estavam convencidos de que o ilustre candidato era uma figura ímpar, acima de todos os possíveis concorrentes, e merecia, por isso, tratamento diferenciado. Urgia inscrever seu nome no quadro dos sócios efetivos, para orgulho dos que á desfrutávamos sua companhia tão agradável e a sempre obsequiosa amizade. Ele, em contrapartida, sempre soube honrar o compromisso acadêmico, pela assiduidade às reuniões e pela produção incansável de valiosos trabalhos no campo da literatura e a língua portuguesa.

         Com o coração puro, comparece esse valoroso varão diante de Deus, com a transparência de quem nessa terra só fez o bem, com a humildade daqueles que souberam penitenciar-se das eventuais fraquezas, com a confiança inabalável de quem sempre viveu e proclamou valores cristãos. Dr. Antenor soube empregar em sua longa existência toda a pujança na inteligência e o calor da emoção em prol do outro, especialmente do mais necessitado e humilde sertanejo.

         Aos amigos restam o orgulho de haver convivido com um cidadão benemérito, de magnânimo coração, e a saudosa lembrança do acadêmico, que cultivou com tanta nobreza e fidalguia o companheirismo e a amizade.


    Por Myrson Lima, da Academia Cearense da Língua Portuguesa, publicado no Jornal O Povo, edição de 08/07/2002.



    Artigos escritos por Antenor na Revista do Instituto do Ceará:

    Antônio Bezerra de Menezes - um ilustre historiógrafo (1985)
    Em memória a Raimundo Girão (1988)
    Homenagem ao sócio efetivo falecido Gen. Div. Raimundo Teles Pinheiro (1993)


    O Centenário de um Barros Leal

         Meu pai, nascido em Fortaleza, usufruiu o clima saudável de Quixeramobim, até os 18 anos, convivendo com a familia e os amigos, tocando violão, fazendo serestas e poesias. Era um idealista e retornou à Capital para continuar os estudos e vencer. Trabalhou em tabacaria, foi mascate, enquanto desenvolvia a tendência natural para a área da saúde, aprendendo com o tio, capitão-médico dr. Henrique Leite Barbosa.

         Aproximou-se por uma bonita aluna do Colégio Imaculada Conceição, em 1922, Amélia, que, realmente foi uma mulher do Evangelho, capaz de renunciar à própria personalidade e ao espirito alegre e desinibido, para agradar o esposo.

         Iniciaram a vida em Boa Viagem, onde permaneceram 27 anos, trabalhando na Farmácia Apolo, arduamente, para educar os seis filhos, seguindo uma linha de educação rígida. Retornando à capital, continuaram no ramo farmacêutico e ele, ao aposentar-se, complementou o seu tempo com a literatura, desenvolvendo ampla atividade cultural.

         Pertenceu a várias academias, sendo sócio honorário da Academia Cearense de Letras, e sócio ativo e colaborador da Academia Cearense da Lingua Portuguesa, da Academia de Retórica e da União dos Trovadores. Com a mamãe, participou de encontros literários na Casa Juvenal Galeno e lançou vários livros naquele silogeu.

         Descobrindo o busto do poeta Juvenal Galeno num depósito da Prefeitura, conseguiu com a permissão do prefeito César Cals Neto, restaurá-lo e levá-lo à sua casa, congregando os intelectuais para uma sessäo de louvores e carinho.

         Só um homem de energia mental privilegiada poderia escrever, a partir dos 80 anos, tantos livros, iniciando com “Recordações de um boticário”, seguindo sugestão do querido sobrinho, César Barros Leal, e depois, várias coletâneas de trovas e poesias.

         Lançou seu último hivro, “As voltas que o mundo dá”, já alquebrado pela idade mas, tão lúcido, que emocionou a família e os amigos, reunidos no Salão Nobre do Náutico Atlético Cearense, recitando uma poesia, que escrevera aos 17 anos.

         Meu querido pai não completou os cem anos, porque após a morte de mamãe em 31 de dezembro 1977, perdeu a vontade de viver, alimentando o espirito de tristeza e saudade.

