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Minha paixão por cinema foi despertada cedo, com sete/oito anos, vendo filmes da Disney e dos Trapalhões. Minha mãe conta que o primeiro filme que me comoveu foi Pinóquio, quando eu tinha três anos. Fiquei desesperada quando ele se perdeu de seu pai de criação, Gepetto, e ela teve que me retirar no meio da sessão porque eu chorava muito, atrapalhando os demais espectadores. Mas aguardamos do lado de fora para eu entrar no final e saber que tudo acabava bem.

Depois, com nove anos, já tinha visto alguns clássicos do cinema que passavam na televisão em horário nobre, como Bonnie e Clyde, Uma Rajada de Balas e O Poderoso Chefão - Parte 1. Como meus pais também adoravam a arte cinematográfica, eles me deixavam ficar vendo filmes até mais tarde.

Resultado: aos 14 anos já sabia o que queria estudar na universidade, Cinema. Acabei cursando Jornalismo também e percebi que preferia escrever sobre o cinema a fazer cinema.

Fui descobrir de verdade o cinema brasileiro durante o meu período na Fundação Armando Álvares Penteado, mais conhecida pela sigla FAAP, e na PUC de São Paulo. Acabei me interessando pelo cinema brasiliense somente quando voltei à minha cidade natal, Brasília, em 1998.

Nestes cinco anos, me surpreendi com a quantidade de cineastas que a cidade tem e, principalmente, com a qualidade dos filmes produzidos aqui, que sempre passam nos festivais de cinema do país recebendo prêmios e elogios.

Fiquei curiosa em saber como Brasília se tornou o quarto pólo produtor de cinbema do Brasil, atrás somente do Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, e percebi que para obter essas e outras informações, eu precisava ir atrás das "fontes", os cineastas. Foi o que fiz.

Desse trabalho, nasceu este livro (Cineastas de Brasília), que, espero, acrescente dados a quem já conhece o cinema brasiliense, e desperte o interesse daqueles que ainda não foram apresentados a ele em conhecê-lo.


Raquel Maranhão Sá teve passagens como repórter free-lancer pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, as revistas Elle e Guia Para Fazer o Bem - edição especial da Veja, ONG Missão Criança e site Candango. Foi colunista de cinema e vídeo da revista brasiliense Tablado e atualmente assina coluna semelhante na revista Se7e, também produzida em Brasília.

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Raquel Sá - 2004