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Manual de Redação Wallimann Wolff

Dedico este projeto a todos os jornalistas que realizam seu trabalho com ética; como igualmente a todos os 
empresários que, com ética também, conseguem manter e fazer crescer os veículos de imprensa pelo Brasil afora.

INTRODUÇÃO:

Este manual partiu dos meus erros... Pouco depois de sair da adolescência, aos 22 anos, fui convidado a assumir cargo de direção num pequeno jornal no interior de Mato Grosso do Sul, então me vi às voltas de "como coordenar uma equipe se eu ainda cometo tantos erros, já que este pessoal entende menos de jornalismo do que eu mesmo”. O jornal era um semanário feito em uma pequena sala de um centro comercial, pela equipe de um fazendeiro dado a conflagrações (talvez não tão inocentes quanto o termo pode fazer parecer), uma advogada (também empregada na área comercial de uma concessionária de veículos), uma publicitária (que raramente aparecia por ali) e um diagramador (estudante secundarista com alguma noção de page-maker). Ali comecei a fazer anotações dos meus erros e daquelas coisas sobre as quais, mesmo sabendo, de tanto me perguntarem, acabava ficando em dúvida. Montei um arquivo no computador da Redação para quem quisesse utilizar.

Aproximadamente três anos depois, fui novamente convidado a assumir o comando da redação de um diário, mais bem-estruturado e com uma equipe razoável, embora igualmente não habilitada. Porém, com problemas bastante semelhantes, então retomei o estudo das minhas principais falhas, dos meus repórteres e dos assessores de prefeituras, cujos textos éramos obrigados a publicar. E fui catalogando tudo. Pesquisei gramática, manual de redação, consultei amigos, profissionais. E a partir daí, os erros mais comuns e repetitivos da equipe foram entrando para o "manual". Depois, com a troca de trabalho, e sem as atribuições de coordenação de equipe, este primeiro trabalho acabou se perdendo.

Mais tarde, em meados de 2006, novamente levado a assumir cargo de chefia de Redação, retomei o projeto de forma mais elaborada e o método de pesquisa foi o mesmo - olhar meus erros e os equívocos de nossa equipe e dos veículos com que temos contato - pois podemos aprender tanto com os nossos erros como com os dos outros; assim como com os acertos. E me vi outra vez descobrindo algumas coisas que eu fiz de maneira errada ou inadequada a vida inteira e nunca percebi, nem ninguém nunca me corrigiu (como escrever dona-de-casa e bem-sucedido sem hífen - vi a forma correta e fui conferir).

Contudo, aprender é um caminho sem fim, portanto, este espaço está aberto a sugestões e críticas, como ainda indicação de estudos; as quais podem ser enviadas para wmirror@yahoo.com.br. Por isso e também para colaborar com quem sentir necessidade, visando a melhorar a qualidade geral do trabalho em imprensa, tornei este material público.


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"É permitida a reprodução do conteúdo, desde que sejam citados o profissional responsável e este endereço eletrônico em cada peça e página, assim como seja previamente enviada cópia do material produzido, para o endereço que deve ser solicitado através de e-mail".

NOÇÃO GERAL:

Quem quer ser um profissional da escrita, tem de ser primeiro um leitor. E ler não é meramente transformar em som o que está grafado, é preciso compreender. Descubra um estilo literário que mais lhe agrade para tornar a leitura uma prática habitual. Utilize um dicionário sempre que tiver dúvida, ou melhor, leia dicionário de vez em quando, adote isso como um passatempo. E para o jornalista, o melhor é o Dicionário Aurélio, pois é mais fiel à Academia Brasileira de Letras, o que significa ser responsável quanto ao uso de domínio comum, o que evitará expressões dúbias e até mesmo vulgares que provocam certos modernismos do Houaiss, por exemplo, ou outros lexicólogos menos reconhecidos. Também fuja dos estrangeirismo, que são hábito característico de sociedades subdesenvolvidas, servis e provincianas (para estes tipos de grupo tudo que é de fora é melhor – exemplo: promoção vira off; cabeleireiro vira hair stilisty, ou coisa assim), além de brega, deixa o texto truncado.

Jornal não é lugar para floreios, nem abusos estilísticos, nem meio de provar criatividade a fim de amenizar o peso de uma baixa auto-estima. Não é espaço para amenizar as dores de escritores frustrados, muito menos vitrine para delírios de pretensos catedráticos, que buscam uma válvula de escape para suas vaidades, que necessitam provar erudição a cada letra e ponto, jactando-se de conhecimento privilegiado. Jornal é informação, em tudo e em todo, nada mais. Desde a escolha da fonte, do tamanho e posição de uma imagem, até o que é escrito, tudo só pode ser informação. E informação melhor é aquela que é clara, concisa, objetiva e inédita (não copie dados de outro veículo sem citar a fonte – além de vergonhoso, isso é crime – sem contar que, se outro já fez, já deixou de ser inédita).

Então, para informar, muito raramente usará adjetivos, pois eles em geral expressam opiniões e julgamentos e isso não é informação. Jornal não é meio sequer para aspirantes a humoristas, esperançosos de um dia serem descobertos, ficarem apresentando trocadilhos (jogo de palavras parecidas no som e diferentes no significado, e que dão margem a equívocos – como bem define o Dicionário Aurélio).

Escrever em jornal não é escrever bonito, é INFORMAR. Aqueles que fogem desta verdade soberana, pois, sãos os veículos sensacionalistas e o destino deles, invariavelmente, é o descrédito. Pois se valem de um público desqualificado, sem acesso à educação ou informação, que procura o espetáculo de mau gosto que eles se prestam a oferecer. Nem mesmo este público tem respeito por tais mídias, procuram-nas pela mesma catarse que procuram os programas humorísticos medíocres que as TVs oferecem nas noites de sábado.

O jornalismo brasileiro é incipiente e afligido por graves males e nós temos sido negligentes em discutir isso, garantindo assim com nossa cumplicidade a precariedade do serviço de informação oferecido à sociedade, a começar pela subserviência ao pensamento estrangeiro, desrespeitando a nossa cultura, especialmente frente ao jornalismo americano. Contudo, vale frisar que saber, discutir problemas não é razão para desânimo, pois só devemos fazê-lo com o intuito de alcançar soluções.

Outrossim, fala-se muito em qualificação do profissional e a gente se preocupa muito em melhorar o desempenho para estarmos aptos a uma seleção; mas precisamos ser criteriososo também quanto à escolha de “através de qual” empresa prestaremos nossos serviços à sociedade, pois há muito mais empresários desqualificados do que jornalistas desqualificados. Pois o mercantilismo nublou a missão social do jornalismo, assim, atraindo toda sorte de mercenários e prostituídos. Isso se agrava com a falta de qualificação daqueles que se proclamam jornalistas, mas não passam de arremedos, não são habilitados e sua única noção do fazer jornalístico vem dos enlatados do cinema americano; ou no máximo, tentam copiar a TV e o Rádio, sem saber diferir na grade de programação nem o que é jornalismo. Como se não bastasse, os veículos de imprensa estão, em maioria, nas mãos de grupos políticos, religiosos ou empresariais corruptos; ou são por estes sustentados, sendo que muitos deles já nascem com a intenção de parasitar tais associações.

Por este Brasil afora já vi de tudo no comando de jornais que teoricamente fundaram: ex-botequineiro, ex-policial, ex-bancário que deu o golpe do baú, ex-camelô (na maioria testas-de-ferro de políticos e empresários criminosos, funcionando também para caixa dois e lavagem de dinheiro). Sem falar em editor chefe de jornal diário que não possuía sequer o ensino fundamental completo – pessoas que nunca se preocuparam em procurar o mínimo que seja de qualificação e não têm discernimento, não querem exercitar a verdadeira função social do jornalismo, mas fazem dele uma ferramenta de extorsão para viverem como vermes e das sobras de criminosos.

É esta realidade que permite o que chamo de “lista dos intocáveis”, presentes em todas as Redações de que tive notícia – elencando os mandatários, religiosos e políticos carreiristas e empresários criminosos que pagam propinas ao veículo para garantir que a imprensa se cale frente aos desvios de verbas, aos mensalões, ao favorecimento criminoso, à burla de licitações, à degradação ambiental, ao superfaturamento, à propaganda enganosa, à exploração dos trabalhadores e desrespeito aos direitos já sacramentados em leis – só para citar alguns sintomas. Amarrados pela lista dos intocáveis, os pseudo-empresários do jornalismo caçam o lucro feito cães miseráveis e famintos, oscilando entre a negligência e o denuncismo – e é quase impossível saber qual das posturas é mais causadora de desgraças.