         Relembrando a vida e as boas ações que praticou, o amor que tinha à familia e aos amigos, nós, filhos, genros, noras, netos e bisnetos, sentimos saudades infindas da relíquia que restituimos a Deus.


    Por Maria Amelia Barros Leal, publicado no Jornal O Povo, edição de 13/07/2003.

    Os Cem Anos de Amelinha

         Engraçado... quando te conheci, vovó Amélia, parecia que tu já eras de idade... Quando foi que eu tive consciência desta primeira impressão??? Não sei, talvez quando eu tinha uns 7, 8 anos?? Pois antes disso, bebê que eu era, só poderia te amar, sem julgamento algum... plena devolução e intercâmbio de sentimentos... Nitidamente, querida vovó, começo a lembrar de ti quando eras minha vítima predileta das armadilhas que eu preparava... (afinal, passava tanto tempo em tua casa, que era uma espécie de filho caçula...)

         Lembras aquela da casca de ovo caindo no teu belo penteado dos anos sessenta, ao abrires a porta do banheiro e sem saber ''liberares'' o material, que estava preso na fresta da porta com o umbral?? Acho que tu fingias que não notava e eu, menino traquinas, deliciava-me com aquela visão da vítima infeliz caminhando com a travessura na cabeça...

         Talvez a garotada toda achasse que eras de idade... idosa que nada! recentemente assistimos a um vídeo em que tu aparecias (vídeo até de época bem posterior à da armadilha, meados dos anos 70)... Lá estavas, tão forte, tão bela, tão jovem na nossa visão de hoje, irradiando tanta bondade, sabedoria e alegria!! A teu lado, nosso querido vovô Antenor... O tempo voando, não espera por ninguém, brevemente chegarei na idade que tu tinhas quando nasci... Vou atrás no tempo, faço contas, somo aqui e acolá, e vejo que fui um agraciado! Não te tenho mais, isto é uma terrível dor - mas vendo que por quase 40 anos usufruí de tua dadivosa companhia, até quando nos deixastes no último dia de 1997, concluo que fui de fato um felizardo!! Queria ter mais anos junto de ti, ter teu amparo, teu conselho amigo, tua cumplicidade e compreensão de avó sábia, mas só se estivesse com plena saúde, pois vê-la sofrendo foi certamente dor pior que esta saudade terrível que me espeta o peito... Tu fostes um cometa, dos mais brilhantes que já se viu, apareceu e ficou em nosso céu por longa temporada, mas fugiu de nossa rota. Não te vemos mais, no entanto, continuas no teu percurso de muito brilho, rumo ao infinitivo, a fazer a felicidade daqueles que doravante receberem a graça de poder contemplar tua beleza e energia.

         Cem beijos de quem nunca te esquece, querida avozinha!!


    Por George Barros Leal Jr. Publicado no Jornal O Povo, edição de 2/08/2004.


                   AMÉLIA

    Bem forte e feliz, tinha no semblante,
    O fulgor da bondade e da beleza
    No peito, qual estrela cintilante,
    O coração pulsava com firmeza.

    A nossa vida, calma e radiante.
    Trilhava seu caminho com lhaneza
    Até que a morte, em luta triunfante,
    A vida lhe arrebata com frieza.

    Gravou-se para sempre a sua imagem
    No meu velho e sofrido coração
    Que chorando lhe presta esta homenagem.

    Com sua morte foi-se a minha vida,
    Sinto que estou no fim em solidão,
    Na mais terrível dor, minha querida.


    Por Antenor Gomes de Barros Leal, em 31/12/1997, aos 94 anos.


      CARLOS EUGÊNIO BARROS LEAL   
    * 20 de junho de 1965
    † 1 de junho de 1967




    UM ANJO EMPRESTADO

         Sentir o movimento de um feto, em seu próprio útero, é uma sensação tão delicada e tão íntima, que só a mulher é capaz de descobri-la. É um despertar emocionante para uma vida em formação; é sentir que uma célula se dividiu; que um embrião depois de feto, se desenvolveu no invólucro materno em busca do mundo que há de vir, em evoluções de novas etapas. A espera do meu quinto filho foi, para mim, essa expectativa feliz, igual à do primeiro. Aceitei a gravidez como mais uma dádiva de Deus. Alimentei pensamentos positivos e desejos de aconchego e amor.

