COMO DESVENDAR NOSSO DESTINO?


Se refletirmos sobre o sentido da vida, logo perceberemos que se trata da discussão mais antiga da humanidade. O debate se torna polêmico ao falarmos de um destino estabelecido, gerando todo um componente místico sobre o assunto. Gostaria nesse estudo de enfocar os aspectos psíquicos do tema, abstraindo por completo qualquer aspecto de natureza religiosa; pois caso contrário, estaria preso numa única corrente de pensamento.

O fato é que nenhum ser humano escapa de refletir sobre suas metas ou o sentido que outorga à sua existência, e caso esse processo não seja efetuado, sobrará tão somente um imenso vazio pessoal e existencial. Em nossa realidade social marcada principalmente pela competição econômica, qualquer menção a palavra destino é imediatamente relacionada ao poder, status e prestígio social;sendo que a pessoa que não obter tais metas nem pode ousar tentar traçar seu rumo, devendo se resignar com todo o tipo de carências pessoais e sociais.

Apesar dessa exclusão forçada por determinados modelos impostos, gostaria de ressaltar a primeira conclusão acerca deste estudo sobre o destino:"Todas as nossas amizades, relações pessoais ou profissionais, parceiros afetivos, são nada mais do que o espelho de nossa alma e meta de vida que estamos atraindo e buscando". Nunca foi necessário qualquer método bizarro de análise pessoal para desvendarmos nossos rumos, basta olharmos ao nosso redor que encontraremos quase que todas as respostas para nossos acontecimentos e eventos que cercam nossas vidas. Talvez para algumas pessoas seja difícil tal percepção, em virtude de uma tendência para a vitimização e autocomiseração. Há uma norma em quase toda a psicologia, de se buscar explicações no longínquo em detrimento da proximidade do sujeito.

Quase sempre estamos reproduzindo no âmbito pessoal elementos da esfera coletiva. Qualquer escola de psicologia cometerá um gravíssimo erro, ao tentar desvendar o sentido da vida de um indivíduo sem levar em consideração determinados eventos sociais que afetam a personalidade. A única coisa nova que pode surgir em nossa sociedade é a não reprodução do jogo da exploração social à que todos estão submetidos, causando toda a miserabilidade afetiva de nossa era. É dever do psicólogo reunir todas as imagens contidas no psiquismo do paciente, que nada mais são do que o reflexo de toda a sua relação social;e que papel ocupam em ditas relações:superioridade, inferioridade, inveja, ambição ou necessidade de compartilhar.

A própria criatividade é a prova máxima da divisão de alguma riqueza interior, que se coloca a disposição de outras pessoas, causando uma sensação de redenção ao criador da obra, pois a essência de toda a arte é a transformação do sofrimento individual em uma mensagem de esperança e perseverança para alguém que ainda não conseguiu enxergar as coisas de uma maneira profunda e introspectiva. Voltando a temática de como nossos relacionamentos expõe nosso destino, gostaria de citar um exemplo ocorrido em terapia.

O paciente tinha cerca de quarenta anos e sua problemática girava em torno da extrema timidez e solidão. Sabotava qualquer tipo de contato social, seja no ambiente de trabalho ou nas relações pessoais. O fato que me chamava bastante atenção era sua pontualidade e comparecimento constante à terapia, já que este tipo de paciente costuma fugir de qualquer tarefa social. Determinado dia o paciente me contou que havia recebido um telefonema de uma pessoa que não conhecia,e embora fosse uma ligação por engano, a pessoa que lhe telefonou começou a contar detalhes extremamente pessoais;como a perda do marido, a doença do pai, sua extrema carência sexual dentre outros. A conversa se desenrolou por horas, sendo que o paciente anotou o telefone da pessoa para em outra ocasião continuar o diálogo.

Após alguns dias quando retornou a ligação, descobriu através de outra pessoa que realmente havia alguém com tal nome naquele número, mas havia falecido acerca de dois anos. Quando o paciente acabou de contar dito relato, não me senti inclinado a uma percepção metafísica do fato, mas tive uma sensação extremamente forte de que o mesmo havia conversado consigo mesmo acerca de seu futuro;sendo que naquele momento se projetou toda uma cena de como seria a vida do mesmo num futuro próximo;já que a mulher era mais velha e tinha um histórico incrivelmente similar ao do paciente. Quando relatei minha percepção o mesmo entrou em estado de choque, pois foi capaz de visualizar que todas as pessoas que conheceu, representavam pedaços de sua personalidade que nunca tinham sido conscientizados pelo mesmo;sendo que havia sempre uma tendência para reviver tais experiências ou encontrar o mesmo tipo de pessoas que conhecera no passado.