Estes ditos empresários têm sua mentalidade tão moldada por meandros de maracutaias que é com este pensamento que tratam seus empregados. Os profissionais são encarados como adversários e nem de longe como colaboradores, sendo muitas vezes afrontados e humilhados cotidianamente por mero capricho. Isso pode ser ilustrado por um fato ocorrido numa cidade pólo do Norte do Brasil, onde um ex-miserável e agora milionário instantâneo, dono de uma emissora local chegou um dia à Redação de sua afiliada do SBT e perguntou como chamava o texto que a repórter gravava. Ante a resposta – off –baixou a ordem: de hoje em diante, isso chama storyboard. E quem não assimilasse a mudança por decreto na ciência, estaria com os dias de profissional empregado contados, pois a pena seria a demissão.

Estas empresas de jornalismo desqualificadas não investem na capacitação de seus funcionários, simplesmente sugam o máximo que puderem em troca do menor salário possível e ainda, se tiverem chance, roubam. Não investem sequer no bem-estar do funcionário; plano de saúde é uma ofensa para os pseudo-empresários. Sem contar atos criminosos comuns como desrespeito à carga horária prevista em lei, ausência de registro trabalhista, ou registro a menos em Carteira de Trabalho, deixando parte do salário a título de hora extra ou comissão (porém, o montante invariável naturalmente se prova como salário) – lesando os funcionários no pagamento de horas extra, férias, décimo terceiro e na rescisão contratual – sem contar que são negadas aos funcionários as cópias dos recibos dos pagamentos por fora. Este golpe é facilmente derrubado na Justiça Trabalhista, pois todo acordo ilegal é nulo e o direito garantido por lei ao trabalhador é inabalável, mesmo que ele tenha precisado se submeter à exploração, mesmo que ele tenha aceitado tal acordo, seu direito não deixa de existir e só abre mão disso quem quiser. Os comprovantes de gastos e de movimentação bancária servem como prova do salário real. Porém, depois do processo judiciário, muitas vezes vem a perseguição a fim de barrar a recolocação empregatícia. E nem um pedido de demissão é aceito sem briga por empresários levianos, que se enraivecem frente a libertação do funcionário explorado – nestes casos, são recorrentes ultrajes como roubo de valores na rescisão, descontos criminosos e até retenção de documentos pessoais como a CTPS (o que é crime e, quando isso ocorre, deve-se imediatamente registrar boletim de ocorrência policial na delegacia mais próxima e ficar com cópia). A busca por profissionais mais baratos e obrigação de registro a menos é também para camuflar os caixas dois, prática adotada por todo jornaleco, desde os de abrangência de bairro e que nem chegam a circular na verdade, até alguns considerados da mídia nacional. Os que agem desta forma burlesca, além de combaterem a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, também são totalmente contra o Conselho Federal de Jornalismo – não só contra a forma equivocada como a proposta foi conduzida. Se houvesse uma CPI, uma varredura na movimentação financeira dos jornais e seus donos e sócios, haveria muito fato que garantiria numerosos decretos de prisão.

É a esse tipo de gente que interessa a não-obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, pois os não-capacitados são mais facilmente manipulados e a eles são criminosamente negados todos os direitos que assiste a um jornalista, provocando um retrocesso catastrófico na luta pela liberdade de imprensa e condições dignas de trabalho. Procure saber sempre dos seus direitos, para não ser explorado e fuja das propostas ilegais; por mais inofensivas que elas pareçam, podem ser no mínimo prova da falta de caráter de tais empresários e presságio de desentendimentos futuros. Se você decidiu ser jornalista, comporte-se à altura.

Uma história real ilustra fielmente os golpes praticados cotidianamente por donos de jornalecos. Em 2006, um destes alpinistas que se tornou dono de um jornaleco no Norte do Brasil anunciou via Internet a vaga para contratação de jornalista. Depois de receber alguns currículos e fazer alguns testes, por telefone, convidou mais um profissional para ir à cidade, garantindo um apartamento montado à disposição e pagamento das despesas da viagem, mesmo que o profissional resolvesse não efetivar o contrato. Proposta tentadora, embora a incluísse uma viagem de ônibus por um trajeto de quase 3 mil quilômetros de péssimas estradas e sem pagamento prévio das despesas, apenas um prometido reembolso. Com uma rápida negociação, foi possível mudar a viagem para o transporte aéreo.

Ao chegar ao destino, o jornalista descobre que o apartamento montado não passa de uma quitinete de dois cômodos e banheiro, localizada em uma rua sem asfalto e esburacada, e vizinha a um imenso terreno baldio completamente tomado pelo mato e pelo lixo. E o “montado” significa ter um colchão no chão, um guarda-roupa, uma cômoda, uma mesa e quatro cadeiras, um lençol, uma fronha e um travesseiro descartável, nada mais. Como não é de frescura e gosta de desafio, o jornalista releva o desentendido e resolve enfrentar. Antes de falar de valores com o possível futuro patrão, trabalha por uma semana a fim de mostrar seu serviço, pelo que recebe todas as garantias de jornalismo independente, carta branca para pautar e que o jornal não tem rabo preso com ninguém. Por isso tudo, uma pequena questão quanto ao registro em CTPS parece sem risco e o jornalista aceita até ficar sem registro, já que não se quisesse ser registrado, o valor oficial não ultrapassaria metade do salário real. Achando que isso não traria grandes problemas, apesar de ser forçado como todos os funcionários a assinar recibos sem identificação da empresa nos pagamentos por fora, o profissional fecha contrato – verbal. Contudo, a leviandade logo foi se revelando. Primeiro, o transporte casa-trabalho-casa, que era diário, é cortado para apenas os dias em que trabalha período integral (leia-se entrar as 8h30 e muitas vezes sair na madrugada do dia seguinte). Não há livro-ponto para os seus horários, vale relatar. Ele não reclama, afinal morava relativamente próximo ao jornal e a falta de transporte não seria um sacrifício, até porque nestes dias a direção era bastante compreensiva quanto a atraso e também não reclamava. O acordo verbal com os patrões incluía pagamento de metade do aluguel e metade das despesas de alimentação. Sem conversar a respeito, depois de, no primeiro mês, não pagar um centavo da alimentação, além do que consumiu numa bodega da pior qualidade onde pretendiam que ele tomasse as refeições, o jornal passa a pagar o aluguel integral, sendo que o gasto com alimentação era mais que o dobro do valor do aluguel. O jornalista mais uma vez não reclama, afinal sempre foi muito bem tratado e nos primeiros meses a relação era muito cordial, então, dos males o menor.