         Durante os nove meses, preparei o organismo, evitando excessos e estresses. Fiz um curso sobre parto sem dor e, principalmente, curti o meu filho, que poderia muito bem ser o meu maior consolo futuramente.

         No domingo, 20 de junho de 1965, iniciei o trabalho de parto em casa, realizando os exercícios de respiração; beijei os meus quatro filhos e dirigi-me, com meu marido, à maternidade, corajosamente, e com disposição de ajudar minha criança a nascer. O filho que meu útero abrigava romperia a barreira do desconhecido, chorando, para que eu o reconhecesse, o amamentasse e o fizesse crescer.

         O trabalho de parto foi muito demorado, e o obstetra decidiu fazer a indução, provocando contrações fortes. Respirei certo e ajudei o filho a nascer, sem a necessidade de usar trilênio. Sabendo que o parto é uma experiência traumatizante para a criança, procurei lutar em uníssono com ela, sem medir sacrifícios, sem gemer, convicta de que teria de cooperar para que tudo saísse bem.

         Após um grande esforço físico e emocional, senti um relaxamento gratificante, ao ver uma criança tão viva e loirinha. Esqueci até os anseios e as contrações dolorosas.

         Quando tive o meu filho nos meus braços, agarrei-me a ele querendo prendê-lo a mim para sempre. Nesse amplexo de aconchego e de boas-vindas, ele me olhava profundamente, e eu desejei, então, que o mundo interior fosse equilibrado para só transmitir-lhe sensações boas e renovadoras. Algo me fazia pensar que o fim da década 1960/1970 seria diferente. Talvez eu pressentisse uma mudança para a qual eu precisava de energia positiva. Sentia interiormente que eu teria que ser aquela luz que se usa sempre acesa no óleo da fé e da esperança.

         Aos dezesseis dias do nascimento de Carlos Eugênio, a enfermeira descobriu que ele tinha uma respiração anormal. Chamamos o pediatra, que exigiu a presença de um cardiologista. Este constatou uma cardiopatia congênita, um “sopro ordinário”, logo depois comprovado pelo eletrocardiograma. Essa descoberta foi um choque imenso para nós, que já estávamos convencidos de que nosso filho era sadio. Os cuidados foram então redobrados e, todos os meses, o pediatra nos transmitia uma esperança de cura. Havia possibilidade de uma cirurgia, e nós devíamos criá-lo como uma criança normal.

         No primeiro ano de vida, o bebê se desenvolveu bem, cresceu muito, conservando o biótipo característico do cardíaco: comprido e magrinho.

         Possuía um temperamento dócil, tímido e sorridente. Muitas vezes dormia sobre os brinquedos, porque o coraçãozinho fraco trabalhava como um traidor diuturno. Levantava-se do berço, de repente, como se uma pressão interna o despertasse. Eu passava a mão levemente no seu peito, e aos poucos, ele conciliava o sono, apesar da respiração forçada.

         Quantas vezes olhei para o meu pequenino filho, sem querer acreditar na realidade. Procurava convencer-me de que ele rompia a barreira da deficiência; acreditava no poder Medicina para corrigir uma falha da natureza.

         Após um ano de vida, ele começou a definhar; instalou-se uma anemia, e os sustos noturnos se intensificaram. O pediatra reforçou a proteção hepática, e o cardiologista evitou usar a digitalina. Teríamos de ter cuidado especial para evitar resfriados, porque o organismo depauperado não tinha condições de resistir a uma infecção.

         Para nós, esses cuidados significavam um temor constante e uma ameaça suspensa sobre nossas cabeças. Passei a confiar numa cirurgia em São Paulo, que infelizmente, só poderia ser realizada aos cinco anos de idade e com um peso de doze quilos. Ele ao completar um ano e dez meses, só atingira nove quilos, apesar dos nossos cuidados.

