
Livro: Cineastas de Brasília
Autora: Raquel Maranhão
Sá
Raquel
Sá vem complementar o trabalho de sistematizar a história
do cinema em Brasília, iniciada por Vladimir Carvalho
no livro Cinema Candango - Matéria de Jornal (Edições
Cinememória, 2002). São mais de quatro décadas
para um número de filmes que, se não chega a
ser proporcional, já configura uma produção
considerável - e coloca Brasília entre os maiores
pólos cinematográficos do país. Basta
isso para justificar o levantamento desse trabalho, que reuniu
entrevistas com 51 nomes ligados ao cinema brasiliense.
Dizer que o livro vem preencher uma lacuna na literatura
cinematográfica brasileira pode parecer lugar-comum,
mas não é exagero, pois, por meio de entrevistas
minuciosas, oferece um painel sobre o modo como o cinema é
pensado e praticado fora do eixo Rio-São Paulo. Descentralizar
é preciso.
Em Cineastas de Brasília, o leitor encontra depoimentos
de diretores que se radicaram em Brasília e de outros
que aqui nasceram, se radicaram ou foram criados. Há
também a presença de nomes que contribuíram
à formação de cineastas, no pioneiro
e efêmero curso da Universidade de Brasília,
como Maurice Capovilla (que não chegou a filmar na
capital) e
Jean-Claude Bernardet, espécie de discípulo
de Paulo Emílio Salles Gomes, co-roteirista do documentário
Brasília, Contradições de uma Cidade
Nova, de Joaquim Pedro de Andrade.
Há, por outro lado, o caso de jovens forasteiros
que começaram a estudar Cinema na UnB e tiveram que
concluir o curso fora daqui. É o caso de Tizuka Yamasaki,
que rodou parte do docudrama Patriamada na cidade e costuma
dizer que sua vida se divide em antes e depois de Brasília,
onde ela descobriu o Brasil. Numa das melhores entrevistas
do livro, por sinal, Tizuka descreve bem o que era a vida
na Brasília dos anos de chumbo.
Pode-se considerar a prática cinematográfica
ainda incipiente numa cidade em que, apesar de novos diretores
pipocarem, e da vistosa vitrine do Festival de Brasília,
o chamado Pólo de Cinema e Vídeo é pouco
mais que uma ficção mal-encenada.
O cinema digital, que vem facilitando o acesso aos meios
de produção em todo o planeta, começa
a se impor. E o que tantos veteranos que se recusavam a fazer
- filmar a vida e personagens da cidade em ficção,
em vez de buscar locações em outros estados
- novas gerações prometem suprir, a começar
por Subterrâneos, o primeiro (e aguardado) longa-metragem
de José Eduardo Belmonte.
Trata-se, ainda, de um cinema em busca de identidade, que
ainda tateia para firmar-se como expressão de uma cidade-síntese
da cultura brasileira e da sua própria cultura - caminho
que Fala Brasília, seminal e pioneiro ensaio documental
de Nelson Pereira dos Santos, já apontava, em 1966.
Outro mérito do livro é dar voz aos criadores
para que confessem, por exemplo, não ter interesse
em Brasília como tema (Geraldo Moraes) ou que acham
a cidade difícil de ser filmada (Pedro Jorge de Castro).
Sergio Bazi
Cineastas de Brasília
Autora: Raquel Maranhão Sá
Editora: Raquel Maranhão Sá
Idioma: Português
Edição: 2003
Formato: 21,6 x 27,5 x 1,9 (largura x altura x espessura)
Número de páginas: 330
ISBN 8590421112 |
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