Mas em pouco tempo o discurso de jornalismo independente transforma-se em “nós não vamos mudar o mundo”, “não tem cabimento falar em imparcialidade”, ou “a Prefeitura é nossa parceira”, ou ainda “deixa que ele se entenda com os superiores dele” – isso, para barrar pautas de interesse social, mas desinteressantes politicamente para o prefeito e seus conluios, e especialmente para negligenciar fatos que desagradassem o grupo ao qual pertencia um determinado deputado federal que sonha com a Prefeitura; como ainda para justificar a publicação de informações prévia e sabidamente incorretas dadas pela polícia. As tentativas de diálogo para refletir quanto a tais posicionamentos passaram a ser tratadas de maneira agressiva e desrespeitosa, como também nas discussões quanto ao sensacionalismo e textos desqualificados, usando a desgraça dos pobres como chamariz para venda dos exemplares, fechando os olhos para os crimes de bandidos endinheirados. Para não falar de que censuras terminantes quanto a veicular fatos positivos ou negativos sobre alguns personagens transformavam-se em cobranças veementes quanto a fatos que desmerecessem tal pessoa; de um dia para o outro, mostrando que ao invés de ter uma linha editorial para guiar o trabalho da Redação, isso se dava pelo mero tom do humor do pseudo-empresário, o que os repórteres e editores deveriam saber-se obrigados a adivinhar. No mesmo sentido, havia proibição de questionar a falta de provas das acusações feitas em Tribuna por vereadores do grupo do prefeito, mais um entre as tantas mostras da falta de ética no tratamento da notícia e o sensacionalismo que logo desmascararam os discursos hipócritas, demagógicos e falsos de jornalismo independente. O jornalista foi deixando de se desgastar com discussões inócuas e pediu demissão para não se contaminar, não se desqualificar e não descer ao nível daquelas pessoas que já trocaram suas dignidades por esmolas há muito tempo. A direção do jornal amenizou a postura e até resolveu negociar sua permanência, ele se dispôs a ouvir e declarar suas posições e tentar chegar a um acordo para uma parceria profissional duradoura. Já que andava querendo encontrar um emprego onde pudesse pensar em sossegar e talvez aquele fosse o qual em que ele se aposentaria, o jornalista resolveu dialogar. Entretanto, antes que tal conversa ocorresse, quando completaria seis meses de casa, veio o pagamento da primeira parcela do 13°: R$ 150 para quem tinha um salário de R$ 2,6 mil mais benefícios (traduzindo, consideraram apenas o valor documentado na CTPS e o tempo de registro até o dia do pagamento da primeira parcela, não do tempo real, sequer do tempo que seria completado pelo registro até dezembro). O profissional refletiu bastante e resolveu fazer cumprir seu pedido de demissão, cujo aviso prévio já estava cumprido, visto que manteve expediente normal, o que dá direito a sair 7 dias antes dos 30 dias a partir da entrega do pedido de demissão. Após tentativas de intimidação e desculpas levianamente falsas, tentando criar um mal-entendido que nunca houve sobre o contrato, o jornalista declarou que não discutiria mais o óbvio e que a empresa então pagasse o que achasse que deveria e estava encerrado o contrato. O dono do jornal fez a rescisão contratual apenas pelo que era registrado na Carteira de Trabalho, e ainda criminosamente descontou dois dias que faltavam para completar os 30 do aviso prévio. Mesmo assim, considerando suas filosofias pessoais de que “prejuízo pouco é lucro” e que “quem briga por restos são os cães”, o jornalista pegou o que se dispuseram a pagar: uma rescisão que não custearia sequer a viagem de volta para casa. Não os levou à Justiça, por respeito à sua própria dignidade e não a que eles não possuem; embora o ganho de causa fosse límpido e claro como a mais pura razão.

Um fato corriqueiro como este mostra que há sujeiras nos bastidores do jornalismo que são vergonhosas não só para o profissional, mas para o ser humano. E muitas vezes não adianta discutir, pois a um sem-vergonha é natural a falta de vergonha e, desta maneira, não há limite para seus atos levianos e covardes, como provou a direção do tal jornaleco no Norte do Brasil. É melhor apenas não fazermos parte disso e deixar que o mal se destrua por si mesmo. O quê roubam de uma pessoa digna causa mais prejuízo a eles próprios do que a suas vítimas.

É este tipo de gente desonrada que combate a obrigatoriedade do diploma, combate o que torna a sociedade mais protegida contra picaretas. Com a lei e com a garantia de respeito à lei, não haveria a proliferação de jornalecos que não informam, apenas desinformam e são instrumentos de degradação social, inclusive pela reprodução de preconceitos e não só pela defesa de interesses escusos. Tudo a preço de banana, pois pelo salário de um jornalista mediano, eles podem pagar os contratos de dez picaretas ou de dez necessitados que serão obrigados a trabalhar inclusive 8 horas por dia, de segunda a sábado – enquanto a carga horária do jornalista é de 5 horas, cinco dias por semana. Por isso, aconselho: não assine nenhum documento para o seu empregador em que não haja identificação da empresa e assinatura do responsável, muito menos se não lhe fornecerem cópia. E jamais se contente com acordos verbais acerca de remuneração e benefício. Tenha sempre provas de toda e qualquer movimentação administrativa a respeito de si dentro da empresa. E se for convidado para uma vaga longe de sua casa, em cidade onde não conheça ninguém e não tenha amparo, exija uma carta-convite, registrada em cartório, documentando as condições iniciais sob as quais se dispõe ao teste.

A degradação da regulamentação e do exercício profissional já causou prejuízos irrecuperáveis, privilegiando os levianos que a promovem, contrariando tudo que se prega em recursos humanos, qualidade de serviços, capacitação profissional e otimização dos meios. Por exemplo, em 1999, tive meu primeiro contrato como jornalista profissional, na função de repórter, minha remuneração bruta chegava a 15 salários mínimos. Em 2006, apenas sete anos depois, como chefe de redação, trabalhando mais não só pela natureza do cargo, mas no dobro da carga horária, a remuneração não ultrapassava muito mais que oito salários mínimos – caiu quase pela metade. E só havia repórteres não-diplomados, cuja remuneração era de um salário mínimo e a não-capacitação por parte deles corrompeu totalmente a função de chefe de Redação, colocando-me na verdade como um decifrador, reentrevistador e reescrevedor-geral.

Tanto os levianos que se aproveitam desta polêmica insana não sabem o que é jornalismo que a ação aceita no Judiciário brasileiro tentando derrubar o diploma baseou-se no argumento da liberdade de expressão, deturpando o debate e o significado da imprensa. Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são complementares, mas não são a mesma coisa. Liberdade de expressão é o direito de manifestar a sua opinião. Liberdade de imprensa é o direito a informar – divulgar e ter acesso à informação. O espaço para opinião no jornalismo é pequeno, está nos editoriais, nos artigos, nas colunas, o que nunca foi negado a ninguém, isto nunca foi exclusividade do jornalista, embora seja mais bem feito por ele. Sem contar que os meios para expressão não se restringem à imprensa. Quem quer manifestar sua opinião não depende sequer de galgar a atenção da imprensa como canal, muito menos de se tornar jornalista, pois se o fizer, estará abdicando do seu direito a opinar, já que reportagem é o ato de reportar/relatar/contar/noticiar/levar a informação – nada menos, nada mais. Todavia, vale repetir: ter consciência dos problemas e obstáculos não é para nos esmorecer, mas para nos tornar mais aptos para a vitória. Nós podemos vencer tudo isso e realizar um trabalho ético, pois os verdadeiros empresários querem trabalho de qualidade.

PARA UM BOM TEXTO FINAL

Jornalismo tem características e necessidades de acordo com cada veículo – a linguagem usada na TV, no Rádio, na Revista, no Jornal, é específica para cada um deles – o meio define a forma. E mais ainda, se for um veículo segmentado – para público, assunto direcionado. O jornal escrito exige linguagem entre o coloquial e o erudito, para não agredir a inteligência dos mais cultos e para não ser um enigma para os mais limitados. E tem especificidades também de acordo com cada editoria, sendo mais flexível quanto a estilo para as de esportes, política e cultura – nas demais, as regras do bom texto devem ser seguidas com mais afinco. Já em colunas e artigos, o estilo do autor é o único imperativo, tudo o mais é discutível. Teoria ou verdade, acredita-se que o público de jornal seja o mais qualificado e exigente de todas as mídias. Uma, porque precisa ser no mínimo alfabetizado para poder ter acesso a esta informação; outra, porque jornal é vendido, é necessário ter dinheiro e, na prática, dinheiro dá acesso a muitas coisas, incluindo-se informação e educação. Embora em muitos casos os endinheirados prefiram investir em copiar a personalidades das bestas a se aplicar numa evolução pessoal.

Em primeiro lugar, não faça do seu ofício uma neurose. Tudo na vida sai mais bem feito, se for com prazer. Se é profissional da escrita, tem que gostar de ler, gostar de produzir um bom texto, e mesmo que pareça que você não tem isso, talvez só precise descobrir. Caso contrário, é melhor mudar de carreira, pelo seu bem em especial, e pelo bem do jornalismo. Isto vale até mesmo para quem tem como alvo a TV e o Rádio, pois a leitura e o texto são os instrumentos básicos do jornalismo em qualquer meio.