         Carlos Eugênio era uma criança calma, andava com firmeza. Apesar do problema, nunca ficou cianótico. Já falava, apreciava música e, no seu único Natal, adorou as canções natalinas. Lembro-me bem: deitado ao chão, ao pé da radiola para ouvi-las, completamente embevecido.

         Para mim, assemelhava-se mais a um anjo emprestado, lourinho e meigo, que gostava de sentar-se no banco do piano para apertar as teclas, rindo com os sons musicais.

         Perto do seu segundo aniversário, a pediatra constatou uma anemia bastante séria e reforçou o tratamento, preocupando-se com a evolução da doença. Passou antibiótico injetável e exigiu a presença do cardiologista, o qual decidiu aplicar um remédio específico para o coração e requisitou uma radiografia.

         Como dói lembrar aquele doa triste e conturbado!... O enfermeiro não chegou a nossa casa, e me vi forçada a levar a criança à farmácia de meu pai, para que ele aplicasse o antibiótico. O avô Antenor, que já pedira tantas vezes para evitar-lhe esse sacrifício, sofreu ao fazê-lo, porque amava o netinho e conhecia a sua fragilidade congênita.

         Mais tarde, eu e minha mãe Amélia levamos a criança para bater a radiografia exigida pelo pediatra e, na sala de espera, com meu filho nos braços, sofri muito ao vê-lo gemer inquieto, olhando-nos tão triste como se pressentisse que tudo aquilo seria inútil.

         Quando entramos, a sala estava supergelada, e um médico, indiferente, nos atendeu, sem uma palavra de consolo, sem um gesto de solidariedade...

         Diante daquela situação, eu pensava como seria diferente se meu marido estivesse conosco, porque, infelizmente, as pessoas se ligam a aparências e posição social... Saímos da clínica com o menino muito lívido e pálido. E o meu coração fechou-se. Eu não queria aceitar a realidade que se aproximava, e, se, lá no íntimo, vinha aquela dúvida, aquele pressentimento de morte, eu os evitava, como se possível fosse alterar os desígnios de Deus.

         Ao meio dia, meu pai, sentindo a gravidade, mandou-me ao hospital. No trajeto, olhava a criança no colo da avó, respirando mal, com os dedos arroxeados, e aumentava a velocidade do carro, para encontrar uma ajuda médica, que se resumiu na aplicação de um supositório de farmidon e internamente numa tenda de oxigênio.

         Quando o cardiologista chegou, balançou a cabeça e, só então, eu senti que a vida de meu filho estava terminando: a luz dos seus olhos se anuviava e, devagarinho, foi sumindo, sumindo, até parar de brilhar. Segurei a sua mãozinha e chorei, vendo o meu mundo interior ruir profundamente.

         A dor era muito mais física. O meu ser se fechou em mim. Eu queria respirar e não podia. Minha mãe disse palavras emocionantes, meu irmão solteiro chorou como se perdesse o seu próprio filho, meu pai não teve coragem de ir ao hospital, e meu marido, no sul do país com o pai em tratamento oftalmológico, nada sabia.

         Levamos Carlos Eugênio para casa. Aquele corpinho que eu ajudara a nascer e a desenvolver-se jazia inerte. A cabecinha loira pendia sem vida; o coração que crescera, parara de trabalhar. O “sopro ordinário” se intensificara numa pressa violenta, apertando a musculatura, até rompe-la definitivamente. A chegada a casa foi dolorosa! Meu pai e meus quatro filhos pequenos nos receberam com tristeza, assustados e perplexos. Os dois primeiros, de 9 e 8 anos, e os outros dois, de 6 e 5 anos, rodearam o corpinho do irmão e, passando-lhe a mão na cabecinha, perguntavam porque ele havia morrido...

         Meu marido ao receber a infausta notícia em São Paulo, ficou transtornado: havia deixado a criança em estado normal, até lhe dera um beijo demorado. Quem sabe, ali, adivinhara o que aconteceria.

         Providenciou, de imediato, o regresso, mas os aviões estavam lotados. Só após 48 horas conseguiria chegar.

