O início de uma carreira
No início dos anos 80 um novo estilo musical passou a predominar nas rádios de todo o País. O rock brasileiro finalmente dava o seu "Grito!"e provava de uma vez por todas a sua existência. Bandas como Paralamas de Sucesso, Titãs, Ira!, Barão Vermelho, Lobão, Capital Inicial, Inocentes, Camisa de Vênus, Plebe Rude, entre inúmeras outras (muitas infelizmente extintas, como a última citada) lotavam casas noturnas e ginásios.
Entre estas, havia uma determinada banda com uma peculiaridade especial: possuía um vocalista/poeta de óculos, "meio louco", que conseguia com extrema facilidade, através de suas letras, discursos e performances levar a platéia a uma profunda e espontânea conscientização.
"O importante para mim não é o que está sendo dito, mas como está sendo dito" dizia este poeta louco, muitas vezes chamado de rebelde apenas por ser sincero. A mesma sinceridade que, sem dúvida alguma, o tornou mito de uma geração carente de ídolos. Uma geração que muito aprendeu com suas letras.
A banda era Legião Urbana, um quarteto depois transformado em trio que conseguiu a proeza de se tornar unanimidade no cenário do Rock nacional. O vocalista era Renato Russo, responsável direto deste imenso sucesso: A vendagem de mais de 5 milhões de discos.
Tudo começou em meados de 1978, quando um grupo de jovens de Brasília, admiradores "comportados"do predominante movimento Punk, resolveram criar a sua própria banda. Eram eles Renato Russo (baixo), André Petrórius (guitarra) e Fê (bateria). Era formado então o Aborto Elétrico que, como os demais grupos de Rock da agitada capital Federal, não trabalhava com letras e vocalistas.
Eram três entre inúmeros outros jovens da época que, reminescentes do regime militar e em busca de alguma coisa "nova" na tediosa capital do País, buscavam no Rock and Roll uma saída viável. Mesmo sabendo que, com esta atitude nada convencional para os padrões éticos da época (ora, o que poderia se esperar de adolescentes com roupas rasgadas que ouviam aqueles como Sex Pistols, por exemplo?), estes jovens estariam sujeitos a toda espécie de repressão.
O primeiro show ocorreu apenas em Janeiro de 1980. Depois foram vários os shows ao lado de outras bandas da mesma cidade. Várias também foram as mudanças de integrantes de uma banda para outra, uma vez que eram todos conhecidos e, basicamente possuidores dos mesmos gostos e ideais.
Em 1982, após a banda sofrer outras trocas de integrantes (passaram por ela Flávio Lemos e Ico Ouro Preto), Renato Russo saia definitivamente do grupo e passaria a fazer, por um curto período de tempo, um trabalho solo.
Em maio deste mesmo ano de 82 (já começando a ser montada a primeira formação do Legião Urbana, com Bonfá, na bateria; Eduardo Paraná na guitarra; Paulo Paulistas nos teclados; além de Renato Russo nos vocais) ocorre o último show do A Elétrico. Renato Russo foi convidado para assumir os vocais neste último show, tendo ao seu lado Flávio Lemos e Fê. Estes dois últimos, por sua vez, passariam a fazer parte do Capital Inicial, outra banda expressiva de Brasília, ao lado da Plebe Rude.
Em 1983, Eduardo Paraná e Paulo Paulista saem da Legião Urbana. A guitarra da banda passa a ser assumida, por um curto espaço de tempo, por Ico Ouro Preto. Em abril deste mesmo ano Dado Bonfá assume e a Legião passa a ter Renato Rocha também como integrante.
Estava criada assim a nova formação da Legião Urbana (que viria a ser posteriormente um trio, com a saída de Renato Rocha), que se tornaria, alguns anos depois, uma "referência" extremamente fundamental do Rock and Roll nacional. Uma das mais queridas e respeitadas bandas existentes no cenário musical brasileiro de todos os tempos.
Mas por outro lado, é lamentável observarmos o quanto o Rock é marcado por perdas precoces e dramáticas. Na sua imensa maioria causadas pelo dito "sistema" (que levam ídolos à extravagâncias prejudiciais irreversíveis) ou por grandes "peças" pregadas pelo destino.
Calam-se as vozes; vão-se os ídolos.
E na madrugada do último dia 11 de Outubro, sexta-feira ("eu detesto ficar sozinho numa sexta à noite ..."), mais um grande nome da imensa galeria do Rock nos deixa.
RENATO RUSSO seria a mais nova figura desta indesejável galeria. Vítima de septicemia, bronco-pneumonia e infecção urinária, causadas pelo vírus da AIDS, deixou-nos musicalmente órfãos, mais uma vez, RENATO MANFREDINI JUNIOR, 36 anos, vocalista e letrista da Legião Urbana que cantava e encantava-nos com suas letras e voz.
Para aqueles que o admirava e tinha-o como referência, resta apenas dizer : "Hoje a tristeza, não é passageira ... Porém é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".
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