Regras do bom texto não significam a determinação de sistema minimalista, óbvio e entediante; elas são sim diretrizes. Inclusive, porque você pode e deve contribuir para elevar o nível de conhecimento do seu leitor também no tocante à língua portuguesa. E tem o direito de desenvolver um estilo próprio de redação, os grandes jornalistas e grandes escritores são reconhecidos pela simples leitura de um parágrafo, sem que seja necessário verificar a assinatura. Só não é possível confundir estilo próprio com verborragia, que é o que muito folhetim travestido de jornal anda fazendo por aí afora (na maioria dos casos até porque não são produzidos por jornalistas e sim por pessoas que não têm nenhum entendimento do que é jornalismo e muito menos capacidade de suplantar a preguiça e estudar).

Se tiver dúvida sobre a construção de uma frase, ou um termo utilizado, pergunte – se não houver quem possa prestar auxílio, mude, use o quê você conhece com propriedade, pois a língua portuguesa tem uma infinidade de formas e palavras para se dizer uma mesma coisa. Estude, verifique no dicionário, numa gramática. Se seu ofício é escrever, é seu dever saber escrever corretamente.

E como é valioso o tempo que você leva para escrever um texto, também é muito valioso o tempo que você pretende tomar do leitor para que ele leia. Se o que pretende falar é informação, faça. Seja claro, objetivo e dê uma informação completa sem ser enfadonho ou repetitivo. E não se desbunde no “plagionalismo”, não faça dos outros veículos o seu guia espírito-profissional. Se for para fazer o que eles já fazem, não tem necessidade de você fazer. Tem havido muito esse erro, os jornais medíocres preocupam-se em informar exatamente o que os concorrentes informaram, não se preocupam em ir além, em informar o que os outros deixaram escapar – isso dá trabalho.

O hábito da leitura é imprescindível para quem pretende escrever adequadamente. Procure ler bons livros e bons jornais, sempre – mas se lembre de que o texto literário não dará parâmetros para a redação jornalística, sim vocabulário, sem contar que o escritor tem toda a licença para criar novas palavras e sentidos, e isso não é direito seu. É necessário ampliar seu vocabulário e ler é o único exercício capaz de desenvolver e disciplinar a interpretação de informações e a organização de pensamentos – qualidades sem as quais não há jornalismo.

Reportagem não é lugar para opinar, muito menos para julgar – espaço para isso são os artigos e os editoriais, a menos que você esteja fazendo uma matéria de vivência – ter tomado parte do fato, estar no ônibus que despencou da ribanceira/passar uma semana prostituindo-se ou vendendo drogas para falar do tema – fora isso, sua opinião não interessa. O que cabe ao jornalismo é análise, especialmente para editoria como política e economia. E análise é impessoal e baseada em argumentos fortes e palpáveis – fé e crenças subjetivas nunca farão um texto jornalístico - muito menos frases em primeira pessoa.

Existe uma fórmula básica, “OQOQQCP” , para guiar a busca de informações: O que? Onde? Quando? Quem? Como? Por quê? Para quê? Tendo as respostas de tudo isso, você pode, se a pauta tiver importância que o justifique, buscar maiores detalhes. Ao redigir, lembre-se de que título, legenda, olho, janela, fio e texto, nunca serão continuação uns dos outros. Cada um deve ter seu sentido completo. O lide é o que há de mais importante no seu texto, o primeiro parágrafo, é o que deve convencer alguém a chegar ao final. Assim, a informação mais forte, o que tem de maior importância, qual é o gancho da sua matéria, é o que usará já na primeira frase do seu texto. Depois, seguem-se em ordem decrescente de importância as demais informações – é a fórmula da pirâmide invertida e que facilita muitíssimo a edição. Eu costumo dividir minha matéria em três partes, três linhas de pensamento: o primeiro parágrafo, ou primeiro e segundo, como se fosse lançar uma tese; outros dois ou três como desenvolvimento da idéia e argumentação; e um último como a conclusão, remetendo-se ao primeiro (pesando o número de parágrafos de acordo com a importância da pauta). Quando consigo fazer isso, que não é fácil como parece ao dizer, sinto o orgulho do "dever cumprido com honras".

Prefira frases diretas, objetivas, de pelo menos 15 e não muito mais que 45 palavras. Procure começar algumas de suas frases com verbos, ou substantivos – são os vocábulos mais nobres para uma redação.

Desenvolva o bom senso para saber também quando será um dos grandiosos momentos em que é melhor fugir à regra.

Lembre-se: uma matéria começa com uma boa pauta e precisa de uma boa entrevista para chegar à boa redação. O pauteiro e o repórter têm obrigação de pesquisar e inteirar-se das informações básicas para não desrespeitar o entrevistado com perguntas óbvias. Mas não perca tempo com o que não é preciso para sua matéria e sempre tenha certeza de que entendeu o que o entrevistado respondeu, porque ninguém além dele poderá tirar suas dúvidas depois. Organize suas idéias antes da entrevista, organize seu texto durante a entrevista. E se não for possível fugir de comentário inútil durante ela, descarte-o já na anotação ou na decupagem (o que é bom eliminar do processo para ganhar tempo – é aconselhável dispensar a gravação, quando não é assunto polêmico que vá lhe exigir prova depois).

A editoria de “polícia” sempre foi a maior fonte de equívocos e abusos, caindo muitas vezes no ridículo pelos absurdos que produz e lançando os que se dedicam a ela de maneira errônea no mais absoluto descrédito. O maior desafio para a redação de reportagens policiais é não cair no chulo – usando expressões muito populares, nem jargões policialescos; como não se levar para a linguagem de folhetim – com expressões poéticas absolutamente fora de hora; e ainda o mais comum: o sensacionalismo promovido pelos estúpidos, cuja máxima capacidade de seus parcos neurônios está na criação de trocadilhos patéticos.

Deixe os adjetivos para os poetas, a morte, por exemplo, já é por si só um fato chocante. Não precisa dizer “a trágica morte”. Um assalto é por si só revoltante, “o assalto cinematográfico” só existe para um patetola. Um estupro é por si só cruel, não precisa dizer “ato animalesco”. Um pai que estupra sua filha de 6 anos é por si só execrável, não é necessário chamá-lo de “o monstro” nas páginas de um jornal. Os fatos falam por si só – esta é a essência do bom jornalismo – cabe ao profissional apenas transmiti-los com clareza, objetividade e de forma completa.

Evite linguagem muito rebuscada, pode dificultar o entendimento do leitor e dar tom piegas ao texto, perdendo credibilidade e afastando interesse. Não personifique objetos e fenômenos – “fogo devora três casas”. Destas linguagens os humoristas já se apossaram e se valem dela para arrancar risos, nem que seja pelo grotesco. E não é este o objetivo de um jornalista.

Economize. Quando em sua matéria, há somente um entrevistado, não precisa ficar repetindo sempre o nome ou a referência, pode colocar em parágrafos secundários apenas “conta”, “fala”, “relata”, ou simplesmente a citação entre aspas. Também não precisa colocar relata fulano, em uma frase imediatamente seguida àquela em que você o identificou. Da mesma forma, se você está falando apenas da cidade onde o jornal é sediado, não precisa nomeá-la. E quando fala de apenas uma cidade, não precisa ficar repetindo delegacia local, Prefeitura do Município.

Um detalhe sobre pauta comum de polícia: matéria sobre desaparecimento ou de procurado precisa ter foto da pessoa, senão terá de prestar justificativa, porque sua informação estará incompleta.

EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO

 – Cada página deve ser tratada como um universo, com sua própria manchete – o abre – no topo da 
página, espaço em que se deve priorizar uma matéria.
 – É preciso ter padrão de página, o jornal tem de ter identidade e unicidade. A menos que faça parte de 
um planejamento gráfico muito específico e demasiadamente arriscado.
 – Fuja de títulos muito grandes para textos muito pequenos, como também de títulos dentados (deixam 
espaços em branco na página, que tem altíssimo custo de produção e não é para ser desperdiçada). E 
espaços deixados em branco aleatoriamente desequilibram o diagrama. Os títulos devem diminuir de 
corpo, partindo do abre até a matéria mais secundária de todas, no rodapé da página. Há de se ter padrão 
para títulos de abre, secundária, etc.
 – Legenda em mais de uma linha, ou dentada, desequilibra a página – o ideal é que ocupe o limite da 
base da fotografia, numa linha completa.
 – É preferível que um artigo fique abaixo das matérias, ou que tenham uma página específica.
 – Olho em matéria secundária desequilibra a página e polui, não use. Olho, fio, janela devem ser 
colocados de acordo com um padrão para todas as páginas, senão transformam o jornal em uma grande 
colcha de retalhos.
 – Não disponha as matérias numa página como se estivesse empilhando tijolos.
 – Foto também tem de ser informação, como tudo em um jornal. Fotos de grupo, se pequenas demais, 
não passam informação, pois as pessoas estarão irreconhecíveis.
 – Todos as pautas relacionadas de uma mesma editoria devem estar numa mesma página, pois a leitura 
tem de ser fácil e prática e quem quiser saber tudo sobre um determinado assunto, não pode ser 
obrigado a perder tempo procurando matérias dispersas nas páginas – até porque isso pode significar 
desinteressar o leitor.
 – Uma página funciona como um microjornal. Os espaços mais nobres estão num L invertido – a faixa 
do topo, e da lateral externa – onde a atenção do leitor recai naturalmente, por questão física e motora. 
Assim, como fotos são atrativas, não podem ficar amontoadas nestas áreas. Use-as como trunfo para 
deslocar a atenção do leitor.
 – A disposição de todas as matérias deve ser priorizada pela relação das pautas e sua importância, de 
acordo com a ocupação do L invertido. Você não colocará uma matéria relacionada ao abre, no rodapé, 
separada por outras que não têm nenhuma semelhança com ele. As matérias que ficam no um quarto da 
página par, que se junta com o um quarto da página ímpar, abaixo da dobra do jornal, são matérias de 
menor importância, pois estão num espaço secundário para a visão.

AO REDIGIR

Não confie totalmente no corretor ortográfico do Word, pois há muitas falhas.

Matéria policial é dos textos mais simples; porém, é imperativo lembrar que jornal não é assessoria, não está a serviço da polícia, mas sim da verdade, como em qualquer pauta. Quando for necessário, pergunte da apuração dos fatos, saiba da certeza e da lisura dos procedimentos. Investigue se não há falhas ou dúvidas na acusação, no indiciamento. Saiba da correção da preservação da cena, da perícia, dos exames – balística, resíduo de pólvora, fluidos corporais, sangue, sêmen, de acordo com o crime. Se a polícia fez, fará, por quê? Se deixar de adotar algum procedimento que tiraria dúvida quanto à autoria ou ao método do crime, questione. Duvide tanto da polícia quanto do acusado e até mesmo da vítima. Sobre achado de cadáveres de pessoas desaparecidas, é importante saber a estimativa de quanto tempo passou entre o desaparecimento, a morte e a localização do corpo, se é certa a causa da morte, se havia sinais de luta. E em todos os casos em que há dúvida da causa da morte, são imprescindíveis os laudos. Saiba se quem acusa teria algum motivo para mentir, se a polícia não está tomando o caminho mais fácil para fingir bom trabalho. O que não for importante para o texto, você descarta na redação.

EDITORIAS

Cada editoria tem suas características e necessidades; não fosse assim, não seriam separadas. Muitos jornais hoje funcionam meramente através do plagionalismo, estão longe de cumprir o papel de ser o espelho e a voz da sociedade que deveriam representar e não serviriam sequer de registro da época em que suas comunidades vivem. Seria excelente se todo jornal tivesse pelo menos um jornalista para cuidar de pauta e pesquisa e pelo menos um específico para cada uma das editorias mais básicas. Porém, os jornalistas têm sofrido muito do mal da falta de estímulo, da censura, da autocensura, e até mesmo da preguiça. Trabalham de olho em outros jornais, ou na TV, ou pior, no Rádio; e até chegam a simplesmente parasitar sítios noticiosos, com o advento do jornalismo eletrônico – e em qualquer ordem que colocar estes personagens, o plagionalismo ainda assim será verdadeiro. Esquecem-se de que deveriam estar de olho no interesse social.

As editorias imprescindíveis:

Geral/Cidades/Cotidiano/Dia-a-dia – Aqui, a base de todo o tratamento da notícia é o humanitarismo. A estrutura social em favor do bem-estar do cidadão, como pessoa, como humano. Então seus entrevistados aparecem com nome completo, idade, profissão, endereço de residência, de trabalho, grau de escolaridade, religião, etc., de acordo com o tema tratado em sua pauta. É a voz do cidadão comum para questões cotidianas, como rede de esgoto, asfalto, acesso à educação, saúde, lazer. É o registro histórico das condições de vida de uma comunidade.

Economia/Dinheiro/Renda – Atividades ao alcance do público-alvo do jornal e que podem significar renda ou incremento da renda e da geração de emprego e a evolução econômica da região abrangida pela circulação em especial, além desta realidade em nível estadual, Brasil e mundo – em ordem de prioridade.

Política – O jogo do poder e de influência das personalidades e partidos políticos. Aqui, o que é dito nos palanques e discursos oficiais é apenas a ponta do novelo.

Polícia/Justiça – A mais problemática de todas as editorias, quase sempre usada de maneira nefasta, sensacionalista e tola. Tem que ser guiada com vistas ao respeito à lei e a proteção do cidadão. Não é para fazer piada, muito menos para servir de catarse para os ignorantes e hipócritas. Muitos se atêm simplesmente ao achismo de algum delegado ou investigador que gosta de aparecer. E saiba sempre: todo fato que mereça ser noticiado numa editoria de polícia requer que sejam acompanhados os desdobramentos. O jornalista de polícia tem de possuir tino de investigador, logicamente sem se colocar em risco e sem fazer o papel, nem atrapalhar o trabalho da polícia. O grande desafio é não se sujar com a covardia antiética dos que são muito machões para fazer sensacionalismo quando está em questão um ladrão de galinhas, mas que são tão frouxos para falar dos bandidos mais perigosos e endinheirados que quando publicam alguma coisa é de forma tão medrosa que praticamente pedem desculpas por estar falando daquilo. Sem contar que todo jornaleco que vive arrotando moralidade sempre pratica muitos crimes, especialmente contra o Tesouro Nacional e contra seus empregados. É preciso duvidar sempre, questionar tudo. O dever do jornalista é perguntar e verificar o embasamento de tudo, exigir as provas, averiguar os mínimos detalhes. Você tem responsabilidade sim sobre a veracidade do que publica.

Arte/Cultura – Valorização da produção artística local. Colaborar para a (in)formação do público. Parar de dar espaço apenas para as porcarias enlatadas que recebem seu 15 minutos de fama da TV aberta, que a cada dia, diga-se, desce mais o nível da programação.

Esporte – Valorização do esporte e da prática esportiva local.