         Para esperá-lo o corpo precisou ser embalsamado, ficando um pouco edemaciado, mas refletindo uma serenidade de inocente.

         Nas duas noites de velório, inesquecíveis, mais de 200 amigos estiveram conosco, consolando, repetindo aquelas palavras que são ditas quando só os desígnios de Deus explicam.

         Cada palavra penetrava em minha alma, e eu passei a sentir-me culpada. Por que levara a criança para bater a radiografia? Por que deixara o enfermeiro colocar o meu filho na posição de Cristo crucificado? Como eu poderia esquecer o pescocinho frágil, baixando de uma vez, como se as forças, já tão débeis, se tivessem acabado totalmente? Acusei-me, amaldiçoei-me, sofri intimamente. Perdi uns dez anos de vida, em mágoas e interrogações.

         Hoje, meu marido e eu descobrimos que aquela criança foi um presente dos Céus; presente que durou apenas dois anos, mas o suficiente para unir-nos muito mais. Não tendo tempo de conhecer as agruras da vida, ele sempre espargiu ternura e dependência, e nós sabemos que o seu espírito continua conosco, debruçando-se em nós, como fazia, enquanto permaneceu neste mundo de incertezas.

         Deitado no caixão mortuário, todo de branco, com os sapatos que adorava, parecia dormir, para despertar cheio de vida e saúde. Cortei-lhe uma mecha do cabelinho dourado para sentir-lhe o sopro de vida...

         Na manhã de um sábado triste, as 9h30min, o corpinho foi sepultado, e o avô materno ainda teve forças para pronunciar palavras emocionantes, entrecortadas de soluços.

         Teimei em ir ao cemitério, mas não suportei ver a areia lançada sobre o caixão.

         Após o enterro, caía uma chuva fina e persistente. Desejei ser uma gota d’água para penetrar naquela terra úmida e encostar-me, com amor, àquele rostinho angelical.

         A partir dali, doía-me pensar que nunca mais ouviria sua voz nem choro que, apesar de transmitir tristeza porque era fraco e rouco, dava-me esperança de vida. Não ouviria mais aquela respiração difícil nem veria aquela depressão no externo, que me deixava descrente da Medicina. Não mais poderia vê-lo assomar à porta querendo brincar de esconder-se.

         Hoje só posso pensar no meu filho como um anjo, um anjinho que sentiu saudades do infinito, caindo, levantando, sorrindo, sem dor, sem defeito congênito, com um coração cheio de vitalidade.

         Agora ele é o espírito que zela por nós. É o nosso anjo que, após o período de empréstimo, voltou a Deus, seu Senhor. Contudo, ele sempre permanecerá conosco, em nossa saudade, porque apesar do curto período de vida entre nós, foi grande o amor com que foi acolhido, e imensa a ternura que nos transmitiu. E isso será imperecível.


    Por Maria Amélia Barros Leal, do livro Policromias 3º volume páginas: 72,73,74,75,76 e 77.




      JOSÉ WEYDSON BARROS LEAL  


    Missão bem-sucedida

    Amor à ciência, ao trabalho e ao próximo. Para José Weydson de Barros Leal,
    médico ginecologista que trabalha no Recife, esses devem ser os principais
    objetivos de um profissional que se dedica à medicina.

          O melhor atestado para a relevância profissional de um homem é o reconhecimento público por parte do meio em que atua. No caso de José Weydson de Barros Leal, médico ginecologista do Recife com projeção nacional, esse reconhecimento se faz claro em alguns fatos recentes. “Após ter deixado de ensinar sobre os bancos acadêmicos, recebi algumas retribuições que me emocionaram profundamente”, declara o profissional. Um dos fatos aos quais ele se refere ocorreu na Universidade Federal de Pernambuco, quando ele recebeu o título de Professor Emérito. “Fui aplaudido de pé”, lembra. Os aplausos também surgiram quando a Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco lhe concedeu o título de “Cidadão Pernambucano”. O médico ainda foi aplaudido de pé quando a Federação Latino-Americana das Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (FLASOG) lhe concedeu o raríssimo e honroso título de “Maestro” da Tocoginecologia Latino-americana. E, mais recentemente, quando foi chamado para compor a mesa de instalação do 50º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, realizado recentemente no Recife, o médico foi copiosamente aplaudido.

