Outra História do Zé
Zé quando era rapazinho morava numa cidade pequena do interior.Quando precisava cortar os cabelos, ficava admirado com a habilidade do profissional. Aquilo até que parecia tão fácil..., bastava segurar com uma das mãos um pouco de cabelo, com a outra empunhar uma tesoura e... zapt cortar.
Pelo menos é assim que pensava o nosso empolgado amigo.
Certa vez, foi ao barbeiro. Era mais ou menos onze horas, quase hora do almoço.
Após cortar o cabelo, o barbeiro Tancredo, pediu ao Zé, para olhar a barbearia enquanto ele ia almoçar rapidinho.
Claro Zé adorou a idéia e aceitou prontamente.
O barbeiro Tancredo montou seu cavalo que estava na frente da barbearia ao lado do cavalo do Zé e saiu calmamente em direção à sua casa para almoçar.
Zé olhou ao redor e ficou maravilhado. Olhando no espelho pensou:
_Vou vestir o Jaleco e me sentir um verdadeiro profissional.
E assim fez.
Cabelo cortado, Jaleco vestido, se sentiu o maior profissional do mundo.
De repente, surgiu em um vistoso cavalo branco. Era o coronel Fagundes.
De vasta cabeleira grisalha e belas ondas largas, apeou de seu cavalo que prende no local adequado e entrou barbearia adentro.
Vendo o Zé de Jaleco perguntou:
_ É você agora que está cortando cabelos? Cadê o Tancredo? Foi almoçar ?
_Sim!. Respondeu Zé.
_Mas como fiz um curso na cidade grande ele me deixou aqui para atender qualquer cliente que viesse a aparecer!. Tenho um curso de especialização!.
Diante de tais afirmações e com um pouco de pressa, o coronel então pediu para que o Zé cortasse seu cabelo, pedindo apenas que aparasse as pontas, abaixando apenas o volume do cabelo.
Zé então, pediu que o coronel se sentasse na cadeira mais próxima da janela, justificando que aquela era mais próxima da luz do dia ( e também longe dos espelhos ).
Pega daqui..., pega dali... e zapt, pega dali..., pega daqui... e zapt, mais um tufo de cabelo, aleijando a estética da bela cabeleira.
Zé sem saber o que fazer, sugeriu:
_Coronel, fiz muitos cursos na cidade grande. O senhor com o cabelo cortado tipo militar, ficaria com a figura de um guerreiro, homem forte e decidido, como um verdadeiro militar, triunfante e aguerrido, eu proponho que o senhor se transforme neste homem de força e lutador.
Diante de tais palavras e de tantos cursos de atualização, o coronel concordou com a proposta de Zé.
Zé então pegou aquela maquininha que todos já conhecem, e das várias laminas colocou a zero (mais rente) passando no lado esquerdo da cabeleira do coronel deixando aquele lado... praticamente careca.
Fez a mesma coisa do lado direito..., e também atrás.
Acontece que do lado direito ficou mais alto do que do lado esquerdo.
Zé tentou concertar e ao contrario o lado esquerdo ficou mais alto do que o direito.
E assim, Zé foi desbastando o cabelo deixando o coronel com aquela aparência de molequinhos de orfanatos, ou seja totalmente careca com um pequeno topete na frente da cabeça.
Vendo a merda que tinha feito, falou:
_Agora o Sr. aguarde um instante que vou buscar para aplicação, um produto que mandei vir da Europa para melhorar a saúde dos seus cabelos
Em seguida pegou o seu cavalo dizendo:
_ Volto logo! E saiu em disparado galope.
Aliás, esta foi a última vez que se viu Zé por aquelas redondezas.Foi a época que Zé foi morar definitivamente na cidade.
O coronel não se dispôs a esperar, afinal, estava com um pouco de pressa.
Montou seu cavalo, colocou se chapéu que sentiu um pouco mais largo na cabeça, e ao passar por duas senhoras sérias e discretas, num comprimento respeitoso, tirou o chapéu e curvando a cabeça disse:
_Batarde senhoras!.
As senhoras, perderam a pose, quase se urinando de rir e numa estrondosa gargalhada apontavam para a cabeça do coronel, que em seguida reuniu a rapaziada para procurar o Zé em toda a redondeza, o que aconteceu durante dias, só não o encontrando por sua fuga definitiva da região.
Uma coisa temos que aprender. “Cada um na sua, cada macaco no seu galho”, pelo menos o Zé deve ter aprendido.
Cesar Freitas