ELIMINE - Termos inadequados e pecados capitais

 – "Sete corpos são vítimas de mortes violentas" – É preciso dizer algo? Além de que isso foi sim
escrito por repórter e num jornal?
 - "Valter também é secretário de Relações Internacionais do PT nacional e membro da Executiva 
Nacional do partido, foi candidato à presidência do PT pela corrente interna ‘Articulação de Esquerda’, 
além de ser doutor em história da economia pela USP.Os militantes do PT e lideranças de movimentos 
sociais ligados ao Movimento ‘Força do Povo’, discutirão os temas elencados como prioridade para 
uma segunda gestão junto com os partidos aliados" - por acaso o senhor Valter Pomar poderia ser 
candidato a presidente do PT por alguma corrente que não fosse interna? Depois vem a repetição. 
Texto de assessoria.
 - Procuro uma pessoa com afinidades parecidas – veja a capacidade de uma criatura em um 
sítio de encontros na Internet – seria possível encontrar afinidades diferentes?
 - Promotor fala sobre penas alternativas/Advogado opina sobre serviços públicos – como títulos – isso 
não é notícia. É preciso pegar um gancho, o que ele defendeu ou atacou de mais importante e 
desenvolver a matéria.
 - Lista negra/Saldo negro – jamais, é dos jargões mais terríveis, dos piores pesadelos de qualquer 
jornalista. Nunca use expressões que reproduzam preconceitos sociais, raciais, religiosos, sexuais.
 - “Ladrão é preso com a mão na massa comendo maçã”/”Bateu na mulher em pé e pediu perdão de 
joelhos” – deixe os trocadilhos para os humoristas sem talento. Isso é vergonhoso.
 - “Elvis Rodrigues da Silva, de 20 anos, vulgo Pé de Pato..”, “desovado” – deixe esse linguajar chulo 
para os policiais, que já renegam a língua portuguesa por via de regra – prefira.... Fulano, 20 anos 
(SEM O DE), conhecido como/por Pé de Pato... ou – Fulano, 20 anos, o Pé de Pato, foi morto...
 - “Submundo da droga” – deixe isso para quem escreve roteiros óbvios de filmes classe Z.
 - “Marco Antônio explicou que a ida da polícia paraense para a área geográfica do vizinho Estado de 
Tocantins foi uma forma de prevenir para que os assaltantes não venham cometer assaltos aqui em 
Marabá ou em outras áreas do sudeste do Pará” – Esta frase tem mais erros do que palavras. “A área 
geográfica do vizinho Estado de Tocantins” é uma aberração – se foi para o Tocantins, foi para á área 
geográfica dele, não teria sido para a área geográfica do cérebro de quem cometeu esta frase. Vizinho 
Estado – é para casos especiais ou para o idioma inglês, que coloca adjetivo antes de substantivo – no 
português, em geral, é substantivo seguido de adjetivo. Terceiro erro, se o jornal circula no Pará, numa 
cidade próxima à divisa com Tocantins, é esperado que a população saiba que Tocantins é vizinho – jornal/
reportagem não é 
lugar para ficar dizendo coisas óbvias. Depois –“assaltantes não venham cometer assaltos” – socorro! –
será que eles não viriam cometer fritar ovo, embora sejam assaltantes. Quarto, repórter não existe como 
personagem de matéria para poder dizer aqui.
 - “Os processos penais que variam até dois anos de pena de detenção, sendo que a meta a ser alcançada 
é de mil processos...” – afora a redundância e repetição: penais/pena e processos/processos; não é 
possível nem corrigir esta frase, é um enigma o que o repórter pretendia expressar. Talvez “processos 
por crimes que prevêem pena de até dois anos”.
 - Vítima Fatal – é das expressões mais absurdas já produzidas em toda a história da imprensa. Veja o 
significado de fatal, conforme o Dicionário Aurélio: 1. determinado, marcado, fixado pelo fado ou 
destino; 2. que tem de ser; irrevogável; 3. improrrogável, final; 4. decisivo, inevitável; 5. funesto, 
nocivo, desastroso, nefasto; 6. que traz, ou como que traz, por determinação do fado ou destino, a 
infelicidade, a ruína, a desgraça; 7. que produz ou prenuncia a morte.- Como em qualquer dos sete 
significados, poderíamos considerar alguém morto num acidente, por exemplo, como uma vítima fatal?
 - “Flagrante delito” – deixe para aqueles que escrevem os BOs, pois eles sim, já têm um vocabulário 
aquém de restrito e precisam usar estes jargões.
 - “Moeda corrente” – deixe para os burocratas de repartições públicas lentas e arcaicas.
 - “Ficado sobre a mira do trabuco...” – há quem tenha capacidade de ficar sobre a mira? E “trabuco”? 
Pode duvidar, mas isto foi escrito num jornal. O autor devia ir para o tronco e receber 100 açoitadas,
no mínimo.
 - “... um cachorro da família” – só se o cachorro fosse membro da família.... “um cachorro, de 
propriedade da família” é mais adequado.
 - “cheirado maconha” – isso é piada – maconha é fumada, nem precisa dizer, mas sai publicado em 
jornal. E mesmo entre aspas, e sendo uma citação de entrevistado, é preciso corrigir, a menos que o 
objetivo seja mostrar ao leitor a ignorância de quem falou tal disparate – o que seria uma atitude muito 
condenável. Apesar de talvez, pela idade avançada do repórter em questão, ele tenha considerado a 
maconha em forma de rapé, o que pode ter conhecido em sua adolescência. Porém, isso não se vê mais.
 - “Fuzilado” – diga morto a tiros, morto com três tiros, não é necessário sensacionalismo, deixe esse 
termo para casos extremos, para quando for enviado para cobertura de guerras em Bangladesh.
 - "Manteve contato” – linguagem muito burocrática – manter contato seria ato contínuo, mas ninguém 
faz contato e fica em contato – prefira fazer contato, contatar. Seria adequado, por exemplo, em 
“manter contato com os amigos de infância” – que remete à relação de freqüência.
 - “Na conversa que manteve” – muito arcaica a expressão, prefira uma outra construção de frase, ou 
apenas “na conversa”, se houve conversa, ele teve uma conversa – não precisa ser redundante.
 - “O golpe mais fatal” – diga o golpe que matou, que teria matado, que provavelmente matou, etc.
 - “Um cara em quem ele deu um tiro” – isso é linguagem para mesa de botequim, não para reportagem.
 - “Aqui a bicicleta em que Jonas deu a última pedalada” – Legenda, nada se aproveita, não é preciso 
dizer aqui, pois legenda mostra o que está na foto, obviamente. E “deu a última pedalada”? Vá a PQP!
 - “Placa KLG-7865” – assim mesmo, sempre no singular, placa é como o RG do carro, tem de ser 
usado no singular. É a identificação do carro, tanto que nos documentos de veículos, ela está no 
singular.
 - “Chegado a uma cervejinha” – isso é linguagem para mesa de bar, não para o jornalismo.
 - “Do extinto” – para se referir a pessoa falecida ou morta, é uma aberração.
 - “Passou mal” – isso é coisa de empregada doméstica desatenta, sentiu-se mal é mais adequado.
 - “Concluiu com êxito a missão macabra” – burocracia e poesia juntas em uma expressão da pior 
espécie.
 - “Não declinou o nome” – muito literário/arcaico – prefira não disse o nome, não informou o nome, 
não revelou o nome, não identificou.
 - “Notícia do infortúnio” – muito literário, dá tom novelesco, isso não é adequado para o jornalismo – 
seja direto, diga notícia da morte.
 - “As pernas inchadas e feridas denunciam o sacerdócio de Lindalva” – outra legenda da pior espécie. 
Jamais cometa essa vergonha, sacerdócio é o ministério do sacerdote – aqui, além de estar usando uma 
linguagem literária e figurativa, o que não faz parte do jornalismo, ainda está mudando o sentido da 
palavra.
 - “arriou depois de comer um prosaico cachorro-quente” – acredita que tiveram coragem de pôr isto 
como legenda num jornal? Pois ainda foi num diário de Belém, Capital do Pará.
 - “Que dista 300 km de Marabá” – linguagem muito burocrática, use ‘a 300 quilômetros de Marabá’.
 - “Facínoras” – acontece de ser usado para se referir a suspeitos/acusados, não faça, jamais, muito 
novelesco; sem contar que os pseudovalentões só usam essa linguagem contra ladrões de galinhas. 
 - “Domingo atrasado” – muito literário, prefira no último domingo, no domingo anterior; até “domingo 
passado”, mas o melhor mesmo seria apenas domingo.
 - “Fulminante ataque cardíaco” – evite sempre os adjetivos, mais ainda em ordem inversa ou indireta 
como aqui. 
 - "surto psicológico" - não existe - o correto é "surto psicótico".
 - “Logrou êxito/obter êxito” – é dos piores jargões policialescos, não use em hipótese nenhuma.
 - “No que concerne a...”; “mais emblemático”; “oportunizar”; “constam de” – burocrático demais, 
parece documento de repartição pública.
 - “Nas cercanias da...”/ “os ancestrais que já se foram”– é para rir?
 - “O sinistro” – além de ser um chavão horrível, não significa nada; acontece de ser usado em matéria 
sobre incêndio.
 - “Os chamados clandestinos” – são ou não são clandestinos? Seja claro.
 - “Acender o alerta vermelho” – péssimo em todos os sentidos.
 - “Alessandro Nunes, 31 anos de idade” – o óbvio é que o tanto de anos que se segue ao nome de uma
pessoa seja a idade, não precisa dizer.
 - “Veículo atropelador” – veículo não é responsável pelo atropelamento, para ser o veículo 
atropelador.