          Se o sucesso e a fama marcam uma extremidade da vida profissional de Weydson, a simplicidade e o desprendimento são componentes de destaque em outra extremidade. Aos 73 anos de idade, o médico revela um dos segredos de sua grande realização profissional. “O dinheiro é básico para a existência do ser humano, mas não tão importante quanto o amor à ciência, ao trabalho e ao próximo, meta de todo médico”, ressalta.

          A carreira profissional de Weydson teve início no ano de 1956, quando se formou médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco. Terminada a faculdade, realizou, em 1957, um curso de pós-graduação no Serviço do Professor José Medina, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Em seguida, cursou residência médica no Serviço de Ginecologia do Professor Rosaldo Cavalcanti, no Hospital Santo Amaro, da Santa Casa de Misericórdia de Recife. Após a residência, tornou-se “Chefe de clínica” de Ginecologia da Universidade Federal, no histórico Hospital Pedro II, na época o Hospital das Clínicas.

          Posteriormente, Weydson ainda efetuou três cursos de pós-graduação, além de dezenas de cursos de atualização. O primeiro deles, o curso “Fisiologia da Reprodução Humana” (Adiestramento en planificación de la familia), foi efetuado em 1967, na Faculdade de Medicina da Universidade do Chile. O segundo, realizado em 1980, intitulava-se Management of the Interfile Couple, pela The John Hopkins University em Baltimore, EUA. E o terceiro, concluído ao final deste mesmo ano, foi o curso prático de Adiestramento en Tecnicas Quirurgicas en Laparoscopia Diagnostica y Terapeutica, pela Associación Pró-Bienestar de la Familia em Medellín, Colômbia.

          Na área acadêmica, a primeira atividade de Weydson foi decorrente da aprovação em um concurso interno de auxiliar de ensino, realizado em 1959. Em 1962, realizou um segundo concurso, para professor-assistente, defendendo uma tese sobre “Sindrome de Stein-Leventhal”. Em 1975, foi aprovado em um concurso para professor “docente livre”, com a tese “Aspectos morfológicos do ovário humano sob a ação de ovulostáticos combinados”.

          Em 1978, Weydson submeteu-se a um concurso de títulos englobando todas as cadeiras (obstetrícia, ginecologia e pediatria). Resultado: obteve o primeiro lugar para o grau de professor-adjunto. Finalmente, realizou concurso para professor titular da disciplina de ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco.Vinte e cinco anos depois, ministrou a disciplina de climatério do curso de mestrado da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. Anos antes, foi assistente da disciplina de cirurgia abdominal na Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco.

          Atualmente, Weydson dirige sua clínica particular, a qual é dividida em dois expressivos setores: reprodução humana e climatério. “O primeiro setor deve-se ao meu louvado passado como presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), e o segundo teve influências da Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC), onde exerci por duas vezes a vice-presidência”, explica ele, que também foi presidente da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

          Um fato importante a ser ressaltado, relacionado à carreira profissional de Weydson, é que teve ele a responsabilidade no nascimento do primeiro bebê de proveta do norte-nordeste brasileiro, uma criança do sexo feminino, hoje com 13 anos de idade. “Minha mulher, Antonieta, que atua como minha bióloga há 13 anos, é responsável pelo laboratório que ‘cria’ os bebês de proveta nascidos no meu Serviço. Inclusive este primeiro, que acabamos de mencionar, foi resultado do trabalho dela”, destaca.