FREUD chamou esse processo de "compulsão à repetição"; que denominava como uma carga neurótica que o sujeito carregava e sempre se repetia até elaborar tal conteúdo reprimido. CARL GUSTAV JUNG, um dos primeiros psicólogos a romper com as teorias de FREUD, deu o nome de "sincronicidade" para tal processo, e este seria definido como uma série de eventos similares que não tem uma relação prévia de causa e efeito, mas que possuem uma relação no psiquismo coletivo da humanidade. Assim sendo, esse psiquismo citado funcionaria como uma espécie de antena que captaria vivências similares em pessoas desconhecidas, que tem relação com as experiências vividas pelo sujeito. Nossas relações sociais expõem constantemente elementos inacabados de nossas vivências pretéritas, e é nesse ponto que surgem os maiores problemas de relacionamento.

Se pensarmos na questão do casamento ou relação afetiva, teremos a prova do descrito acima. Alguém que lide com casais por determinado tempo, logo descobrirá que cada parceiro é uma espécie de terapeuta forçado para o outro, revelando todos os pontos cegos da pessoa. Quando uma esposa se queixa da ausência do marido por exemplo, sempre por detrás desse real e infeliz acontecimento, surge a urgente necessidade de maior independência, crescimento e autonomia da mulher, embora a mesma só consiga visualizar sua necessidade e carência sentida na relação. Um relacionamento do tipo descrito sempre será um constante foco de tensão e atrito, pois ambos diariamente revelarão o que está subdesenvolvido em seu parceiro.

A reflexão central sobre este assunto é se estamos ou não preparados de fato para desfrutar do imenso gozo e prazer de uma relação, ou se a mesma permanecerá uma eterna terapia incompleta de nossos sonhos perdidos. Obviamente deveria ser um prazer ter alguém que nos mostre o que nos falta, mas como fomos treinados para a competição, total individualismo e orgulho, acabamos por recusar tal dádiva. Se pretendermos realmente desvendarmos nossos destinos, temos de refletir sobre quais as emoções que mais orbitaram em nossas vidas: raiva, carência, mágoa, rejeição, amor, segurança, confiança dentre outras. A somatória das mesmas será a pista mais fiel sobre nosso futuro pessoal e profissional.

A análise do tipo de pessoas que nos cercam, como foi descrito anteriormente é um elemento extremamente confiável para averiguarmos a essência de nossa alma que tantas vezes temos receio de enxergar. O fato é que a maioria dos seres humanos de nossa época preferem se confrontar com todo o tipo de emoções negativas e relacionamentos medíocres; evitando a dor profunda da solidão, que aliada ao vazio de nossa época se torna insuportável. A solidão revela ainda toda a fragilidade de um ser humano desamparado e o remete diretamente ao mais aterrorizante de todos os dilemas, a morte, pois tentamos a negação da mesma por todas as vias possíveis, negando todo o processo da natureza, como se fosse possível nos separarmos desta última.

Como já foi dito milhares de vezes, quem teme a morte em última instância teme a vida. O medo da análise de nossa própria personalidade é a tentativa desesperada para não rompermos situações ou relações que nos causam imenso sofrimento. O apego é o elemento mais destrutivo e corrosivo da natureza humana, criando no indivíduo uma existência fictícia, o inferiorizando para lidar de modo direto com o princípio da realidade. O apego é uma tentativa absolutamente neurótica da negação da morte em todos os sentidos, e se a pessoa construiu uma idéia totalmente irreal de que as coisas jamais deverão se extinguir, a conseqüência lógica é o total descompromisso com o desenvolvimento e mudança;pois se há a ficção da eternidade, o resultado só pode ser uma acomodação mórbida no sofrimento diário vivido pela pessoa.

Enfim, deveríamos refletir sobre o quanto estamos dispostos a investir na mudança, se seremos sujeitos passivos de determinadas emoções arraigadas, ou se estamos dispostos a conduzir nossas vidas para um rumo extremamente diferente do que estamos acostumados a sentir diariamente. A coragem está totalmente ligada à percepção e vontade.

"NÃO TEMA A TERAPIA, POIS A MESMA TEM COMO ÚNICO OBJETIVO A RETOMADA DO PRAZER E SATISFAÇÃO".

DÚVIDAS E ANÁLISE DE CASOS, APENAS PESSOALMENTE E EM CONSULTA PSICOLÓGICA.
ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO- PSICÓLOGO C.R.P. 31345/1 END. RUA ENGENHEIRO ANDRADE JÚNIOR, 154, TATUAPÉ- SP-SP CONTATOS- FONE: 66921958

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