 - Parágrafo de frase única – Parágrafo: unidade de texto assinalada pela mudança de linha e pelo 
recolhido; cuja função é a de indicar serem as frases nela contidas o desenvolvimento de uma idéia, 
estando mais intimamente relacionadas entre si do que com as demais frases do texto. Um bom 
parágrafo funciona como um texto em miniatura – três frases é o ideal, mas duas já são aceitáveis – 
mais que três podem gerar confusão. E uma boa reportagem factual raramente necessita de mais que 
quatro ou cinco parágrafos.
 - Jamais dirá estadia para se referir à permanência de uma pessoa nalgum lugar – estadia é para o 
tempo do navio no cais; pessoa tem estada.
 - Jamais faça do texto uma continuação do título.
 - Evite nomes científicos – cannabis ativa – a menos que esteja escrevendo uma matéria sobre ciência, 
preferencialmente numa revista científica. Até porque não é a única espécie de cannabis de que se pode 
fazer a maconha.
 - Jamais inicie título, legenda, olho, janela ou fio com artigo – a menos que seja citação e por isso entre 
aspas.
 - Jamais expressão de repartição pública: “hac-doc”, “congêneres”, “autoridades públicas”, “modus 
operandi” - repartições públicas são célebres pela demora, enrolação e são quase sinônimos de coisa 
velha, atrasada - tudo que vai contra o jornalismo. 
 - Jamais sinal de dois-pontos mais de uma vez na mesma frase. O ideal é nunca.
 - Expressões popularescas – jamais “chamado às falas”, “farreava”, “por ironia do destino”, “põe a 
boca no mundo”, “esticar a noite”, “nada mais, nada menos”, "o delegado ficou de ouvir" 
(ouvirá/deverá ouvir), o acusado "armou o barraco".
 - Palavras de baixo calão, jamais.
 - Texto de escrivão de polícia – como os de BOs (BO – é aceitável sem pontos adiante das letras, 
embora abreviaturas peçam os pontos, que são desnecessários para siglas) – jamais “meliante”, 
“menor”, “menor de idade” (se é criança, fale criança; se é bebê, adolescente, fale 
isso), “comparsa”;
 “saíram no encalço” – já é errado gramaticalmente, pois seria saíram ao encalço – 
mas é uma 
expressão inadequada – perseguiram é mais claro. “Mantiveram relação”. “Conviveu/viveu 
maritalmente”. 
“Aplicou duas facadas nas costas” – o que se aplica é injeção, não é facada. “Fugiram 
para local ignorado”
– se não fosse ignorado, você diria para onde e teria grande chance de não serem 
mais fugitivos
 – ou estaria fazendo uma matéria sobre o fato de ser conhecido o paradeiro dos criminosos e a polícia não
os prender. “Como era chamada na intimidade” – parece que está falando 
sobre a hora em
que a pessoa vai transar. “Vindo a falecer” – seja claro, diga morreu. “Transfixando-
lhe” – isso
é um palavrão – atravessou o tórax da vítima, seria muito mais inteligível. “Empreenderam 
fuga” – fugiram.
“Estava de cara limpa” – desarmado? “Desafeto”. “Algoz”. “Protagonista” – como personagem 
de crime, não use, deixe isso para a editoria de cultura falar das novelas. “Órfã de mãe”, “motivo fútil”
 - morto por motivo fútil, há algo que justifique um assassinato? “Conseguir êxito na busca”. 
“Foi a óbito”, “acabou em óbito” – morreu. “Sofreu atropelamento” – foi atropelado. “Morreu assassinado”
 – diga foi assassinado, pois se foi assim, se sabe obviamente que morreu – ou alguém vive assassinado?
 - JAMAIS escreverá em primeira pessoa numa reportagem, seja do singular ou do plural – “a polícia 
deveria nos proteger” – além de estar opinando aqui, e não informando, é preciso entender o básico: 
repórter nunca será personagem para se incluir na matéria – a menos que seja de vivência. “Aqui 
pertinho” – o repórter não existe, também não existe lugar onde ele esteja para poder dizer aqui ­– sem 
contar que aqui é onde o jornal é lido, e com certeza isso não será apenas no mesmo lugar em que foi 
escrito.
 - Jamais "culminou na prisão" – o verbo culminou é intransitivo (tem a idéia completa em si) – 
culminar, é chegar ao ponto máximo – No ano de 2007, culminou o desejo de independência do Estado 
dos Carajás/A luta culminou com a divisão do Pará (quando escrever culminou, pense a frase como se 
estivesse colocando chegou ao ponto máximo, e saberá como continuar). Mas evite, esse verbo leva a 
uma expressão muito burocrática.
 - Repetição de verbo na mesma frase – evite no mesmo parágrafo e, se puder, até mesmo no texto, 
quando muito curto.
 - Jamais superlativos – supervalorizam ou menosprezam demais qualquer coisa – importantíssima – e 
como tudo que é exagerado, não demonstram seriedade.
 - “Carro tipo gol” – carro tem modelo, não tipo – um veículo Volkswagem, modelo Gol, de cor azul, 
placa JUU-6878 – ou diga logo um Gol, azul, placa JUU-6878. Tipo de carro é apenas utilitário, de 
passeio, de cargas, etc. 
- "Nego Robson também estava na festa. Ainda de acordo com ele, o acusado saiu do bar irritado, pois 
tinha brigado com a mãe dele" - há de se tomar cuidado quanto à ordem das palavras, ao contrário da 
matemática, a ordem dos fatores altera o resultado - aqui é o bar que está irritado, não o acusado. E a 
mãe é de quem, do Robson, do acusado ou do bar?
 - "No Instituto Médico Legal, ficou realmente constatado que a vítima foi morta com cinco tiros, dois 
deles atingiram o tórax, outro o braço direito, mais o nariz e o último o ouvido" - se ficou constatado, 
foi realmente. E o correto é Médico-Legal.
 - "O investigador informou também que Kennedi portava três projéteis intactos de revólver calibre 
38" - o que o cara portava, se eram intactas, eram as balas, as cápsulas, pois projétil é, como o termo já 
diz, apenas a parte da munição que é projetada quando se efetua o disparo.
 - Milionário – refere-se a milhões, não a milhares/prêmios somados de até R$ 999.999,99 não são 
milionários.
 - “final de semana” – errado – o correto é fim de semana/fim do mês
 - “Pelo menos de um ano” – sem o de – a idéia é “no mínimo” um ano.
 - “A maioria das frutas continua escassas...” – preferencialmente conjugue o verbo em concordância 
com 'maioria', singular, e os adjetivos também.
 - “Moradores do Bairro Guanabara, na sede de Parauapebas, a 189 quilômetros de Marabá, estão...” – 
diga só o nome da cidade – falar da sede do município só em casos muito específicos.
 - “A droga apreendida consiste de merla e maconha” – seria preferível consiste em, mas esta 
construção de frase é um tanto burocrática – diga foram apreendidos merla e maconha.
 - “O boi reprodutor de sêmen” – o touro reproduz-se, sêmen ele produz, assim, é produtor – já o boi não 
faz isso, boi é capado.
 - “Prepotência genética” – potência genética, prepotência é arrogância/despotismo.
 - “Enquanto era consultado pelo médico” – se assim fosse, o médico estaria buscando respostas para 
seus problemas junto ao paciente. O paciente consulta o médico (pede opinião, parecer, orientação) – o 
correto é ‘Enquanto consultava o médico’ ou ‘Enquanto era examinado pelo médico’, se for o caso.
 - “Foi morto com uma facada na madrugada...” – o assassino esfaqueou a madrugada e um homem 
morreu? A madrugada que deveria ter morrido, ela que levou a facada – Seria mais claro empregar a 
vírgula - fulano foi morto, na madrugada de ontem, com três facadas no tórax.
 - “Alimentava esperança” – apenas animal pode ser alimentado, fuja de sentenças poéticas/literárias – 
esperança a gente possui.
 - “Apanhou um mototáxi” – fica muito popular, seria melhor buscar outra construção de frase – 
Chegou ao local em um mototáxi.
 - “Nutria ciúmes” – o que se nutre é planta, animal – ciúme a gente possui, tem, sente ciúme (no 
singular). Mesmo erro de “nutria uma paixão doentia”.
 - “A presença de exuberantes mulheres e animais de raça” – além do adjetivo, que empobrece o texto, 
pôs mulheres e animais no mesmo patamar.
 - “Curso de manuseio de alimentos e atestado de saúde para o pessoal que milita nesse setor” – militar 
é verbo mais adequado para causa social, partido, luta política – onde caiba classificar o sujeito de 
militante – trabalhador trabalha, muitas vezes o óbvio dá a melhor saída. E pessoal não é um termo 
indicado.
 - “Manter reunião no Procon” – muito burocrático, seria mais adequado “realizar, promover, participar 
de reunião”.
 – “Polícia pega acusados” – polícia captura, prende, detém, etc.
 - “A mesma/o mesmo” – elimine de seu vocabulário, isso é para os funcionários dados à burocracia.
 - Chavões – empobrecem o texto: “ou seja”, “por sua vez”, “atualmente”, “o qual”, “como sendo”, 
“geralmente”, “nos dias de hoje”, “antigamente”, “algo em torno de”/ “giraram em torno de”.
 - Expressões arcaicas ou burocráticas - “em seu bojo”, “não se fia”, “em espécie” (R$ 150 mil em 
cédulas de alto valor/em cédulas de baixo valor/em cédulas/em dinheiro – pode ser melhor e dar uma 
informação mais completa), “em março do corrente ano” (diga logo o ano, ou não diga nada, se for 
deste ano), “uma vez que”, “no último dia 25”, “no que tange à” (se fosse usar, seria com crase), “em 
verdade” (deixe para os pregadores), “feitos os procedimentos médicos” (diga logo quais), “teve de se 
ausentar”, “por via rodoviária”, “via crucis”, “causa mortis”, “economiário” (diga logo funcionário da 
CEF, pare de preciosismo, até porque a maioria da população nunca usou esta palavra). ”Ao final do 
lazer” – prefira ao sair da praia/ao deixar a festa – seja específico, ficará melhor e mais objetiva a frase.
 - Em título, legenda, olho, janela ou fio, não use verbo no passado – a menos que seja citação, 
dificilmente se justifica.
 - Verbo no pretérito mais que perfeito – saíra, fora, colocara, entendera, marcara (dá ar de coisa antiga 
para o seu texto).
 - Jargões – “patrulheiro” – não é muito específico, patrulheiro pode ser qualquer um que faça patrulha 
– trate policial rodoviário estadual/policial rodoviário federal como tal.
 - Expressão popular – brabo.
 - Frases muito curtas ou longas demais – as primeiras quase nunca têm sentido completo e se não 
forem muito bem empregadas podem comprometer o texto; as segundas tornam-se muito confusas. 