          Quando questionado sobre a razão de ter escolhido a medicina como profissão, Weydson responde diretamente. “Em primeiro lugar, pelo meu passado familiar, pois descendo de pais, avós paternos e tios farmacêuticos, além de tios-avôs médicos. Minha primeira irmã, ginecologista especializada em colpocitologia oncótica e colposcopia, e alguns primos médicos também acabaram me influenciando”. “Nasci em uma pequena cidade, praticamente dentro de uma farmácia, na qual o farmacêutico, meu pai, além de viver a medicina comunitária, sempre esteve envolvido com médicos amigos que o cobriam nas suas atuações”, acrescenta. A escolha da especialidade de ginecologia e obstetrícia, por sua vez, foi motivada pelo contato com o Serviço de Ginecologia do Hospital Santo Amaro, ainda no final da graduação em medicina.“A partir do quarto ano da faculdade, tornei-me interno nessa instituição, onde fiz nascer o alicerce de minha opção. Daí caminhei sempre objetivamente, ou seja, em busca da ginecologia clínica e cirúrgica”, explica.

          A influência familiar que definiu a carreira de Weydson continua a refletir sobre seus descendentes. Evidência deste processo é o fato de que outros médicos continuam a surgir na família Barros Leal, possivelmente influenciados pelo exemplo desse grande ginecologista. “É o caso do meu sobrinho Cláudio Barros Leal Ribeiro, que possui mestrado e doutorado em ginecologia e pós-graduação na Inglaterra, sendo também o diretor do centro de reprodução humana da minha clínica e presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Pernambuco (SOGOPE), além de ter sido delegado da SBRH e da Febrasgo”, diz, orgulhoso.

          Quando não está atuando na profissão, Weydson gosta de dançar, uma satisfação que, segundo ele, é decorrente das noites de serenatas que seu pai fazia com amigos na calçada de sua casa. “Lá, eu era convidado especial. Meu pai, Antenor, era um grande solista e acompanhante admirável, mas pouco cantava, preferindo ouvir as valsas e as canções dos seus companheiros”, relata. “Às mulheres, e inclusive minhas irmãs, não era permitido ir às ruas. Elas então ficavam debruçadas nas janelas”, lembra-se em seguida.

          Além da dança, uma boa leitura também costuma o atrair em suas horas vagas. “Modestamente, sou “gamado” em estudar, de tal forma que todo dia, até no sábado ou domingo, gosto de manusear e escrever algo sobre ginecologia”, garante ele, que, além das três referidas teses, foi autor de dois livros produzidos pela editora Revinter/RJ: o primeiro, no ano de 1994, intitulado “Reprodução Humana” e o segundo, no ano de 1999, intitulado “Concepção e Anticoncepção”. “Recentemente, trabalhei em um livro, que “está no forno”, intitulado “A Grande Viagem”. Nesta obra, do começo ao fim, faço um relato sobre meus anos no Ceará, meus estudos no Espírito Santo e na Bahia, com ancoradouro no Recife, há 50 anos”.

          Casado e pai de três filhos, também casados e formados, Weydson demonstra uma grande realização pessoal. Ao efetuar um breve balanço sobre sua trajetória, é categórico ao afirmar: “Por hipótese alguma eu mudaria minha vida. Apenas procuraria me desdobrar mais nas subespecialidades, de forma a completar minha formação médica. Eu me dedicaria, por exemplo, à endocrinologia, à genética e, com maior afinco, à sexologia, pois esta área tem um vínculo muito forte com quase toda problemática vivida pela mulher”, avalia. Confirmando esse posicionamento, ele traça como sonho a ser realizado o simples desejo de permanecer estudando, dando forças aos novos médicos, trabalhando e atendendo suas pacientes, às quais devota grande estima e atenção.


    Artigo da Revista da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), Ano 2, Número 1, Janeiro/Maio 2004


    PODER LEGISLATIVO DO ESTADO DE PERNAMBUCO

    Recife, terça-feira, 23 de setembro de 2003. Ano LXXX l Nº 169

    ATAS

    ATA DA VIGÉSIMA TERCEIRA REUNIÃO SOLENE DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA QUINTA LEGISLATURA, REALIZADA EM 18 DE SETEMBRO DE 2003

    Presidência do Excelentíssimo Senhor Deputado Romário Dias.

    Fonte: http://www.alepe.pe.gov.br/diario/2003/09/23/atas.html



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    Última atualização: 26/03/2011



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