Evite

 
- “Mesmo assim” – “no entanto” – evite sempre que puder, são jargões.
- “Uma certa quantidade de...” – procure a informação completa, diga quanto, senão terá de informar 
porque não pode dizer a quantia exata.
- “Talvez” - “provavelmente” – evite levantar hipóteses, principalmente em pauta de polícia, que é 
assunto muito sério para você arcar com suposições. Diga quem acha isso, a menos que seja muito 
óbvio; porém, se é muito óbvio, é bem provável que você não precise dizer.
- “Veículos engavetam em horário de pico na Transamazônica” – uso inadequado do verbo, neste caso 
o verbo é pronominal – veículos engavetam-se... Mas o melhor seria buscar outra estrutura de frase – 
Engavetamento envolve cinco veículos – talvez.
- “Mulher”, como sinônimo de esposa – é muito popular, evite.
- Adjetivos – fuja deles, expressam opiniões e julgamentos pessoais e reportagem não é para isso.
- Uso de dois-pontos – muitas vezes, quando esse sinal aparece, ou era hora de começar outra frase, ou 
ele é dispensável.
- “Vítima de disparo de arma de fogo” – se possível, diga Fulano foi morto com um tiro de revólver 
calibre 38, você já diz que foi por arma de fogo e já informa qual a arma, economiza uma segunda 
frase.
- Locuções – elas são mais adequadas para a mídia falada, Rádio, TV. No jornal, empobrece o texto – 
“vai ouvir”= ouvirá, “esteve fazendo análise”=analisou.
- CACOFONIA – é mais prejudicial para a mídia falada, ocorre com repetição de palavras com mesmo 
radical, sufixo ou prefixo, mas também trunca a leitura – A marcha marcou... Trava a leitura, 
desconcentra, é onde se perde leitor também – “Presente, o presidente presidiu a sessão”. “E na 
tentativa de evitar a colisão, ele tentou desviar...” (além de cacofônico, é redundante) – Para evitar a 
colisão, ele tentou desviar – ou ele tentou desviar, mas não conseguiu evitar a colisão. “A sessão foi 
presidida pelo presidente” – conduzida, seria melhor. “...nenhum dos dois aceitou gravar entrevista 
formal, apenas informaram que a administração municipal...” – “entrevista formal” é de amargar.
- Sinais de pontuação seguidos – se não for para demarcar as citações, ou siglas e abreviaturas, é 
provável que se trata de uso incorreto.

Economize

- Advérbio de modo (tardiamente, veementemente, rotineiramente – todas as palavras derivadas 
terminadas em mente).
- Vírgula e preposição – se usar demais, é porque a frase está confusa e muito longa. Exemplo: “...já 
fazia ameaças de que se não viesse...” – observe, duas preposições e uma conjunção seguidas 
antecedendo um advérbio, de + que + se + não; não há texto que sobreviva a isso.
- Pronomes, em especial os indefinidos – uma, um, algum, alguma, alguém, ninguém. Dela – se você 
está falando de uma vítima, não precisa ficar dizendo o pai dela, a casa dela, a mãe dela, o irmão dela, o 
emprego dela – tem texto que tem mais dela/dele do que informação que o valha.
- Gerúndio (tornam as frases longas demais, tiram a clareza do texto e muitas vezes, quando são usados, 
é porque ali deveria ser iniciada uma nova frase).

Siglas

- Até três letras, todas em caixa alta – SPC, TCU, TCE.
- Se formarem palavra, inicial em caixa alta – Embrapa, Incra, Empaer. A menos que cada letra 
signifique uma palavra do nome por extenso, ignorando-se as preposições – ACINA (Associação 
Comercial e Industrial de Nova Andradina).
- Coloque a sigla seguida por nome em extenso entre parênteses, na primeira vez em que é citada; 
depois, apenas a sigla: CMM (Câmara Municipal de Marabá).
- Para as muito conhecidas ou de uso corriqueiro, basta usar o nome por extenso na primeira vez, 
depois apenas a sigla; desde que não haja outra instituição que use a mesma sigla. 
- Exemplo: primeiro, apenas Polícia Militar, sem a sigla – depois, ao longo do texto, apenas a sigla - 
PM. 
- Isto vale também para as páginas especiais, em que todas as matérias são relacionadas. Faça as 
identificações das siglas apenas na matéria principal, nas secundárias não é necessário repetir os nomes 
por extenso.

Preste muita atenção:

Sindicalista é aquele que compõe a diretoria da entidade trabalhista, membro dela é sindicalizado. Profissionais que prestam serviço ao sindicato não são sindicalistas, nem da categoria, nem sindicalizado, por este simples fato.

Cuidado

Com o tempo de suas matérias – para não pôr ontem, como se fosse quarta-feira, numa matéria que será publicada na edição que circula na sexta-feira. Prefira usar o mesmo tempo verbal em suas frases, nas que não são citação. Por exemplo, o primeiro entrevistado diz, o segundo fala, o terceiro conta – e não o primeiro disse, o segundo fala, o terceiro contou.

DIAS DA SEMANA

Segunda-feira até sexta-feira, sempre com “feira” – é o nome do dia, então não vamos chamar pelo apelido, assim como não chamaria um Luisvaldo entrevistado por Lu.

Políticos

Sempre que se citar na editoria de Política um político em atuação, deve ser informado na primeira vez o partido dele entre parênteses e se não estiver filiado também – Simão Jatene (PSDB), Vanda Aguiar (sem partido). Nas demais editorias isso é supérfluo.

Horas

- Sempre por extenso as horas completas – 12 horas, 23 horas.
- Abreviadas as horas quebradas – 17h34, 12h23.
- Após as 18 horas, até as 23 horas – não há crase, pois a preposição (após, até) não está unida ao 
artigo.
- Jamais “da manhã”, “da tarde”, “da noite”, “da madrugada”. Horas vão de zero a 24 horas e são todas 
do dia.

Idade

Leandro Lima, 23 anos.

O adolescente A.M.S., 16 anos. (Não use nem as siglas – Um adolescente de 16 anos...)

Evite expressões vagas

Realizaram-se seminários “sobre assuntos variados” – seria melhor dar alguns exemplos dos temas, ou de um tema central.